{"id":14407,"date":"2022-04-05T11:13:05","date_gmt":"2022-04-05T11:13:05","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=14407"},"modified":"2022-04-05T11:13:05","modified_gmt":"2022-04-05T11:13:05","slug":"precos-de-planos-de-saude-empresariais-saltam-ate-133","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2022\/04\/precos-de-planos-de-saude-empresariais-saltam-ate-133\/","title":{"rendered":"Pre\u00e7os de planos de sa\u00fade empresariais saltam at\u00e9 133%"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2022\/04\/precos-de-planos-de-saude-empresariais-saltam-ate-133.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Folha de SP<\/a><\/p>\n<p>Paulo Ant\u00f4nio de Ara\u00fajo Barbosa, 75 anos, lembra com saudade do plano de sa\u00fade que tinha quando era respons\u00e1vel pelo departamento de produ\u00e7\u00e3o da antiga CEG (Companhia Distribuidora de G\u00e1s do Rio de Janeiro), hoje Naturgy.<\/p>\n<p>&#8220;Pagava um valor simb\u00f3lico por um plano maravilhoso, que atendia a mim, minha mulher, meus tr\u00eas filhos, meu pai e minha m\u00e3e&#8221;, diz o engenheiro qu\u00edmico, que deixou a CEG em 2000, aos 53 anos, depois de obter aposentadoria especial por insalubridade e periculosidade.<\/p>\n<p>Agora ele est\u00e1 desolado: \u00e9 a segunda vez, em dois anos, em que se v\u00ea obrigado a mudar de plano de sa\u00fade pelos\u00a0altos reajustes contratuais. &#8220;Tinha o Unimed Rio, categoria Delta, oferecido pela Aprogas [Associa\u00e7\u00e3o dos Profissionais da Companhia Distribuidora de G\u00e1s do Rio de Janeiro], mas eles apresentaram um aumento absurdo, de mais de 70%&#8221;, diz. &#8220;O valor da mensalidade para mim e para a minha mulher saltaria de R$ 3 mil para R$ 5,2 mil&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Tentando fugir da &#8220;facada&#8221;, decidiu aderir, no come\u00e7o do ano passado, a outro plano coletivo por ades\u00e3o, tamb\u00e9m da Unimed Rio, mas agora na categoria Alfa, inferior.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 7 de mar\u00e7o, por\u00e9m, o susto foi grande: recebeu uma carta da administradora de planos de sa\u00fade QV Benef\u00edcios dizendo que o plano da Unimed Rio \u2013 Alfa seria reajustado em 133,45%.<\/p>\n<p>&#8220;De R$ 3.080, o valor do plano para n\u00f3s dois saltaria para R$ 7,2 mil&#8221;, diz. &#8220;Eu entrei em p\u00e2nico! Nossa renda bruta est\u00e1 na faixa de R$ 9 mil. Se eu pagar o plano, mal sobra para comer&#8221;, diz Barbosa, que agora vai aderir ao plano familiar MedS\u00eanior,\u00a0voltado \u00e0 terceira idade, na tentativa de manter o gasto de R$ 3 mil ao m\u00eas para ele e a mulher, de 73 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o tenho alternativa&#8221;, diz. &#8220;R$ 3 mil j\u00e1 est\u00e1 muito apertado&#8221;, afirma o aposentado carioca, que j\u00e1 foi maratonista antes de enfrentar um c\u00e2ncer no intestino, h\u00e1 cinco anos. &#8220;Mas estou curado desde 2019, fa\u00e7o apenas exames de rotina. N\u00e3o d\u00e1 para colocar o antigo c\u00e2ncer nessa conta da sinistralidade&#8221;.<\/p>\n<p>O caso de Barbosa ilustra o que ocorre nos planos de sa\u00fade empresariais e coletivos por ades\u00e3o, cujos reajustes n\u00e3o s\u00e3o regulados pela ANS (Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar). Na maioria dos casos, as operadoras praticam aumentos muito acima da infla\u00e7\u00e3o. A ag\u00eancia governamental\u00a0regula o pre\u00e7o apenas dos planos de sa\u00fade individuais e familiares.<\/p>\n<p>A carta da QV Benef\u00edcios, recebida por Barbosa, \u00e0 qual a\u00a0<b>Folha<\/b>\u00a0teve acesso, diz que o contrato com o plano Unimed Rio &#8220;\u00e9 reajustado anualmente, no m\u00eas de abril, de acordo com a sinistralidade contratual, apurada e calculada com base na rela\u00e7\u00e3o entre receitas e custos assistenciais da sua ap\u00f3lice&#8221;.<\/p>\n<p>O documento diz ainda que, &#8220;considerando o \u00edndice de sinistralidade apurado na sua ap\u00f3lice, o percentual de reajuste ser\u00e1 de 133,45%, m\u00ednimo para adequar o equil\u00edbrio financeiro do contrato coletivo por ades\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h3 id=\"planos-de-saude-nao-explicam-aumento-nem-para-a-justica-diz-advogado\" class=\"c-news__subtitle\">PLANOS DE SA\u00daDE N\u00c3O EXPLICAM AUMENTO NEM PARA A JUSTI\u00c7A, DIZ ADVOGADO<\/h3>\n<p>Para o advogado especializado na \u00e1rea de sa\u00fade Rafael Robba, s\u00f3cio do Vilhena Silva Advogados, essa rela\u00e7\u00e3o entre receitas e despesas n\u00e3o \u00e9 transparente.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea tentar obter essa informa\u00e7\u00e3o de forma detalhada da operadora, de qual foi a receita e qual foi a despesa que justifique uma alta deste porte, dificilmente voc\u00ea vai conseguir. \u00c0s vezes nem mesmo na Justi\u00e7a&#8221;, diz ele, cujo escrit\u00f3rio atende empresas que est\u00e3o tendo que lidar com aumentos de 26% a 45% neste \u00faltimo ano. Entre os casos, est\u00e3o\u00a0SulAm\u00e9rica (que acaba de ser comprada pela Rede D&#8217;or)\u00a0e Bradesco Sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;Quando o benefici\u00e1rio entra com uma a\u00e7\u00e3o para questionar o reajuste, a Justi\u00e7a costuma exigir que o plano demonstre, de forma clara, quais os dados e crit\u00e9rios usados para chegar a este \u00edndice&#8221;, afirma Robba.<\/p>\n<p>&#8220;Mas na maioria dos casos, as operadoras n\u00e3o demonstram. Nem mesmo quando o juiz determina a realiza\u00e7\u00e3o de per\u00edcia&#8221;, diz o especialista. &#8220;Por conta disso, a Justi\u00e7a entende que o reajuste \u00e9 abusivo e revisa o valor&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Lenira Santos, diretora administrativa da Alphageos, especializada em servi\u00e7os de engenharia, est\u00e1 indignada. Tem h\u00e1 cinco anos um contrato com a SulAm\u00e9rica, que atende os cerca de 300 funcion\u00e1rios da companhia e seus dependentes.<\/p>\n<p>&#8220;Todo ano, eles tentam nos impor reajustes muito altos, da ordem de 50%, mas conseguimos renegociar para alto em torno de 15%, 17%, desde que o contrato esteja vinculado a uma perman\u00eancia de dois anos no plano&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>No \u00faltimo reajuste, de outubro, um novo aumento muito acima da infla\u00e7\u00e3o: 26%. &#8220;Por orienta\u00e7\u00e3o dos advogados, decidimos n\u00e3o mais renovar e questionar o aumento na Justi\u00e7a&#8221;, diz ela, que reclama ada falta de acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es que justifiquem o aumento da sinistralidade.<\/p>\n<p>&#8220;Se eu pago o seguro do carro e acontece um sinistro, posso acionar o seguro sem problemas&#8221;, diz Lenira. &#8220;Por que eu n\u00e3o posso fazer o mesmo com o seguro sa\u00fade? Por que eu preciso ser penalizada pelo que eu paguei para usar?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>Rafael Robba explica que existem dois reajustes para os planos de sa\u00fade: o reajuste anual, aplicado todo ano no m\u00eas de anivers\u00e1rio do contrato e igual para todos os benefici\u00e1rios, e o reajuste por faixa et\u00e1ria, aplicado conforme a mudan\u00e7a de idade do usu\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje, o \u00faltimo reajuste permitido por faixa et\u00e1ria \u00e9 aos 59 anos&#8221;, diz. &#8220;Depois dos 60 anos, s\u00f3 o reajuste anual&#8221;, afirma. Neste caso, o reajuste precisa, obrigatoriamente, estar previsto em contrato: em quais mudan\u00e7as de faixa et\u00e1ria o plano sofrer\u00e1 aumento e em qual percentual.<\/p>\n<p>&#8220;Teoricamente, a\u00a0empresa pode mudar de prestador\u00a0&#8211; mas se a companhia tem entre os dependentes idosos ou doentes \u00e9 mais dif\u00edcil de fechar com um novo plano&#8221;, diz Robba, que critica a ANS por n\u00e3o exercer fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre os reajustes por sinistralidade. &#8220;A operadora acaba ficando livre para aplicar o \u00edndice que bem entende&#8221;.<\/p>\n<h3 id=\"outro-lado\" class=\"c-news__subtitle\">OUTRO LADO<\/h3>\n<p>A Unimed Rio, que indicou o aumento de 133,45% a Paulo Ant\u00f4nio de Ara\u00fajo Barbosa, afirmou em nota que &#8220;o percentual definido visa equilibrar a defasagem entre receita e despesa ao longo dos \u00faltimos doze meses de utiliza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Procuradas, a Bradesco Sa\u00fade e a SulAm\u00e9rica decidiram responder por meio da\u00a0FenaSa\u00fade, associa\u00e7\u00e3o que representa 15 grupos de operadoras e seguros privados. A\u00a0<b>Folha<\/b>\u00a0questionou o porqu\u00ea de o reajuste de planos empresariais e coletivos por ades\u00e3o ser acima da infla\u00e7\u00e3o (em 2021, o\u00a0IPCA foi de 10,06%) e da falta de transpar\u00eancia envolvendo as informa\u00e7\u00f5es sobre sinistralidade.<\/p>\n<p>Por meio de sua assessoria de imprensa, a FenaSa\u00fade destacou a press\u00e3o de custos provocada pela &#8220;maior infla\u00e7\u00e3o geral em cinco anos&#8221;, a retomada dos procedimentos eletivos e a alta taxa de sinistralidade do primeiro trimestre deste ano, de 82% &#8211; segundo a associa\u00e7\u00e3o, a taxa mede o grau de comprometimento das receitas com o pagamento de despesas.<\/p>\n<p>E disse que aumentos de 133% s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a regra. &#8220;Segundo dados da ANS, em 2021 os planos coletivos tiveram reajuste m\u00e9dio de 5,55%&#8221;, informou. De acordo com a associa\u00e7\u00e3o, o consumidor pode acionar os canais de atendimento da operadora em busca de esclarecimentos sobre os \u00edndices de reajuste.<\/p>\n<p>A ANS, tamb\u00e9m por meio de sua assessoria de imprensa, disse que &#8220;regula tanto os planos individuais\/familiares quanto os coletivos (empresariais e por ades\u00e3o)&#8221;. Nestes \u00faltimos, o reajuste \u00e9 definido em contrato &#8220;e estabelecido a partir da rela\u00e7\u00e3o comercial entre a empresa contratante e a operadora, em que h\u00e1 espa\u00e7o para negocia\u00e7\u00e3o entre as partes.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo a ANS, as operadoras s\u00e3o obrigadas a oferecer &#8220;\u00e0 pessoa jur\u00eddica contratante da mem\u00f3ria de c\u00e1lculo do reajuste e metodologia utilizada com o m\u00ednimo de 30 dias de anteced\u00eancia da data prevista para a aplica\u00e7\u00e3o do reajuste&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Paulo Ant\u00f4nio de Ara\u00fajo Barbosa, 75 anos, lembra com saudade do plano de sa\u00fade que tinha [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6511,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-14407","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14407","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14407"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14407\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14409,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14407\/revisions\/14409"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6511"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14407"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14407"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14407"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}