{"id":3338,"date":"2017-08-14T13:42:57","date_gmt":"2017-08-14T13:42:57","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=3338"},"modified":"2017-08-14T13:42:57","modified_gmt":"2017-08-14T13:42:57","slug":"cirurgia-bariatrica-cresce-no-pais-e-pode-incluir-ainda-mais-pacientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2017\/08\/cirurgia-bariatrica-cresce-no-pais-e-pode-incluir-ainda-mais-pacientes\/","title":{"rendered":"Cirurgia bari\u00e1trica cresce no pa\u00eds e pode incluir ainda mais pacientes"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>Em avan\u00e7o no pa\u00eds, a cirurgia bari\u00e1trica poder\u00e1 se desvincular da quest\u00e3o do peso e incluir ainda mais pacientes.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos cinco anos, o n\u00famero de cirurgias realizadas no pa\u00eds cresceu 39%, de 72 mil em 2012 para 100 mil em 2016, segundo a SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bari\u00e1trica e Metab\u00f3lica).<\/p>\n<p>A maior parte dos procedimentos acontece entre usu\u00e1rios da rede privada e de planos de sa\u00fade. No SUS, o avan\u00e7o \u00e9 semelhante (35%), mas a escala \u00e9 menor: de 6.020 em 2012 para 8.157 em 2016, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>M\u00e9dicos que atuam no setor atribuem o crescimento \u00e0 maior disponibilidade de informa\u00e7\u00f5es sobre a cirurgia e ao avan\u00e7o da obesidade, que aumentou 60% em dez anos.<\/p>\n<p>&#8220;E esse n\u00famero n\u00e3o vai diminuir, a menos que haja uma revolu\u00e7\u00e3o na parte cl\u00ednica ou na preven\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Caetano Marchesini, presidente da SBCBM. Segundo ele, o n\u00famero de operados ainda \u00e9 baixo: menos de 1,5% dos 9 milh\u00f5es de pacientes eleg\u00edveis.<\/p>\n<p>Podem ser candidatos \u00e0 cirurgia pacientes com IMC (\u00edndice de massa corporal, que \u00e9 o peso dividido pela altura ao quadrado) acima de 40 kg\/m\u00b2 ou maior que 35 kg\/m\u00b2 quando h\u00e1 doen\u00e7as relacionadas, como diabetes e hipertens\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas uma proposta enviada em janeiro ao CFM (Conselho Federal de Medicina) defende a redu\u00e7\u00e3o do IMC para 30 kg\/m\u00b2 para pacientes de diabetes tipo 2 n\u00e3o controlado.<\/p>\n<p>&#8220;Se operarmos s\u00f3 pelo peso, estamos excluindo quem n\u00e3o est\u00e1 sob controle s\u00f3 com rem\u00e9dios, como os diab\u00e9ticos&#8221;, diz Ricardo Cohen, do Centro de Obesidade e Diabetes do hospital Oswaldo Cruz.<\/p>\n<p>Segundo ele, a ideia \u00e9 indicar o procedimento tamb\u00e9m como alternativa a pacientes no in\u00edcio do tratamento. &#8220;Quanto mais precocemente indicar a cirurgia, com menor tempo de uso de insulina, melhores os resultados&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Em nota, o CFM afirma que a solicita\u00e7\u00e3o est\u00e1 sob an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Uma eventual mudan\u00e7a, por\u00e9m, ainda gera pol\u00eamica entre m\u00e9dicos. Para o endocrinologista Bruno Geloneze, da Unicamp, a tentativa de alterar os crit\u00e9rios para pacientes com diabetes desconsidera o avan\u00e7o de outras alternativas de tratamento e desconsidera o baixo acesso \u00e0 bari\u00e1trica na rede p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-3339 size-full\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/bariatrica1.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"1837\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Por que vamos diminuir o IMC, ampliar a quantidade de pessoas a serem operadas, sendo que n\u00e3o operamos praticamente ningu\u00e9m que deveria ser operado?&#8221;, questiona. &#8220;Come\u00e7a a tend\u00eancia a operar quem n\u00e3o precisa.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 para Luiz Turatti, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, a mudan\u00e7a pode trazer mais uma alternativa de tratamento. Ele defende, por\u00e9m, que haja crit\u00e9rios bem definidos para acesso \u00e0 cirurgia, como avalia\u00e7\u00e3o por endocrinologistas. &#8220;N\u00e3o pode generalizar&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo Marchesini, al\u00e9m da proposta de reduzir o IMC para tratar diabetes, h\u00e1 discuss\u00f5es para que isso ocorra tamb\u00e9m em casos como colesterol alto e hipertens\u00e3o.<\/p>\n<p><b>NOVAS T\u00c9CNICAS<\/b><\/p>\n<p>Al\u00e9m da poss\u00edvel amplia\u00e7\u00e3o da lista de candidatos \u00e0 bari\u00e1trica, o reconhecimento de algumas t\u00e9cnicas de cirurgias hoje tidas como experimentais tamb\u00e9m t\u00eam sido alvo de discuss\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da gastrectomia vertical com interposi\u00e7\u00e3o ileal, tipo de bari\u00e1trica que voltou a gerar pol\u00eamica neste ano ap\u00f3s ter sido feita pelo ex-jogador Rom\u00e1rio para tratar diabetes, mas que ainda n\u00e3o \u00e9 aprovada pelo CFM.<\/p>\n<p>O modelo, por\u00e9m, ainda gera ressalvas.<\/p>\n<p>&#8220;A t\u00e9cnica cir\u00fargica n\u00e3o pode ser s\u00f3 eficiente, tem que ser fact\u00edvel. \u00c9 preciso estudos mais aprofundados a longo prazo&#8221;, diz Marchesini.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3340\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/bariatrica2.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"2204\" \/><\/p>\n<p>Cohen concorda. &#8220;A inova\u00e7\u00e3o tem que ser estimulada, mas testada primeiro.&#8221;<\/p>\n<p>Um desses estudos \u00e9 hoje conduzido pelo n\u00facleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do S\u00edrio-Lib\u00e2nes, que busca comparar a interposi\u00e7\u00e3o ileal e outras t\u00e9cnicas reconhecidas, como o bypass g\u00e1strico. Os resultados ap\u00f3s dois anos devem ser divulgados neste semestre.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do debate sobre os modelos de bari\u00e1trica, uma outra t\u00e9cnica de redu\u00e7\u00e3o do est\u00f4mago tamb\u00e9m tem chamado a aten\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Trata-se da gastroplastia endosc\u00f3pica, procedimento em estudo na Faculdade de Medicina do ABC e que usa endoscopia para costurar parte do est\u00f4mago.<\/p>\n<p>De acordo com o endoscopista Eduardo Grecco, a t\u00e9cnica \u00e9 indicada para pacientes com IMC entre 30 kg\/m\u00b2 e 40 kg\/m\u00b2, mesmo sem comorbidades. &#8220;\u00c9 uma op\u00e7\u00e3o de tratamento da obesidade&#8221;, afirma ele, que compara a t\u00e9cnica ao bal\u00e3o intrag\u00e1strico.<\/p>\n<p>A perda de peso, por\u00e9m, \u00e9 menor do que a bari\u00e1trica \u2013at\u00e9 20% do peso, contra 40% da cirurgia comum. J\u00e1 o ponto positivo, diz, \u00e9 a aus\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es severas.<\/p>\n<p>Em nota, o CFM afirma que qualquer interven\u00e7\u00e3o para tratar obesidade, diabetes e outras doen\u00e7as que n\u00e3o estejam em resolu\u00e7\u00e3o do conselho s\u00e3o consideradas experimentais. Sem a aprova\u00e7\u00e3o, tais t\u00e9cnicas s\u00f3 podem ser feitas no Brasil com base em par\u00e2metros definidos em protocolos de pesquisa, completa.<\/p>\n<p><b>ESFOR\u00c7O DI\u00c1RIO<\/b><\/p>\n<p>Quando Cristiane Carvalhes, 38, decidiu, h\u00e1 sete anos, fazer a cirurgia bari\u00e1trica, sobravam d\u00favidas. Tantas que depois ela at\u00e9 chegou a criar um di\u00e1rio virtual para ajudar outros pacientes.<\/p>\n<p>Hoje, ap\u00f3s o desfecho da pr\u00f3pria experi\u00eancia, o objetivo \u00e9 informar sobre os riscos de largar o acompanhamento nutricional e o exerc\u00edcio.<\/p>\n<p>&#8220;Quero mostrar que a cirurgia n\u00e3o \u00e9 um milagre. Muitos diziam: \u00e9 f\u00e1cil emagrecer assim. Mas n\u00e3o \u00e9. Voc\u00ea entra numa reeduca\u00e7\u00e3o alimentar para o resto da vida. Se n\u00e3o seguir, volta a engordar&#8221;, afirma ela, que voltou a ganhar cerca de 30 kg desde o nascimento da filha, h\u00e1 dois anos, quando derrapou na dieta e deixou de lado os exerc\u00edcios.<\/p>\n<p>O valor corresponde \u00e0 metade do que havia perdido ap\u00f3s a bari\u00e1trica, quando passou de 117 kg para 57 kg. Hoje, est\u00e1 com 89 kg.<\/p>\n<p>A estimativa \u00e9 que 15% dos pacientes recuperam at\u00e9 metade do peso perdido, segundo Caetano Marchesini, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bari\u00e1trica e Metab\u00f3lica.<\/p>\n<p>&#8220;Sem d\u00favida operar \u00e9 mais eficaz que muitos tratamentos cl\u00ednicos. Mas, se n\u00e3o est\u00e1 bem preparado, os pacientes reganham peso. Onde est\u00e1 a maior demanda tamb\u00e9m aparecem as maiores complica\u00e7\u00f5es&#8221;, diz Cl\u00e1udia Cozer, do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas.<\/p>\n<p>Outros efeitos, como defici\u00eancias nutricionais, tamb\u00e9m s\u00e3o esperados: anemia, perda do cabelo e osteoporose s\u00e3o algumas das queixas.<\/p>\n<p>De acordo com Geloneze, a situa\u00e7\u00e3o ocorre porque cirurgia \u00e9 um mecanismo de &#8220;desnutri\u00e7\u00e3o programada&#8221;. &#8220;Da\u00ed ser mandat\u00f3ria a reposi\u00e7\u00e3o e o uso de vitaminas. Desnutri\u00e7\u00e3o \u00e9 regra, os casos graves \u00e9 que s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Cheguei a ter que fazer reposi\u00e7\u00e3o intravenosa de ferro por um bom tempo&#8221;, conta Cristiane.<\/p>\n<p>Mas por quanto tempo isso \u00e9 necess\u00e1rio? &#8220;Vamos ser defensivos: vitamina para o resto da vida&#8221;, diz Ricardo Cohen, do Hospital Oswaldo Cruz. A vantagem, afirma, \u00e9 que ao diminuir o excesso de peso, diminui o risco de problemas mais graves associadas \u00e0 obesidade -como diabetes e hipertens\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um mito achar que a cirurgia vai te deixar magra para o resto da vida. \u00c9 s\u00f3 uma ferramenta para te ajudar nesse processo&#8221;, diz Cristiane.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Em avan\u00e7o no pa\u00eds, a cirurgia bari\u00e1trica poder\u00e1 se desvincular da quest\u00e3o do peso e incluir [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-3338","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3338","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3338"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3338\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3342,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3338\/revisions\/3342"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3338"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3338"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3338"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}