{"id":13832,"date":"2022-01-17T13:46:19","date_gmt":"2022-01-17T13:46:19","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=13832"},"modified":"2022-01-17T13:46:19","modified_gmt":"2022-01-17T13:46:19","slug":"estatinas-e-cancer-uma-relacao-cada-vez-mais-forte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2022\/01\/estatinas-e-cancer-uma-relacao-cada-vez-mais-forte\/","title":{"rendered":"Estatinas e c\u00e2ncer, uma rela\u00e7\u00e3o cada vez mais forte"},"content":{"rendered":"<p>fonte: MedScape<\/p>\n<p>J\u00e1 transcorreram mais de 40 anos desde a introdu\u00e7\u00e3o da lovastatina no mercado, primeira subst\u00e2ncia inibindo a s\u00edntese do colesterol. A fam\u00edlia das estatinas ent\u00e3o se expandiu com a chegada de novas mol\u00e9culas, sendo hoje um grupo de medicamentos usado com sucesso para reduzir os n\u00edveis de colesterol.<\/p>\n<p>Embora seu uso terap\u00eautico tenha sido aprovado no \u00e2mbito cardiovascular, muitos estudos sugerem que as estatinas tamb\u00e9m possam ser usadas para tratar outras doen\u00e7as, especialmente o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p><b>A culpa (ou o m\u00e9rito) \u00e9 do colesterol<\/b><\/p>\n<p>O alvo das estatinas \u00e9 a s\u00edntese de colesterol, mol\u00e9cula identificada pela primeira vez na segunda metade do s\u00e9culo XVIII e que atualmente \u00e9 conhecida por desempenhar um n\u00famero muito grande de fun\u00e7\u00f5es no organismo. Al\u00e9m de fazer parte das membranas celulares, onde ajuda a manter propriedades essenciais da c\u00e9lula, como a permeabilidade e a fluidez, esta mol\u00e9cula participa de muitas fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas essenciais para o crescimento e a prolifera\u00e7\u00e3o celular. Seu metabolismo tamb\u00e9m est\u00e1 relacionado com a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1cido biliar e a bioss\u00edntese dos horm\u00f4nios esteroides.<\/p>\n<p>\u00c9 precisamente o metabolismo do colesterol e, particularmente, suas altera\u00e7\u00f5es\/reprograma\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o no centro da pesquisa relacionando o colesterol com doen\u00e7as que n\u00e3o fazem parte da esfera cardiovascular, como a doen\u00e7a de Alzheimer, o diabetes e muitos tipos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Como descrito em detalhes em uma revis\u00e3o publicada recentemente no peri\u00f3dico\u00a0<em>Frontiers in Oncology<\/em>, as c\u00e9lulas cancerosas\u00a0<em>\u201c<\/em>dependem do colesterol para satisfazer sua grande necessidade de nutrientes e sustentar seu crescimento descontrolado. Estas c\u00e9lulas reprogramam, portanto, o metabolismo do colesterol, aumentando sua absor\u00e7\u00e3o e s\u00edntese, ou modificando seu fluxo. Al\u00e9m disso, podem acumular colesterol de forma muito eficaz e modificar radicalmente a atividade de regula\u00e7\u00e3o da homeostase do colesterol&#8221;, explicaram os autores da revis\u00e3o, sugerindo que, gra\u00e7as a suas observa\u00e7\u00f5es, as altera\u00e7\u00f5es do metabolismo do colesterol podem representar um alvo farmacol\u00f3gico interessante para novos tratamentos antitumorais.<\/p>\n<p><b>Da cardiologia \u00e0 oncologia: o caminho ainda n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o claro<\/b><\/p>\n<p>\u201cO redirecionamento dos hipolipemiantes pode se revelar uma estrat\u00e9gia terap\u00eautica eficaz, tendo como alvos seletivos as c\u00e9lulas cancerosas e possivelmente refor\u00e7ando inclusive os efeitos da quimioterapia\u201d, diz o artigo do\u00a0<em>Frontiers in Oncology<\/em>. Os autores ressaltaram, entretanto, que embora as premissas te\u00f3ricas sejam mais do que favor\u00e1veis, o uso de medicamentos anticolesterol em oncologia ainda n\u00e3o \u00e9 realidade. Antes de qualquer coisa, precisamos compreender melhor a rela\u00e7\u00e3o entre o colesterol e o c\u00e2ncer, algo que est\u00e1 mobilizando muitos pesquisadores em todo o mundo.<\/p>\n<p>Para citar apenas algumas das descobertas mais recentes, um estudo publicado em agosto de 2021 no peri\u00f3dico\u00a0<em>Nature Communications\u00a0<\/em>identificou um mecanismo de sobreviv\u00eancia das c\u00e9lulas cancerosas que utiliza o colesterol. Especificamente, ao analisar as c\u00e9lulas do c\u00e2ncer de mama e os modelos murinos, os pesquisadores descobriram que altos n\u00edveis de colesterol ajudam estas c\u00e9lulas a superar o estresse associado ao processo de met\u00e1stase, tornando-as mais resistentes a um tipo de morte celular programada chamado ferroptose. Como refor\u00e7am os autores, estes mecanismos tamb\u00e9m parecem agir em outros tipos de c\u00e2ncer e nos ajudam a compreender por que a diminui\u00e7\u00e3o do colesterol (por meio de medicamentos ou mudan\u00e7as do estilo de vida) \u00e9 uma estrat\u00e9gia eficaz para melhorar a sa\u00fade, n\u00e3o somente do ponto de vista cardiovascular.<\/p>\n<p><b>Estatinas para tratar o c\u00e2ncer?<\/b><\/p>\n<p>Quando se trata de medicamentos para reduzir o colesterol, \u00e9 quase evidente que o primeiro pensamento se volte para as estatinas. Mas estamos prontos para usar estatinas para a preven\u00e7\u00e3o ou o tratamento do c\u00e2ncer? Hoje, a resposta \u00e9 n\u00e3o. Entretanto, estudos t\u00eam mostrado resultados promissores sugerindo, por exemplo, que as pessoas que tomam estatinas t\u00eam menos probabilidade de receber diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, ou vivem mais tempo depois de ter sido diagnosticadas com certos tipos de c\u00e2ncer (como de mama, colorretal, renal e pulmonar).<\/p>\n<p>\u201cMuitos estudos observacionais sugerem redu\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia de c\u00e2ncer ou melhor evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a entre os pacientes que tomavam estatinas &#8220;, confirmaram os autores de um artigo rec\u00e9m-publicado no peri\u00f3dico\u00a0<em>World Journal of Clinical Oncology\u00a0<\/em>que tenta atualizar este tema multifacetado.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as de efic\u00e1cia observadas entre as estatinas est\u00e3o relacionadas com suas propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas distintas e com a dura\u00e7\u00e3o do tratamento&#8221;, explicaram os autores, lembrando, por exemplo, que em muitos casos as estatinas lipof\u00edlicas t\u00eam melhores resultados porque conseguem atravessar a membrana celular com mais facilidade e penetrar nas c\u00e9lulas tumorais. Al\u00e9m disso, outros pesquisadores destacam que \u00e9 dif\u00edcil avaliar o real impacto das estatinas na preven\u00e7\u00e3o e na evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer at\u00e9 que seus mecanismos moleculares sejam mais bem compreendidos. Por exemplo, os benef\u00edcios podem estar relacionados com o fato de as pessoas que tomam estatinas poderem ter um estilo de vida mais saud\u00e1vel do que as que n\u00e3o o fazem.<\/p>\n<p><b>Refor\u00e7ar tratamentos\u00a0<\/b><b>existentes<\/b><\/p>\n<p>A ideia de reposicionamento das estatinas na oncologia est\u00e1, portanto, solidamente embasada, como o confirmado na revis\u00e3o do tema publicada em julho no peri\u00f3dico\u00a0<em>Journal of Experimental and Clinical Cancer Research<\/em>, que descreve os resultados de muitos estudos \u2013 observacionais ou intervencionistas \u2013 sobre a rela\u00e7\u00e3o entre as estatinas e a preven\u00e7\u00e3o\/evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e2ncer, e tamb\u00e9m discute os diferentes aspectos desta rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das estrat\u00e9gias discutidas seria usar estatinas al\u00e9m de quimioterapia ou outros tratamentos antineopl\u00e1sicos. As estatinas t\u00eam vantagens peculiares, no sentido de serem medicamentos seguros, bem tolerados e baratos, sugerindo que o seu reposicionamento poderia fazer destas mol\u00e9culas tratamentos eficazes em termos de custos e tratamentos complementares at\u00f3xicos para os pacientes oncol\u00f3gicos&#8221;, escreveram os autores. \u201cNa era da medicina de precis\u00e3o, um estudo mais completo sobre as poss\u00edveis estrat\u00e9gias de associa\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica continua sendo um importante campo de pesquisa&#8221;, acrescentaram os pesquisadores.<\/p>\n<p>Na verdade, os resultados dos estudos pr\u00e9-cl\u00ednicos s\u00e3o promissores e sugerem sinergia entre as estatinas e alguns esquemas terap\u00eauticos oncol\u00f3gicos comuns. Por exemplo, o tratamento com sinvastatina e inibidores MEK aumenta a apoptose nos tumores pancre\u00e1ticos em modelos murinos. enquanto a associa\u00e7\u00e3o de \u00e1cido valproico e sinvastatina sensibiliza ao docetaxel as c\u00e9lulas do c\u00e2ncer de pr\u00f3stata resistentes \u00e0 castra\u00e7\u00e3o, invertendo a resist\u00eancia aos medicamentos nos modelos\u00a0<em>in vitro<\/em>\u00a0e\u00a0<em>in vivo<\/em>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do laborat\u00f3rio, os dados com humanos tamb\u00e9m trazem bons press\u00e1gios. O uso de altas doses de estatinas melhora a atividade cl\u00ednica dos inibidores 1 da morte celular programada (PD-1, do ingl\u00eas\u00a0<em>Programmed Cell Death 1<\/em>) e a combina\u00e7\u00e3o desses dois f\u00e1rmacos melhora o progn\u00f3stico para os pacientes com mesotelioma pleural avan\u00e7ado e c\u00e2ncer do pulm\u00e3o amicroc\u00edtico. Al\u00e9m disso, um estudo recente revelou que as estatinas prolongam a sobrevida global dos pacientes com c\u00e2ncer g\u00e1strico ap\u00f3s a cirurgia e a quimioterapia. E estes s\u00e3o apenas alguns dos exemplos dispon\u00edveis a respeito do interesse pelas estatinas para o tratamento de v\u00e1rios tipos de c\u00e2ncer. As estatinas representam um poss\u00edvel tratamento complementar na oncologia, mas para traduzir este potencial em benef\u00edcio real para os pacientes precisamos atualmente de ensaios cl\u00ednicos bem desenhados&#8221;, conclu\u00edram os pesquisadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: MedScape J\u00e1 transcorreram mais de 40 anos desde a introdu\u00e7\u00e3o da lovastatina no mercado, primeira subst\u00e2ncia inibindo a s\u00edntese [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13583,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-13832","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13832","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13832"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13832\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13834,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13832\/revisions\/13834"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13832"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13832"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13832"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}