{"id":3308,"date":"2017-08-07T12:58:27","date_gmt":"2017-08-07T12:58:27","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=3308"},"modified":"2017-08-07T12:58:27","modified_gmt":"2017-08-07T12:58:27","slug":"hospitais-usam-biopsia-menos-invasiva-para-monitorar-cancer-de-pulmao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2017\/08\/hospitais-usam-biopsia-menos-invasiva-para-monitorar-cancer-de-pulmao\/","title":{"rendered":"Hospitais usam bi\u00f3psia menos invasiva para monitorar c\u00e2ncer de pulm\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-3309\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/ac_camargo-300x106.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"106\" \/>fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n<p>Tr\u00eas grandes hospitais de S\u00e3o Paulo inclu\u00edram na rotina cl\u00ednica hospitalar a realiza\u00e7\u00e3o da bi\u00f3psia l\u00edquida como forma de monitoramento do c\u00e2ncer de pulm\u00e3o. Trata-se de um exame minimamente invasivo, r\u00e1pido e indolor, realizado por meio de uma simples coleta de sangue do paciente, que consegue detectar fragmentos de DNA do tumor na corrente sangu\u00ednea (ct DNA) e prever o risco de resist\u00eancia \u00e0 droga que est\u00e1 sendo utilizada. At\u00e9 ent\u00e3o, apenas pacientes que participavam de pesquisas nesses centros eram beneficiados.<\/p>\n<p>Segundo o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (Inca), o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o \u00e9 o mais comum dos tumores malignos e um dos mais letais, com sobrevida m\u00e9dia entre 7% a 10% em cinco anos. A grande vantagem da t\u00e9cnica \u00e9 que ela permite monitorar o comportamento do tumor no organismo do paciente sem uma bi\u00f3psia convencional \u2013 em que se retira um fragmento do tumor para an\u00e1lise em laborat\u00f3rio, com interna\u00e7\u00e3o e anestesia \u2013 e sem a necessidade de exames complexos de imagem. Vale ressaltar que a bi\u00f3psia convencional ainda \u00e9 necess\u00e1ria e fundamental para o diagn\u00f3stico correto do tipo de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>O uso da bi\u00f3psia l\u00edquida \u00e9 bem estabelecido mundialmente para o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, e h\u00e1 estudos para tumores de mama e colorretal. No caso do c\u00e2ncer de pulm\u00e3o de pequenas c\u00e9lulas, o exame busca muta\u00e7\u00f5es no gene EGFR, para o qual h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o do uso de uma terapia alvo \u2013 droga que age diretamente no tumor, preservando as outras c\u00e9lulas. Essa muta\u00e7\u00e3o aparece em cerca de 20% dos pacientes.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o in\u00edcio do uso da medica\u00e7\u00e3o, cerca de metade dos pacientes passa a resistir ao medicamento e o tumor volta a progredir. Nesses casos, uma nova bi\u00f3psia l\u00edquida \u00e9 feita e procura-se a muta\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia ao medicamento, a T790M.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 a medicina do futuro. Do ponto de vista cl\u00ednico, \u00e9 isso o que importa: voc\u00ea n\u00e3o ter de fazer nova bi\u00f3psia em um paciente j\u00e1 debilitado. A muta\u00e7\u00e3o T790M n\u00e3o \u00e9 detectada no tumor prim\u00e1rio, mas consigo identific\u00e1-la no sangue sem outra bi\u00f3psia convencional\u201d, afirma Dirce Maria Carraro, pesquisadora e coordenadora do Laborat\u00f3rio de Gen\u00f4mica e Biologia Molecular do AC Camargo.<\/p>\n<p>No AC Camargo Cancer Center, os benef\u00edcios da bi\u00f3psia l\u00edquida come\u00e7aram a ser estudados em 2015. Os resultados foram t\u00e3o satisfat\u00f3rios que, desde o fim de 2016, a t\u00e9cnica passou a ser oferecida como rotina para os pacientes em tratamento no hospital. O mesmo aconteceu no Albert Einstein e no S\u00edrio-Liban\u00eas, que tamb\u00e9m pesquisam os benef\u00edcios e incorporaram a t\u00e9cnica recentemente.<\/p>\n<p>Segundo Helano Freitas, coordenador de pesquisa cl\u00ednica do AC Camargo Cancer Center, em menos de um ano foram feitas cem bi\u00f3psias liquidas na pr\u00e1tica cl\u00ednica. No Einstein, em quatro meses foram 20 exames e no S\u00edrio-Liban\u00eas, 11 bi\u00f3psias. \u201cO tumor de pulm\u00e3o \u00e9 o mais comum do mundo e cerca de 20% dos pacientes ter\u00e3o a muta\u00e7\u00e3o do gene EGFR. Desses, metade tamb\u00e9m ter\u00e1 a muta\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia. Esse \u00e9 um exemplo muito claro e muito bem estabelecido do benef\u00edcio do uso da bi\u00f3psia l\u00edquida como rotina de monitoramento\u201d, diz Freitas.<\/p>\n<p><strong>Antes das imagens.<\/strong>\u00a0Outro potencial da bi\u00f3psia l\u00edquida \u2013 que j\u00e1 \u00e9 considerada uma das principais revolu\u00e7\u00f5es da medicina de precis\u00e3o \u2013 \u00e9 detectar a recidiva do tumor no corpo do paciente, antes mesmo que ele se torne vis\u00edvel em an\u00e1lises convencionais feitas por imagem. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de um estudo realizado pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital S\u00edrio Liban\u00eas, publicado em abril deste ano no Lung Cancer, uma das principais revistas cient\u00edficas da \u00e1rea.<\/p>\n<p>Ao todo, 60 pacientes est\u00e3o sendo monitorados em pesquisa no S\u00edrio-Liban\u00eas e fazem coletas de sangue mensalmente para a realiza\u00e7\u00e3o da bi\u00f3psia l\u00edquida em busca das muta\u00e7\u00f5es alvo e de resist\u00eancia ao tratamento. \u201cAntes, esse monitoramento era feito apenas depois da piora cl\u00ednica do paciente ou da progress\u00e3o da doen\u00e7a\u201d, avalia Anamaria Camargo, coordenadora do Centro de Oncologia Molecular do Instituto de Ensino e Pesquisa do hospital.<\/p>\n<p>Em abril, o hospital publicou um estudo de caso em que mostra ter identificado, por meio da bi\u00f3psia l\u00edquida, a resist\u00eancia ao medicamento na corrente sangu\u00ednea do paciente dois meses antes de a imagem detectar o tumor. Tamb\u00e9m conseguiu identificar uma segunda muta\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia, nunca antes descrita na literatura (amplifica\u00e7\u00e3o do alelo mutado) e sem medica\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cEsse achado \u00e9 fundamental porque no futuro poder\u00e3o ser desenvolvidas drogas espec\u00edficas para essa segunda muta\u00e7\u00e3o. Assim como a T790M justificou a cria\u00e7\u00e3o de um medicamento, essa nova muta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m deve despertar interesse\u201d, afirma a pesquisadora, destacando que a paciente em quest\u00e3o teve a sobrevida prolongada em mais de um ano com o uso da medica\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n<p>A \u00fanica ressalva em rela\u00e7\u00e3o ao uso da bi\u00f3psia l\u00edquida como rotina \u00e9 o custo do procedimento \u2013 que nem sempre \u00e9 coberto pelos planos \u2013 e do medicamento para tratar a resist\u00eancia ao tumor. Cada bi\u00f3psia l\u00edquida custa entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil. A droga foi aprovada recentemente no Brasil e fica em torno de R$ 30 mil a cartela com 30 comprimidos \u2013 o suficiente para um m\u00eas. \u201cO medicamento \u00e9 um avan\u00e7o fant\u00e1stico no tratamento do c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, mas como torn\u00e1-lo acess\u00edvel ao paciente? O alto custo \u00e9 uma barreira\u201d, afirma Freitas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o Tr\u00eas grandes hospitais de S\u00e3o Paulo inclu\u00edram na rotina cl\u00ednica hospitalar a realiza\u00e7\u00e3o da bi\u00f3psia l\u00edquida como forma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-3308","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3308"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3308\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3310,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3308\/revisions\/3310"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}