{"id":17203,"date":"2024-03-20T10:10:11","date_gmt":"2024-03-20T10:10:11","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=17203"},"modified":"2024-03-21T08:43:37","modified_gmt":"2024-03-21T08:43:37","slug":"cada-vez-mais-exames-sao-pedidos-no-brasil-e-excesso-sobrecarrega-sistemas-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2024\/03\/cada-vez-mais-exames-sao-pedidos-no-brasil-e-excesso-sobrecarrega-sistemas-de-saude\/","title":{"rendered":"Cada vez mais exames s\u00e3o pedidos no Brasil e excesso sobrecarrega sistemas de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/portugues.medscape.com\/verartigo\/6510621?ecd=WNL_ptmdpls_240126_mscpedit_gen_etid6268329&amp;uac=432468CR&amp;impID=6268329#vp_2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MedScape<\/a><\/p>\n<p>A quantidade de exames feitos por pessoa vem crescendo a cada ano no Brasil. Conforme os registros da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS), o n\u00famero total de exames e procedimentos realizados por benefici\u00e1rios de planos de sa\u00fade alcan\u00e7ou quase 1,1 bilh\u00e3o no pa\u00eds s\u00f3 em 2022.<\/p>\n<p>Nesse mesmo ano, cada benefici\u00e1rio realizou cerca de 22,2 exames, m\u00e9dia que foi superior \u00e0 registrada nos anos anteriores (20,6 em 2021; 16,5 em 2020; e 19,8 em 2019). Os n\u00fameros chamam a aten\u00e7\u00e3o e levam a um questionamento: ser\u00e1 que todos esses exames s\u00e3o, de fato, necess\u00e1rios?<\/p>\n<p>Dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade apontam para a mesma dire\u00e7\u00e3o. Entre janeiro de 2022 e novembro de 2023, foram realizados mais de 76 milh\u00f5es de exames de urina no pa\u00eds (an\u00e1lises de caracteres f\u00edsicos, elementos e sedimentos). No mesmo per\u00edodo, foram feitas mais de 17 milh\u00f5es de radiografias de t\u00f3rax p\u00f3stero-anterior. As informa\u00e7\u00f5es foram reunidas a partir da Base de Dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Ambulatoriais de Sa\u00fade (SIASUS\/DATASUS) pela assessoria de imprensa do Minist\u00e9rio a pedido do\u00a0<em>Medscape<\/em>.<\/p>\n<p><b>Os dados<\/b><\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio de 2022 &#8220;SUS: avalia\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia do gasto p\u00fablico em sa\u00fade&#8221;, elaborado em conjunto por Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA), Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Sa\u00fade (Conass) e Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (OPAS), enquanto em 2016 a ANS registrou uma taxa de 149 resson\u00e2ncias magn\u00e9ticas a cada 1.000 habitantes na sa\u00fade suplementar, os pa\u00edses da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) contabilizaram 52 exames a cada 1.000 pessoas em 2013.<\/p>\n<p>Passando para um contexto mais espec\u00edfico, os n\u00fameros tamb\u00e9m saltam aos olhos. Um estudo publicado no final de 2023 na\u00a0<em>Revista da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileir<\/em>a<sup>\u00a0[4]<\/sup>\u00a0mostra que o excesso de exames e de consultas \u00e9 uma realidade mesmo em servi\u00e7os especializados.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise retrospectiva, que avaliou os registros de 60 pacientes com c\u00e2ncer de mama tratadas em 2018 no Departamento de Oncologia do Centro Universit\u00e1rio Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) identificou que, durante o acompanhamento, foram realizadas 125 consultas excedentes (33,6%). Nesse per\u00edodo, houve ainda a realiza\u00e7\u00e3o de 111 exames excedentes, representando um aumento de 100,9%. No primeiro ano de acompanhamento, 18 pacientes foram submetidas a 423 exames laboratoriais; j\u00e1 no segundo ano foram realizados 229 exames em 14 pacientes.<\/p>\n<p>O Dr. Daniel Cubero, m\u00e9dico oncologista, professor na FMABC e um dos autores do estudo em tela, contou ao<em>\u00a0Medscape\u00a0<\/em>que a pesquisa publicada no final de 2023 faz parte de uma s\u00e9rie de estudos que o grupo vem fazendo para avaliar o desperd\u00edcio de recursos na medicina nos \u00faltimos anos. A ideia do trabalho, segundo o m\u00e9dico, foi fazer uma autocr\u00edtica e encontrar oportunidades de melhora que j\u00e1 v\u00eam sendo trabalhadas na institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, os exames desnecess\u00e1rios identificados na pesquisa tiveram diferentes origens. No caso dos de imagem, o destaque foi o conjunto de exames de estadiamento. \u201cEsses exames n\u00e3o devem ser feitos em todas as pacientes, s\u00f3 naquelas que t\u00eam certo risco de a doen\u00e7a efetivamente j\u00e1 ter se disseminado. Ent\u00e3o, para os est\u00e1gios cl\u00ednicos iniciais (I e II), por exemplo, a literatura m\u00e9dica diz que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio fazer esses testes\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Outra parte dos excessos esteve relacionada aos exames de preven\u00e7\u00e3o. Houve, por exemplo, ultrassonografias e mamografias que foram realizadas em intervalos menores do que o preconizado pelas diretrizes nacionais e internacionais. \u201cN\u00e3o existe justificativa clara para repetir a mamografia a cada seis meses. Ela poderia ser feita depois de um ano\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Os excessos tamb\u00e9m foram evidentes em exames laboratoriais. \u201cPara uma mulher em acompanhamento de c\u00e2ncer de mama, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de pedir uma s\u00e9rie de exames de sangue; ali\u00e1s, quase n\u00e3o se pede exames de sangue nesses casos. Os que pedimos s\u00e3o muito espec\u00edficos para determinadas situa\u00e7\u00f5es. Mulheres recebendo certos tipos de hormonioterapia precisam dosar, por exemplo, colesterol a cada seis meses, mas, nesse grupo de pacientes, observamos uma recorr\u00eancia de pedidos de exames de sangue sem justificativa clara no prontu\u00e1rio\u201d, destacou o Dr. Daniel.<\/p>\n<p><b>Custos e fatores associados<\/b><\/p>\n<p>Para o Dr. Daniel, um dos fatores que justifica os resultados observados \u00e9 o fato de a mulher com c\u00e2ncer de mama ser consultada por mais de um m\u00e9dico \u2014 que, muitas vezes, n\u00e3o conversam entre si. \u201cUma mulher que precisa de avalia\u00e7\u00e3o a cada tr\u00eas meses poderia muito bem intercalar consultas entre o oncologista e o mastologista, em vez de ser examinada por ambos de tr\u00eas em tr\u00eas meses\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Outro aspecto que impulsiona o excesso de exames, segundo o especialista, \u00e9 a tentativa dos profissionais de contornar problemas do sistema de sa\u00fade, tal como atrasos e dificuldade de agendamento de exames. \u201cO profissional pede exames antecipadamente, \u2018peca pelo excesso\u2019. Mas, na verdade, ao fazer isso, ele acaba congestionando o sistema\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico lembrou ainda que os pacientes tamb\u00e9m s\u00e3o parte do problema, uma vez que muitos consideram que um bom atendimento est\u00e1 associado a um n\u00famero maior de pedidos de exame. \u201cTemos que revisar essa quest\u00e3o de desperd\u00edcio de uma maneira muito ampla, porque, seja no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) ou na medicina privada, quem paga a conta somos todos n\u00f3s\u201d, afirmou, lembrando que, al\u00e9m de custos, os exames oferecem riscos. \u201cQuando se faz um exame que n\u00e3o era necess\u00e1rio, h\u00e1 o risco inerente ao pr\u00f3prio procedimento, o risco de algo sair errado, como tamb\u00e9m outro risco que as pessoas n\u00e3o percebem: o de encontrar altera\u00e7\u00f5es sem nenhuma relev\u00e2ncia cl\u00ednica e que v\u00e3o gerar uma sucess\u00e3o de eventos, como novos exames, novas investiga\u00e7\u00f5es f\u00fateis, o que chamamos de iatrogenias\u201d, destacou.<\/p>\n<p><b>Envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e despreparo profissional<\/b><\/p>\n<p>Para o Dr. Carlos Henrique Mascarenhas Silva, diretor de defesa profissional na Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB), do ponto de vista de modelo assistencial, o aumento do n\u00famero de exames \u00e9 algo incontrol\u00e1vel e est\u00e1 associado a v\u00e1rios fatores. \u201cNo mundo inteiro, o custo da sa\u00fade, como um todo, vem aumentando ano a ano\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de as pessoas estarem vivendo mais, o que demanda mais do sistema de sa\u00fade e tamb\u00e9m resulta em mais exames, o m\u00e9dico lembrou que, atualmente, as pessoas t\u00eam mais consci\u00eancia da sua sa\u00fade. \u201cIsso faz com que os m\u00e9dicos sejam mais procurados e que, por isso mesmo, eles pe\u00e7am mais exames. Numa pessoa saud\u00e1vel, a amplitude do que eu preciso procurar \u00e9 muito maior do que quando existe um direcionamento para um diagn\u00f3stico\u201d, destacou o Dr. Carlos Henrique em entrevista ao<em>\u00a0Medscape<\/em>.<\/p>\n<p>Um segundo aspecto, segundo o especialista, \u00e9 que existe uma vasta gama de exames dispon\u00edveis. &#8220;A resson\u00e2ncia n\u00e3o substituiu a tomografia e n\u00e3o substituiu a ultrassonografia ou o raio-x e o PET-Scan n\u00e3o substituiu a tomografia, voc\u00ea faz v\u00eddeos de forma seriada. Ent\u00e3o a gama e a disponibilidade de novos exames s\u00f3 aumenta\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Somado a esses fatores, o Dr. Carlos alertou que existe ainda um problema: a crescente inser\u00e7\u00e3o de profissionais despreparados no mercado de trabalho. \u201cAs entidades m\u00e9dicas no Brasil inteiro, o Conselho Federal de Medicina (CFM), a AMB e a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos M\u00e9dicos t\u00eam alertado a popula\u00e7\u00e3o e os governos ao longo dos \u00faltimos 10 anos sobre o absurdo que vem sendo feito no ensino m\u00e9dico no Brasil, que \u00e9 a abertura de novas escolas de medicina sem qualquer crit\u00e9rio\u201d, disse, lembrando que muitas institui\u00e7\u00f5es t\u00eam formado profissionais que treinam apenas em maquetes e rob\u00f4s, sem contato direto com pacientes reais. Isso, de acordo com o diretor da AMB, resulta em profissionais despreparados.<\/p>\n<p>\u201cO que a pessoa despreparada faz? Tenta se resguardar, aumentando a gama de coisas que pede para ver se acerta o diagn\u00f3stico. Esse, na minha opini\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o principal motivo para ter muitos exames pedidos no Brasil, mas pode ser um contribuidor \u2014 e vai piorar no futuro\u201d, ressaltou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: MedScape A quantidade de exames feitos por pessoa vem crescendo a cada ano no Brasil. 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