{"id":14465,"date":"2022-06-02T11:40:18","date_gmt":"2022-06-02T11:40:18","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=14465"},"modified":"2022-05-16T14:55:01","modified_gmt":"2022-05-16T14:55:01","slug":"custo-anual-de-diabetes-no-brasil-pode-chegar-a-r-27-bilhoes-em-2030-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2022\/06\/custo-anual-de-diabetes-no-brasil-pode-chegar-a-r-27-bilhoes-em-2030-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Custo anual de diabetes no Brasil pode chegar a R$ 27 bilh\u00f5es em 2030, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2022\/04\/custo-anual-de-diabetes-no-brasil-pode-chegar-a-r-27-bilhoes-em-2030-diz-estudo.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Folha de SP<\/a><\/p>\n<p>Os custos de\u00a0diabetes no Brasil\u00a0j\u00e1 superam US$ 2,1 bilh\u00f5es (cerca de R$ 10 bilh\u00f5es), sendo US$ 633 milh\u00f5es (cerca de R$ 3,16 bilh\u00f5es) para gastos diretos e US$ 1,5 bilh\u00e3o (ou R$ 7,5 bilh\u00f5es) para gastos indiretos com a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Tal soma pode chegar a US$ 5,47 bilh\u00f5es (cerca de R$ 27,35 bilh\u00f5es) at\u00e9 2030, o que equivale a um crescimento de 6,2% ao ano, caso o n\u00famero de pessoas que convivem com a doen\u00e7a aumente 13% at\u00e9 l\u00e1. Se a\u00a0incid\u00eancia de diabetes\u00a0continuar subindo no Brasil, esse cen\u00e1rio pode se concretizar at\u00e9 antes, de acordo com uma pesquisa.<\/p>\n<p>O gasto anual com a doen\u00e7a foi estimado em um estudo de cientistas da FEA (Faculdade de Economia e Administra\u00e7\u00e3o) da\u00a0USP\u00a0e da\u00a0Unicamp. Os dados utilizados t\u00eam como base o ano de 2016, quando o\u00a0n\u00famero de casos cresceu 13% em rela\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas anos anteriores.<\/p>\n<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.annalsofglobalhealth.org\/articles\/10.29024\/aogh.3000\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">pesquisa<\/a>, publicada no dia 3 de mar\u00e7o na revista cient\u00edfica Annals of Global Health, utilizou dados da Pesquisa Nacional de Sa\u00fade do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) de 2013 sobre a popula\u00e7\u00e3o convivendo com diabetes e ajustou os valores para 2016 com base no crescimento populacional em tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Para calcular os\u00a0custos diretos de diabetes, que incluem gastos m\u00e9dicos com interna\u00e7\u00f5es, atendimento ambulatorial e rem\u00e9dio popular, entre outros, as pesquisadoras consultaram dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Hospitalares do SUS (SIHSUS) e do sistema de Comunica\u00e7\u00e3o de Informa\u00e7\u00e3o Hospitalar e Ambulatorial (CIHA) de hospitaliza\u00e7\u00f5es tanto no setor p\u00fablico quanto no privado, cuja causa principal era diabetes mellitus.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, dos US$ 232,8 milh\u00f5es (cerca de R$ 1,16 bilh\u00e3o) gastos com hospitaliza\u00e7\u00e3o, a maior parte \u00e9 de interna\u00e7\u00f5es relacionadas a diabetes (81,4%), e o restante com diabetes como causa prim\u00e1ria. Tais gastos superam o que foi desprendido para o atendimento ambulatorial, de US$ 86 milh\u00f5es (R$ 430 milh\u00f5es), o que denota como os gastos tardios da doen\u00e7a s\u00e3o maiores do que os custos com aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 divis\u00e3o por g\u00eanero, os homens representam a maior parte (53,3%) dos gastos por hospitaliza\u00e7\u00e3o por diabetes, com US$ 124,1 milh\u00f5es (R$ 620,5 milh\u00f5es), enquanto os gastos de hospitaliza\u00e7\u00e3o por mulheres equivalem a US$ 108,6 milh\u00f5es (R$ 543 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>No recorte por faixa et\u00e1ria, as pessoas com 55 anos ou mais representam 80,7%, ou US$ 187,8 milh\u00f5es (R$ 939 milh\u00f5es), do total de gastos hospitalares, e 86,1%, ou US$ 74,5 milh\u00f5es (R$ 372 milh\u00f5es), em gastos ambulatoriais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos dados de hospitaliza\u00e7\u00e3o, foram analisados os gastos com medicamentos na farm\u00e1cia popular e com despesas extras hospitalares, que somam US$ 314 milh\u00f5es (R$ 1,57 bilh\u00e3o).<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos custos indiretos, as pesquisadoras analisaram tr\u00eas fatores distintos que demonstram o\u00a0impacto do diabetes na vida de brasileiros: absente\u00edsmo, ou a perda de produtividade por falta no trabalho, morte prematura (calculada por anos de vida perdidos por morte ou incapacidade causadas pela doen\u00e7a) e aposentadoria precoce. Os c\u00e1lculos foram baseados no valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo em 2013.<\/p>\n<p>A maior parcela de gastos indiretos com diabetes \u00e9 relacionada \u00e0 morte prematura: US$ 1,18 bilh\u00e3o (ou R$ 5,9 bilh\u00f5es, equivalente a 77,9%) de custos anuais por essa raz\u00e3o, sendo US$ 774,7 milh\u00f5es (R$ 3,9 bilh\u00f5es, ou 65,6%) em homens e US$ 408,8 milh\u00f5es (R$ 2 bilh\u00f5es, ou 34,4%) em mulheres.<\/p>\n<div>\n<div id=\"infographic-1\" class=\"widget-infographic js-widget-infographic rs_skip\" data-url=\"https:\/\/arte.folha.uol.com.br\/ciencia\/2022\/03\/07\/diabetes\/\" data-infographic-id=\"infographic-1\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/arte.folha.uol.com.br\/ciencia\/2022\/03\/07\/diabetes\/?initialWidth=630&amp;childId=infographic-1&amp;parentTitle=Custo%20anual%20de%20diabetes%20pode%20chegar%20a%20R%24%2027%20bi%20em%202030%20-%2014%2F04%2F2022%20-%20Equil%C3%ADbrio%20e%20Sa%C3%BAde%20-%20Folha&amp;parentUrl=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Fequilibrioesaude%2F2022%2F04%2Fcusto-anual-de-diabetes-no-brasil-pode-chegar-a-r-27-bilhoes-em-2030-diz-estudo.shtml%3Futm_source%3Dnewsletter%26utm_medium%3Demail%26utm_campaign%3Dnewsmed\" width=\"100%\" height=\"1158px\" frameborder=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>De acordo com Paula Pereda, professora do departamento de Economia da USP e autora principal do estudo, o peso do diabetes \u00e9 maior nos homens porque eles em geral se cuidam menos do que as mulheres. &#8220;Inclusive quando a causa prim\u00e1ria de morbidade [incapacidade] \u00e9 diabetes n\u00f3s vemos um quadro mais grave dos homens que buscam atendimento, e essa propor\u00e7\u00e3o se reflete tamb\u00e9m nos custos indiretos, de absente\u00edsmo, morte prematura e aposentadoria precoce&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Para a proje\u00e7\u00e3o de 2030, as autoras avaliaram quanto a\u00a0doen\u00e7a deve afetar a economia\u00a0e o\u00a0PIB (Produto Interno Bruto)\u00a0brasileiros considerando os gastos individuais de pessoas vivendo com diabetes tanto no rendimento per capita quando no custo por paciente.<\/p>\n<p>Foram propostos dois cen\u00e1rios, um mais conservador, em que a incid\u00eancia de casos de diabetes permaneceria inalterada nos 14 anos seguintes (de 2016 a 2030), cujo peso econ\u00f4mico da doen\u00e7a foi estimado entre US$ 2,34 bilh\u00f5es e US$ 3,33 bilh\u00f5es (cerca de R$ 11,7 bilh\u00f5es a R$ 16,6 bilh\u00f5es). Mas, com a proje\u00e7\u00e3o de crescimento de 13% dos casos de diabetes at\u00e9 2030, a estimativa de custo eleva esse valor para mais de R$ 27 bilh\u00f5es, quase tr\u00eas vezes o gasto atual.<\/p>\n<p>As autoras ainda ressaltam que \u00e9 muito prov\u00e1vel que os\u00a0casos de diabetes no Brasil sejam subestimados, pois h\u00e1 ainda muitas mortes relacionadas a diabetes ou por complica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a que n\u00e3o s\u00e3o consideradas.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar de serem custos j\u00e1 muito altos, n\u00f3s consideramos que eles j\u00e1 sejam superiores ao que projetamos porque usamos uma metodologia mais conservadora. Os custos indiretos para a sociedade devem ser ainda maiores, porque o diabetes afeta diretamente as fam\u00edlias dos pacientes e tamb\u00e9m o mercado de trabalho, no contexto da produtividade&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Segundo a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do Atlas Diabetes 2021, os\u00a0casos de diabetes cresceram 16% no mundo de 2019 para 2021, passando de 463 milh\u00f5es para 537 milh\u00f5es no \u00faltimo ano. A expectativa \u00e9 chegar a 643 milh\u00f5es doentes em 2030, ou seja, um aumento de 19%.<\/p>\n<p>No Brasil,\u00a09,14% da popula\u00e7\u00e3o adulta vivia com diabetes em 2021, segundo levantamento da pesquisa Vigitel (Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco e Prote\u00e7\u00e3o para Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas por Inqu\u00e9rito Telef\u00f4nico).<\/p>\n<p>Para Deborah Malta, pesquisadora da Escola de Enfermagem da UFMG e ex-coordenadora do Vigitel (2006 a 2015), o estudo \u00e9 relevante, pois consegue calcular de maneira muito completa os custos da doen\u00e7a. &#8220;O diabetes muitas vezes n\u00e3o recebe o devido valor, mas ele possui um efeito sist\u00eamico not\u00e1vel&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Ela ressalta que a incapacidade provocada por diabetes j\u00e1 \u00e9 reconhecida como um dos principais fatores para levar \u00e0 morte prematura. &#8220;O cen\u00e1rio que a pesquisa estima para 2030 na verdade j\u00e1 chegou em 2019, porque j\u00e1 estamos observando a consequ\u00eancia da incapacidade provocada por diabetes com o aumento da obesidade e diminui\u00e7\u00e3o da expectativa de vida da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A grande falha hoje na aten\u00e7\u00e3o de diabetes no Brasil, segundo a pesquisadora, \u00e9 a aus\u00eancia de programas s\u00f3lidos de\u00a0preven\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, como pol\u00edticas p\u00fablicas para acesso a\u00a0alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel\u00a0e\u00a0incentivo de atividades f\u00edsicas. &#8220;Sabemos que h\u00e1 um aumento da incid\u00eancia e a taxa de mortalidade, que estava em decl\u00ednio at\u00e9 2016, 2017, estagnou [na taxa de 28,7 mortes por cem mil habitantes]. Isso \u00e9 muito preocupante&#8221;, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Os custos de\u00a0diabetes no Brasil\u00a0j\u00e1 superam US$ 2,1 bilh\u00f5es (cerca de R$ 10 bilh\u00f5es), sendo US$ [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13305,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-14465","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14465","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14465"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14465\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14467,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14465\/revisions\/14467"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13305"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14465"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}