{"id":4298,"date":"2017-10-17T10:53:09","date_gmt":"2017-10-17T10:53:09","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=4298"},"modified":"2017-10-17T10:53:09","modified_gmt":"2017-10-17T10:53:09","slug":"planos-rejeitam-ate-30-das-indicacoes-de-cirurgia-apos-reavaliacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2017\/10\/planos-rejeitam-ate-30-das-indicacoes-de-cirurgia-apos-reavaliacao\/","title":{"rendered":"Planos rejeitam at\u00e9 30% das indica\u00e7\u00f5es de cirurgia ap\u00f3s reavalia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-4299\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/cirurgia_minimamente-300x185.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"185\" \/>fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n<p>Operadoras de sa\u00fade reveem a necessidade de at\u00e9 30% das cirurgias indicadas por m\u00e9dicos da rede privada. Isso \u00e9 o que indicam balan\u00e7os in\u00e9ditos de duas das maiores operadoras do Pa\u00eds, que submetem milhares de casos a uma junta m\u00e9dica para segunda ou terceira opini\u00e3o ap\u00f3s o diagn\u00f3stico vindo do primeiro profissional.<\/p>\n<p>Na SulAmerica, que reavalia cerca de 450 pedidos por m\u00eas, 30% dos casos foram contraindicados. Na Amil, em que a junta m\u00e9dica rev\u00ea 180 solicita\u00e7\u00f5es mensalmente, o \u00edndice de contraindica\u00e7\u00e3o integral \u00e9 de 10%. O\u00a0<strong>Estado<\/strong>\u00a0procurou outras duas das maiores operadoras do mercado, mas as empresas n\u00e3o informaram se seguem esse tipo de protocolo.<\/p>\n<p>Segundo as duas operadoras que adotam a medida, h\u00e1 tr\u00eas principais raz\u00f5es para a indica\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria de cirurgia: discord\u00e2ncia entre profissionais sobre o melhor tratamento a seguir, falta de conhecimento do m\u00e9dico sobre alternativas para cada doen\u00e7a e m\u00e1-f\u00e9 de alguns profissionais interessados em lucrar com o procedimento. As juntas tamb\u00e9m s\u00e3o uma alternativa \u00e0 crescente judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, que eleva os gastos de empresas do setor.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Conselho Federal de Medicina (CFM) acredita que os n\u00fameros de cirurgias contraindicadas ap\u00f3s reavalia\u00e7\u00e3o \u00e9 exagerado e que casos desse tipo s\u00e3o \u201cextremamente raros\u201d.<\/p>\n<p>\u201cExiste, sim, a quest\u00e3o da fraude, de m\u00e9dicos interessados em comiss\u00f5es de fabricantes de materiais como \u00f3rteses e pr\u00f3teses, mas esses casos s\u00e3o a minoria. Acreditamos que a maioria dos casos est\u00e1 relacionada ao fato de o profissional n\u00e3o estar t\u00e3o atualizado sobre as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas\u201d, diz Andr\u00e9a Matsushita, superintendente de opera\u00e7\u00f5es e an\u00e1lise m\u00e9dica da SulAm\u00e9rica.<\/p>\n<p>Segundo Maria Alicia Lima Peralta, vice-presidente jur\u00eddica do UnitedHealth Group Brasil, grupo respons\u00e1vel pela Amil, a consulta a uma junta m\u00e9dica (terceira opini\u00e3o) se d\u00e1 quando h\u00e1 discord\u00e2ncia entre o m\u00e9dico do paciente e aquele que representa a operadora.<\/p>\n<p>\u201cPelas regras da ANS\u00a0<em>(Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar)<\/em>, o profissional que vai desempatar deve ser independente e escolhido consensualmente pelo m\u00e9dico do benefici\u00e1rio e o da operadora\u201d, explica.<\/p>\n<p>Na Amil, a maioria dos casos levados \u00e0 reavalia\u00e7\u00e3o s\u00e3o os que envolvem a implanta\u00e7\u00e3o das chamadas OPMEs (\u00f3rteses, pr\u00f3teses e materiais especiais), como cirurgias que exigem coloca\u00e7\u00e3o de pinos e parafusos.<\/p>\n<p>Na SulAm\u00e9rica, as especialidades que concentram o maior n\u00famero de casos enviados para a junta m\u00e9dica s\u00e3o bucomaxilofacial, ortopedia e neurocirurgia com subespecialidade em coluna e cirurgia pl\u00e1stica. \u201cSe a operadora apenas nega a cobertura do procedimento, o paciente pode n\u00e3o entender e entrar na Justi\u00e7a\u201d, afirma Andr\u00e9a, da SulAmerica.<\/p>\n<p><strong>Revis\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A bailarina e personal trainer P\u00e9rcida Freire Justo, de 59 anos, foi uma das pacientes que n\u00e3o enfrentou a cirurgia ap\u00f3s reavalia\u00e7\u00e3o da junta m\u00e9dica da SulAm\u00e9rica. Por causa da profiss\u00e3o, ela desenvolveu h\u00e9rnias na coluna. H\u00e1 dois anos, o problema se agravou e ela teve a indica\u00e7\u00e3o de uma cirurgia.<\/p>\n<p>\u201cEstava com muitas dores, comecei a perder mobilidade. O m\u00e9dico olhou os exames e disse que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o seria a cirurgia. Sa\u00ed do consult\u00f3rio desesperada porque ningu\u00e9m se sente confort\u00e1vel ao saber que vai ter que passar por uma cirurgia na coluna\u201d, conta.<\/p>\n<p>Ao pedir autoriza\u00e7\u00e3o para o procedimento, foi procurada pela operadora para que fosse reavaliada pela junta m\u00e9dica. No caso, foram quatro m\u00e9dicos, de diferentes especialidades, que a examinaram para dar um parecer. \u201cEles chegaram \u00e0 conclus\u00e3o que dava para tentar o tratamento de outra forma, com fisioterapia, quiropraxia. E foi o que fiz.\u201d<\/p>\n<p>Ela passou a fazer diferentes terapias tr\u00eas vezes por semana, por tr\u00eas meses, e as dores foram passando. \u201cSempre pratiquei muito exerc\u00edcio e fortaleci a musculatura. Isso tamb\u00e9m ajudou. Hoje retomei minha rotina e tenho vida normal\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Opera\u00e7\u00f5es sem necessidade s\u00e3o raras, diz CFM<\/strong><\/p>\n<p>Coordenador da Comiss\u00e3o Nacional de Sa\u00fade Suplementar do Conselho Federal de Medicina, Salom\u00e3o Rodrigues afirma que o levantamento das operadoras est\u00e1 em desacordo com a realidade. Para ele, \u00e9 uma \u201cgrave acusa\u00e7\u00e3o contra os m\u00e9dicos brasileiros\u201d.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o Rodrigues, a entidade n\u00e3o tem um levantamento sobre den\u00fancias do tipo, mas os casos (em que os procedimentos cir\u00fargicos s\u00e3o indicados sem necessidades) s\u00e3o \u201cextremamente raros\u201d.<\/p>\n<p>Para ele, h\u00e1 o risco de o m\u00e9dico respons\u00e1vel por desempatar, pago pela operadora, n\u00e3o ter a independ\u00eancia necess\u00e1ria para exercer a fun\u00e7\u00e3o. Rodrigues ainda sugere participa\u00e7\u00e3o mais ativa do CFM para atuar nestes casos.<\/p>\n<p>Procurada nesta segunda-feira, 16, para comentar, a Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS), \u00f3rg\u00e3o do governo respons\u00e1vel pelo setor, n\u00e3o se manifestou at\u00e9 as 20h40.<\/p>\n<p><strong>Pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>Em um panorama em que m\u00e9dicos e operadoras podem tomar lados opostos, pesquisar sobre as qualifica\u00e7\u00f5es dos profissionais e das institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o, segundo o professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Renato Couto.<\/p>\n<p>\u201cTemos muita informa\u00e7\u00e3o, mas o problema \u00e9 a qualidade. Precisamos ter mais portais com informa\u00e7\u00f5es mais seguras\u201d, defende.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o Operadoras de sa\u00fade reveem a necessidade de at\u00e9 30% das cirurgias indicadas por m\u00e9dicos da rede privada. 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