{"id":14348,"date":"2022-05-26T11:31:37","date_gmt":"2022-05-26T11:31:37","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=14348"},"modified":"2022-05-16T14:54:53","modified_gmt":"2022-05-16T14:54:53","slug":"obesidade-infantil-as-razoes-por-tras-do-aumento-de-peso-entre-as-criancas-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2022\/05\/obesidade-infantil-as-razoes-por-tras-do-aumento-de-peso-entre-as-criancas-brasileiras\/","title":{"rendered":"Obesidade infantil: as raz\u00f5es por tr\u00e1s do aumento de peso entre as crian\u00e7as brasileiras"},"content":{"rendered":"<p>fonte: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2022\/03\/obesidade-infantil-as-razoes-por-tras-do-aumento-de-peso-entre-as-criancas-brasileiras.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BBC Brasil<\/a><\/p>\n<p>Um estudo encomendado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostrou que 1 em cada 10 crian\u00e7as brasileiras de at\u00e9 5 anos est\u00e1 com o peso acima do ideal: s\u00e3o 7% com sobrepeso e 3% j\u00e1 com\u00a0obesidade.<\/p>\n<p>O Estudo Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o e Nutri\u00e7\u00e3o Infantil (Enani-2019), coordenado pelo Instituto de Nutri\u00e7\u00e3o Josu\u00e9 de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), indica ainda que um quinto das crian\u00e7as (18,6%) na mesma faixa et\u00e1ria est\u00e1 em uma zona de risco de sobrepeso.<\/p>\n<p>No\u00a0<a href=\"https:\/\/enani.nutricao.ufrj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">estudo<\/a>, foram considerados indicadores de 2019, per\u00edodo anterior \u00e0\u00a0pandemia de\u00a0Covid-19 e durante o qual especialistas acreditam que os indicadores possam ter piorado ainda mais devido a mudan\u00e7as na rotina de alimenta\u00e7\u00e3o, atividade f\u00edsica e consultas m\u00e9dicas.<\/p>\n<p>Os dados anteriores do mesmo estudo datam de 2006, e desde ent\u00e3o o cen\u00e1rio mudou muito. A preval\u00eancia de excesso de peso em crian\u00e7as nessa faixa et\u00e1ria aumentou de 6,6% em 2006 para 10%, em 2019.<\/p>\n<p>Os dados soaram um alerta para a comunidade m\u00e9dica, que j\u00e1 monitorava outras pesquisas sobre excesso de peso na inf\u00e2ncia. A mais recente delas, divulgada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em 2021, estima que 6,4 milh\u00f5es de crian\u00e7as t\u00eam excesso de peso no Brasil e 3,1 milh\u00f5es j\u00e1 evolu\u00edram para obesidade.<\/p>\n<p>&#8220;O que realmente nos preocupa \u00e9 a tend\u00eancia de aumento. No passado a obesidade era um fen\u00f4meno concentrado principalmente entre adultos, mas aos poucos ela foi atingindo tamb\u00e9m os adolescentes, as crian\u00e7as mais velhas e agora as de menos de 5 anos&#8221;, disse In\u00eas Rugani, pesquisadora do Enani-2019, \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>A nutricionista e especialista em sa\u00fade p\u00fablica chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o estudo identificou uma preval\u00eancia maior excesso de peso entre as crian\u00e7as menores, de at\u00e9 23 meses de idade, com 23% delas acima do peso. Os menores de 24 a 35 meses est\u00e3o em segundo lugar (20,4%), seguidos pelos de 36 a 47 meses (15,8%) e 48 a 59 meses (14,7%).<\/p>\n<p>&#8220;O fato de que as crian\u00e7as menores t\u00eam uma preval\u00eancia um pouco mais alta do que as mais velhas aponta para uma perspectiva de piora no futuro&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo Rugani, meninos e meninas com obesidade correm riscos de desenvolverem doen\u00e7as nas articula\u00e7\u00f5es e nos ossos, diabetes, doen\u00e7as card\u00edacas e at\u00e9\u00a0c\u00e2ncer. &#8220;Crian\u00e7as obesas t\u00eam ainda mais chances de se tornarem adultos obesos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A BBC News Brasil conversou com m\u00e9dicos, pediatras e nutr\u00f3logos que apontaram as principais raz\u00f5es que explicam o crescimento no sobrepeso e obesidade entre as crian\u00e7as brasileiras.<\/p>\n<h3>Alimentos ultraprocessados<\/h3>\n<p>A obesidade infantil \u00e9 resultado de uma s\u00e9rie complexa de fatores gen\u00e9ticos e comportamentais, que atuam em v\u00e1rios contextos como a fam\u00edlia e a escola. Segundo os especialistas ouvidos, por\u00e9m, os maiores respons\u00e1veis pelo aumento de peso entre as crian\u00e7as brasileiras s\u00e3o os\u00a0alimentos\u00a0ultraprocessados.<\/p>\n<p>Sucos de caixinha, refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos e macarr\u00e3o instant\u00e2neo s\u00e3o alguns dos produtos mais consumidos pelos pequenos atualmente.<\/p>\n<p>Segundo Cintia Cercato, endocrinologista da\u00a0Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)\u00a0e presidente da Abeso (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira para o Estudo da Obesidade e da S\u00edndrome Metab\u00f3lica), o Brasil passa h\u00e1 alguns anos por um processo de mudan\u00e7a no ambiente alimentar.<\/p>\n<p>E se antes muitas fam\u00edlias tinham dificuldade de acesso a alimentos prontos ou industrializados, hoje eles se tornaram mais baratos e dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Entre as fam\u00edlias entrevistadas pelo Enani-2019, a preval\u00eancia do consumo de alimentos ultraprocessados chegou a 93% entre crian\u00e7as de 24 a 59 meses e 80,5% entre crian\u00e7as de 6 a 23 meses. J\u00e1 o consumo de bebidas ado\u00e7adas atinge 24,5% dos pequenos entre 6 a 23 meses, 37,7% dos de 18 a 23 meses e 50,3% das crian\u00e7as de 24 a 59 meses.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de muitas vezes terem um custo mais baixo do que os alimentos in natura, os industrializados tamb\u00e9m s\u00e3o propagandeados na televis\u00e3o e na internet com um marketing muito espec\u00edfico para os pequenos.<\/p>\n<p>&#8220;As embalagens s\u00e3o coloridas e com personagens, e nos supermercados os produtos ultraprocessados costumam ficar nas prateleiras mais baixas, na linha de vis\u00e3o das crian\u00e7as. Dessa forma \u00e9 dif\u00edcil que os pequenos n\u00e3o sintam vontade de experimentar&#8221;, diz Cercato.<\/p>\n<p>Em outubro de 2022, entrar\u00e1 em vigor\u00a0novo padr\u00e3o de rotulagem de alimentos\u00a0e bebidas industrializadas aprovado pela Anvisa em 2020. As embalagens dever\u00e3o apresentar um selo frontal com s\u00edmbolo de lupa para informar sobre altos teores de a\u00e7\u00facar, gordura e s\u00f3dio.<\/p>\n<p>Ainda assim, a endocrinologista defende uma regulamenta\u00e7\u00e3o mais restrita, com leis que impe\u00e7am o uso de personagens e celebridades infantis nas embalagens e an\u00fancios, assim como a distribui\u00e7\u00e3o de brindes com os alimentos. &#8220;As crian\u00e7as ainda n\u00e3o t\u00eam discernimento suficiente para n\u00e3o serem atra\u00eddas por esse tipo de marketing pesado&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para garantir a melhor alimenta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, os nutricionistas e pediatras recomendam que os pais sigam as instru\u00e7\u00f5es dadas pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/189.28.128.100\/dab\/docs\/portaldab\/publicacoes\/guia_da_crianca_2019.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Guia Alimentar para Crian\u00e7as Brasileiras<\/a>\u00a0elaborado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;A alimenta\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a deve ser composta por comida de verdade, isto \u00e9, refei\u00e7\u00f5es feitas com alimentos in natura ou minimamente processados de diferentes grupos (por exemplo, feij\u00f5es, cereais, ra\u00edzes e tub\u00e9rculos, frutas, legumes e verduras, carnes)&#8221;, diz a cartilha.<\/p>\n<p>&#8220;O n\u00famero de refei\u00e7\u00f5es ao longo do dia e a quantidade de alimentos oferecidos devem aumentar conforme a crian\u00e7a cresce para suprir suas necessidades&#8221;.<\/p>\n<p>O guia afirma ainda que refei\u00e7\u00f5es com maior variedade de alimentos s\u00e3o as mais adequadas e saud\u00e1veis para a crian\u00e7a e toda a fam\u00edlia. &#8220;Sempre que puder, varie a oferta de alimentos ao longo do dia e ao longo da semana&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outras op\u00e7\u00f5es de cartilhas dispon\u00edveis na internet, como o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sbp.com.br\/imprensa\/detalhe\/nid\/guia-pratico-de-alimentacao-da-crianca-de-0-a-5-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Guia Pr\u00e1tico de Alimenta\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as de 0 a 5 anos<\/a>\u00a0elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o e-book Lancheira Saud\u00e1vel, da Abeso, que d\u00e1 ideias saud\u00e1veis de lanches para levar para a escola.<\/p>\n<h3>Mudan\u00e7as nos padr\u00f5es de amamenta\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Outro problema identificado pelos especialistas \u00e9 o n\u00e3o cumprimento do aleitamento materno exclusivo at\u00e9 os seis meses de idade, associado \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o dos industrializados j\u00e1 durante os primeiros meses de vida.<\/p>\n<p>Segundo o Enani-2019, menos da metade (45,8%) dos beb\u00eas menores de 6 meses mamam exclusivamente no peito da m\u00e3e.<\/p>\n<p>&#8220;O leite materno \u00e9 sempre a melhor op\u00e7\u00e3o e, por isso, aconselhamos a amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva at\u00e9 os seis meses e at\u00e9 pelo menos os 2 anos&#8221;, diz a nutricionista In\u00eas Rugani. &#8220;A partir dos seis meses a introdu\u00e7\u00e3o alimentar \u00e9 recomendada, mas deve-se priorizar alimentos naturais e com ampla variedade de nutrientes, o que infelizmente nem sempre ocorre&#8221;.<\/p>\n<p>Por variados motivos, muitas m\u00e3es n\u00e3o conseguem amamentar e acabam optando pela f\u00f3rmula. Segundo os especialistas, ela \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o nesses casos, mas deve ser evitada quando o leite materno estiver dispon\u00edvel e n\u00e3o fizer mal \u00e0 crian\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Tomar leite na mamadeira produz menos saciedade do que a amamenta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a crian\u00e7a fica mais passiva do que quando est\u00e1 mamando no peito, o que pode ser prejudicial para o futuro, quando tiver que pegar e buscar os alimentos&#8221;, diz Rubens Feferbaum, pediatra e nutr\u00f3logo, presidente do Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o da Sociedade de Pediatria de S\u00e3o Paulo (SPSP).<\/p>\n<p>Segundo o m\u00e9dico, crian\u00e7as que tomam f\u00f3rmula ou leite de vaca industrializado tamb\u00e9m podem apresentar maior ganho de peso.<\/p>\n<h3>Falta de atividade f\u00edsica<\/h3>\n<p>Outro componente importante para o aumento nas taxas de sobrepeso e obesidade \u00e9 a mudan\u00e7a nas atividades dos pequenos. Segundo os especialistas, cada vez mais as crian\u00e7as t\u00eam preferido brincadeiras com pouco ou nenhum movimento.<\/p>\n<p>&#8220;O estilo de vida das crian\u00e7as mudou e agora elas passam muito tempo sentadas ou deitadas, assistindo televis\u00e3o, jogando videogame e navegando no celular ou tablet&#8221;, diz Rubens Feferbaum. &#8220;Parte do tempo que no passado era usado para brincadeiras que exigiam correr, dan\u00e7ar e pular agora vai para a tecnologia&#8221;.<\/p>\n<p>A falta de espa\u00e7o f\u00edsico para atividades mais din\u00e2micas tamb\u00e9m se tornou um problema. &#8220;Enquanto algumas fam\u00edlias vivem em regi\u00f5es perif\u00e9ricas onde n\u00e3o h\u00e1 parques ou seguran\u00e7a na rua, outras crian\u00e7as passam o dia trancadas em apartamentos no meio da cidade&#8221;, opina In\u00eas Rugani.<\/p>\n<p>Segundo a especialista, n\u00e3o h\u00e1 uma recomenda\u00e7\u00e3o padr\u00e3o para a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica pelas crian\u00e7as, como existe para os adultos. &#8220;O que elas precisam \u00e9 brincar, ter espa\u00e7o para correr e se movimentar, e n\u00e3o ficar paradas na frente da TV por horas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, por\u00e9m, orienta para algumas boas pr\u00e1ticas no\u00a0<a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/guia_atividade_fisica_populacao_brasileira.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Guia de Atividade F\u00edsica para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira<\/a>. O documento, por exemplo, recomenda pelo menos 3 horas por dia de atividades f\u00edsicas para crian\u00e7as de 1 a 5 anos, com varia\u00e7\u00f5es de intensidade de acordo com a faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;Para as crian\u00e7as, a atividade f\u00edsica \u00e9 feita principalmente em jogos e brincadeiras ou em atividades mais estruturadas, como a participa\u00e7\u00e3o em escolinhas de esportes e em aulas de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica&#8221;, diz a cartilha.<\/p>\n<h3>Influ\u00eancia da fam\u00edlia<\/h3>\n<p>Os h\u00e1bitos adotados pelos pais e demais familiares tamb\u00e9m podem ter influ\u00eancia no peso da crian\u00e7a, de acordo com os m\u00e9dicos ouvidos pela reportagem.<\/p>\n<p>&#8220;A cultura familiar \u00e9 muito importante, pois as crian\u00e7as consomem os alimentos oferecidos pelos pais e seguem as regras da casa quando se trata de tempo de tela&#8221;, diz Rubens Feferbaum.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 durante a inf\u00e2ncia que muitos dos h\u00e1bitos alimentares que levamos para toda a vida s\u00e3o formados. E muito do que \u00e9 aprendido pela crian\u00e7a \u00e9 absorvido por meio da observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 important\u00edssimo que os pais deem bons exemplos, especialmente at\u00e9 os dois anos de idade, quando o paladar \u00e9 formado&#8221;, afirma Cintia Cercato, da Abeso. &#8220;Oferecer alimentos diversos e em v\u00e1rios formatos e combina\u00e7\u00f5es diferentes \u00e9 sempre uma boa ideia, assim como organizar refei\u00e7\u00f5es em fam\u00edlia para que a crian\u00e7a se sinta motivada a comer bem&#8221;.<\/p>\n<p>A especialista ainda recomenda convidar as crian\u00e7as sempre que poss\u00edvel para participar do preparo dos alimentos, de forma que elas se sintam inclu\u00eddas na rotina alimentar da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Por outro lado, a gen\u00e9tica tamb\u00e9m tem um peso importante. Segundo Cercato, a chance de filhos de pais obesos sofrerem do mesmo problema pode chegar a 80%. Mas, se os pais t\u00eam peso normal, a probabilidade cai para menos que 10%.<\/p>\n<p>O peso durante a gesta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode afetar a situa\u00e7\u00e3o do beb\u00ea. &#8220;O IMC da m\u00e3e durante a gest\u00e3o pode estar intimamente relacionado ao peso futuro da crian\u00e7a&#8221;, diz Feferbaum.<\/p>\n<p>Especialistas afirmam que \u00e9 poss\u00edvel controlar o peso na gravidez, mas, para melhores resultados, \u00e9 fundamental fazer mudan\u00e7as no estilo de vida antes mesmo de engravidar.<\/p>\n<h3>Falta de acompanhamento especializado<\/h3>\n<p>Segundo o pediatra e nutr\u00f3logo Rubens Feferbaum, a falta de acompanhamento peri\u00f3dico das crian\u00e7as por um m\u00e9dico especializado tamb\u00e9m pode estar contribuindo para o aumento dos casos de sobrepeso e obesidade.<\/p>\n<p>&#8220;Nem todas as fam\u00edlias no Brasil tem um acompanhamento regular com um pediatra&#8221;, diz o m\u00e9dico. &#8220;H\u00e1 uma cultura nacional de s\u00f3 levar os filhos ao m\u00e9dico em casos de emerg\u00eancia, mas o ideal \u00e9 acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o da altura e do peso com visitas regulares&#8221;.<\/p>\n<p>Para o especialista, \u00e9 muito mais f\u00e1cil e poss\u00edvel reverter o quadro de ganho de peso quando ele \u00e9 identificado precocemente. &#8220;Ap\u00f3s os 5 anos e sobretudo na adolesc\u00eancia, a obesidade se torna mais dif\u00edcil de reverter. Na verdade, quando mais a obesidade se estende na linha do tempo de uma crian\u00e7a pior ser\u00e1 o prognostico para ela&#8221;.<\/p>\n<p>Quando o sobrepeso ou a obesidade s\u00e3o identificados pelo pediatra, o indicado \u00e9 que a crian\u00e7a seja encaminhada para um m\u00e9dico especializado, como um nutricionista ou endocrinologista.<\/p>\n<p>&#8220;Por conta das altas taxas de desnutri\u00e7\u00e3o que o Brasil apresentou no passado, \u00e9 comum que pais acreditem na cren\u00e7a de uma crian\u00e7a roli\u00e7a \u00e9 sin\u00f4nimo de sa\u00fade. Mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade e s\u00f3 um acompanhamento m\u00e9dico respons\u00e1vel pode determinar o peso e a altura certa de cada uma&#8221;, diz In\u00eas Rugani, pesquisadora do Enani-2019.<\/p>\n<h3>Pandemia<\/h3>\n<p>Os dados do Enani-2019 n\u00e3o englobam o per\u00edodo da pandemia de Covid-19, mas outras pesquisas realizadas no Brasil e no mundo j\u00e1 demonstram o impacto dos per\u00edodos de isolamento no peso de crian\u00e7as de adolescentes.<\/p>\n<p>Um estudo desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Pediatria e publicado na revista cient\u00edfica Jornal de Pediatria, mostrou que alguns comportamentos do isolamento est\u00e3o acarretando ganho de peso nos pequenos.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: a falta de gasto energ\u00e9tico nas brincadeiras ao ar livre, na escola e tamb\u00e9m a suspens\u00e3o dos exerc\u00edcios f\u00edsicos, associados ao maior tempo diante das telas, contribu\u00edram para o problema.<\/p>\n<p>Outra pesquisa, do Instituto de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade (Icict\/Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), indica que ouve aumento no consumo de doces e congelados, bem como no sedentarismo, por crian\u00e7as e adolescentes. O percentual de jovens entre 12 e 17 anos que n\u00e3o faziam 60 minutos de atividade f\u00edsica em nenhum dia da semana antes da pandemia era de 20,9%, e passou a ser de 43,4%.<\/p>\n<p>E por mais que n\u00e3o existam ainda dados sobre o aumento de peso real durante o per\u00edodo de isolamento no Brasil, os especialistas ouvidos pela BBC News concordam que haver\u00e1 um aumento consider\u00e1vel nos \u00edndices de sobrepeso e obesidade nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos que os \u00edndices v\u00e3o piorar, e n\u00e3o somente porque a frequ\u00eancia de atividades f\u00edsicas diminui no per\u00edodo de isolamento, mas tamb\u00e9m por conta da recess\u00e3o econ\u00f4mica, que afeta diretamente a qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o do brasileiro&#8221;, diz In\u00eas Rugani, do Enani-2019.<\/p>\n<p>Para Rubens Feferbaum, do Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o da Sociedade de Pediatria de S\u00e3o Paulo (SPSP), \u00e9 preciso considerar tamb\u00e9m o impacto da pandemia na sa\u00fade mental das crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>&#8220;Ao ficarem presas em casa, sem ir \u00e0 escola ou encontrar os amigos, muitas crian\u00e7as e adolescentes desenvolveram ansiedade e depress\u00e3o&#8221;, diz. &#8220;Esses fatores muitas vezes impactam na forma como os jovens se alimentam, pois podem gerar compuls\u00e3o alimentar&#8221;.<\/p>\n<p>E se ainda n\u00e3o existem dados sobre o ganho de peso durante a pandemia no Brasil, j\u00e1 h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre o cen\u00e1rio nos\u00a0Estados Unidos. Uma pesquisa do Centro de Controle de Doen\u00e7as (CDC) do Departamento de Sa\u00fade dos EUA mostrou que o percentual de crian\u00e7as e adolescentes obesos no pa\u00eds aumentou para 22%, em compara\u00e7\u00e3o com 19% antes da Covid-19.<\/p>\n<p>&#8220;O estudo americano mostra um crescimento preocupante na curva de obesidade nos Estados Unidos, e no Brasil n\u00e3o deve ser t\u00e3o diferente&#8221;, diz Cintia Cercato, da Abeso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: BBC Brasil Um estudo encomendado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostrou que 1 em cada 10 crian\u00e7as brasileiras de at\u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13633,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-14348","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14348","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14348"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14348\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14351,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14348\/revisions\/14351"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13633"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14348"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14348"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14348"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}