{"id":2972,"date":"2017-07-17T10:45:31","date_gmt":"2017-07-17T10:45:31","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=2972"},"modified":"2017-07-10T22:10:09","modified_gmt":"2017-07-10T22:10:09","slug":"cuidado-paliativo-deve-ser-antecipado-pratica-amplia-sobrevida-e-bem-estar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2017\/07\/cuidado-paliativo-deve-ser-antecipado-pratica-amplia-sobrevida-e-bem-estar\/","title":{"rendered":"Cuidado paliativo deve ser antecipado; pr\u00e1tica amplia sobrevida e bem-estar"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o<\/p>\n<p>Pr\u00e1tica geralmente associada \u00e0 assist\u00eancia dada a pacientes terminais, os cuidados paliativos ganharam neste m\u00eas novo status. Consenso aprovado no \u00faltimo congresso da Associa\u00e7\u00e3o Americana de Oncologia Cl\u00ednica, em Chicago (EUA), prev\u00ea que as pr\u00e1ticas voltadas ao conforto e \u00e0 qualidade de vida do paciente devem come\u00e7ar no m\u00e1ximo oito semanas ap\u00f3s o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a avan\u00e7ada, e n\u00e3o apenas na fase final da patologia.<\/p>\n<p>Segundo as an\u00e1lises apresentadas, a pr\u00e1tica aumenta a sobrevida do paciente com c\u00e2ncer, melhora a qualidade de vida e minimiza os sintomas trazidos pela doen\u00e7a. \u201cA nova diretriz refor\u00e7a uma tend\u00eancia que j\u00e1 v\u00ednhamos tentando praticar h\u00e1 anos, da interven\u00e7\u00e3o precoce\u201d, explica Andr\u00e9 Filipe Junqueira dos Santos, vice-presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP). Pesquisa conduzida pelo especialista em um hospital de Ribeir\u00e3o Preto mostrou que os pacientes oncol\u00f3gicos s\u00f3 s\u00e3o encaminhados \u00e0 equipe de cuidados paliativos cerca de seis meses ap\u00f3s o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a metast\u00e1tica.<\/p>\n<p>Os especialistas explicam que, hoje, a pr\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 voltada apenas para casos incur\u00e1veis ou terminais. \u201cH\u00e1 pacientes com bom progn\u00f3stico, que podem viver anos, ou mesmo que tiveram a doen\u00e7a curada, mas que precisam de apoio multidisciplinar\u201d, diz Aldo Louren\u00e7o Dettino, oncologista cl\u00ednico do A. C. Camargo Cancer Center. Ele cita o caso de um paciente com c\u00e2ncer nos ossos que precisou amputar uma perna, teve a doen\u00e7a removida, mas ainda sentia dores que vinham do local amputado &#8211; a condi\u00e7\u00e3o chamada de s\u00edndrome do membro fantasma. \u201c\u00c9 uma dor neurop\u00e1tica. O c\u00e2ncer j\u00e1 havia sido tratado, mas o paciente ainda passava por sofrimento e precisava de suporte.\u201d<\/p>\n<p>Com o aumento nos casos de c\u00e2ncer no Pa\u00eds e a import\u00e2ncia dada a novas abordagens de cuidados paliativos, profissionais de todo o Pa\u00eds se preparam para lidar com isso nas mais dif\u00edceis situa\u00e7\u00f5es, como em casos de c\u00e2ncer infantojuvenis. Um exemplo \u00e9 o de duas funcion\u00e1rias do Hospital Estadual da Crian\u00e7a (HEC) do Rio: a intensivista pedi\u00e1trica Simone Gregory, de 46 anos, e a psic\u00f3loga Mich\u00e8lle \u00c1vila, de 31, que partiram para a especializa\u00e7\u00e3o no programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o sobre o tema do Hospital S\u00edrio Liban\u00eas, refer\u00eancia no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ali aprenderam at\u00e9 que, \u00e0s vezes, as normas s\u00e3o para serem burladas. Mich\u00e8lle e Simone tratavam Alexandre (nome fict\u00edcio), de 16 anos, que tinha no f\u00eamur esquerdo um osteossarcoma, tumor \u00f3sseo agressivo. Certo dia, o rapaz fez um pedido: \u201cMeu cachorro pode vir me ver?\u201d. \u201cN\u00f3s sab\u00edamos que a alta n\u00e3o seria mais poss\u00edvel. O nosso entendimento foi de que ele estava querendo se despedir do c\u00e3ozinho\u201d, conta a psic\u00f3loga. Discutiu-se um protocolo para quebrar a regra de que animais n\u00e3o s\u00e3o permitidos em hospitais. \u201cFoi o primeiro sorriso que eu vi dele\u201d, lembra Mich\u00e8lle.<\/p>\n<p>Para a m\u00e9dica, o grande desafio \u00e9 promover a \u201cconstru\u00e7\u00e3o de mentalidade, a mudan\u00e7a de pensamento\u201d entre os pr\u00f3prios m\u00e9dicos. \u201cN\u00f3s, intensivistas, somos treinados para entubar, pegar veias e devolver aquela crian\u00e7a para a fam\u00edlia. Falta na nossa forma\u00e7\u00e3o esse outro olhar: tem um momento que essas coisas n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis. \u00c9 preciso um outro tipo de cuidado, cuidar daquela fam\u00edlia, transformar aquele momento.\u201d<\/p>\n<p><strong>&#8216;Senti o luto, mas sem ter revolta\u2019, diz m\u00e3e<\/strong><\/p>\n<p>Para a fonoaudi\u00f3loga \u00c9rica Cavalcante de Lucena, de 36 anos, a dor de perder um filho s\u00f3 n\u00e3o foi mais intensa gra\u00e7as \u00e0 atua\u00e7\u00e3o da equipe de cuidados paliativos do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas. Diagnosticado com uma doen\u00e7a cong\u00eanita grave, Miguel morreu aos 6 meses, em novembro de 2015, ap\u00f3s ficar tr\u00eas meses internado. \u201cEu tinha uma terapeuta ocupacional, uma psic\u00f3loga, uma enfermeira e uma m\u00e9dica. Senti o luto, mas sem ter uma revolta porque elas me fizeram ver que eu tinha feito de tudo para o meu filho. No caso, os cuidados paliativos serviram para preparar os familiares para a perda.\u201d<\/p>\n<p>No Hospital Estadual da Crian\u00e7a (HEC) do Rio, o caso de uma paciente fez a equipe discutir mais a import\u00e2ncia dos cuidados paliativos. Diagnosticada com meningite B aos 7 anos, Giovanna morreu 70 dias depois, ap\u00f3s passar por dezenas de transfus\u00f5es de sangue, cirurgias pl\u00e1sticas para enxerto de pele artificial (a infec\u00e7\u00e3o provocou feridas, que necrosaram) e ter bra\u00e7os e pernas amputados, em uma tentativa de salv\u00e1-la da infec\u00e7\u00e3o. \u201cA gente se viu com a necessidade de cuidar al\u00e9m do f\u00edsico. Havia ainda conflitos na equipe. Parte achava que n\u00e3o se deviam fazer esfor\u00e7os em reanima\u00e7\u00f5es, no prolongamento da vida\u201d, diz a intensivista Simone Gregory, de 46 anos.<\/p>\n<p>O primeiro passo foi o apoio aos pais, que conseguiram autoriza\u00e7\u00e3o para ambos acompanharem a filha. \u201cTodo mundo abra\u00e7ou a gente, do m\u00e9dico \u00e0 recepcionista\u201d, disse a veterin\u00e1ria Rosanne da Silva, de 36 anos, m\u00e3e da menina. \u201cNo come\u00e7o do tratamento, recebemos informa\u00e7\u00f5es que foram um choque. O primeiro ortopedista que falou em amputa\u00e7\u00e3o, ainda no hospital particular, disse isso no corredor, com pessoas passando, de supet\u00e3o. \u00c9 importante esse cuidado que encontramos no hospital p\u00fablico. Pode falar tudo, mas com tato.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Estad\u00e3o Pr\u00e1tica geralmente associada \u00e0 assist\u00eancia dada a pacientes terminais, os cuidados paliativos ganharam neste m\u00eas novo status. 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