{"id":1909,"date":"2016-11-16T11:25:03","date_gmt":"2016-11-16T11:25:03","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=1909"},"modified":"2016-11-16T11:25:03","modified_gmt":"2016-11-16T11:25:03","slug":"aumento-da-temperatura-reaviva-o-medo-de-epidemia-de-chicungunha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2016\/11\/aumento-da-temperatura-reaviva-o-medo-de-epidemia-de-chicungunha\/","title":{"rendered":"Aumento da temperatura reaviva o medo de epidemia de chicungunha"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1873\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/dengue-300x198.jpg\" alt=\"Aedes aegypti mosquito\" width=\"300\" height=\"198\" \/>fonte: O Globo<\/p>\n<p>O temor de uma epidemia de chicungunha cresce \u00e0 medida que o term\u00f4metro sobe. Existem as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a doen\u00e7a se espalhar pelo Rio e por outros estados do Brasil, afirma o virologista Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, pioneiro no estudo do zika e considerado um dos maiores especialistas do mundo em v\u00edrus transmitidos por insetos. E, se o zika permanece uma amea\u00e7a, o chicungunha deixa m\u00e9dicos experientes, como Vasconcelos, impressionados com a agressividade da infec\u00e7\u00e3o observada recentemente no Brasil e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Entre as sequelas, les\u00f5es que levam \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de pr\u00f3teses. S\u00e3o frequentes as dores intensas por anos. Articula\u00e7\u00f5es podem se enrijecer ao ponto de impedir o movimento dos dedos, uma deformidade conhecida como \u201cm\u00e3o em gancho&#8221;. Alguns beb\u00eas, contaminados pela m\u00e3e doente ao nascer, morreram de encefalite ap\u00f3s dias. Existem raros casos de beb\u00eas contaminados na gesta\u00e7\u00e3o, como no zika.<\/p>\n<p>\u2014 Fiquei impressionado com radiografias de pacientes que mostravam uma destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a da cabe\u00e7a do f\u00eamur. Essas pacientes desenvolveram osteoporose ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o pelo chicungunha e continuaram a sofrer com problemas articulares graves, dores fortes. Dois anos depois da infec\u00e7\u00e3o, o acet\u00e1bulo (parte da bacia que forma a articula\u00e7\u00e3o do quadril junto com a cabe\u00e7a do f\u00eamur) estava destru\u00eddo e elas precisaram de pr\u00f3teses. \u00c9 uma infec\u00e7\u00e3o que pode evoluir para um quadro grave e incapacitante \u2014 afirma Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas, em Ananindeua, no Par\u00e1.<\/p>\n<p><strong>ESTADOS COMO O RIO EST\u00c3O VULNER\u00c1VEIS<\/strong><\/p>\n<p>Ele esteve no Rio para participar de uma confer\u00eancia internacional sobre zika organizada pela Academia Brasileira de Ci\u00eancias, a Academia Nacional de Medicina e a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz. Na confer\u00eancia, o chicungunha mereceu destaque.<\/p>\n<p>\u2014 O problema \u00e9 que o chicungunha causa dores muito fortes. E as sequelas podem ser pesadas. \u00c9 uma doen\u00e7a realmente incapacitante, grave \u2014 destaca.<\/p>\n<p>A maioria dos 236.287 casos registrados at\u00e9 outubro se concentrou no Nordeste. Por isso, o alerta de especialistas.<\/p>\n<p>\u2014 Todo o restante do pa\u00eds est\u00e1 vulner\u00e1vel. Estados como o Rio de Janeiro, que tem uma grande popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o exposta, correm risco real de epidemia. Com o calor e a intensifica\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia das chuvas, os mosquitos voltam a se propagar \u2014 observa.<\/p>\n<p>O chicungunha leva uma vantagem sobre os v\u00edrus do zika e da dengue em sua dissemina\u00e7\u00e3o. A carga viral, isto \u00e9, a quantidade de v\u00edrus no sangue da pessoa infectada, \u00e9 muito mais elevada que a da dengue ou do zika.<\/p>\n<p>\u2014 Isso o torna mais transmiss\u00edvel. E ele come\u00e7ou a se espalhar pelo Brasil. Temos visto um aumento sustentado de casos de um ano para o outro \u2014 explica.<\/p>\n<p>E o chicungunha \u00e9 mais letal para adultos do que o zika. At\u00e9 outubro, havia 120 casos de morte por chicungunha confirmados no Brasil, quase todos no Nordeste.<\/p>\n<p>\u2014 Mas esse n\u00famero pode ser muito maior. H\u00e1 cerca de mil em investiga\u00e7\u00e3o. E esses s\u00e3o apenas os notificados. Por vezes, a doen\u00e7a \u00e9 confundida com dengue ou zika. Mas n\u00e3o sabemos por que o chicungunha se espalhou primeiro e com mais for\u00e7a no Nordeste, assim como o zika. Isso permanece um mist\u00e9rio. O que sabemos \u00e9 que agora ele tem as condi\u00e7\u00f5es para afetar com gravidade, por exemplo, os estados populosos do Sudeste. Isso \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica muito grande \u2014 diz o pesquisador.<\/p>\n<p>Se a infec\u00e7\u00e3o por zika \u00e9 branda para a maioria das pessoas, a por chicungunha quase sempre \u00e9 severa. Em alguns casos, realmente grave. E sempre dolorosa. A palavra chicungunha quer dizer \u201caquele que se curva\u201d num dialeto da Tanz\u00e2nia, em alus\u00e3o \u00e0 postura contra\u00edda pela dor dos doentes. O alvo principal s\u00e3o as articula\u00e7\u00f5es. Mas o v\u00edrus causa numerosos outros problemas.<\/p>\n<p>\u2014 Ele deflagra uma esp\u00e9cie de gatilho em pessoas com algum tipo de supress\u00e3o do sistema imunol\u00f3gico. E, em alguns casos, a pessoa nem sabe que tem essa supress\u00e3o. Vimos uma mulher que teve diabetes e psor\u00edase ap\u00f3s contrair chicungunha. Preocupa muito porque \u00e0 medida que o v\u00edrus se espalha, vemos quadros diferentes \u2014 salienta.<\/p>\n<p>Passado um ano da decreta\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia sanit\u00e1ria por zika no Brasil, em 11 de novembro de 2015, esse v\u00edrus continua a ser um grande desafio para a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>\u2014 O zika \u00e9, provavelmente, o v\u00edrus mais estudado hoje no mundo. Aprendemos muito em pouco tempo. Mas h\u00e1 mecanismos fundamentais no escuro. Ainda n\u00e3o sabemos como ele vence a barreira natural do c\u00e9rebro e causa microcefalia. E como destr\u00f3i diferentes tipos de c\u00e9lulas do corpo. Sabemos que \u00e9 devastador para os neur\u00f4nios, mas n\u00e3o exatamente como os ataca \u2014 afirma.<\/p>\n<p>O genoma do zika n\u00e3o mudou muito desde a sua descoberta h\u00e1 quase 70 anos. O que parece ter mudado \u00e9 o tamanho da epidemia.<\/p>\n<p>\u2014 Pode ser que, na verdade, s\u00f3 agora, com mais casos, estejamos vendo todo o espectro cl\u00ednico do zika, todo o mal que ele pode fazer. Certeza, s\u00f3 a de um perigo imenso \u2014 comenta o cientista.<\/p>\n<p><strong>VACINA \u00c0 VISTA<\/strong><\/p>\n<p>O grupo de Vasconcelos no Evandro Chagas, junto com pesquisadores da University of Texas Medical Branch e da Fiocruz, espera come\u00e7ar a testar em breve uma vacina contra o zika em macacos. Os testes ser\u00e3o realizados na Fiocruz, no Rio.<\/p>\n<p>\u2014 A vacina ofereceu 100% de prote\u00e7\u00e3o a camundongos. Estamos com tudo pronto e \u00e0 espera somente da autoriza\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a (CTNBio) para come\u00e7ar os testes. Temos urg\u00eancia. Sabemos que este ser\u00e1 outro ver\u00e3o de zika \u2014 afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo O temor de uma epidemia de chicungunha cresce \u00e0 medida que o term\u00f4metro sobe. 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