{"id":2630,"date":"2017-04-04T11:40:19","date_gmt":"2017-04-04T11:40:19","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=2630"},"modified":"2019-02-21T10:17:06","modified_gmt":"2019-02-21T10:17:06","slug":"estado-deve-ser-responsabilizado-por-perda-de-chance-de-cura-de-doente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2017\/04\/estado-deve-ser-responsabilizado-por-perda-de-chance-de-cura-de-doente\/","title":{"rendered":"Estado deve ser responsabilizado por perda de chance de cura de doente?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-188\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/artigos_definitivo-300x166.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"166\" \/>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>por Claudia Collucci<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 quando o Estado permanecer\u00e1 impune a eventuais responsabiliza\u00e7\u00f5es civis pela perda de uma chance do paciente do SUS de ser curado ou de ter uma sobrevida?&#8221;<\/p>\n<p>O questionamento vem do advogado Flavio Cardoso de Albuquerque Filho, especializado na \u00e1rea do direito \u00e0 sa\u00fade, <a href=\"https:\/\/flaviocardozodealbuquerquefilho.jusbrasil.com.br\/artigos\/445143017\/o-estado-como-responsavel-pela-perda-da-chance-de-cura-e-sobrevida-do-paciente-do-sus\" target=\"_blank\">em artigo publicado no site &#8220;JusBrasil&#8221;<\/a>. Ele usou como base uma reportagem publicada nesta <b>Folha<\/b> na semana passada sobre a <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2017\/03\/1871057-tratamento-de-infarto-tem-via-crucis-e-abismo-entre-sus-e-rede-privada.shtml\">via-cr\u00facis de pacientes sergipanos em busca de tratamento de infarto no SUS<\/a>.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio questiona, por exemplo, o fato de apenas 47,5% dos pacientes usu\u00e1rios do SUS chegarem ao hospital especializado em tempo h\u00e1bil para o tratamento do infarto. Nas institui\u00e7\u00f5es privadas, essa taxa foi de 80,5%.<\/p>\n<p>Assim, a v\u00edtima de infarto usu\u00e1ria do SUS tem menos chance de tratamento adequado e, consequentemente, menos chance de sobrevida. O estudo feito em Sergipe deixa isso claro: a taxa de mortalidade de pacientes infartados do SUS foi de 10,3%, enquanto no setor privado, de 4,9%.<\/p>\n<p>Entre outras raz\u00f5es, os pacientes est\u00e3o demorando para chegar ao hospital especializado em tempo h\u00e1bil porque o Estado falha na organiza\u00e7\u00e3o da rede de sa\u00fade e no transporte desses doentes em um prazo inferior a 12 horas (janela do tratamento). Faltam ambul\u00e2ncias, por exemplo.<\/p>\n<p>Sob o ponto de vista jur\u00eddico, essa situa\u00e7\u00e3o se configuraria em &#8220;perda de uma chance&#8221;. Ou, no \u00e2mbito da sa\u00fade, perda de uma chance de cura ou de sobrevida.<\/p>\n<p>Desenvolvida na Fran\u00e7a na d\u00e9cada de 1960 e j\u00e1 aplicada em tribunais europeus e americanos, a teoria da perda de uma chance \u00e9 caracterizado por situa\u00e7\u00f5es em que, por culpa de um agente, a v\u00edtima fica privada de alcan\u00e7ar uma vantagem ou evitar uma perda. Por exemplo, um paciente acometido de doen\u00e7a grave que \u00e9 submetido a um tratamento m\u00e9dico equivocado e vem a morrer em raz\u00e3o daquela doen\u00e7a preexistente ao tratamento.<\/p>\n<p>Os tribunais t\u00eam entendido que o simples fato de o paciente ser impedido de se submeter ao tratamento correto, o qual, ainda que em tese, poderia lhe trazer um benef\u00edcio, representa um dano que deve ser indeniz\u00e1vel. Repito: a mera chance do tratamento j\u00e1 seria um bem jur\u00eddico indeniz\u00e1vel.<\/p>\n<p>No Brasil, essa teoria \u00e9 pouco aplicada, mas h\u00e1 casos emblem\u00e1ticos, como um julgamento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a em 2013. A a\u00e7\u00e3o foi proposta pelo vi\u00favo da v\u00edtima e seus filhos contra o m\u00e9dico que tratou da paciente. A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, aplicou a teoria da perda da chance, defendendo que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de se apurar se o bem final (a vida) foi tolhido da v\u00edtima. O fato \u00e9 que a chance de viver lhe foi subtra\u00edda, e isso bastaria.<\/p>\n<p>Se esse entendimento jur\u00eddico prosperar, a j\u00e1 epid\u00eamica judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade pode assumir contornos inimagin\u00e1veis. Hoje as a\u00e7\u00f5es por medicamentos e tratamentos j\u00e1 consomem cerca de R$ 7 bilh\u00f5es por ano nas tr\u00eas esferas (federal, estadual e municipal). Muitos or\u00e7amentos p\u00fablicos est\u00e3o comprometidos e recursos destinados a programas mais abrangentes, como o que oferta medicamentos, est\u00e3o sendo drenados para o pagamento de demandas judiciais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 claro que esse processo aumenta a iniquidade em sa\u00fade. Quem tem dinheiro ou conhecimento para processar o Estado, tem acesso a rem\u00e9dios e tratamentos mais modernos, cirurgias eletivas em prazo recorde e vagas garantidas na UTI. Sim, senhores, at\u00e9 vagas na UTI tem sido judicializadas.<\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 fato que o aumento de processos judiciais t\u00eam levado o governo federal a acelerar a incorpora\u00e7\u00e3o de novos medicamentos e tratamentos no SUS. A quest\u00e3o \u00e9 saber por quanto tempo o pa\u00eds sustentar\u00e1 canetadas de ju\u00edzes como &#8220;organizadoras&#8221; de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP por Claudia Collucci &#8220;At\u00e9 quando o Estado permanecer\u00e1 impune a eventuais responsabiliza\u00e7\u00f5es civis pela perda de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,2],"tags":[],"class_list":["post-2630","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2630","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2630"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2630\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2631,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2630\/revisions\/2631"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2630"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}