{"id":1815,"date":"2016-10-25T12:35:29","date_gmt":"2016-10-25T12:35:29","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=1815"},"modified":"2019-02-21T10:17:23","modified_gmt":"2019-02-21T10:17:23","slug":"chikungunya-vai-ser-um-problema-maior-do-que-imaginavamos-afirma-rivaldo-venancio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2016\/10\/chikungunya-vai-ser-um-problema-maior-do-que-imaginavamos-afirma-rivaldo-venancio\/","title":{"rendered":"Chikungunya vai ser um problema maior do que imagin\u00e1vamos, afirma Rivaldo Ven\u00e2ncio"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1816\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/rivadavia-300x179.jpg\" alt=\"rivadavia\" width=\"300\" height=\"179\" \/>fonte: Fiocruz<\/p>\n<p>Se no \u00faltimo ver\u00e3o, o pa\u00eds esteve \u00e0s voltas com o enfrentamento da zika e da dengue, o ver\u00e3o de 2017 dever\u00e1 trazer mais um desafio aos gestores, em n\u00edvel municipal, estadual e nacional: a chicungunya. Nessa an\u00e1lise realizada para o blog do CEE-Fiocruz, o diretor da Fiocruz Mato Grosso do Sul, o m\u00e9dico infectologista Rivaldo Ven\u00e2ncio da Cunha, afirma que a doen\u00e7a atinge hoje todo o pa\u00eds e vem se alastrando de forma vertiginosa: dos 650 munic\u00edpios com casos notificados em todo o ano de 2015, passou-se a 2.250, s\u00f3 at\u00e9 setembro de 2016, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cTemos que nos preparar para enfrentar nesse pr\u00f3ximo ver\u00e3o um problema ainda maior do que imagin\u00e1vamos\u201d, diz Rivaldo. E de nada adiantam solu\u00e7\u00f5es que se requerem imediatas, como a pulveriza\u00e7\u00e3o de inseticidas em \u00e1reas urbanas, que s\u00f3 trazem danos \u00e0 sa\u00fade e ao ambiente, como afirma. \u201cN\u00e3o tem milagre\u201d, resume Rivaldo. \u201cEstamos lidando com um passivo ambiental acumulado de 500 anos\u201d.<\/p>\n<p>Leia a \u00edntegra da an\u00e1lise abaixo.<\/p>\n<p><em>Por Rivaldo Ven\u00e2ncio da Cunha<\/em><\/p>\n<p>Do in\u00edcio do ano para c\u00e1, o cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico do pa\u00eds mostrou que est\u00e1vamos, infelizmente, certos, ao consideramos, naquele momento, que t\u00ednhamos um problema s\u00e9rio, no que diz respeito a dengue, zika e chicungunya. \u00c9 t\u00e3o ou mais s\u00e9rio do que imagin\u00e1vamos. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dengue temos notificados no Brasil cerca de 1,5 milh\u00e3o de casos. \u00c9 bem verdade que muitos desses casos notificados como dengue sejam provavelmente zika, chikungunya ou alguma outra doen\u00e7a circulando Brasil afora. Mas, de qualquer forma, a dengue com certeza continua ocorrendo em larga escala no Brasil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, temos o constante e persistente crescimento da amea\u00e7a da zika, que se mostrou um problema complexo e nos indicou que tamb\u00e9m est\u00e1vamos na linha de racioc\u00ednio correta, ao considerarmos n\u00e3o apenas a microcefalia, mas a zika cong\u00eanita no espectro de consequ\u00eancias da infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus nas gestantes. J\u00e1 no come\u00e7o do ano cham\u00e1vamos a aten\u00e7\u00e3o firmemente para a import\u00e2ncia de se tratar a infec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus zika, que atinge a m\u00e3e e a crian\u00e7a, como quest\u00e3o cong\u00eanita, tendo-se na microcefalia, provavelmente, como uma das mais graves manifesta\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o a mais frequente. Os estudos desenvolvidos ao longo desses meses t\u00eam refor\u00e7ado essa observa\u00e7\u00e3o, mostrando-nos uma quantidade grande de crian\u00e7as nascendo com c\u00e9rebro de tamanho normal, mas apresentando outras altera\u00e7\u00f5es decorrentes da infec\u00e7\u00e3o durante a gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 chikungunya, no pr\u00f3ximo ver\u00e3o, dever\u00e1 vir a ser um problema t\u00e3o ou mais grave, em abordagens diferentes, do que foram a dengue e a zika no ver\u00e3o passado. J\u00e1 foram notificados em 2016 215 mil casos de chicungunya, aproximadamente, no Brasil. Se considerarmos que existe pelo menos um caso n\u00e3o notificado para cada notificado, estaremos falando de praticamente 500 mil casos. Trata-se de uma doen\u00e7a debilitante que tamb\u00e9m pode provocar incapacidade tempor\u00e1ria nas pessoas acometidas.<\/p>\n<blockquote><p>Quanto \u00e0 chikungunya, no pr\u00f3ximo ver\u00e3o, dever\u00e1 vir a ser um problema t\u00e3o ou mais grave, em abordagens diferentes, do que foram a dengue e a zika no ver\u00e3o passado<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o seria exagero dizer, que, hoje, a chikungunya est\u00e1 atingindo praticamente todo o Brasil. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, durante o ano de 2015 650 munic\u00edpios tiveram casos da doen\u00e7a notificados. Em 2016, foram 2.250 munic\u00edpios, um crescimento gigantesco. Durante todo o no ano de 2015, foram notificados cerca de 38 mil casos de chikungunya Brasil afora. Durante o ano de 2016, at\u00e9 setembro, o n\u00famero passou a 215 mil, uma escalada vertiginosa da doen\u00e7a. Temos que nos preparar para enfrentar nesse pr\u00f3ximo ver\u00e3o um problema ainda maior do que imagin\u00e1vamos.<\/p>\n<p>Os desafios est\u00e3o sobretudo em aportar recursos e infraestrutura para as pesquisas em curso, e para outras em formula\u00e7\u00e3o, em institui\u00e7\u00f5es brasileiras e nas parcerias com institui\u00e7\u00f5es do exterior. \u00c9 essencial para que possamos melhorar nosso conhecimento sobre diversos aspectos, em especial em rela\u00e7\u00e3o a zika e chikungunya, que ainda s\u00e3o desconhecidos pelos profissionais de sa\u00fade. Por exemplo, no que diz respeito aos mecanismos de transmiss\u00e3o do v\u00edrus. Comprovadamente, o mosquito <em>Aedes<\/em> transmite zika, no entanto, temos observa\u00e7\u00f5es que sugerem outras formas de transmiss\u00e3o do v\u00edrus, por exemplo, por via sexual. Essa via de transmiss\u00e3o deve ser, sim, cada vez mais monitorada e avaliada para que se possa ter a dimens\u00e3o real da magnitude que esses mecanismos de transmiss\u00e3o sexual pode ter no complexo geral da din\u00e2mica de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<blockquote><p>Os desafios est\u00e3o sobretudo em aportar recursos e infraestrutura para as pesquisas em curso, e para outras em formula\u00e7\u00e3o, em institui\u00e7\u00f5es brasileiras e nas parcerias com institui\u00e7\u00f5es do exterior. \u00c9 essencial para que possamos melhorar nosso conhecimento sobre diversos aspectos, em especial em rela\u00e7\u00e3o a zika e chikungunya, que ainda s\u00e3o desconhecidos pelos profissionais de sa\u00fade<\/p><\/blockquote>\n<p>A tend\u00eancia \u00e9 de as localidades que tiveram epidemia de zika entre 2014 e 2015 n\u00e3o terem grandes epidemias no ver\u00e3o de 2016 para 2017, porque essas epidemias criam uma barreira de pessoas com anticorpos ao v\u00edrus. Nesses locais, em tese, n\u00e3o haver\u00e1 epidemias t\u00e3o graves quanto as anteriores. A expectativa maior fica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quelas localidades em que os v\u00edrus zika e chicungunya ainda n\u00e3o circularam de forma intensa. A\u00ed, a expectativa de epidemia no pr\u00f3ximo ver\u00e3o permanece.<\/p>\n<p>O substrato para essas epidemias \u00e9 a conjuga\u00e7\u00e3o de diversos fatores, alguns clim\u00e1ticos e outros, n\u00e3o. As chuvas que teremos no ver\u00e3o, a eleva\u00e7\u00e3o de temperatura, que tamb\u00e9m teremos, a dificuldade de recolhimento de res\u00edduos s\u00f3lidos, sobretudo na periferia das grandes cidades, que vai se manter, infelizmente, o abastecimento irregular de \u00e1gua em algumas regi\u00f5es do pa\u00eds, que tamb\u00e9m vamos continuar tendo, tudo isso contribui para que os focos de procria\u00e7\u00e3o e a intensidade e rapidez de multiplica\u00e7\u00e3o do mosquito ocorram.<\/p>\n<p>Recentemente, o Congresso Nacional aprovou uma lei que autoriza a autoridade p\u00fablica de sa\u00fade a pulverizar as cidades com inseticida para matar o mosquito transmissor de dengue, zika e chicungunya. Considero isso uma aventura ecol\u00f3gica, para n\u00e3o chamar de crime ambiental. Esse inseticida que ser\u00e1 pulverizado por meio de avi\u00f5es vai matar parte dos mosquitos, mas tamb\u00e9m vai matar abelhas, largartas, p\u00e1ssaros, pequenos animais e levar ao desenvolvimento de alergias graves em crian\u00e7as. Ou seja, o impacto ambiental e sobre a sa\u00fade coletiva em hip\u00f3tese alguma justifica essa aventura.<\/p>\n<blockquote><p>\u00a0Esse inseticida que ser\u00e1 pulverizado por meio de avi\u00f5es vai matar parte dos mosquitos, mas tamb\u00e9m vai matar abelhas, largartas, p\u00e1ssaros, pequenos animais e levar ao desenvolvimento de alergias graves em crian\u00e7as<\/p><\/blockquote>\n<p>Estamos lidando com tr\u00eas doen\u00e7as \u2013 quatro com a febre amarela \u2013 transmitidas por um mesmo mosquito, que tem seus principais focos de procria\u00e7\u00e3o relacionados a um passivo ambiental acumulado ao longo de 500 anos, acrescido, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, de um processo de desenvolvimento que resulta no uso intensivo de garrafas pl\u00e1sticas, pets e outros apetrechos. N\u00e3o tem milagre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Fiocruz Se no \u00faltimo ver\u00e3o, o pa\u00eds esteve \u00e0s voltas com o enfrentamento da zika e da dengue, o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[3,2],"tags":[],"class_list":["post-1815","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1815","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1815"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1815\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1817,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1815\/revisions\/1817"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}