{"id":3078,"date":"2017-07-10T20:57:27","date_gmt":"2017-07-10T20:57:27","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=3078"},"modified":"2019-02-21T10:17:05","modified_gmt":"2019-02-21T10:17:05","slug":"sera-que-nunca-vamos-deixar-de-ser-o-pais-da-ambulancioterapia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2017\/07\/sera-que-nunca-vamos-deixar-de-ser-o-pais-da-ambulancioterapia\/","title":{"rendered":"Ser\u00e1 que nunca vamos deixar de ser o pa\u00eds da &#8216;ambulancioterapia&#8217;?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-3079\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/samu-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>por Cl\u00e1udia Collucci<\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de acesso, da desorganiza\u00e7\u00e3o e das falcatruas no mundo da sa\u00fade, uma situa\u00e7\u00e3o que me d\u00e1 muita tristeza \u00e9 quando vejo bons programas do SUS serem interrompidos.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu nesta segunda (3) quando soube do encerramento do Telessa\u00fadeRS, um programa que buscava melhorar o atendimento b\u00e1sico no SUS via 0800.<\/p>\n<p>Por meio dele, m\u00e9dicos e enfermeiros das UBS (Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade) de todo o pa\u00eds falavam diretamente com especialistas, tirando d\u00favidas e recebendo orienta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com isso, foi poss\u00edvel reduzir a necessidade de outras consultas e, consequentemente, diminuir as filas de espera do sempre sobrecarregado SUS.<\/p>\n<p>O programa era financiado com verbas federal (via Secretaria de Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade) e estadual. O conv\u00eanio com o governo federal terminou no in\u00edcio do ano e n\u00e3o foi renovado. O Rio Grande do Sul continua com os aportes, ent\u00e3o, o telessa\u00fade continuar\u00e1 atendendo apenas os profissionais de sa\u00fade ga\u00fachos.<\/p>\n<p>Nesta segunda (3), o Facebook do site do telessa\u00fade tinha v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es de pesar de muitos profissionais da sa\u00fade. &#8220;Tempos atr\u00e1s ouvi de um m\u00e9dico estrangeiro, em atua\u00e7\u00e3o na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria brasileira, a seguinte declara\u00e7\u00e3o: &#8216;o telessaudeRS \u00e9 a melhor coisa do Brasil'&#8221;, disse uma m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Iniciado em 2013, o programa tinha sua sede dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Come\u00e7ou como projeto de pesquisa vinculado \u00e0 Faculdade de Medicina e serviu como piloto para o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>At\u00e9 o ano passado, possu\u00eda cerca de 150 profissionais e fazia cerca de 2.000 teleconsultorias gratuitas por m\u00eas em todo o pa\u00eds. A cada tr\u00eas casos discutidos na teleconsultoria, em dois se evitava a ida a um especialista.<\/p>\n<p>O profissional podia resolver, por exemplo, a d\u00favida sobre dosagem de insulina para um paciente sem que ele precisasse entrar em uma lista de espera.<\/p>\n<p>Com isso, o paciente voltava para casa com o problema resolvido, n\u00e3o precisando, muitas vezes, se deslocar para outra cidade e ficar outras filas de espera.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos especialistas ficavam com casos que, realmente, n\u00e3o t\u00eam como ser resolvidos na aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.\u2028 \u00c9 claro que as filas por especialistas n\u00e3o acabaram do dia para a noite, mas essa pr\u00e1tica demonstrou que ser um caminho para se reduzir a espera e imprimir mais resolutividade \u00e0 aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.<\/p>\n<p>O programa tem outra linha de a\u00e7\u00e3o, o RegulaSUS, em parceria com a Secretaria Estadual da Sa\u00fade do Estado. A lista de consultas com especialistas marcadas no interior para a capital \u00e9 analisada e, dependendo do caso, o Telessa\u00fadeRS-UFRGS liga para o m\u00e9dico que encaminhou o paciente e discute a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2015, havia cerca de 171 mil consultas marcadas com especialistas na capital. Ano passado, o n\u00famero caiu para 61 mil. Pesquisa realizada com m\u00e9dicos da rede mostrou \u00edndice de satisfa\u00e7\u00e3o de 97% entre aqueles que utilizaram o servi\u00e7o<\/p>\n<p>E por que um programa com tantas qualidades, aplaudido no exterior e bem conceituado entre os que utilizaram, tem suas atividades suspensas? Vamos esperar o que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tem a dizer sobre isso. Quem quiser se manifestar, pode tamb\u00e9m entrar em contato com a Ouvidoria do SUS\/MS pelo telefone 136.<\/p>\n<p>A prioridade n\u00famero um de um sistema de sa\u00fade como o SUS \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o e a qualifica\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Mas o que se avizinha s\u00e3o retrocessos em todo o pa\u00eds, como esse do Telessa\u00fade, al\u00e9m de um esvaziamento cada vez maior de equipes do ESF (Estrat\u00e9gia de Sa\u00fade da Fam\u00edlia), um sucateamento das unidades de sa\u00fade e um desabastecimento de rem\u00e9dios.<\/p>\n<p>Enquanto isso, nossos gestores em sa\u00fade ainda parecem mais preocupados em abrir pequenos hospitais n\u00e3o resolutivos (mas que ainda rendem votos) e comprar ambul\u00e2ncias para despachar o paciente a um ambulat\u00f3rio ou hospital-refer\u00eancia mais pr\u00f3ximo. A sensa\u00e7\u00e3o que d\u00e1 \u00e9 que nunca vamos deixar de ser o pa\u00eds &#8220;ambulancioterapia&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP por Cl\u00e1udia Collucci Al\u00e9m da falta de acesso, da desorganiza\u00e7\u00e3o e das falcatruas no mundo da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,2],"tags":[],"class_list":["post-3078","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3078","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3078"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3078\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3080,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3078\/revisions\/3080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}