{"id":16211,"date":"2022-11-06T10:13:51","date_gmt":"2022-11-06T10:13:51","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=16211"},"modified":"2022-11-01T10:26:48","modified_gmt":"2022-11-01T10:26:48","slug":"resistencia-bacteriana-a-azitromicina-e-cefixima-aumenta-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2022\/11\/resistencia-bacteriana-a-azitromicina-e-cefixima-aumenta-no-brasil\/","title":{"rendered":"Resist\u00eancia bacteriana \u00e0 azitromicina e cefixima aumenta no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/portugues.medscape.com\/verartigo\/6508721?\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MedScape<\/a><\/p>\n<p>Desde 2015, o Brasil realiza uma vigil\u00e2ncia sistem\u00e1tica da resist\u00eancia antimicrobiana gonoc\u00f3cica, em conformidade com as recomenda\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). A mais recente pesquisa sobre o tema analisou isolados de\u00a0<em>Neisseria gonorrhoeae<\/em>\u00a0provenientes de pacientes diagnosticados entre 2018 e 2020. Os resultados, publicados em julho no peri\u00f3dico\u00a0<em>JAC Antimicrob Resist<\/em>,\u00a0trazem um alerta: houve um aumento nas taxas de resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos azitromicina e cefixima.<\/p>\n<p>O sistema de vigil\u00e2ncia sistem\u00e1tica da resist\u00eancia antimicrobiana gonoc\u00f3cica adotado no Brasil \u00e9 fruto de uma parceria entre o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). As amostras coletadas no pa\u00eds s\u00e3o analisadas no Laborat\u00f3rio de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia (LBMMS) da UFSC, seguindo a metodologia internacionalmente aceita. A autora do estudo, Dra. Maria Luiza Bazzo, Ph.D., farmac\u00eautica e professora da UFSC, falou sobre o trabalho em entrevista ao\u00a0<em>Medscape.<\/em><\/p>\n<p>Junto com os outros membros do\u00a0<em>Brazilian-GASP Network<\/em>, um bra\u00e7o do\u00a0<em>Gonococcal Antimicrobial Surveillance Programme<\/em>\u00a0(GASP), da OMS, a Dra. Maria Luiza analisou 633 isolados de\u00a0<em>N. gonorrhoeae<\/em>\u00a0de secre\u00e7\u00e3o uretral de homens diagnosticados com a infec\u00e7\u00e3o entre 2018 e 2020. Os pacientes eram provenientes de 12 s\u00edtios, representativos das cinco regi\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>Dados epidemiol\u00f3gicos foram obtidos a partir de question\u00e1rios respondidos por 449 dos 633 pacientes inclu\u00eddos no estudo. A maioria afirmou ser heterossexual (68,2%). A rela\u00e7\u00e3o sexual mais praticada de forma desprotegida foi a vaginal insertiva (69,9%), seguida da oral ativa (56,6%) e anal insertiva (47,4%).<\/p>\n<p>As culturas bacterianas foram testadas para oito antimicrobianos. Os resultados mostraram que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o de 2015 a 2016,\u00a0<sup>[<a>2<\/a>]<\/sup> a resist\u00eancia de 2018 a 2020 \u00e0 ciprofloxacina permaneceu alta (55,6% no primeiro estudo e 67,3% no segundo). As taxas de resist\u00eancia \u00e0 azitromicina e \u00e0 cefixima aumentaram em compara\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior. No caso da azitromicina, passou de 6,9% (posteriormente recalculada para 1,3% em fun\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a do ponto de corte do CLSI) para 10,6%, enquanto a da cefixima passou de 0,2% para 0,3%. Por outro lado, o estudo n\u00e3o identificou resist\u00eancia \u00e0 ceftriaxona, gentamicina e espectinomicina.<\/p>\n<p>A Dra. Maria Luiza explicou que, no universo de 633 isolados testados, apenas dois apontaram resist\u00eancia \u00e0 cefixima, por\u00e9m, embora a taxa ainda seja pequena, \u00e9 considerada alarmante. &#8220;Trata-se de um antimicrobiano que n\u00e3o \u00e9 vendido no Brasil, no entanto, esse resultado indica que podemos ter resist\u00eancia \u00e0 ceftriaxona futuramente, uma cefalosporina de espectro estendido&#8221;, disse e acrescentou: \u201ca quest\u00e3o merece aten\u00e7\u00e3o, uma vez que a ceftriaxona \u00e9 um dos medicamentos usados no tratamento da gonorreia no pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>At\u00e9 2017, o tratamento mais utilizado no Brasil para casos suspeitos de gonorreia era a terapia dupla com 500 mg de ciprofloxacina e 1 g de azitromicina, por\u00e9m, o esquema mudou com a detec\u00e7\u00e3o das altas taxas de resist\u00eancia \u00e0 ciprofloxacina. Atualmente, a maioria dos pacientes \u00e9 tratada com terapia dupla, composta de 500 mg de ceftriaxona + 1 g azitromicina.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 resist\u00eancia \u00e0 azitromicina identificada na pesquisa, a Dra. Maria Luiza afirmou que indica uma tend\u00eancia de dificuldade, por\u00e9m ainda n\u00e3o \u00e9 um indicativo de necessidade de substitui\u00e7\u00e3o do tratamento. \u201cComo no Brasil nem sempre fazemos diagn\u00f3stico etiol\u00f3gico, muitas vezes o paciente \u00e9 tratado considerando a abordagem sindr\u00f4mica. Quando h\u00e1 secre\u00e7\u00e3o, suspeita-se de coinfec\u00e7\u00e3o por gonorreia e clam\u00eddia. Enquanto a ceftriaxona trata bem a gonorreia, a azitromicina trata bem a clam\u00eddia\u201d, afirmou, lembrando, portanto, que o ideal \u00e9 n\u00e3o modificar a terapia dupla padr\u00e3o no momento. A substitui\u00e7\u00e3o pode come\u00e7ar a ser pensada caso estudos futuros detectem aumento de resist\u00eancia \u00e0 ceftriaxona.<\/p>\n<p>Dada a possibilidade de evolu\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia antimicrobiana gonoc\u00f3cica, a OMS recomenda que os pa\u00edses fa\u00e7am vigil\u00e2ncia constante dessa bact\u00e9ria. Outra medida importante, segundo a pesquisadora, \u00e9, nos casos de recidiva de sintomas, fazer o teste molecular para diagn\u00f3stico etiol\u00f3gico a fim de orientar quanto ao melhor tratamento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: MedScape Desde 2015, o Brasil realiza uma vigil\u00e2ncia sistem\u00e1tica da resist\u00eancia antimicrobiana gonoc\u00f3cica, em conformidade com as recomenda\u00e7\u00f5es da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16213,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-16211","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16211","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16211"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16211\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16214,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16211\/revisions\/16214"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16211"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}