{"id":2166,"date":"2017-01-11T09:50:20","date_gmt":"2017-01-11T09:50:20","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=2166"},"modified":"2019-02-21T10:17:23","modified_gmt":"2019-02-21T10:17:23","slug":"artigo-financiamento-da-saude-brasileira-agrava-sucateamento-do-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2017\/01\/artigo-financiamento-da-saude-brasileira-agrava-sucateamento-do-sus\/","title":{"rendered":"ARTIGO: Financiamento da Sa\u00fade brasileira agrava sucateamento do SUS"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-206\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/logo-do-sus-300x120.jpg\" alt=\"logo-do-sus\" width=\"300\" height=\"120\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/logo-do-sus-300x120.jpg 300w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/logo-do-sus-600x240.jpg 600w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/logo-do-sus-768x307.jpg 768w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/logo-do-sus-1024x409.jpg 1024w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/logo-do-sus.jpg 1651w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>fonte: CFM<\/p>\n<p><em>por\u00a0Marun David Cury* e Jo\u00e3o Sobreira de Moura Neto**<\/em><\/p>\n<p>O SUS \u00e9 um dos maiores sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade do mundo. Contudo, a falta de investimento inviabiliza o atendimento aos mais de 150 milh\u00f5es de brasileiros que dependem de assist\u00eancia do Estado. O Governo repassa mensalmente R$ 7,2 bilh\u00f5es ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, segundo a pr\u00f3pria pasta. S\u00f3 que a cifra \u00e9 insuficiente para todas as demandas.<br \/>\nLei sancionada em 2012 define valor m\u00ednimo a ser direcionado pela Uni\u00e3o, pelo Estado e pelo Munic\u00edpio. O repasse da Federa\u00e7\u00e3o \u00e9 definido anualmente segundo o Or\u00e7amento Geral; j\u00e1 os dois \u00faltimos s\u00e3o porcentagens fixas da receita:12% e 15%, respectivamente.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, v\u00e1rios governos estaduais, al\u00e9m do federal, n\u00e3o est\u00e3o cumprindo seu papel, sobrecarregando a gest\u00e3o municipal; muitos munic\u00edpios, inclusive, precisam despender at\u00e9 40% de seus recursos \u00e0 sa\u00fade. Ali\u00e1s, em virtude do subfinanciamento, os munic\u00edpios, respons\u00e1veis pela aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, s\u00e3o incapazes de suprir todas as necessidades do sistema.<\/p>\n<p>O problema tem raiz hist\u00f3rica. A Uni\u00e3o reduz, h\u00e1 d\u00e9cadas, sua participa\u00e7\u00e3o no financiamento do SUS e nos gastos totais com a sa\u00fade. Atualmente, o governo brasileiro destina 4,66% do PIB ao setor, o que configura uma das piores posi\u00e7\u00f5es no ranking mundial. O \u00edndice \u00e9 muito inferior aos do Canad\u00e1, Fran\u00e7a, Su\u00ed\u00e7a e Reino Unido, por exemplo, cujos valores variam entre 7,6% e 9%.<\/p>\n<p>Se comparado aos vizinhos Uruguai (6,14%), Argentina (4,92) e Bol\u00edvia (4,75%), o Brasil tamb\u00e9m tem m\u00e9dia menor. \u00c9 um dado preocupante, haja vista as dimens\u00f5es continentais de nosso pa\u00eds e a responsabilidade de assistir cerca de 75% da popula\u00e7\u00e3o, que depende somente do SUS. Tal cen\u00e1rio amplia os encargos dos munic\u00edpios, que passam a custear os procedimentos hospitalares e ambulatoriais de m\u00e9dia e alta complexidade, aumentando o rombo de caixa.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 que faltam recursos para realiza\u00e7\u00e3o de cirurgias, para atendimentos ambulatoriais, para programas preventivos e para medicamentos. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m s\u00e3o escassos os fundos para contrata\u00e7\u00e3o de recursos humanos. Tudo isso leva ao sucateamento da sa\u00fade.<\/p>\n<p>O sistema, que j\u00e1 apresenta demanda superior \u00e0 sua capacidade, tamb\u00e9m sofre com crescimento do desemprego. Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 11,41 milh\u00f5es de pessoas perderam seus postos de trabalho no primeiro trimestre do ano. Assim, no primeiro semestre de 2016, 910 mil pessoas abandonaram os planos de sa\u00fade e migraram para o SUS. Nessa conjuntura, hoje, 30% dos usu\u00e1rios paulistas aguardam mais de seis meses para realizar uma consulta na rede p\u00fablica, como atesta pesquisa do Conselho Federal de Medicina. Com a demora no atendimento, as doen\u00e7as agravam-se e, diante do diagn\u00f3stico tardio, os tratamentos s\u00e3o menos efetivos e mais caros.<br \/>\n\u00c9 total falta de respeito e compromisso com o cidad\u00e3o que paga, por meio de impostos, para ter assist\u00eancia digna. O caos da sa\u00fade coloca em risco milh\u00f5es de vidas e promove o agravamento das patologias j\u00e1 existentes. Causa-se, assim, um efeito em cascata, prejudicando todo o sistema e em especial a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para piorar, o Senado Federal acaba de aprovar a PEC 31\/2016, que prorroga a desvincula\u00e7\u00e3o de receitas da Uni\u00e3o at\u00e9 2023. Tal medida possibilitar\u00e1 ao Governo transferir at\u00e9 30% da verba originalmente destinada \u00e0 sa\u00fade para qualquer outra despesa considerada priorit\u00e1ria. Trata-se de um retrocesso que n\u00e3o podemos admitir.<\/p>\n<p><em>*Diretor de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Pediatria<\/em><br \/>\n<em>**Diretor de Defesa Profissional da Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Medicina<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: CFM por\u00a0Marun David Cury* e Jo\u00e3o Sobreira de Moura Neto** O SUS \u00e9 um dos maiores sistemas p\u00fablicos de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":206,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,2],"tags":[],"class_list":["post-2166","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2166","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2166"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2166\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2167,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2166\/revisions\/2167"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2166"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2166"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2166"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}