{"id":2049,"date":"2016-12-12T20:28:39","date_gmt":"2016-12-12T20:28:39","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=2049"},"modified":"2016-12-12T20:28:39","modified_gmt":"2016-12-12T20:28:39","slug":"descobertas-as-celulas-que-iniciam-a-metastase-do-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2016\/12\/descobertas-as-celulas-que-iniciam-a-metastase-do-cancer\/","title":{"rendered":"Descobertas as c\u00e9lulas que iniciam a met\u00e1stase do c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2050\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/12\/salvador_recs-300x200.jpg\" alt=\"salvador_recs\" width=\"300\" height=\"200\" \/>fonte: El Pa\u00eds<\/p>\n<p>Met\u00e1stase \u00e9 uma palavra que provoca medo porque significa a morte em 90% dos casos de <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cancer\/a\">c\u00e2ncer<\/a>. Mas este processo, pelo qual algumas poucas c\u00e9lulas se desprendem do tumor e provocam outros em diferentes partes do corpo, est\u00e1 mais perto de ser compreendido, pelo menos em seu in\u00edcio. Um grupo de pesquisa liderado pelo cientista Salvador Aznar Benitah no IRB de Barcelona publica nesta quarta-feira na revista <em>Nature<\/em> um estudo no qual identifica uma prote\u00edna crucial para que as c\u00e9lulas tumorais possam iniciar a met\u00e1stase. Chama-se CD36 e poderia melhorar o diagn\u00f3stico, revolucionar a terapia e at\u00e9 modificar nossa dieta.<\/p>\n<p>O grupo de Salvador Aznar \u00e9 especializado em um tipo de c\u00e9lula-m\u00e3e que est\u00e1 presente nos tumores e cujo papel \u00e9 potencializar seu crescimento. Estudando o comportamento destas c\u00e9lulas em amostras de carcinoma oral humano encontraram uma subpopula\u00e7\u00e3o que pouco se dividia e apresentava caracter\u00edsticas muito semelhantes \u00e0s das c\u00e9lulas da met\u00e1stase. Al\u00e9m disso, estas c\u00e9lulas mostravam um metabolismo muito elevado das gorduras, o que chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores.<\/p>\n<p>Os cientistas decidiram estudar a prote\u00edna CD36, uma mol\u00e9cula que transporta gorduras e que est\u00e1 na superf\u00edcie dessas c\u00e9lulas. \u201c\u00c9 a porta de entrada dos \u00e1cidos graxos que prov\u00eam do meio externo, da dieta ou de algum outro tecido\u201d, comenta Aznar. Seu grupo a encontrou em c\u00e9lulas metast\u00e1ticas de outros tipos de tumores, como o melanoma ou o c\u00e2ncer de mama luminal e, depois de realizar an\u00e1lises estat\u00edsticas em amostras de pacientes, tamb\u00e9m observou a presen\u00e7a desta prote\u00edna em carcinomas de ov\u00e1rio, de bexiga e de pulm\u00e3o. E o mais importante: quando acrescentaram CD36 a c\u00e9lulas tumorais que n\u00e3o produzem met\u00e1stase, estas come\u00e7aram a fazer isso.<\/p>\n<p>Encontraram assim as c\u00e9lulas que iniciam a met\u00e1stase. Um achado que, em primeiro lugar, pode melhorar seu diagn\u00f3stico. \u201cAcrescentamos um marcador [refer\u00eancia \u00e0 CD36] que nos permite purificar as popula\u00e7\u00f5es metast\u00e1ticas em um n\u00edvel sem precedentes\u201d, afirma Aznar. \u201cN\u00e3o acreditamos que seja o \u00fanico, muito pelo contr\u00e1rio, mas este parece ser universal. Com maior n\u00edvel da CD36 \u00e9 maior a probabilidade de que um tumor metastatize. N\u00e3o comprovamos isso em todos os tumores, mas em grande parte dos mais comuns, e neles h\u00e1 uma associa\u00e7\u00e3o direta entre a presen\u00e7a da CD36 e um pior progn\u00f3stico em pacientes.\u201d<\/p>\n<p>Mas isso era s\u00f3 o come\u00e7o. Se a CD36 \u00e9 uma transportadora de gorduras e est\u00e1 presente em v\u00e1rios tumores que metastatizam, poderia, ent\u00e3o, uma dieta rica em gorduras provocar mais met\u00e1stase? No estudo, ratos inoculados com c\u00e9lulas tumorais e que seguiram uma dieta normal apresentaram met\u00e1stase em 30% dos casos. No entanto, quando eram alimentados com uma dieta 15% mais rica em gorduras, conhecida como \u201cdieta de lanchonete\u201d, cerca de 80% dos ratos tinham mais met\u00e1stase, e de maior tamanho.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o era t\u00e3o direta que o grupo do IRB estudou que tipo de gordura era a mais perigosa. O \u00e1cido palm\u00edtico, um \u00e1cido graxo de origem vegetal e componente principal do \u00f3leo de palma \u2014 presente em uma grande variedade de alimentos processados \u2014, demonstrou ser, de longe, o maior indutor de met\u00e1stase. Adicionar palm\u00edtico a cultivos de c\u00e9lulas tumorais durante t\u00e3o somente 48 horas fazia com que essas c\u00e9lulas fossem capazes de aumentar posteriormente a frequ\u00eancia metast\u00e1tica de 50% a 100% em ratos.<\/p>\n<p>\u201cEste estudo \u00e9 muito novo&#8221;, confirma Joan Seoane, diretor de Pesquisa Translacional do Vall D&#8217;Hebron Instituto de Oncologia (VHIO), e que n\u00e3o esteve envolvido nele. \u201cJ\u00e1 se havia descrito que a CD36 tinha rela\u00e7\u00e3o com o metabolismo dos lip\u00eddios, mas esta \u00e9 a primeira vez que se v\u00ea que essa popula\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas tem uma capacidade metast\u00e1tica superior ao resto das c\u00e9lulas.\u201d<\/p>\n<p>Mas a pesquisa tamb\u00e9m explorou um poss\u00edvel tratamento da met\u00e1stase. Posto que a CD36 \u00e9 um transportador, impedir a passagem de \u00e1cidos graxos atrav\u00e9s dela poderia bloquear o mecanismo e evitar o desenvolvimento desse processo. Isso poderia ser conseguido usando mol\u00e9culas chamadas de anticorpos, que se unem com grande especificidade a outras prote\u00ednas. \u201cComparamos todos os anticorpos comerciais da CD36 e vimos que dois deles efetivamente s\u00e3o neutralizantes: n\u00e3o s\u00f3 reconhecem a prote\u00edna, mas a bloqueiam e t\u00eam um efeito antimetast\u00e1tico tremendo\u201d, relata Aznar. Em 20%, a met\u00e1stase chegava a desaparecer por completo. Nos demais, ocorria uma redu\u00e7\u00e3o de 80%-90% do n\u00famero de focos metast\u00e1ticos, bem como de seu tamanho. Al\u00e9m disso, o tratamento n\u00e3o apresenta efeitos colaterais intoler\u00e1veis, o que abre caminho para a terapia em humanos.<\/p>\n<p>O laborat\u00f3rio j\u00e1 solicitou a prote\u00e7\u00e3o de patente dos resultados e come\u00e7ou uma colabora\u00e7\u00e3o com a empresa inglesa MRC Technology, especializada em desenvolvimento de anticorpos para uso cl\u00ednico. Eles ser\u00e3o testados em ensaios cl\u00ednicos em humanos e, se o resultado for positivo, poderiam estar dispon\u00edveis em um prazo de 5 a 10 anos. Mas esse estudo poderia tamb\u00e9m apontar para outros tratamentos, \u201cTalvez seja algo t\u00e3o simples como modificar a dieta dos pacientes com tumores. \u00c9 algo que dever\u00edamos explorar porque o custo para o sistema de sa\u00fade seria baix\u00edssimo\u201d, indica Aznar. O problema \u00e9 que \u00e9 muito dif\u00edcil conseguir financiamento para um estudo que n\u00e3o est\u00e1 vinculado a um f\u00e1rmaco, mas a uma mudan\u00e7a de dieta. \u201cTem de ser uma iniciativa acad\u00eamica porque muito poucas empresas teriam interesse em um ensaio deste tipo. O financiamento tem de vir de uma entidade p\u00fablica, coisa que complica muito\u201d, explica Seoane.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, esta pesquisa pode ter um impacto elevado em futuros estudos sobre met\u00e1stase. \u201cEste trabalho \u00e9 uma excelente contribui\u00e7\u00e3o ao conhecimento atual sobre as c\u00e9lulas que d\u00e3o origem \u00e0 met\u00e1stase\u201d, comenta Joan Massagu\u00e9, diretor del Memorial Sloan Kettering Cancer Institute, em Nova York, que tampouco participou do estudo. \u201cVivemos um momento de inflex\u00e3o quanto a definir a identidade e propriedades de tais c\u00e9lulas, e isto demonstra a relev\u00e2ncia do metabolismo das gorduras nelas. O impacto deste trabalho, como o de todos deste tipo, ser\u00e1 visto em estudos adicionais. Por exemplo: o trabalho est\u00e1 baseado quase exclusivamente em met\u00e1stases de n\u00f3dulos linf\u00e1ticos, que n\u00e3o s\u00e3o as mais tem\u00edveis\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Claro, estes estudos, a partir de hoje, ter\u00e3o mais ferramentas. Nas palavras de Gloria Pascual, primeira autora do trabalho: \u201cAgora podemos obter c\u00e9lulas de met\u00e1stase no laborat\u00f3rio. Isso nos permitir\u00e1 rastre\u00e1-las e perguntar, por exemplo, onde se localizam no tumor, onde se fixam quando se desprendem e por que s\u00e3o t\u00e3o sens\u00edveis \u00e0 gordura, entre muitas outras perguntas\u201d. \u201cNo fundo, quando se come\u00e7a a entender melhor como algo funciona, come\u00e7am a aparecer alvos. J\u00e1 identificamos um alvo. Pode ser a CD36 ou podem ser 30 coisas mais\u201d, conclui Aznar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: El Pa\u00eds Met\u00e1stase \u00e9 uma palavra que provoca medo porque significa a morte em 90% dos casos de c\u00e2ncer. 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