{"id":1970,"date":"2016-11-22T11:17:09","date_gmt":"2016-11-22T11:17:09","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=1970"},"modified":"2016-11-22T11:17:22","modified_gmt":"2016-11-22T11:17:22","slug":"o-mundo-esta-a-beira-de-um-apocalipse-dos-antibioticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2016\/11\/o-mundo-esta-a-beira-de-um-apocalipse-dos-antibioticos\/","title":{"rendered":"O mundo est\u00e1 \u00e0 beira de um apocalipse dos antibi\u00f3ticos?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1971\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/remedios_nov_2016-300x169.jpg\" alt=\"remedios_nov_2016\" width=\"300\" height=\"169\" \/>fonte: BBC Brasil<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) descreveu a resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos como uma das maiores amea\u00e7as globais do s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p>Mas o que est\u00e1 sendo feito para tentar evitar o que poderia ser chamado de &#8220;apocalipse dos antibi\u00f3ticos&#8221;?<\/p>\n<p>Primeiramente, h\u00e1 uma tentativa de reduzir o uso deste tipo de medicamento, uma vez que, quanto mais antibi\u00f3tico tomamos, mais resistentes as bact\u00e9rias ficam.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo Jason Doctor, da Universidade do Sul da Calif\u00f3rnia, vem desenvolvendo experimentos para verificar se \u00e9 poss\u00edvel fazer com que os m\u00e9dicos receitem menos medicamentos.<\/p>\n<p>Ele convenceu mais de 200 m\u00e9dicos a assinar uma carta dirigida a seus pacientes, assumindo o compromisso de serem mais rigorosos na hora de prescrever antibi\u00f3ticos. As cartas foram transformadas em cartazes e coladas nas paredes de seus consult\u00f3rios.<\/p>\n<p>Os experimentos tamb\u00e9m adotaram um sistema de classifica\u00e7\u00e3o. Os m\u00e9dicos recebiam um e-mail mensal com informa\u00e7\u00f5es sobre quantos antibi\u00f3ticos estavam prescrevendo inadequadamente em compara\u00e7\u00e3o aos seus colegas.<\/p>\n<p>Foram criados ainda alertas nos computadores dos m\u00e9dicos, levando-os a questionar se realmente precisavam prescrever os antibi\u00f3ticos, e mostrando como poderiam lidar com pacientes insistentes que exigiam a medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando todas essas abordagens diferentes foram adotadas juntas, o n\u00famero de prescri\u00e7\u00f5es de antibi\u00f3ticos foi reduzido drasticamente.<\/p>\n<p>Algumas dessas mudan\u00e7as est\u00e3o sendo implementadas nos Estados Unidos e em outros pa\u00edses. Mas, mesmo que as pessoas fa\u00e7am uso de antibi\u00f3ticos apenas quando est\u00e3o precisando de fato, isso n\u00e3o resolveria o problema. Os seres humanos s\u00e3o um grande mercado para antibi\u00f3ticos, mas h\u00e1 um ainda maior.<\/p>\n<p>Em 1950, foi descoberto que os antibi\u00f3ticos fazem os animais crescerem mais r\u00e1pido. Desde ent\u00e3o, fazendeiros de todo o mundo t\u00eam injetado o medicamento em seus animais, mesmo ap\u00f3s estudos cient\u00edficos comprovarem que a resist\u00eancia bacteriana poderia passar dos animais para os seres humanos.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds, no entanto, mostrou que \u00e9 poss\u00edvel reverter esse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>A Holanda tem mais animais por metro quadrado do que qualquer outro pa\u00eds do planeta e, durante anos, esses animais foram rotineiramente alimentados com antibi\u00f3ticos. A proibi\u00e7\u00e3o de dar antibi\u00f3ticos como promotores do crescimento aos animais surtia pouco efeito, uma vez que os agricultores usavam a mesma quantidade e apenas os rotulavam de forma diferente.<\/p>\n<p>Mas, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de danos \u00e0 sa\u00fade, o governo decidiu repreender os fazendeiros. Em 2009, os agricultores foram avisados que teriam que reduzir em 20% a quantidade de antibi\u00f3ticos que davam aos seus animais, num per\u00edodo de dois anos, e em 50%, num prazo de cinco anos.<\/p>\n<p>O veterin\u00e1rio Dik Mevius, especialista em doen\u00e7as infecciosas, ajudou os agricultores a elaborar um plano para atingir essas metas.<\/p>\n<p>Eles criaram um banco de dados, revelando os agricultores que mais transgrediam a regra, e impediram os fazendeiros de comprarem antibi\u00f3ticos de diferentes veterin\u00e1rios. Se um veterin\u00e1rio ou agricultor prescrevesse ou usasse antibi\u00f3tico desnecessariamente, era multado ou perdia a licen\u00e7a.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, os fazendeiros holandeses entraram no eixo e pararam de usar tantos antibi\u00f3ticos. Para muitos deles, isso significou mudar a maneira como criavam seus animais.<\/p>\n<p>&#8220;Foi realmente uma revolu\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Mevius. &#8220;N\u00f3s reduzimos em 60% a quantidade de antibi\u00f3ticos usados em apenas alguns anos&#8221;, completou.<\/p>\n<p>A maioria dos pa\u00edses est\u00e1, no entanto, caminhando na dire\u00e7\u00e3o oposta. Estima-se que China, Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul dever\u00e3o dobrar seu uso de antibi\u00f3ticos at\u00e9 2030, o que levar\u00e1 a resist\u00eancia a se espalhar. \u00c9 por isso que cientistas de todo o mundo est\u00e3o vasculhando oceanos, florestas tropicais e desertos em busca de novas fontes de antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Recentemente, pesquisadores foram ao Panam\u00e1 e colheram amostras da pele de uma pregui\u00e7a de tr\u00eas dedos. Outros cientistas t\u00eam procurado novos antibi\u00f3ticos na saliva de drag\u00f5es de Komodo. Mas ainda \u00e9 muito cedo para dizer se esses experimentos ser\u00e3o bem sucedidos.<\/p>\n<p><strong>Comunica\u00e7\u00e3o entre bact\u00e9rias<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que n\u00e3o est\u00e3o procurando novos antibi\u00f3ticos, mas est\u00e3o lutando contra as bact\u00e9rias. A microbiologista Kim Hardie, da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, estuda a forma como as bact\u00e9rias se comunicam. Sim, as bact\u00e9rias se comunicam.<\/p>\n<p>Quando uma \u00fanica bact\u00e9ria chega aos seus pulm\u00f5es, ela se esconde do seu sistema imunol\u00f3gico e dos anticorpos que podem mat\u00e1-la. Ela n\u00e3o revela suas armas &#8211; suas toxinas -, mas fica ali, esperando.<\/p>\n<p>&#8220;Uma vez que a bact\u00e9ria percebe que \u00e9 um bom lugar para se multiplicar, ent\u00e3o ela se comunica&#8221;, explica a cientista.<\/p>\n<p>As bact\u00e9rias isoladas se relacionam umas com as outras, at\u00e9 sentirem que est\u00e3o em n\u00famero suficiente. Em seguida, se armam e atacam o sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea tem um \u00fanico soldado contra um castelo, n\u00e3o vai amea\u00e7ar o castelo&#8221;, afirma Hardie.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, se esperar que o resto do ex\u00e9rcito chegue e mostre suas armas ao mesmo tempo, os soldados podem vencer o castelo.&#8221;<\/p>\n<p>E se voc\u00ea puder impedir que as bact\u00e9rias se comuniquem, fazendo com que, embora voc\u00ea tenha bact\u00e9rias nocivas em seus pulm\u00f5es, elas n\u00e3o consigam se relacionar umas com as outras e assim lan\u00e7ar um ataque?<\/p>\n<p>Hardie afirma que isso pode ser feito e conta alguns experimentos em laborat\u00f3rio tiveram bons resultados. A pesquisadora estima que um antibi\u00f3tico baseado neste princ\u00edpio poderia chegar ao mercado em cerca de dez anos.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos outros experimentos e projetos em andamento. O sucesso vai depender, em grande parte, de aprendermos mais sobre as bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Como ensina o livro <i>A Arte da Guerra<\/i>, de Sun Tzu, \u00e9 preciso conhecer o inimigo para vencer a batalha. Como podemos evitar o apocalipse de antibi\u00f3ticos? Aprendendo a enganar as bact\u00e9rias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: BBC Brasil N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) descreveu a resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1970","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1970","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1970"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1970\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1973,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1970\/revisions\/1973"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1970"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1970"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1970"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}