{"id":14924,"date":"2022-09-06T21:51:04","date_gmt":"2022-09-06T21:51:04","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=14924"},"modified":"2022-09-12T12:08:50","modified_gmt":"2022-09-12T12:08:50","slug":"vitamina-d-nao-reduz-risco-de-diabetes-mellitus-tipo-2-ou-sera-que-reduz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2022\/09\/vitamina-d-nao-reduz-risco-de-diabetes-mellitus-tipo-2-ou-sera-que-reduz\/","title":{"rendered":"Vitamina D n\u00e3o reduz risco de diabetes mellitus tipo 2&#8230; ou ser\u00e1 que reduz?"},"content":{"rendered":"<p>fonte: MedScape<\/p>\n<p>Mais um estudo constata que o uso de suplementos de\u00a0vitamina D\u00a0n\u00e3o reduz o risco de\u00a0diabetes tipo 2\u00a0na popula\u00e7\u00e3o global de pessoas com pr\u00e9-diabetes, no entanto, os resultados abrem a possibilidade de benef\u00edcio para pacientes com baixa secre\u00e7\u00e3o de\u00a0insulina.<\/p>\n<p>Os novos achados s\u00e3o do estudo prospectivo\u00a0<em>Diabetes Prevention With Active Vitamin D<\/em>\u00a0(DPVD) que avaliou mais de 1.200 japoneses com comprometimento da toler\u00e2ncia \u00e0 glicose.<\/p>\n<p>Os dados foram\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bmj.com\/content\/377\/bmj-2021-066222\">publicados\u00a0<em>on-line<\/em>\u00a0<\/a>em 25 de maio no peri\u00f3dico\u00a0<em>British Medical Journal<\/em>\u00a0pelo Dr. Tetsuya Kawahara, Ph.D., m\u00e9dico do Hospital Shin Komonji, Kitakyushu, no Jap\u00e3o, e seus colaboradores.<\/p>\n<p>O tratamento com 0,75 \u03bcg\/dia de eldecalcitol, an\u00e1logo ativo da vitamina D, durante tr\u00eas anos, n\u00e3o impediu a evolu\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-diabetes para diabetes tipo 2, nem melhorou a taxa de regress\u00e3o para normoglicemia em compara\u00e7\u00e3o ao placebo.<\/p>\n<p>Entretanto, &#8220;mostramos um efeito preventivo do eldecalcitol ap\u00f3s o ajuste por covari\u00e1veis (&#8230;) o efeito preventivo do eldecalcitol para o diabetes tipo 2 em uma popula\u00e7\u00e3o pr\u00e9-diab\u00e9tica foi observado especialmente entre os participantes com insufici\u00eancia de insulina&#8221;, escreveram os autores.<\/p>\n<p><b>Resultados &#8220;incrivelmente parecidos&#8221; em v\u00e1rios ensaios cl\u00ednicos<\/b><\/p>\n<p>O novo ensaio cl\u00ednico foi &#8220;bem conduzido, com crit\u00e9rios diagn\u00f3sticos definidos com rigor e dura\u00e7\u00e3o suficiente, mas pode n\u00e3o ter tido poder estat\u00edstico suficiente para detectar um efeito pequeno&#8221;, escreveu a m\u00e9dica Dra. Tatiana Christides, Ph.D., da\u00a0<em>Queen Mary University of London<\/em>, no Reino Unido, no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bmj.com\/content\/377\/bmj.o1166\">editorial que acompanha o estudo<\/a>.<\/p>\n<p>A Dra. Tatiana observou que uma\u00a0<a href=\"https:\/\/diabetesjournals.org\/care\/article\/43\/7\/1650\/35577\/Effects-of-Vitamin-D-Supplementation-on-Prevention\">metan\u00e1lise recente<\/a> de ensaios de interven\u00e7\u00e3o encontrou uma redu\u00e7\u00e3o significativa de 10% do risco de diabetes tipo 2 com a suplementa\u00e7\u00e3o da vitamina D, &#8220;diferen\u00e7a muito pequena para ser detectada pelo novo ensaio (&#8230;) embora uma redu\u00e7\u00e3o de risco de 10% seja modesta, pode ser valiosa em n\u00edvel populacional e justifica um estudo mais aprofundado&#8221;.<\/p>\n<p>O novo achado, uma redu\u00e7\u00e3o relativa de risco n\u00e3o significativa, de 13%, equivale \u00e0 redu\u00e7\u00e3o relativa de risco encontrada no ensaio cl\u00ednico\u00a0<em>Vitamin D and Type 2 Diabetes<\/em>\u00a0(D2d),\u00a0apresentado\u00a0em 2019, tamb\u00e9m de 13%.<\/p>\n<p>Mas nesse estudo, como no estudo em tela, houve a sugest\u00e3o de benef\u00edcio para um subgrupo de pessoas. No D2d, foi para os que tinham defici\u00eancia de vitamina D.<\/p>\n<p>Convidado a comentar, o l\u00edder do estudo D2d, Dr. Anastassios G. Pittas, m\u00e9dico e chefe da Divis\u00e3o de Diabetes, Endocrinologia e Metabolismo do\u00a0<em>Tufts Medical Center<\/em>, nos Estados Unidos, ressaltou que os resultados tamb\u00e9m foram &#8220;incrivelmente parecidos\u201d com os de um terceiro estudo, feito na Noruega e\u00a0<a href=\"https:\/\/diabetesjournals.org\/care\/article\/37\/8\/2123\/30067\/No-Effect-of-High-Dose-Vitamin-D-Supplementation\">publicado<\/a>\u00a0em 2014, que tamb\u00e9m encontrou uma redu\u00e7\u00e3o relativa do risco de 13%.<\/p>\n<p>&#8220;Os resultados quase id\u00eanticos desses tr\u00eas ensaios cl\u00ednicos especificamente concebidos e realizados para testar se o suplemento de vitamina D reduz o diabetes apontam claramente para um efeito ben\u00e9fico da vitamina D na redu\u00e7\u00e3o do risco de diabetes. No entanto, o efeito global nas pessoas sem insufici\u00eancia de vitamina D parece ser menor do que a hip\u00f3tese levantada em cada ensaio cl\u00ednico&#8221;, disse o Dr. Anastassios ao\u00a0<em>Medscape<\/em>.<\/p>\n<p>O comentarista acrescentou que &#8220;n\u00e3o haver\u00e1 mais ensaios espec\u00edficos de vitamina D e preven\u00e7\u00e3o do diabetes, ent\u00e3o precisamos continuar obtendo conhecimento desses tr\u00eas ensaios cl\u00ednicos&#8221;.<\/p>\n<p><b>Alguns pacientes com pr\u00e9-diabetes podem se beneficiar com a vitamina D<\/b><\/p>\n<p>O Dr. Anastassios disse que, embora o efeito global seja modesto nas pessoas com pr\u00e9-diabetes sem defici\u00eancia de vitamina D, &#8220;dada a preval\u00eancia do pr\u00e9-diabetes e do diabetes tipo 2, os m\u00e9dicos e pacientes devem considerar o uso de suplementos de vitamina D como adjunto \u00e0 perda ponderal para a preven\u00e7\u00e3o do diabetes. De acordo com as an\u00e1lises do estudo D2d, as pessoas com pr\u00e9-diabetes com baixos n\u00edveis de vitamina D e que n\u00e3o s\u00e3o obesas, s\u00e3o as que obt\u00eam maior benef\u00edcio&#8221;.<\/p>\n<p>O comentarista observou que as an\u00e1lises secund\u00e1rias do D2d tamb\u00e9m sugeriram maior benef\u00edcio entre os que atingem n\u00edveis s\u00e9ricos de vitamina D mais altos, por\u00e9m, que altas doses do suplemento podem causar desfechos musculoesquel\u00e9ticos adversos nos idosos, &#8220;ent\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o entre o custo e o benef\u00edcio precisa ser avaliada individualmente&#8221;.<\/p>\n<p>A editorialista aconselhou: &#8220;At\u00e9 haver mais dados de ensaios cl\u00ednicos randomizados de alta qualidade, os profissionais de sa\u00fade devem continuar a conversar com os pacientes sobre os benef\u00edcios musculoesquel\u00e9ticos da sa\u00fade da vitamina D e ajud\u00e1-los a alcan\u00e7ar e manter as modifica\u00e7\u00f5es do estilo de vida que, embora dif\u00edceis, s\u00e3o reconhecidas por diminuir a ocorr\u00eancia de diabetes tipo 2&#8221;.<\/p>\n<p><b>DPVD: Sugest\u00e3o de benef\u00edcio para os pacientes com mais resist\u00eancia \u00e0 insulina<\/b><\/p>\n<p>O ensaio DPVD duplo-cego, multic\u00eantrico, randomizado e controlado por placebo foi feito de 1\u00ba de junho de 2013 a 31 de agosto de 2015 com 1.256 participantes apresentando comprometimento da toler\u00e2ncia \u00e0 glicose (com ou sem altera\u00e7\u00e3o da glicemia de jejum) provenientes de 32 institui\u00e7\u00f5es no Jap\u00e3o. Foram randomizados 1:1 para receber eldecalcitol ou placebo durante tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>No per\u00edodo de tr\u00eas anos, 12,5% dos 630 pacientes do grupo do eldecalcitol e 14,2% dos 626 pacientes do grupo do placebo abriram o quadro de diabetes. A diferen\u00e7a n\u00e3o foi significativa, com raz\u00e3o de risco de 0,87\u00a0<em>(p<\/em>\u00a0= 0,39). Tamb\u00e9m n\u00e3o houve diferen\u00e7a na regress\u00e3o para normoglicemia, que ocorreu em 23,0% com eldecalcitol\u00a0<em>versus<\/em>\u00a020,1% com placebo at\u00e9 o final do estudo (<em>p<\/em>\u00a0= 0,21).<\/p>\n<p>Entretanto, o eldecalcitol foi eficaz na preven\u00e7\u00e3o do diabetes tipo 2 ap\u00f3s ajuste por vari\u00e1veis pr\u00e9-avaliadas, como idade, sexo,\u00a0hipertens\u00e3o arterial sist\u00eamica, \u00edndice de massa corporal, hist\u00f3ria familiar de diabetes, glicemia de 2 horas, 25-hidroxivitamina D e\u00a0resist\u00eancia \u00e0 insulina\u00a0(raz\u00e3o de risco de 0,69;\u00a0<em>p<\/em>\u00a0= 0,02).<\/p>\n<p>Em uma an\u00e1lise\u00a0<em>post hoc<\/em>, o eldecalcitol preveniu significativamente o diabetes tipo 2 entre os pacientes com as divis\u00f5es mais baixas de avalia\u00e7\u00e3o pelo modelo homeost\u00e1tico (HOMA)-<em>\u03b2<\/em>\u00a0(raz\u00e3o de risco de 0,35;\u00a0<em>p<\/em>\u00a0&lt; 0,001), resist\u00eancia \u00e0 insulina HOMA (raz\u00e3o de risco de 0,37;\u00a0<em>p<\/em>\u00a0= 0,001) e insulina imunorreativa de jejum (raz\u00e3o de risco de 0,41;\u00a0<em>p<\/em>\u00a0= 0,001).<\/p>\n<p>&#8220;Esses resultados indicam que o efeito do eldecalcitol tenha sido ben\u00e9fico na secre\u00e7\u00e3o insuficiente de insulina ao in\u00edcio do estudo&#8221;, escreveram os autores do estudo em tela.<\/p>\n<p>As sa\u00eddas do estudo por eventos adversos ocorreram em 4,1% com o eldecalcitol e 3,4% no grupo do placebo (raz\u00e3o de risco de 1,23;\u00a0<em>p<\/em>\u00a0= 0,47). Os \u00edndices e os tipos de eventos adversos n\u00e3o diferiram significativamente entre os dois grupos.<\/p>\n<p><em>O estudo recebeu subs\u00eddios da\u00a0<\/em>Kitakyushu Medical Association.<em>\u00a0Os autores informaram n\u00e3o ter conflitos de interesses. A Dra. Tatiana Christides informou n\u00e3o ter conflitos de interesse. O Dr. Anastassios Pittas informou receber financiamento do\u00a0<\/em>US National Institutes of Health<em>.<\/em><\/p>\n<p><em>BMJ.\u00a0<\/em>Publicado\u00a0<em>on-line<\/em>\u00a0em 25 de maio de 2022.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bmj.com\/content\/377\/bmj-2021-066222\">Artigo<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bmj.com\/content\/377\/bmj.o1166\">Editorial<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: MedScape Mais um estudo constata que o uso de suplementos de\u00a0vitamina D\u00a0n\u00e3o reduz o risco de\u00a0diabetes tipo 2\u00a0na popula\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13282,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-14924","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14924","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14924"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14924\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14926,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14924\/revisions\/14926"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14924"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}