{"id":4335,"date":"2017-10-23T18:47:09","date_gmt":"2017-10-23T18:47:09","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=4335"},"modified":"2017-10-23T18:47:09","modified_gmt":"2017-10-23T18:47:09","slug":"para-manter-cirurgias-de-emergencia-oito-hospitais-municipais-cortam-70-das-operacoes-eletivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2017\/10\/para-manter-cirurgias-de-emergencia-oito-hospitais-municipais-cortam-70-das-operacoes-eletivas\/","title":{"rendered":"Para manter cirurgias de emerg\u00eancia, oito hospitais municipais cortam 70% das opera\u00e7\u00f5es eletivas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-4336\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/rocha_faria_fila-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" \/>fonte: O Globo<\/p>\n<p>A crescente crise que se desenha na sa\u00fade municipal vem aumentando a agonia de pacientes que est\u00e3o na fila por cirurgias. Segundo relatos de diretores de hospitais \u00e0 Comiss\u00e3o de Sa\u00fade da C\u00e2mara Municipal do Rio, os oito grande hospitais de emerg\u00eancia da cidade, sofrendo com a falta de insumos b\u00e1sicos em seus estoques, est\u00e3o sendo obrigados a suspender ao menos 70% das opera\u00e7\u00f5es eletivas (programadas) para dar conta da demanda de quem precisa ser operado com a m\u00e1xima urg\u00eancia. De acordo com o vereador Paulo Pinheiro (<strong>PSOL<\/strong>), membro da comiss\u00e3o que tem visitado as unidades, o problema se agravou no \u00faltimo m\u00eas:<\/p>\n<p>\u2014 O problema \u00e9 de toda a rede. As UPAs n\u00e3o est\u00e3o atendendo, ent\u00e3o a frequ\u00eancia de pessoas na porta de emerg\u00eancias como as do\u00a0<strong>Souza Aguiar<\/strong>\u00a0e do<strong>\u00a0Salgado Filho<\/strong>\u00a0aumentou. A falta de materiais aumenta a fila por cirurgias eletivas. Se elas tivessem transcorrendo normalmente, a fila no sistema de regula\u00e7\u00e3o n\u00e3o estaria t\u00e3o grande \u2014 ressaltou Pinheiro.<\/p>\n<p>Segundo o vereador, o Hospital Salgado Filho, no M\u00e9ier, por exemplo, enfrentava, na \u00faltima sexta-feira, a falta de 146 insumos b\u00e1sicos, como gaze e luvas, e de 57 medicamentos, desde analg\u00e9sicos e antit\u00e9rmicos at\u00e9 antibi\u00f3ticos. O hospital, segundo m\u00e9dicos que trabalham no local, tem apelado para o escambo: troca rem\u00e9dios sobressalentes com outras unidades para manter o estoque \u201cbaixo, por\u00e9m abastecido\u201d, como informou um profissional que pediu para n\u00e3o ser identificado. O n\u00famero total de procedimentos cir\u00fargicos, que gira em torno de 550 ao m\u00eas, caiu para cerca de 450 em setembro.<\/p>\n<p>\u2014 Est\u00e3o dando prefer\u00eancia \u00e0 emerg\u00eancia pela falta de materiais \u2014 disse um m\u00e9dico do Salgado. \u2014 A demanda est\u00e1 muito grande, e estamos priorizando o setor de trauma (por onde chegam baleados e acidentados). Enquanto os hospitais federais n\u00e3o entrarem na regula\u00e7\u00e3o e refor\u00e7arem a realiza\u00e7\u00e3o de cirurgias eletivas, n\u00e3o tem como resolver o problema.<\/p>\n<p>Segundo Pinheiro, o problema atinge tamb\u00e9m os hospitais Miguel Couto, na G\u00e1vea, Souza Aguiar, no Centro,\u00a0<strong>Louren\u00e7o Jorge<\/strong>, na Barra,\u00a0<strong>Pedro II<\/strong>, em Santa Cruz, Rocha Faria, em Campo Grande,\u00a0<strong>Albert Schweitzer<\/strong>, em Realengo e Evandro Freire, na Ilha do Governador. Diante da situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica dos estoques, a prefeitura concordou, segundo uma fonte ouvida pelo GLOBO, com a libera\u00e7\u00e3o emergencial de R$ 26 milh\u00f5es para uma parte dessas grandes unidades.<\/p>\n<p>Questionada sobre a suspens\u00e3o de procedimentos eletivos, a Secretaria Municipal de Sa\u00fade enviou uma nota afirmando que \u201ctodos os hospitais de emerg\u00eancia mant\u00eam seus mapas de cirurgias eletivas, por\u00e9m a prioridade nessas unidades ser\u00e1 sempre para os casos de emerg\u00eancia e de maior risco que cheguem ao pronto atendimento\u201d.<\/p>\n<p>Um enfermeiro do Hospital Salgado Filho disse que faltam de luva a gaze, mas que o problema mais grave \u00e9 providenciar roupa de cama para os leitos:<\/p>\n<p>\u2014 Nunca vi faltarem insumos t\u00e3o b\u00e1sicos na rede municipal desse jeito. Hoje estamos tendo problemas at\u00e9 com roupa de cama. H\u00e1 um desgaste natural desses materiais e nenhuma reposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No\u00a0<strong>Evandro Freire<\/strong>, na Ilha do Governador, funcion\u00e1rios contaram \u00e0 Comiss\u00e3o de Sa\u00fade da C\u00e2mara, semana passada, que os estoques dependiam de \u201cdoa\u00e7\u00f5es\u201d de insumos, levados de ambul\u00e2ncia, de outros hospitais.<\/p>\n<p><strong>ATENDIMENTO RESTRITO NO ROCHA FARIA<\/strong><\/p>\n<p>O atendimento no Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, continuava desfalcado ontem, um dia ap\u00f3s 58 funcion\u00e1rios terem faltado ao plant\u00e3o da madrugada. Pela manh\u00e3, a emerg\u00eancia s\u00f3 estava recebendo casos graves, apesar de a dire\u00e7\u00e3o afirmar que nenhum m\u00e9dico deixou de comparecer ontem. Profissionais da unidade contaram, no entanto, que muitos t\u00e9cnicos de enfermagem, com sal\u00e1rios atrasados, voltaram a faltar. Os que foram trabalhar acabaram sendo obrigados a dobrar o expediente e atender por at\u00e9 30 horas seguidas. Os problemas no hospital levaram a 24 pedidos de demiss\u00e3o este m\u00eas.<\/p>\n<p>Muitas pessoas que procuram o Rocha Faria voltaram para casa sem atendimento. Foi o caso de Alexandra Concei\u00e7\u00e3o dos Santos, que levou o filho Matheus Ant\u00f4nio, de 5 anos, mas n\u00e3o conseguiu que ele fosse examinado. Segundo ela, o menino, que estava h\u00e1 dois dias com 39 graus de febre, chegou a ser consultado em uma\u00a0<strong>Unidade de Pronto Atendimento<\/strong>\u00a0(<strong>UPA<\/strong>). Ap\u00f3s os exames de sangue e urina do garoto n\u00e3o acusarem nada, ela resolveu tentar uma segunda opini\u00e3o no hospital, mas n\u00e3o conseguiu:<\/p>\n<p>\u2014 O que mais me revolta \u00e9 que enterrei minha m\u00e3e h\u00e1 um m\u00eas. Ela entrou aqui com fratura no f\u00eamur e saiu morta. Era um jogo de empurra entre os m\u00e9dicos. O ortopedista passava para o cl\u00ednico, que dizia que era com o ortopedista. Agora estou h\u00e1 duas noites sem dormir, tentando saber o que meu filho tem, pois a febre n\u00e3o baixa.<\/p>\n<p>Alexandre Val\u00e9rio, que acompanhava a mulher, Maria Luiza da Silva, que caiu de uma janela do segundo andar de casa, conta que os pacientes que chegaram ao Rocha Faria depois das 22h, na sexta-feira passada, n\u00e3o foram atendidos. Ele entrou na unidade por volta das 18h, antes da paralisa\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos de enfermagem:<\/p>\n<p>\u2014 O Samu n\u00e3o est\u00e1 trazendo mais pacientes para c\u00e1 desde sexta, por volta de 22h. Minha mulher foi bem atendida, recebeu atendimento, fez raio-X, tomografia e cirurgia no pulso porque quebrou o bra\u00e7o na queda, mas o hospital est\u00e1 vazio.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o social Iabas, que administra o Rocha Faria, afirmou que o hospital continua prestando atendimento, apesar do atraso de repasses de R$ 14 milh\u00f5es por parte da prefeitura. Na \u00faltima quinta-feira, a organiza\u00e7\u00e3o recebeu, pelo contrato do complexo hospitalar, repasse de R$ 5 milh\u00f5es do munic\u00edpio.<\/p>\n<p><strong>CL\u00cdNICAS DA FAM\u00cdLIA DEMITEM, DIZ ASSOCIA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o atinge n\u00e3o s\u00f3 emerg\u00eancias, mas a sa\u00fade b\u00e1sica tamb\u00e9m. No c\u00e1lculo da Associa\u00e7\u00e3o de Medicina de Fam\u00edlia e Comunidade, por causa da crise, 174 profissionais de cl\u00ednicas da fam\u00edlia foram demitidos desde o in\u00edcio do ano. S\u00e3o principalmente agentes comunit\u00e1rios de sa\u00fade, mas tamb\u00e9m enfermeiros e dentistas, por exemplo. Muitos atuavam na Zona Oeste, segundo o presidente da associa\u00e7\u00e3o, Mois\u00e9s Nunes.<\/p>\n<p>\u2014 Muitos estavam lotados na \u00e1rea de Santa Cruz, que \u00e9 muito vulner\u00e1vel e onde as equipes percorrem grandes dist\u00e2ncias. Isso est\u00e1 acontecendo porque as Organiza\u00e7\u00f5es Sociais n\u00e3o est\u00e3o recebendo repasses da prefeitura e acabam demitindo \u2014 afirma Nunes. \u2014 A gente v\u00ea esse fen\u00f4meno com bastante gravidade, porque a principal tecnologia da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o do profissional com o paciente. Se voc\u00ea fragiliza essa rela\u00e7\u00e3o, fragiliza o cerne da medicina de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Para o ano que vem, a perspectiva \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o se agrave. De acordo com o vereador Paulo Pinheiro, o or\u00e7amento previsto para 2018 \u00e9 de R$ 4,9 bilh\u00f5es, o equivalente ao de 2016. Embora o or\u00e7amento de 2017 tenha sido de R$ 5,4 bilh\u00f5es, at\u00e9 agora s\u00f3 foram usados R$ 4,5 bilh\u00f5es por causa do contingenciamento de verbas. Na quinta-feira, a C\u00e2mara vai discutir esse valor em audi\u00eancia p\u00fablica com a Secretaria Municipal de Sa\u00fade e das comiss\u00f5es de Finan\u00e7as e Sa\u00fade da Casa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo A crescente crise que se desenha na sa\u00fade municipal vem aumentando a agonia de pacientes que est\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-4335","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4335","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4335"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4335\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4337,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4335\/revisions\/4337"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}