{"id":13335,"date":"2021-09-17T08:46:44","date_gmt":"2021-09-17T08:46:44","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=13335"},"modified":"2021-09-17T08:46:44","modified_gmt":"2021-09-17T08:46:44","slug":"pesquisa-publicada-no-jama-mostra-que-para-pessoas-acima-dos-70-anos-a-probabilidade-dos-niveis-de-acucar-voltarem-ao-normal-e-maior-do-que-a-diabetes-progredi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2021\/09\/pesquisa-publicada-no-jama-mostra-que-para-pessoas-acima-dos-70-anos-a-probabilidade-dos-niveis-de-acucar-voltarem-ao-normal-e-maior-do-que-a-diabetes-progredi\/","title":{"rendered":"Pesquisa publicada no JAMA mostra que para pessoas acima dos 70 anos a probabilidade dos n\u00edveis de a\u00e7\u00facar voltarem ao normal \u00e9 maior do que a diabetes progredi"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Alguns anos atr\u00e1s, testes de laborat\u00f3rio de rotina mostraram que Susan Glickman Weinberg, ent\u00e3o uma assistente social cl\u00ednica de 65 anos, de Los Angeles, nos EUA, tinha uma leitura de hemoglobina glicosilada (chamada tamb\u00e9m de A1C) de 5,8%, um pouco acima do normal.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 considerado pr\u00e9-diabetes\u201d, disse seu m\u00e9dico. A1C mede a quantidade de a\u00e7\u00facar circulando na corrente sangu\u00ednea ao longo do tempo. Se os resultados dela chegassem a 6% \u2013 ainda abaixo do n\u00famero que define o diabetes, que \u00e9 6,5% \u2013, o m\u00e9dico disse que recomendaria a metformina, uma droga amplamente prescrita.<\/p>\n<p>\u2014 A ideia de que talvez eu tivesse diabetes era muito perturbadora \u2014, lembra Susan, que quando crian\u00e7a ouvia parentes falando sobre isso como \u201cuma coisa misteriosa e terr\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>Ela j\u00e1 estava tomando dois medicamentos para a press\u00e3o arterial, uma estatina para o colesterol e outro para a osteoporose. Susan realmente precisava de outra receita? Ela tamb\u00e9m se preocupava com relatos na \u00e9poca de rem\u00e9dios importados contaminados. Ela nem tinha certeza do que significava pr\u00e9-diabetes, ou com que rapidez poderia se transformar em diabetes.<\/p>\n<p>\u2014 Eu me senti como o Paciente Zero \u2014, diz. \u2014 Havia muitas inc\u00f3gnitas.<\/p>\n<p>Agora existem menos inc\u00f3gnitas. Um estudo longitudinal com adultos mais velhos, publicado online neste m\u00eas na revista JAMA Internal Medicine, fornece algumas respostas sobre a condi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria muito comum conhecida como pr\u00e9-diabetes.<\/p>\n<p>Os pesquisadores descobriram que, ao longo de v\u00e1rios anos, as pessoas mais velhas que eram supostamente pr\u00e9-diab\u00e9ticas tinham muito mais probabilidade de ter seus n\u00edveis de a\u00e7\u00facar no sangue voltando ao normal do que de progredir para diabetes. E eles n\u00e3o tinham maior probabilidade de morrer durante o per\u00edodo de acompanhamento do que seus colegas que tinham n\u00edvel normal de a\u00e7\u00facar no sangue.<\/p>\n<p>\u2014 Na maioria dos adultos mais velhos, o pr\u00e9-diabetes provavelmente n\u00e3o deve ser uma prioridade \u2014, diz Elizabeth Selvin, epidemiologista da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica Johns Hopkins Bloomberg em Baltimore e autora s\u00eanior do estudo.<\/p>\n<p>O pr\u00e9-diabetes, uma condi\u00e7\u00e3o raramente discutida at\u00e9 15 anos atr\u00e1s, refere-se a um n\u00edvel de a\u00e7\u00facar no sangue superior ao normal, mas que n\u00e3o ultrapassou o limiar do diabetes. \u00c9 comumente definido por uma leitura de hemoglobina A1C de 5,7 a 6,4% ou um n\u00edvel de glicose em jejum de 100 a 125 mg\/dL; na meia-idade, pode prenunciar s\u00e9rios problemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Um diagn\u00f3stico de pr\u00e9-diabetes significa que voc\u00ea tem mais probabilidade de desenvolver diabetes e \u201cisso leva \u00e0 doen\u00e7a\u201d, segundo Kenneth Lam, geriatra da Universidade da Calif\u00f3rnia, em S\u00e3o Francisco, e autor de um editorial que acompanha o estudo.<\/p>\n<p>\u2014 Isso danifica seus rins, seus olhos e seus nervos. Causa ataque card\u00edaco e derrame.<\/p>\n<p>Mas, para um adulto mais velho que est\u00e1 come\u00e7ando a atingir n\u00edveis mais elevados de a\u00e7\u00facar no sangue, a hist\u00f3ria \u00e9 diferente. Essas terr\u00edveis consequ\u00eancias levam anos para se desenvolver, e muitas pessoas na casa dos 70 e 80 anos n\u00e3o viver\u00e3o o suficiente para enfrent\u00e1-las.<\/p>\n<p>Esse fato gerou anos de debate. As pessoas mais velhas com leituras de a\u00e7\u00facar no sangue ligeiramente acima do normal \u2013 uma ocorr\u00eancia frequente, uma vez que o p\u00e2ncreas produz menos insulina na vida adulta \u2013 devem agir, como a Associa\u00e7\u00e3o Americana do Diabetes (ADA) recomendou?<\/p>\n<p>Ou rotular as pessoas como pr\u00e9-diab\u00e9ticas meramente \u201cmedicaliza\u201d uma parte normal do envelhecimento, criando ansiedade desnecess\u00e1ria para aqueles que j\u00e1 enfrentam v\u00e1rios problemas de sa\u00fade?<\/p>\n<p>Elizabeth e seus colegas analisaram os resultados de um estudo nacional em andamento sobre risco cardiovascular que come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1980. Quando 3.412 dos participantes compareceram para seus exames f\u00edsicos e laboratoriais entre 2011 e 2013, eles tinham idade entre 71 e 90 anos e n\u00e3o tinham diabetes.<\/p>\n<p>O pr\u00e9-diabetes, no entanto, era galopante. Quase tr\u00eas quartos foram classificados como pr\u00e9-diab\u00e9ticos, com base em seus n\u00edveis de A1C ou de glicose no sangue em jejum.<\/p>\n<p>Essas descobertas refletiram um estudo de 2016 que apontou que um popular teste de risco online criado pelo Centro de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC) e pela ADA, chamado doihaveprediabetes.org, consideraria quase todas as pessoas com mais de 60 anos como pr\u00e9-diab\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Em 2010, uma revis\u00e3o do CDC mostrou que 9 a 25% das pessoas com A1C de 5,5 a 6% desenvolver\u00e3o diabetes em cinco anos; o mesmo acontecer\u00e1 com 25 a 50% daqueles com leituras de A1C de 6 a 6,5%. Mas essas estimativas foram baseadas em uma popula\u00e7\u00e3o de meia-idade.<\/p>\n<p>Quando Elizabeth e sua equipe analisaram o que realmente aconteceu com os indiv\u00edduos mais velhos do estudo cinco a seis anos depois, apenas 8 ou 9% desenvolveram diabetes, dependendo da defini\u00e7\u00e3o usada.<\/p>\n<p>Um grupo muito maior \u2013 13% daqueles cujo n\u00edvel de A1C estava elevado e 44% daqueles com glicose no sangue em jejum pr\u00e9-diab\u00e9tico \u2013 realmente viu suas leituras voltarem aos n\u00edveis normais de a\u00e7\u00facar no sangue. Um estudo sueco encontrou resultados semelhantes.<\/p>\n<p>Desses, 16 a 19% morreram, quase a mesma propor\u00e7\u00e3o daqueles sem pr\u00e9-diabetes.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o estamos vendo muito risco nesses indiv\u00edduos \u2014, afirma Elizabeth. \u2014 Os adultos mais velhos podem ter problemas de sa\u00fade complexos. Aqueles que prejudicam a qualidade de vida devem ser o foco, n\u00e3o a glicose sangu\u00ednea levemente elevada.<\/p>\n<p>Saeid Shahraz, pesquisador de sa\u00fade do Tufts Medical Center em Boston e principal autor do estudo de 2016, elogiou a nova pesquisa.<\/p>\n<p>\u2014 Os dados s\u00e3o muito fortes \u2014, diz. \u2014 A ADA deveria fazer algo a respeito.<\/p>\n<p>E isso pode acontecer, segundo o diretor cient\u00edfico e m\u00e9dico da ADA, Robert Gabbay. A organiza\u00e7\u00e3o atualmente recomenda \u201cpelo menos monitoramento anual\u201d para pessoas com pr\u00e9-diabetes, uma refer\u00eancia aos programas de modifica\u00e7\u00e3o de estilo de vida que reduzem os riscos \u00e0 sa\u00fade e talvez a metformina para aqueles que s\u00e3o obesos e t\u00eam menos de 60 anos.<\/p>\n<p>Agora, o Comit\u00ea de Pr\u00e1tica Profissional da associa\u00e7\u00e3o revisar\u00e1 o estudo e \u201cisso pode levar a alguns ajustes na maneira como pensamos as coisas\u201d, segundo Gabbay. Entre os idosos considerados pr\u00e9-diab\u00e9ticos, \u201co risco pode ser menor do que pens\u00e1vamos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os defensores da \u00eanfase no tratamento do pr\u00e9-diabetes, que aflige um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, apontam que o tratamento de primeira linha envolve aprender comportamentos saud\u00e1veis que mais americanos deveriam adotar de qualquer maneira: perda de peso, parar de fumar, exerc\u00edcios e alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u2014 Tive v\u00e1rios pacientes com diagn\u00f3stico de pr\u00e9-diabetes e \u00e9 isso que os motiva a mudar \u2014, afirma Gabbay. \u2014 Eles sabem o que devem fazer, mas precisam de um empurr\u00e3o.<\/p>\n<p>Geriatras tendem a discordar.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o \u00e9 profissional enganar as pessoas, motiv\u00e1-las pelo medo de algo que n\u00e3o \u00e9 realmente verdade \u2014 diz Lam. \u2014 Estamos todos cansados de ter coisas de que temos medo.<\/p>\n<p>Ele e Sei Lee, co-autor do editorial que acompanha o novo estudo e tamb\u00e9m geriatra da Universidade da Calif\u00f3rnia, defendem uma abordagem caso a caso em adultos mais velhos, especialmente se um diagn\u00f3stico de pr\u00e9-diabetes fizer seus filhos repreend\u00ea-los sobre cada doce consumido.<\/p>\n<p>Para um paciente fr\u00e1gil e vulner\u00e1vel, \u201cvoc\u00ea provavelmente est\u00e1 lidando com uma s\u00e9rie de outros problemas\u201d, afirma Lam.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o se preocupe com este n\u00famero \u2014 continua o geriatra.<\/p>\n<p>Uma pessoa de 75 anos e saud\u00e1vel que poderia viver mais 20 anos enfrenta uma decis\u00e3o com mais nuances. Ela pode nunca progredir para diabetes; ela tamb\u00e9m pode j\u00e1 seguir as modifica\u00e7\u00f5es de estilo de vida recomendadas.<\/p>\n<p>Susan, agora com 69 anos, procurou a ajuda de um nutricionista, mudou sua dieta para enfatizar carboidratos complexos e prote\u00ednas e come\u00e7ou a andar mais e subir escadas em vez de usar elevadores. Ela perdeu 5 quilos sem precisar. Ao longo de 18 meses, sua leitura de A1C para 5,6%.<\/p>\n<p>Sua amiga Carol Jacobi, de 71 anos, que tamb\u00e9m mora em Los Angeles, recebeu um aviso semelhante mais ou menos na mesma \u00e9poca. Seu A1C era 5,7%, o menor n\u00famero definido como pr\u00e9-diab\u00e9tico, mas seu m\u00e9dico prescreveu metformina imediatamente.<\/p>\n<p>Carol, uma arrecadadora de fundos aposentada sem hist\u00f3rico familiar de diabetes, n\u00e3o se preocupou. Ela percebeu que poderia perder um pouco de peso, mas tinha press\u00e3o arterial normal e uma vida ativa que inclu\u00eda muitas caminhadas e ioga. Depois de experimentar a droga por alguns meses, ela parou.<\/p>\n<p>Agora, nenhuma das mulheres tem pr\u00e9-diabetes. Embora a Carol n\u00e3o tenha feito nada para reduzir o a\u00e7\u00facar no sangue e ganhado alguns quilos durante a pandemia, seu A1C caiu para n\u00edveis normais tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Alguns anos atr\u00e1s, testes de laborat\u00f3rio de rotina mostraram que Susan Glickman Weinberg, ent\u00e3o uma assistente social [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13282,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-13335","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13335","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13335"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13335\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13337,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13335\/revisions\/13337"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13282"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}