{"id":17531,"date":"2024-11-11T09:24:31","date_gmt":"2024-11-11T09:24:31","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=17531"},"modified":"2024-11-11T09:24:31","modified_gmt":"2024-11-11T09:24:31","slug":"o-intestino-no-centro-da-medicina-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2024\/11\/o-intestino-no-centro-da-medicina-do-futuro\/","title":{"rendered":"O intestino no centro da medicina do futuro"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/portugues.medscape.com\/verartigo\/6511911\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MedScape<\/a><\/p>\n<p>Conhe\u00e7a seus novos pacientes.<\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o pode v\u00ea-los, mas trilh\u00f5es \u2014 talvez quatrilh\u00f5es \u2014 deles viajam dentro e fora do seu corpo durante sua rotina di\u00e1ria. Eles s\u00e3o famintos, misteriosos, trabalham em comunidade e s\u00e3o muit\u00edssimo pequenos.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os micr\u00f3bios que colonizam os intestinos.Em breve, voc\u00ea prescrever\u00e1 medicamentos n\u00e3o apenas para humanos, mas tamb\u00e9m para eles.<\/p>\n<p>&#8220;Estou convencido de que no futuro nossos arm\u00e1rios de medicamentos conter\u00e3o n\u00e3o apenas f\u00e1rmacos como estatinas, mas comprimidos que atuam sobre enzimas dos nossos micr\u00f3bios, proporcionando benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade em algumas doen\u00e7as cr\u00f4nicas&#8221;, afirmou o Dr. Stanley Hazen, m\u00e9dico, Ph.D., codiretor da Se\u00e7\u00e3o de Cardiologia Preventiva e Reabilita\u00e7\u00e3o e diretor do\u00a0<em>Center for Microbiome &amp; Human Health<\/em>\u00a0da\u00a0<em>Cleveland Clinic<\/em>, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>H\u00e1 evid\u00eancias crescentes de que o microbioma intestinal influencia quase todas as principais doen\u00e7as humanas. Esses trilh\u00f5es de micr\u00f3bios usam nossos alimentos para gerar subst\u00e2ncias chamadas metab\u00f3litos, que podem proteger ou prejudicar nossa sa\u00fade, com consequ\u00eancias que v\u00e3o muito al\u00e9m do trato gastrointestinal.<\/p>\n<p>A pesquisa associou metab\u00f3litos microbianos a diabetes,\u00a0<a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC10304525\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doen\u00e7as<\/a>\u00a0cardiovasculares,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/journals\/medicine\/articles\/10.3389\/fmed.2022.841281\/full\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doen\u00e7as<\/a>\u00a0hep\u00e1ticas, obesidade,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s44161-022-00204-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hipertens\u00e3o<\/a>\u00a0arterial,\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s11033-022-08038-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dist\u00farbios<\/a>\u00a0neurol\u00f3gicos,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/journals\/microbiology\/articles\/10.3389\/fmicb.2024.1292004\/full\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">depress\u00e3o<\/a>\u00a0e c\u00e2ncer, entre outros. O Dr. Christopher Damman, gastroenterologista e professor cl\u00ednico associado do\u00a0<em>University of Washington Medical Center<\/em>\u00a0em Seattle, nos EUA, chamou isso de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.webmd.com\/digestive-disorders\/news\/20240718\/frequency_of_bowel_movements_may_determine_disease_risk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&#8220;tema emergente&#8221;<\/a>\u00a0na ci\u00eancia do microbioma.<\/p>\n<p>Agora, os cientistas est\u00e3o criando e aprimorando tratamentos que visam as vias relacionadas ao microbioma intestinal, projetados para eliminar os metab\u00f3litos prejudiciais e promover os ben\u00e9ficos.<\/p>\n<p>Um tratamento oral pr\u00f3ximo de uma interven\u00e7\u00e3o terap\u00eautica em humanos foi desenvolvido no laborat\u00f3rio do Dr. Stanley, visando o metab\u00f3lito N-\u00f3xido de trimetilamina (TMAO), um preditor e contribuinte de doen\u00e7as cardiovasculares e renais cr\u00f4nicas. O medicamento, que bloqueia a forma\u00e7\u00e3o de TMAO, ser\u00e1 em breve testado em ensaios cl\u00ednicos, informou o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>A vantagem \u00e9 a seguran\u00e7a. Ao atingir o micr\u00f3bio em vez do paciente, esse deve absorver pouca ou nenhuma quantidade do f\u00e1rmaco.<\/p>\n<p>As implica\u00e7\u00f5es para o futuro da medicina s\u00e3o enormes. &#8220;As vias relacionadas ao microbioma intestinal contribuem para diabetes, obesidade, praticamente tudo&#8221;, disse o Dr. Stanley. &#8220;Tratamentos direcionados a esse micorbioma provavelmente ser\u00e3o usados para transtornos psiqui\u00e1tricos em, eu diria, 10 ou 20 anos&#8221;.<\/p>\n<p><b>A Ci\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>Aproximadamente 100 trilh\u00f5es de cepas bacterianas vivem em nossos intestinos. \u00c0 medida que os humanos evolu\u00edram,\u00a0<a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC4995445\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">elas<\/a>\u00a0se adaptaram. Entre 70% e 90% v\u00eam dos filos Firmicutes e Bacteroidetes, com varia\u00e7\u00f5es individuais moldadas pela gen\u00e9tica, pelo ambiente e pelo estilo de vida.<\/p>\n<p>&#8220;O microbioma de cada pessoa \u00e9 sutilmente diferente&#8221;, explicou o Dr. Stanley. &#8220;Ent\u00e3o, a combina\u00e7\u00e3o das suas a\u00e7\u00f5es varia. Todos esses compostos biologicamente ativos est\u00e3o nos influenciando de maneiras sutilmente distintas.&#8221;<\/p>\n<p>Como funciona: quando voc\u00ea come, seus micr\u00f3bios tamb\u00e9m comem, quebrando os alimentos em metab\u00f3litos que interagem com a fina camada de c\u00e9lulas epiteliais que revestem o intestino. Alguns desses metab\u00f3litos podem ser absorvidos pelo revestimento intestinal e direcionados para a corrente sangu\u00ednea, um fen\u00f4meno conhecido como &#8220;intestino perme\u00e1vel&#8221;. Uma vez no sangue, eles podem desencadear irrita\u00e7\u00e3o e inflama\u00e7\u00e3o, potencialmente levando a uma\u00a0<a href=\"https:\/\/gut.bmj.com\/content\/68\/8\/1516\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ampla variedade<\/a>\u00a0de problemas de sa\u00fade, que v\u00e3o de flatul\u00eancia\/eructa\u00e7\u00f5es e edema a doen\u00e7as autoimunes e transtornos do humor.<\/p>\n<p>&#8220;Do outro lado do revestimento epitelial, est\u00e3o algumas das maiores concentra\u00e7\u00f5es de c\u00e9lulas do sistema imunit\u00e1rio&#8221;, observou o Dr. Narendra Kumar, Ph.D. e professor associado de ci\u00eancias farmac\u00eauticas na\u00a0<em>Texas A&amp;M University<\/em>, em College Station, EUA.<\/p>\n<p>Os metab\u00f3litos podem influenciar como essas c\u00e9lulas do sistema imune trabalham, possivelmente explicando por que tal sistema se comporta de forma distinta em cada indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Dos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cell.com\/cell-metabolism\/pdf\/S1550-4131(21)00630-6.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mais de mil<\/a>\u00a0metab\u00f3litos associados ao microbioma intestinal, os cientistas identificaram v\u00e1rios de interesse.<\/p>\n<p><b>\u00c1cidos graxos de cadeia curta<\/b><br \/>\nQuando consumimos fibras, as bact\u00e9rias do c\u00f3lon as fermentam em \u00e1cidos graxos de cadeia curta (acetato, propionato e butirato), que s\u00e3o ben\u00e9ficos. Esses \u00e1cidos se ligam a receptores nos m\u00fasculos, f\u00edgado e tecido adiposo, influenciando a secre\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios e pept\u00eddeos intestinais relacionados ao apetite, \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o, ao gasto energ\u00e9tico e \u00e0 oxida\u00e7\u00e3o de gordura.<\/p>\n<p>O butirato tem sido associado a benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade. Ele sustenta a integridade do revestimento intestinal, inibindo bact\u00e9rias intestinais patog\u00eanicas, combatendo a inflama\u00e7\u00e3o que promove o c\u00e2ncer e protegendo contra obesidade e diabetes. Al\u00e9m disso, pode funcionar como um prebi\u00f3tico, ajudando bact\u00e9rias ben\u00e9ficas a prosperar. Estudos recentes associaram uma grande quantidade de bact\u00e9rias produtoras de butirato \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41522-024-00530-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">risco de fratura \u00f3ssea<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lanmic\/article\/PIIS2666-5247(24)00079-X\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hospitaliza\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0por doen\u00e7as infecciosas.<b>TMAO e fenilacetilglutamina<\/b><\/p>\n<p>Quando consumimos alimentos ricos em prote\u00ednas animais \u2014 como ovos, leite, peixe e, especialmente, carne vermelha \u2014 algumas bact\u00e9rias intestinais convertem nutrientes como colina e L-carnitina em TMAO, e a fenilalanina em fenilacetilglutamina. Pesquisas conduzidas pelo laborat\u00f3rio do Dr. Stanley e replicadas por outros grupos associaram ambos os metab\u00f3litos a problemas card\u00edacos.<\/p>\n<p>Em um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0002870321000570\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo hist\u00f3rico<\/a>\u00a0do grupo do pesquisador, adultos saud\u00e1veis que evolu\u00edram com doen\u00e7a arterial coron\u00e1ria apresentaram n\u00edveis plasm\u00e1ticos de TMAO significativamente maiores\u00a0<em>versus<\/em>\u00a0os que n\u00e3o tinham a doen\u00e7a. A associa\u00e7\u00e3o permaneceu forte mesmo ap\u00f3s o controle de fatores de risco, como idade, sexo, tabagismo, hipertens\u00e3o e hipercolesterolemia.<\/p>\n<p>Em estudos pr\u00e9-cl\u00ednicos, n\u00edveis elevados de TMAO aumentaram a incid\u00eancia de doen\u00e7a cardiovascular. Micr\u00f3bios produtores de TMAO tamb\u00e9m acentuaram os fen\u00f3tipos da doen\u00e7a cardiovascular em modelos murinos, enquanto o bloqueio dessas vias inibiu esses fen\u00f3tipos.<\/p>\n<p>Pesquisas sugerem que o TMAO pode prejudicar os cardiomi\u00f3citos (c\u00e9lulas que contraem e relaxam o cora\u00e7\u00e3o) de diversas maneiras, como ao ativar a express\u00e3o de prote\u00ednas para promover hipertrofia e fibrose, diminuir a fun\u00e7\u00e3o mitocondrial e interromper a sinaliza\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio.<\/p>\n<p>Outro\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1002\/ejhf.3111\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo<\/a>\u00a0associou os n\u00edveis de fenilacetilglutamina ao risco de eventos card\u00edacos em pacientes com insufici\u00eancia card\u00edaca. Pesquisas mecanicistas recentes sugeriram que o metab\u00f3lito altera a sinaliza\u00e7\u00e3o em um receptor beta-adren\u00e9rgico envolvido em nossa resposta de luta ou fuga, destacou o Dr. Stanley.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 como um reostato no interruptor de luz, um interruptor com dimerizador, e \u00e9 o que se chama de modulador alost\u00e9rico negativo&#8221;, disse. &#8220;\u00c9 a primeira vez que se demonstra esse tipo de comportamento para um metab\u00f3lito microbiano intestinal e um receptor hospedeiro.\u201d<\/p>\n<p><b>Metab\u00f3litos do triptofano<\/b><\/p>\n<p>Micr\u00f3bios no c\u00f3lon podem converter o amino\u00e1cido triptofano, presente em alimentos de origem animal, em neurotransmissores como serotonina e melatonina.<\/p>\n<p>\u201cO sistema nervoso ent\u00e9rico, circunjacente ao intestino, \u00e9 imenso\u201d, afirmou o Dr. James Versalovic, m\u00e9dico, Ph.D. e professor de patologia e imunologia na\u00a0<em>Baylor College of Medicine<\/em>, nos EUA. &#8220;O eixo intestino-c\u00e9rebro se tornou uma \u00e1rea muito promissora para pesquisa.&#8221;<\/p>\n<p>Metab\u00f3litos menos conhecidos do triptofano \u2014 como indol, triptamina e indoletanol \u2014 foram associados a benef\u00edcios como o fortalecimento da barreira intestinal, a prote\u00e7\u00e3o do f\u00edgado contra a hepatite e a promo\u00e7\u00e3o da libera\u00e7\u00e3o do pept\u00eddeo 1 semelhante ao glucagon para reduzir o apetite. No entanto, o indol tamb\u00e9m pode estimular a produ\u00e7\u00e3o de indoxil sulfato, uma toxina associada \u00e0 doen\u00e7a renal cr\u00f4nica.<\/p>\n<p><b>Subprodutos do \u00e1cido biliar<\/b><br \/>\nOs microrganismos intestinais tamb\u00e9m se alimentam dos \u00e1cidos biliares (e os transformam) antes que sejam reabsorvidos e retornem ao f\u00edgado.<\/p>\n<p>A pesquisa sobre esses \u00e1cidos biliares secund\u00e1rios, que podem influenciar a inflama\u00e7\u00e3o e a fun\u00e7\u00e3o imune de maneiras tanto ben\u00e9ficas quanto prejudiciais, est\u00e1\u00a0<a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/38383804\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ganhando<\/a>\u00a0for\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma das \u00e1reas de interesse \u00e9 como os micr\u00f3bios quebram os horm\u00f4nios da bile.\u00a0Um estudo recente de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cell.com\/cell\/fulltext\/S0092-8674(24)00514-2?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0092867424005142%3Fshowall%3Dtrue\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Harvard<\/a>\u00a0mostrou que os micr\u00f3bios intestinais convertem os horm\u00f4nios corticoides na bile em progestinas, o que pode influenciar o risco de depress\u00e3o p\u00f3s-parto. Al\u00e9m disso, os pesquisadores est\u00e3o explorando o estroboloma \u2014 uma comunidade microbiana intestinal dedicada a quebrar o estrog\u00eanio em sua forma ativa para que ele possa ser reabsorvido.<\/p>\n<p>\u201cDependendo das bact\u00e9rias que voc\u00ea tem, a quantidade que pode retornar ao seu sangue varia\u201d, afirmou a Dra. Beatriz Pe\u00f1alver Bernab\u00e9, Ph.D. e professora assistente de engenharia biom\u00e9dica e urologia na\u00a0<em>University of Illinois<\/em>, nos EUA. &#8220;Ent\u00e3o voc\u00ea pode estar produzindo a mesma quantidade de estrog\u00eanio, mas, dependendo das bact\u00e9rias presentes, a quantidade de estrog\u00eanio livre real capaz de se ligar \u00e0s suas c\u00e9lulas pode ser muito diferente.&#8221;<\/p>\n<p>O microbioma intestinal tamb\u00e9m pode regular a testosterona, com\u00a0<a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC8990747\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudos<\/a>\u00a0mostrando diferen\u00e7as microbianas em homens com altos n\u00edveis do horm\u00f4nio em compara\u00e7\u00e3o \u00e0queles com n\u00edveis menores.<\/p>\n<p><b>O que os pacientes podem fazer agora<\/b><\/p>\n<p>Avan\u00e7os na pesquisa sobre o microbioma \u2014 e a moda de bem-estar da &#8220;sa\u00fade intestinal&#8221; relacionada \u2014 geraram uma variedade de novos produtos com base no microbioma, como suplementos probi\u00f3ticos de venda livre e\u00a0<em>kits<\/em>\u00a0de exames de realiza\u00e7\u00e3o domiciliar, que permitem enviar uma amostra de fezes para an\u00e1lise, a fim de revelar a sa\u00fade do microbioma e obter recomenda\u00e7\u00f5es individualizadas sobre a dieta.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a ci\u00eancia por tr\u00e1s desses exames ainda est\u00e1 evoluindo, alertou o Dr. Cristopher. &#8220;As infer\u00eancias e aplica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas ainda s\u00e3o bastante limitadas&#8221;.<\/p>\n<p>Para a maioria das pessoas, o primeiro passo para promover metab\u00f3litos microbianos mais saud\u00e1veis \u00e9 mais simples: diversificar a dieta. &#8220;Muitas pessoas n\u00e3o praticam essa diversifica\u00e7\u00e3o&#8221;, disse ele. &#8220;Experimente e consuma alimentos que voc\u00ea pode n\u00e3o ter o h\u00e1bito de ingerir frequentemente&#8221;, especialmente frutas, vegetais, nozes, sementes e leguminosas.<\/p>\n<p>Outra estrat\u00e9gia \u00e9 consumir alimentos com bact\u00e9rias probi\u00f3ticas. &#8220;Eu vejo isso como uma ap\u00f3lice de seguro&#8221;, comparou o Dr. James, &#8220;fortalecendo meu intestino com probi\u00f3ticos, com iogurte di\u00e1rio, por exemplo, no caf\u00e9 da manh\u00e3&#8221;.<\/p>\n<p>Alimentos fermentados como\u00a0<em>a<\/em>\u00a0<em>kombucha\u00a0<\/em>tamb\u00e9m podem\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cell.com\/cell\/pdf\/S0092-8674(21)00754-6.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aumentar a diversidade microbiana<\/a>\u00a0e at\u00e9 conter\u00a0 a sa\u00fade, segundo pesquisas.<\/p>\n<p>Quanto aos suplementos probi\u00f3ticos, os especialistas ainda n\u00e3o chegaram a um consenso.<\/p>\n<p>Certas cepas de bact\u00e9rias probi\u00f3ticas podem ser ben\u00e9ficas para alguns pacientes, como indiv\u00edduos com diarreia, doen\u00e7a de Crohn e s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel, de acordo com as\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.lww.com\/jcge\/fulltext\/2024\/07000\/world_gastroenterology_organisation_global.2.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">diretrizes<\/a>\u00a0da\u00a0<em>World Gastroenterology Organisation<\/em>.<\/p>\n<p>Assim como em outras interven\u00e7\u00f5es, as respostas individuais podem variar. Um estudo de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/19490976.2023.2178794\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Stanford University<\/em>\u00a0<\/a>mostrou que algumas pessoas com s\u00edndrome metab\u00f3lica melhoraram ao tomar um probi\u00f3tico, enquanto outras n\u00e3o tiveram benef\u00edcios. Ambos os grupos apresentaram diferen\u00e7as importantes nas bact\u00e9rias intestinais e nos h\u00e1bitos alimentares.<\/p>\n<p>Para melhores resultados, essas interven\u00e7\u00f5es no microbioma precisar\u00e3o ser individualizadas, disseram os especialistas. E a tecnologia para fazer isso est\u00e1 chegando mais cedo do que se imagina.<\/p>\n<p><b>\u2018Estamos \u00e0 beira de uma nova era\u2019<\/b><\/p>\n<p>Em apenas alguns anos, os modelos de intelig\u00eancia artificial (IA) poder\u00e3o prever a composi\u00e7\u00e3o da microbiota intestinal com base em dados como h\u00e1bitos alimentares e caracter\u00edsticas familiares, opinou o Dr. Narendra.<\/p>\n<p>Avan\u00e7os em metabol\u00f4mica e bioinform\u00e1tica poder\u00e3o, em breve, auxiliar m\u00e9dicos e pacientes na personaliza\u00e7\u00e3o de suas estrat\u00e9gias terap\u00eauticas, afirmou o Dr. Christopher. Um dos focos ser\u00e1 o fortalecimento do intestino com os itens em falta.<\/p>\n<p>&#8220;Nos indiv\u00edduos com aus\u00eancia de certos micr\u00f3bios, seria poss\u00edvel reintroduzi-los de forma racional e orientada pela ci\u00eancia. Al\u00e9m disso, alguns desses fatores que os micr\u00f3bios est\u00e3o produzindo como subprodutos poderiam ser administrados diretamente&#8221;, sugeriu ele.<\/p>\n<p>Por exemplo, v\u00e1rias empresas comercializam butirato como um suplemento alimentar, embora as evid\u00eancias para seu uso generalizado ainda sejam limitadas. Uma alternativa \u00e9 consumir alimentos que estimulem a produ\u00e7\u00e3o de butirato. Um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s44161-022-00204-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pequeno estudo<\/a>\u00a0constatou que um suplemento de fibras formulado para aumentar os n\u00edveis de butirato no c\u00f3lon reduziu a press\u00e3o arterial sist\u00f3lica dos participantes em uma m\u00e9dia de seis pontos. Outra possibilidade \u00e9 o uso de simbi\u00f3ticos, produtos que combinam bact\u00e9rias e suas fontes alimentares.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea oferecer apenas uma interven\u00e7\u00e3o diet\u00e9tica, ela n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o eficaz. Afinal, e se essa dieta depender de certas bact\u00e9rias para produzir metab\u00f3litos ben\u00e9ficos?&#8221; questionou o Dr. Ashutosh Mangalam, Ph.D. e professor associado de patologia na\u00a0<em>Carver College of Medicine<\/em>\u00a0da\u00a0<em>University of Iowa<\/em>, nos EUA.<\/p>\n<p>Ele estuda as associa\u00e7\u00f5es entre o metabolismo bacteriano de fitoestrog\u00eanios em alimentos \u00e0 base de soja e o surgimento da esclerose m\u00faltipla (EM). O Dr. Ashutosh est\u00e1 usando IA para entender as diferen\u00e7as nos metab\u00f3litos em pacientes com EM em compara\u00e7\u00e3o com indiv\u00edduos saud\u00e1veis, a fim de determinar como utilizar esses metab\u00f3litos como alvos terap\u00eauticos.<\/p>\n<p>Os metab\u00f3litos microbianos intestinais tamb\u00e9m podem influenciar o rastreio e a interven\u00e7\u00e3o nas doen\u00e7as. E se o sequenciamento de micr\u00f3bios intestinais pudesse prever o risco de uma gestante evoluir com depress\u00e3o, algo atualmente avaliado por meio de simples question\u00e1rios?<\/p>\n<p>&#8220;Imagine que seu m\u00e9dico diga: &#8216;Ok, me d\u00ea uma amostra de fezes'&#8221;, exemplificou a Dra. Beatriz. &#8220;Ent\u00e3o, \u00e9 feito o fen\u00f3tipo, registrado no prontu\u00e1rio eletr\u00f4nico, e o m\u00e9dico diz: &#8216;Voc\u00ea tem alta probabilidade de apresentar um transtorno de humor no decorrer da sua gesta\u00e7\u00e3o. Que tal encaminh\u00e1-la para um acompanhamento agora mesmo?'&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 existem pesquisas em andamento para entender como os metab\u00f3litos podem estar relacionados aos\u00a0<a href=\"https:\/\/clinicaltrials.gov\/study\/NCT06362356?term=microbial%20metabolites&amp;rank=2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desfechos<\/a>\u00a0gestacionais, \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/clinicaltrials.gov\/study\/NCT05473338?term=microbial%20metabolites&amp;aggFilters=status:act%20rec&amp;rank=19&amp;page=2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">s\u00edndrome da dor regional complexa<\/a>\u00a0e \u00e0 ansiedade. Os pesquisadores tamb\u00e9m analisam se a suplementa\u00e7\u00e3o da dieta com itens como\u00a0<a href=\"https:\/\/clinicaltrials.gov\/study\/NCT03925597?term=microbial%20metabolites&amp;rank=5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fibras<\/a>\u00a0prebi\u00f3ticas,\u00a0<a href=\"https:\/\/clinicaltrials.gov\/study\/NCT06107192?term=microbial%20metabolites&amp;aggFilters=status:act%20rec&amp;rank=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">polifen\u00f3is de ma\u00e7\u00e3<\/a>\u00a0ou\u00a0<a href=\"https:\/\/clinicaltrials.gov\/study\/NCT05891977?term=microbial%20metabolites&amp;aggFilters=status:act%20rec&amp;intr=Dietary%20intervention&amp;rank=9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">molho de tomate<\/a>\u00a0pode influenciar os metab\u00f3litos. Al\u00e9m disso, transplantes fecais, que alteram metab\u00f3litos e microbioma intestinal, est\u00e3o sendo explorados como potenciais tratamentos para doen\u00e7as como\u00a0<a href=\"https:\/\/clinicaltrials.gov\/study\/NCT04410003?term=microbial%20metabolites&amp;aggFilters=status:act%20rec&amp;rank=11&amp;page=2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aterosclerose<\/a>\u00a0inexplicada,\u00a0<a href=\"https:\/\/clinicaltrials.gov\/study\/NCT05556733?term=microbial%20metabolites,%20fecal%20transplant&amp;aggFilters=status:act%20rec&amp;rank=4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">s\u00edndrome p\u00f3s-covid<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/clinicaltrials.gov\/study\/NCT06058520?term=microbial%20metabolites,%20fecal%20transplant&amp;aggFilters=status:act%20rec&amp;rank=6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hidradenite<\/a>\u00a0supurativa.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o do Dr. Stanley sobre a associa\u00e7\u00e3o do TMAO com o risco cardiovascular j\u00e1 est\u00e1 influenciando a pr\u00e1tica cl\u00ednica. Um exame s\u00e9rico de TMAO pode ajudar a identificar pacientes em risco, mesmo aqueles que n\u00e3o apresentam fatores de risco tradicionais. &#8220;Milh\u00f5es de exames j\u00e1 foram realizados&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p>Enquanto isso, seu medicamento, que tem como alvo a via do TMAO, est\u00e1 cada vez mais pr\u00f3ximo de ser testado em ensaios cl\u00ednicos. &#8220;Em um modelo animal, provocamos melhora de aterosclerose, trombose, aneurisma a\u00f3rtico, insufici\u00eancia card\u00edaca, doen\u00e7a renal e obesidade&#8221;, citou ele. Os primeiros ensaios cl\u00ednicos se concentrar\u00e3o na doen\u00e7a renal.<\/p>\n<p>Como acontece com qualquer f\u00e1rmaco, o caminho para a aprova\u00e7\u00e3o leva tempo, e o sucesso n\u00e3o \u00e9 garantido. Contudo, o pesquisador est\u00e1 otimista. &#8220;Estamos \u00e0 beira de uma nova era&#8221;, sugeriu.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 semelhante \u00e0 descoberta de que a insulina e o glucagon eram horm\u00f4nios que impactavam o metabolismo glic\u00eddico. Agora reconhecemos uma mir\u00edade de novos &#8216;horm\u00f4nios&#8217; na forma de metab\u00f3litos do microbioma intestinal, que impactam nossa fisiologia e a suscetibilidade a doen\u00e7as&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: MedScape Conhe\u00e7a seus novos pacientes. 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