{"id":13462,"date":"2021-10-06T09:10:48","date_gmt":"2021-10-06T09:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=13462"},"modified":"2021-10-06T09:10:48","modified_gmt":"2021-10-06T09:10:48","slug":"nova-pesquisa-mostra-que-os-pais-nao-tem-conhecimento-nutricional-suficiente-para-tomar-decisoes-saudaveis-ao-escolher-alimentos-para-seus-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2021\/10\/nova-pesquisa-mostra-que-os-pais-nao-tem-conhecimento-nutricional-suficiente-para-tomar-decisoes-saudaveis-ao-escolher-alimentos-para-seus-filhos\/","title":{"rendered":"Nova pesquisa mostra que os pais n\u00e3o t\u00eam conhecimento nutricional suficiente para tomar decis\u00f5es saud\u00e1veis ao escolher alimentos para seus filhos"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Afirmar que as crian\u00e7as comem muito a\u00e7\u00facar, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 surpresa para ningu\u00e9m. A especialista Mar\u00eda Morales-Suarez-Varela e seus colaboradores publicaram em fevereiro de 2020 na revista Nutrients um estudo que constatou que crian\u00e7as espanholas de 6 a 8 anos consomem uma quantidade muito elevada de a\u00e7\u00facares livres (que n\u00e3o devem ser confundido com os a\u00e7\u00facares das frutas inteiras, chamados de &#8220;a\u00e7\u00facares intr\u00ednsecos&#8221;).<\/p>\n<p>Assim, enquanto a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) considera que o consumo de a\u00e7\u00facar em crian\u00e7as \u00e9 opcional (ou seja, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que elas consumam a\u00e7\u00facar) e que o ideal \u00e9 que esse consumo n\u00e3o ultrapasse 5% da ingest\u00e3o cal\u00f3rica total, as crian\u00e7as do estudo consumiram em m\u00e9dia 94g de a\u00e7\u00facar por dia, o que representa uma ingest\u00e3o cal\u00f3rica que varia entre 22 e 25% do consumo total de energia. Ou seja, cerca de cinco vezes maior do que o recomendado pela OMS. \u00c9, sem d\u00favida, um h\u00e1bito com graves consequ\u00eancias para a sa\u00fade f\u00edsica e mental dessas crian\u00e7as a curto, m\u00e9dio e, sobretudo, longo prazo. Nas palavras de Morales-Su\u00e1rez-Varela e sua equipe, comer menos a\u00e7\u00facar poderia reduzir o percentual de gordura no corpo, o que diminuiria o risco de doen\u00e7as cr\u00f4nicas relacionadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que foi dito sobre o a\u00e7\u00facar \u00e9 inteiramente aplic\u00e1vel ao sal. Mais de 80% das crian\u00e7as espanholas consomem sal em excesso, segundo pesquisa publicada em 2017 pela especialista Ar\u00e1nzazu Aparicio e seus colaboradores no European Journal of Nutrition. \u00c9 algo que, novamente, aumenta o risco de doen\u00e7as cardiovasculares de longo prazo.<\/p>\n<p>Seria l\u00f3gico pensar que esses pesquisadores preconizavam a educa\u00e7\u00e3o diet\u00e9tico-nutricional tanto para as crian\u00e7as quanto, principalmente, para os pais. Por\u00e9m, na conclus\u00e3o do trabalho de Aparicio, lemos o seguinte: \u201cReduzir o teor de s\u00f3dio na alimenta\u00e7\u00e3o infantil \u00e9 uma boa pol\u00edtica para reduzir o risco cardiovascular\u201d. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, mas \u00e9 ainda mais importante ter boas pol\u00edticas que protejam o consumidor de fatores que contribuem para a tomada de decis\u00f5es erradas.<\/p>\n<h2>Marketing para crian\u00e7as \u00e9 agressivo e enganoso<\/h2>\n<p>Entre esses fatores, devemos considerar a enorme quantidade de alimentos n\u00e3o saud\u00e1veis que cercam as crian\u00e7as como a \u00e1gua envolve um peixe. Grande parte do cat\u00e1logo de alimentos dirigidos ou anunciados para crian\u00e7as corresponde produtos inadequados. \u00c9 o que mostra um trabalho rec\u00e9m publicado na Revista de Pediatria de Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e coordenado pelo advogado Francisco Jos\u00e9 Ojuelos, especialista em legisla\u00e7\u00e3o alimentar e autor do livro \u201cO direito \u00e0 nutri\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Neste artigo, intitulado \u201cLiberdade parental como barreira \u00e0 publicidade de produtos alimentares n\u00e3o saud\u00e1veis dirigidos \u00e0s crian\u00e7as\u201d, justifica-se que os pequenos n\u00e3o s\u00e3o capazes de avaliar as mensagens publicit\u00e1rias de forma criteriosa e que o marketing dirigido a eles piora o seu comportamento alimentar. Tamb\u00e9m se insiste que a publicidade de produtos n\u00e3o saud\u00e1veis n\u00e3o deve ser direcionada a crian\u00e7as, especialmente quando eles s\u00e3o falsamente apresentados como saud\u00e1veis, em muitas ocasi\u00f5es com alega\u00e7\u00f5es de sa\u00fade enganosas ou com endosso de pessoas famosas ou admiradas por crian\u00e7as, como atletas ou youtubers.<\/p>\n<p>Dados os quatro fatos acima (crian\u00e7as comem mal, o cat\u00e1logo de produtos oferecidos a eles \u00e9 amplamente prejudicial \u00e0 sa\u00fade, a publicidade \u00e9 enganosa e os pequenos s\u00e3o incapazes de se proteger), parece que temos que encontrar uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A proposta da ind\u00fastria de alimentos pouco saud\u00e1veis \u00e9 que os pais os protejam, decidindo o que pode e o que n\u00e3o pode ser comprado. Devem fazer isso para alcan\u00e7ar uma dieta &#8220;balanceada&#8221;, ou seja, uma dieta na qual os pais determinam a ingest\u00e3o cal\u00f3rica (e nutritiva) e descontam o gasto cal\u00f3rico dos filhos. Uma tarefa imposs\u00edvel para quem caminha na corda bamba.<\/p>\n<p>Os pais t\u00eam conhecimento suficiente sobre nutri\u00e7\u00e3o? Eles t\u00eam uma capacidade real de contrastar o efeito devastador do chamado &#8220;marketing predat\u00f3rio&#8221;? Eles s\u00e3o livres para escolher ou n\u00e3o alimentar seus filhos corretamente? Ou, em outras palavras, podemos responsabilizar os pais pela m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o de seus filhos?<\/p>\n<p>Esta nova pesquisa mostra que os pais n\u00e3o t\u00eam conhecimento nutricional ou de sa\u00fade suficiente para fazer escolhas saud\u00e1veis de alimentos para seus filhos. Por exemplo, em um estudo cient\u00edfico, 96% dos volunt\u00e1rios (um p\u00fablico relativamente bem informado) n\u00e3o foram capazes de reconhecer os a\u00e7\u00facares adicionados ao ler o r\u00f3tulo.<\/p>\n<p>Existem muito mais refer\u00eancias no artigo do Journal of Primary Care Pediatrics, como o que se refere ao fato de a propaganda prejudicar, em demasiadas ocasi\u00f5es, o exerc\u00edcio da autoridade parental. Como, por exemplo, quando em vez de (ou al\u00e9m de) elogiar os seus produtos, ela promove nos menores uma resist\u00eancia impulsiva aos pais. Encontramos exemplos nas frases \u201cvoc\u00ea decide\u201d, \u201cviva como quiser\u201d, \u201cn\u00e3o h\u00e1 ordens\u201d ou \u201cmarque o seu territ\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p>Estamos, portanto, diante de um coquetel explosivo. Vimos alguns de seus ingredientes: alimenta\u00e7\u00e3o infantil desequilibrada, grande oferta de produtos n\u00e3o saud\u00e1veis, marketing predat\u00f3rio, a incapacidade dos menores de se protegerem e pouco conhecimento nutricional por parte dos pais.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 subst\u00e2ncias mais explosivas nesse coquetel: os governos n\u00e3o ajudam (lidam com conceitos obsoletos), os tribunais tampouco (t\u00eam dois conceitos diferentes de consumidor: um que \u00e9 atencioso e perspicaz, quando se trata de proteger os pr\u00f3prios consumidores, e outra, mais sem no\u00e7\u00e3o, quando se trata de proteger interesses comerciais) e, por fim, os padr\u00f5es de publicidade de alimentos, apesar de serem feitos pela pr\u00f3pria ind\u00fastria (voc\u00ea pode imaginar fazendo seus padr\u00f5es?), s\u00e3o maci\u00e7amente violados.<\/p>\n<h2>O foco n\u00e3o \u00e9 nos pais, mas nos agentes reguladores<\/h2>\n<p>Relativamente a esta \u00faltima subst\u00e2ncia explosiva, Ojuelos indica que o c\u00f3digo de autorregula\u00e7\u00e3o espanhol (PAOS) apresentou um grau de viola\u00e7\u00e3o de 49,3% em 2008. Pois bem, o \u00faltimo estudo a esse respeito, coordenado por F\u00e9lix Alexis Morales e focado na televis\u00e3o infantil, encontrou uma n\u00e3o conformidade muito maior: 73,9%.<\/p>\n<p>Felizmente, existem solu\u00e7\u00f5es para esse coquetel explosivo para a sa\u00fade p\u00fablica que acabamos de descrever. Eles n\u00e3o devem servir para nos isentar de refor\u00e7ar nossa vigil\u00e2ncia como pais, mas devem ser conhecidos. Entre as medidas que se mostraram eficazes na melhoria da alimenta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, constam do artigo do Journal of Primary Care Pediatrics a proibi\u00e7\u00e3o da publicidade de alimentos n\u00e3o saud\u00e1veis dirigida a crian\u00e7as, impostos sobre alimentos n\u00e3o saud\u00e1veis ou uso de r\u00f3tulos que mostram claramente que estamos lidando com um produto n\u00e3o recomendado.<\/p>\n<p>Um exemplo deste \u00faltimo \u00e9 o sistema de apresenta\u00e7\u00e3o de alimentos chileno. Por meio de r\u00f3tulos claros, esse sistema revela o car\u00e1ter n\u00e3o saud\u00e1vel de determinados produtos e motiva mudan\u00e7as no comportamento do consumidor, que considera a sa\u00fade um fator muito relevante.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos impostos, temos o exemplo da Catalunha. De acordo com estudo recente coordenado por Judit Vall Castell\u00f3, o imposto sobre bebidas a\u00e7ucaradas (como &#8220;refrigerantes&#8221;) resultou em uma redu\u00e7\u00e3o de 7,7% no consumo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o antes do imposto, sendo a redu\u00e7\u00e3o mais acentuada nas regi\u00f5es com maiores \u00edndices de obesidade, ou seja, onde ela \u00e9 mais necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em suma, se os pais optam por trilhar caminhos mal sinalizados na tomada de decis\u00f5es quanto \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o dos filhos e acabam desorientados, a culpa n\u00e3o \u00e9 deles. Chegou a hora de focar em outro lugar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Afirmar que as crian\u00e7as comem muito a\u00e7\u00facar, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 surpresa para ningu\u00e9m. 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