{"id":17528,"date":"2024-10-16T21:31:06","date_gmt":"2024-10-16T21:31:06","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=17528"},"modified":"2024-10-16T21:31:06","modified_gmt":"2024-10-16T21:31:06","slug":"dados-mostram-que-a-populacao-de-medicos-no-minimo-dobrou-na-maioria-dos-estados-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2024\/10\/dados-mostram-que-a-populacao-de-medicos-no-minimo-dobrou-na-maioria-dos-estados-brasileiros\/","title":{"rendered":"Dados mostram que a popula\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos no m\u00ednimo dobrou na maioria dos estados brasileiros"},"content":{"rendered":"<p>fonte: CFM<\/p>\n<p>Pela primeira vez na hist\u00f3ria, o Conselho Federal de Medicina (CFM) revela a curva de crescimento da raz\u00e3o m\u00e9dicos por grupo de mil habitantes por estado. Os dados divulgados nesta ter\u00e7a-feira (15) mostram uma evolu\u00e7\u00e3o constante, em que todas as 27 unidades da Federa\u00e7\u00e3o apresentam um desempenho positivo. No entanto, apesar desse quadro mostrar o aumento significativo da presen\u00e7a dos profissionais no Pa\u00eds, o CFM entende que h\u00e1 fragilidade em pol\u00edticas p\u00fablicas que estimulem a migra\u00e7\u00e3o e fixa\u00e7\u00e3o das equipes em \u00e1reas distantes ou de dif\u00edcil provimento.<\/p>\n<p>Os dados revelam que a maioria dos estados do Pa\u00eds duplicou seu n\u00famero de m\u00e9dicos entre 2010 e 2024. A Demografia M\u00e9dica do CFM, com dados estadualizados, mostra que nove deles registraram aumento de mais de 100% na densidade de m\u00e9dicos, ou seja, a propor\u00e7\u00e3o do profissional da sa\u00fade por mil habitantes. Nenhum estado registrou diminui\u00e7\u00e3o da quantidade de m\u00e9dicos ou da densidade m\u00e9dica nos \u00faltimos 14 anos.<\/p>\n<p>Ao avaliar os \u00edndices de raz\u00e3o de m\u00e9dicos por mil habitantes, o quadro ressalta as disparidades socioecon\u00f4micas e de infraestrutura de sa\u00fade. Em compara\u00e7\u00e3o com a raz\u00e3o de m\u00e9dicos em outros pa\u00edses, 13 estados apresentam uma m\u00e9dia igual ou superior \u00e0s dos Estados Unidos (2,7 profissionais por mil habitantes) e do Jap\u00e3o e Coreia do Sul (2,6 em cada). Dentre eles, seis estados t\u00eam \u00edndices maiores do que o do Reino Unido (3,2).<\/p>\n<p>Unidades da Federa\u00e7\u00e3o economicamente mais desenvolvidas, como Distrito Federal (6,3), Rio de Janeiro (4,3), S\u00e3o Paulo (3,7), Esp\u00edrito Santo (3,6), Minas Gerais (3,5) e Rio Grande do Sul (3,4), que tiveram aumento absoluto de m\u00e9dicos menor entre 2010 e 2024, apresentam m\u00e9dia de m\u00e9dicos por mil habitantes significativamente acima da quantidade nacional (3,07). Esses indicadores s\u00e3o equipar\u00e1veis \u00e0 m\u00e9dia observada entre os pa\u00edses membros da Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), que \u00e9 de 3,7.<\/p>\n<p>Por outro lado, estados como Amazonas (1,6), Amap\u00e1 (1,5), Par\u00e1 (1,4) e Maranh\u00e3o (1,3) apresentam as menores raz\u00f5es de m\u00e9dicos por mil habitantes \u2013 embora tenham mostrado evolu\u00e7\u00e3o superior a pelo menos 67% neste \u00edndice nos \u00faltimos 14 anos. Em 2010, o Amazonas tinha 0,97; o Amap\u00e1 contabilizava 0,87; o Par\u00e1 possu\u00eda 0,77; e o Maranh\u00e3o, 0,65.<\/p>\n<p><strong>M\u00e9dicos por capital \u2013\u00a0<\/strong>Al\u00e9m das distor\u00e7\u00f5es por estado, uma an\u00e1lise detalhada da situa\u00e7\u00e3o dentro das pr\u00f3prias unidades da Federa\u00e7\u00e3o desvenda distor\u00e7\u00f5es. \u00c9 not\u00e1vel que a concentra\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos \u00e9 significativamente maior em \u00e1reas que se destacam, como grandes centros econ\u00f4micos, aglomera\u00e7\u00f5es populacionais e locais onde se agrupam institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e uma vasta gama de servi\u00e7os de sa\u00fade, criando assim, uma maior oferta de oportunidades aos profissionais.<\/p>\n<p>Por outro lado, as regi\u00f5es menos desenvolvidas, especialmente as mais pobres e situadas no interior de estados, enfrentam desafios para reter e atrair m\u00e9dicos. As capitais concentram 23% da popula\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds e agrupam 52% dos m\u00e9dicos. Os munic\u00edpios do interior somam 77% da popula\u00e7\u00e3o do Brasil e 48% dos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o de m\u00e9dicos registrados por mil habitantes nas capitais alcan\u00e7a o patamar de 7 (praticamente o dobro da m\u00e9dia registrada nos pa\u00edses da OCDE), contra a m\u00e9dia de 1,9 observada no conjunto das cidades do interior. Apenas quatro capitais t\u00eam densidade m\u00e9dica menor do que a verificada nas na\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o: Macap\u00e1, Boa Vista, Manaus e Rio Branco.<\/p>\n<p>Vit\u00f3ria (ES), por exemplo, registra a maior densidade do Pa\u00eds: 18,7 m\u00e9dicos por mil habitantes. Em contrapartida, a m\u00e9dia do interior do estado \u00e9 de 2,2. Em Porto Alegre, a m\u00e9dia \u00e9 de 11,8 m\u00e9dicos para cada mil pessoas (segunda maior entre as capitais), contra 2,2 observada no interior do estado ga\u00facho.<\/p>\n<p>No Norte e Nordeste, a realidade muda. O Tocantins emerge como uma exce\u00e7\u00e3o nas duas regi\u00f5es, sendo o \u00fanico estado onde a propor\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos no interior supera a da capital, com 54% dos m\u00e9dicos atendendo fora da capital, contra 46% na capital. Na outra ponta, Roraima apresenta um dos exemplos mais extremos dessa concentra\u00e7\u00e3o, com 97% dos m\u00e9dicos localizados em Boa Vista. A capital abriga 65% dos aproximadamente 640 mil habitantes do estado.<\/p>\n<p><strong>M\u00e9dicos por regi\u00e3o<\/strong>\u00a0\u2013 O levantamento do CFM mostra ainda a aloca\u00e7\u00e3o privilegiada de m\u00e9dicos em regi\u00f5es mais avan\u00e7adas economicamente, em oposi\u00e7\u00e3o a regi\u00f5es de menor densidade populacional e muitas vezes marcadas por profundos desafios log\u00edsticos e na infraestrutura de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O Sudeste se destaca por ter a maior densidade e propor\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos no Pa\u00eds, com 3,76 m\u00e9dicos por mil habitantes e 51% do total de m\u00e9dicos, enquanto abriga 41% da popula\u00e7\u00e3o brasileira. J\u00e1 o Norte exibe a menor raz\u00e3o e propor\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos, contando com uma raz\u00e3o 1,73, ficando abaixo da m\u00e9dia nacional e representando 4,8% do contingente m\u00e9dico nacional para atender 8,6% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o Nordeste, com 19% dos m\u00e9dicos e quase 27% da popula\u00e7\u00e3o, apresenta uma raz\u00e3o de 2,22 m\u00e9dicos por mil habitantes. O Sul, com 16% dos m\u00e9dicos e 15% da popula\u00e7\u00e3o, exibe uma raz\u00e3o de 3,27 m\u00e9dicos por mil habitantes, enquanto o Centro-Oeste, com 9% dos m\u00e9dicos e 8% da popula\u00e7\u00e3o, tem uma raz\u00e3o de 3,39 m\u00e9dicos por mil habitantes.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o \u2013<\/strong>\u00a0Para o presidente do CFM, Jos\u00e9 Hiran Gallo, os dados mostram a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas para ampliar o acesso da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade. \u201c\u00c9 imprescind\u00edvel o desenvolvimento de uma pol\u00edtica de recursos humanos robusta para a assist\u00eancia ao SUS, enfatizando a cria\u00e7\u00e3o de atrativos aos profissionais para sua fixa\u00e7\u00e3o em regi\u00f5es com maior dificuldade de provimento\u201d, observa.<\/p>\n<p>Segundo ele, a\u00e7\u00f5es de incentivos para a atua\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos em regi\u00f5es carentes, investimentos em infraestrutura de sa\u00fade e programas de forma\u00e7\u00e3o de profissionais voltados para as necessidades espec\u00edficas de cada regi\u00e3o s\u00e3o fatores essenciais para levar e fixar m\u00e9dicos em \u00e1reas distantes.<\/p>\n<p><strong>Total por estado \u2013\u00a0<\/strong>Em n\u00fameros absolutos, S\u00e3o Paulo registra a maior quantidade de m\u00e9dicos do Pa\u00eds: 166 mil profissionais. Em seguida, aparecem Minas Gerais (72 mil), Rio de Janeiro (70 mil) e Rio Grande do Sul (37 mil). Na outra ponta est\u00e3o Amap\u00e1 (1,1 mil), Roraima (1,2 mil), Acre (1,5 mil) e Tocantins (4,3 mil). \u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>A densidade m\u00e9dica considerada no levantamento do CFM por estado leva em considera\u00e7\u00e3o a quantidade total de registros m\u00e9dicos no Pa\u00eds. Ou seja, um mesmo profissional pode estar habilitado a atender pacientes em mais de uma unidade da Federa\u00e7\u00e3o. Isso porque o m\u00e9dico pode ter um registro prim\u00e1rio (em seu estado de atua\u00e7\u00e3o origin\u00e1rio) e secund\u00e1rios ou terci\u00e1rios junto aos Conselhos Regionais de Medicina.<\/p>\n<p><strong>M\u00e9dia nacional \u2013\u00a0<\/strong>Em abril, o CFM mostrou que o Brasil chegou a 575.930 m\u00e9dicos ativos (dados atualizados at\u00e9 janeiro), uma das maiores quantidades do mundo, numa evolu\u00e7\u00e3o acelerada. Contudo, apesar do avan\u00e7o significativo, a Autarquia v\u00ea com preocupa\u00e7\u00e3o esse crescimento por conta de sua rela\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o dos profissionais.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, no Brasil, a quantidade de m\u00e9dicos mais que quadruplicou, passando de 131.278 profissionais para o n\u00famero registrado em janeiro de 2024. Este crescimento, impulsionado por fatores como a expans\u00e3o do ensino m\u00e9dico e a crescente demanda por servi\u00e7os de sa\u00fade, representa um aumento absoluto de 444.652 m\u00e9dicos no per\u00edodo, ou seja, 339%, em termos percentuais.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do presidente do CFM, os dados s\u00e3o claros, mas ele pergunta: \u201cA que custo? Observamos a cria\u00e7\u00e3o indiscriminada de escolas m\u00e9dicas no Pa\u00eds sem crit\u00e9rios t\u00e9cnicos m\u00ednimos, o que afeta a qualidade do preparo dos futuros profissionais da medicina. Outra quest\u00e3o a ser observada \u00e9 que o aumento do n\u00famero de m\u00e9dicos deve implicar tamb\u00e9m em melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de est\u00edmulo para que a assist\u00eancia ocorra da forma adequada. A equa\u00e7\u00e3o do atendimento, em especial na rede p\u00fablica, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o apenas matem\u00e1tica, mas de planejamento e boa gest\u00e3o\u201d, afirma Gallo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: CFM Pela primeira vez na hist\u00f3ria, o Conselho Federal de Medicina (CFM) revela a curva de crescimento da raz\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15002,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-17528","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17528","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17528"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17528\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17529,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17528\/revisions\/17529"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17528"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17528"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17528"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}