{"id":16404,"date":"2023-01-31T18:25:25","date_gmt":"2023-01-31T18:25:25","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=16404"},"modified":"2023-01-23T18:29:53","modified_gmt":"2023-01-23T18:29:53","slug":"epidemia-de-drogas-z-para-insonia-gera-dependencia-e-sonambulismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2023\/01\/epidemia-de-drogas-z-para-insonia-gera-dependencia-e-sonambulismo\/","title":{"rendered":"Epidemia de drogas Z, para ins\u00f4nia, gera depend\u00eancia e sonambulismo"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2023\/01\/epidemia-de-drogas-z-para-insonia-gera-dependencia-e-sonambulismo.shtml?\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Folha de SP<\/a><\/p>\n<p>Um v\u00eddeo postado numa rede social no final de dezembro fez soar um alerta entre os amigos de Matias (nome fict\u00edcio). Era o registro de um inusitado passeio na chuva pela orla do Rio de Janeiro, narrado com uma voz estranhamente embargada.<\/p>\n<p>&#8220;Eu tomei um zolpidem de tarde porque estava muito ansioso e queria dormir, mas fiquei mexendo no celular, e essa \u00e9 a \u00faltima lembran\u00e7a que eu tenho daquele dia&#8221;, conta \u00e0 Folha o estudante de administra\u00e7\u00e3o de 22 anos, que foi resgatado por um amigo e levado para casa.<\/p>\n<p>Esses rem\u00e9dios s\u00e3o conhecidos como drogas Z, em raz\u00e3o dos nomes que as subst\u00e2ncias receberam: zolpidem, zopiclona (ou eszopiclona) e zaleplona. Ingeridos durante qualquer atividade, promovem estados dissociados, como confus\u00e3o e sonambulismo, o que coloca a pessoa em risco. E geram depend\u00eancia quando usados durante longos per\u00edodos.<\/p>\n<p>As redes sociais est\u00e3o repletas de relatos de pessoas que, sob o efeito de zolpidem, fizeram compras extravagantes para muito al\u00e9m de seus recursos, deram declara\u00e7\u00f5es desconexas ou embara\u00e7osas e agiram de maneira confusa ou mesmo violenta.<\/p>\n<p>&#8220;As parassonias, comportamentos n\u00e3o desej\u00e1veis durante o sono, s\u00e3o um efeito colateral importante do uso de drogas Z&#8221;, explica a m\u00e9dica neurofisiologista Let\u00edcia Azevedo Soster, especialista em medicina do sono e coordenadora da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em sono do Hospital Israelita Albert Einstein.<\/p>\n<p>&#8220;Tem hist\u00f3rias de pessoas que se machucaram, que compraram coisas e que agrediram outras pessoas, com implica\u00e7\u00f5es forenses. \u00c9 bastante perigoso&#8221;, alerta.<\/p>\n<p>Diversas celebridades j\u00e1 culparam o zolpidem por comportamentos inoportunos. Em 2018, a atriz Roseanne Barr teve seu programa na TV americana cancelado depois de um tu\u00edte racista que, afirmou ela, foi redigido sob o efeito do medicamento. O laborat\u00f3rio Sanofi, fabricante do rem\u00e9dio que Barr afirmava ter tomado, emitiu uma nota dizendo que &#8220;racismo n\u00e3o era um efeito colateral&#8221; de seu produto.<\/p>\n<p>Tu\u00edtes bizarros de Elon Musk tamb\u00e9m foram creditados pelo bilion\u00e1rio como obra do zolpidem. Em 2017, o golfista Tiger Woods foi preso e processado ap\u00f3s ser encontrado, desacordado, dentro de seu carro numa estrada, num efeito que atribuiu ao medicamento.<\/p>\n<p>E, ainda em 2010, o ator Charlie Sheen culpou o rem\u00e9dio pela quebradeira que promoveu no quarto de um hotel em Nova York. &#8220;\u00c9 a aspirina do dem\u00f4nio&#8221;, disse, um ano depois, numa entrevista.<\/p>\n<p>As drogas Z emergiram h\u00e1 cerca de 20 anos com a promessa de combater a ins\u00f4nia e promover um sono r\u00e1pido e com poucos efeitos colaterais em compara\u00e7\u00e3o aos medicamentos at\u00e9 ent\u00e3o dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>&#8220;Os pacientes relatam que s\u00e3o drogas que fazem a pessoa fechar os olhos e dormir, como se fosse um bot\u00e3o de desligar&#8221;, conta Soster. &#8220;A ind\u00fastria vendeu essas drogas como se elas n\u00e3o promovessem o efeito-ressaca de outras medica\u00e7\u00f5es nem tivessem efeitos colaterais. N\u00e3o \u00e9 verdade&#8221;, alerta.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica aponta para riscos e problemas relacionados ao uso prolongado ou excessivo dessas subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas est\u00e3o usando cada vez maiores quantidades de drogas Z porque, com o tempo, se tornam refrat\u00e1rias a elas. J\u00e1 recebi um paciente que estava tomando 40 comprimidos por noite de zolpidem para conseguir dormir.&#8221;<\/p>\n<p>Foi o caso de Marcelo (nome fict\u00edcio), 19, que come\u00e7ou a tomar zolpidem aos 15, ap\u00f3s o diagn\u00f3stico de ansiedade e depress\u00e3o associado a dificuldade para dormir. Chegou a tomar 30 comprimidos por semana e admite ter usado o medicamento n\u00e3o s\u00f3 para dormir, mas para ter alucina\u00e7\u00f5es durante o per\u00edodo de vig\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;A cada semana, eu usava mais e mais. Passei a confundir o que era sonho com o que era realidade, vivia em atrito com a minha fam\u00edlia, foi destruidor&#8221;, diz. Para conseguir medica\u00e7\u00e3o suficiente, o hoje estudante de arquitetura conta que falsificava c\u00f3pias das receitas e mentia para psiquiatras.<\/p>\n<p>Soster explica que, no processo de difus\u00e3o de drogas Z no Brasil, dois fatores s\u00e3o complicadores. &#8220;Primeiro, o fato de o brasileiro ser um povo que tende a ser ansioso, o que potencializa a ocorr\u00eancia de problemas com o sono&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>Segundo um estudo realizado por cientistas da USP e da Unifesp e publicado na revista Sleep Epidemiology, 65% dos brasileiros relatam ter algum problema relacionado ao sono.<\/p>\n<p>&#8220;O segundo \u00e9 o fato de o Brasil ter um sistema h\u00edbrido de sa\u00fade, meio p\u00fablico e meio privado. Ent\u00e3o, o paciente vai num sistema, recebe indica\u00e7\u00e3o do rem\u00e9dio, vai em outro, recebe tamb\u00e9m&#8221;, conta. &#8220;E como os sistemas n\u00e3o est\u00e3o interligados, ningu\u00e9m percebe essa duplicidade, que tem acontecido muito com as drogas Z, que s\u00e3o rem\u00e9dios controlados. Isso sem falar no mercado clandestino.&#8221;<\/p>\n<p>A m\u00e9dica explica que os problemas de sono ganharam maior amplitude durante a pandemia da Covid-19, quando o gasto energ\u00e9tico do cotidiano ficou reduzido com o distanciamento social e o aumento do uso de telas incrementou os est\u00edmulos do c\u00e9rebro que nos mant\u00eam acordados.<\/p>\n<p>&#8220;Isso fez a preocupa\u00e7\u00e3o relacionada ao sono aumentar, e essa \u00e9 a base da ins\u00f4nia cr\u00f4nica. A preocupa\u00e7\u00e3o se torna maior do que o problema em si, ativando o mecanismo de alerta e gerando o desejo de controle do sono&#8221;, explica. &#8220;As pessoas querem deitar e dormir imediatamente sem assumir as responsabilidades pelos seus pr\u00f3prios processos f\u00edsicos necess\u00e1rios para isso.&#8221;<\/p>\n<p>Regular o hor\u00e1rio de dormir e de se levantar, fazer exerc\u00edcios f\u00edsicos regulares, expor-se \u00e0 luminosidade durante o dia, reduzir o tempo de tela de noite e cess\u00e1-lo horas antes de ir para a cama s\u00e3o algumas dessas responsabilidades a que Soster se refere.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 como numa dieta: a pessoa quer emagrecer, mas n\u00e3o quer cortar gorduras nem carboidratos. E, ent\u00e3o, toma um rem\u00e9dio para isso.&#8221;<\/p>\n<p>O desejo de um controle absoluto sobre o sono com o m\u00ednimo esfor\u00e7o, diz ela, tamb\u00e9m est\u00e1 por tr\u00e1s da epidemia de drogas Z. &#8220;N\u00e3o tem absurdo maior do que tomar uma droga para dormir e outra para acordar. \u00c9 isso o que est\u00e1 acontecendo hoje em dia.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Um v\u00eddeo postado numa rede social no final de dezembro fez soar um alerta entre os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14339,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-16404","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16404","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16404"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16404\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16406,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16404\/revisions\/16406"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14339"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16404"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}