{"id":13332,"date":"2021-09-16T18:40:48","date_gmt":"2021-09-16T18:40:48","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=13332"},"modified":"2021-09-16T18:40:48","modified_gmt":"2021-09-16T18:40:48","slug":"pessoas-com-numero-anormal-de-cromossomos-sao-mais-propensas-a-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2021\/09\/pessoas-com-numero-anormal-de-cromossomos-sao-mais-propensas-a-cancer\/","title":{"rendered":"Pessoas com n\u00famero anormal de cromossomos s\u00e3o mais propensas a c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>A\u00a0prote\u00edna p53, conhecida como \u201cguardi\u00e3 do genoma\u201d, \u00e9 respons\u00e1vel por exercer uma s\u00e9rie de fun\u00e7\u00f5es nas c\u00e9lulas, inclusive atuar como supressora de tumores. A presen\u00e7a de formas mutantes dessa prote\u00edna est\u00e1 associada a mais de 50% dos tipos de c\u00e2ncer conhecidos hoje.<\/p>\n<p>No entanto, os mecanismos envolvidos tanto no surgimento de formas com \u201cerros de f\u00e1brica\u201d \u2014os chamados mutantes\u2014 quanto de suas a\u00e7\u00f5es no ciclo celular s\u00e3o ainda motivo de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora, um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-021-25359-z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">novo estudo<\/a>, publicado no final de agosto na revista cient\u00edfica Nature Communications, encontrou uma poss\u00edvel causa para essa maior associa\u00e7\u00e3o da prote\u00edna mutante com o desenvolvimento de tumores.<\/p>\n<p>A descoberta \u00e9 que a presen\u00e7a de mutantes da p53 n\u00e3o seria a \u00fanica causa para desencadear um ciclo de a\u00e7\u00f5es relacionadas ao\u00a0ganho de fun\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas\u00a0tumorais. Importa tamb\u00e9m, notaram os cientistas, o que ocorre na divis\u00e3o celular, mais especificamente no processo de divis\u00e3o dos\u00a0cromossomos\u00a0(as estruturas que cont\u00eam nossa informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica dentro das c\u00e9lulas).<\/p>\n<p>A pesquisa \u00e9 assinada pela m\u00e9dica e diretora do Centro de C\u00e2ncer da Universidade Vanderbilt (EUA), Jennifer Pietenpol.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o, segundo os autores, seria com o fen\u00f4meno chamado de aneuploidia, que consiste em um n\u00famero diferente de cromossomos nas c\u00e9lulas, tanto para mais quanto para menos.<\/p>\n<p>As c\u00e9lulas dos seres humanos possuem 46 cromossomos presentes em pares mais dois cromossomos sexuais \u2013XX no caso das pessoas que nascem designadas como g\u00eanero feminino, e XY para aquelas que seriam do g\u00eanero masculino ao nascer.<\/p>\n<p>Mas, durante o processo de divis\u00e3o e replica\u00e7\u00e3o celular, alguns erros na divis\u00e3o podem fazer com que c\u00e9lulas com um n\u00famero \u00edmpar de cromossomos sejam geradas, e \u00e9 nessas c\u00e9lulas em que a forma mutante da prote\u00edna p53 pode ter um ganho de fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse comportamento, fora do padr\u00e3o e exacerbado, faz com que a p53 perca a sua capacidade de inibir o crescimento de tumores. Pelo contr\u00e1rio, passa a permitir um crescimento anormal de c\u00e9lulas tumorais, potencialmente mais agressivas, explica o professor da UFRJ Jerson Lima, que tamb\u00e9m estuda a p53 em seu laborat\u00f3rio e n\u00e3o participou do estudo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a pr\u00f3pria aneuploidia j\u00e1 foi descrita como sendo um fen\u00f4meno potencialmente tumog\u00eanico. Ou seja, c\u00e9lulas com um n\u00famero de cromossomos fora do normal tendem a evoluir para formas malignas.<\/p>\n<p>Para desvendar a rela\u00e7\u00e3o entre aneuploidia e as formas mutantes da p53, os pesquisadores da Universidade Vanderbilt usaram a tecnologia inovadora Crispr-Cas9 (pronuncia-se \u201ccr\u00edsper\u201d), uma esp\u00e9cie de edi\u00e7\u00e3o do genoma. Com ela, \u00e9 poss\u00edvel editar com precis\u00e3o o DNA de micro-organismos, plantas e animais.<\/p>\n<p>Eles compararam no trabalho dois tipos de mutantes da p53 e uma forma normal, al\u00e9m de terem observado uma c\u00e9lula de onde a prote\u00edna p53 foi removida.<\/p>\n<div>\n<div class=\"js-gallery-widget rs_skip\">\n<div id=\"gallery-widget-undefined\" class=\"gallery-widget rs_preserve gallery-widget-keydown\" data-channel=\"equilibrioesaude\">\n<div class=\"gallery-widget__content\">\n<div class=\"gallery-widget-carousel\">\n<div class=\"gallery-widget-carousel__container\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Eles contaram ent\u00e3o quantas das c\u00e9lulas apresentavam o padr\u00e3o de aneuploidia e, em seguida, avaliaram se o n\u00famero anormal de cromossomos estava associado a um fen\u00f3tipo (caracter\u00edstica) mais ou menos agressivo.<\/p>\n<p>Os cientistas descobriram assim que os fen\u00f3tipos com ganho de fun\u00e7\u00e3o tumoral estavam tamb\u00e9m associados a uma maior ocorr\u00eancia de aneuploidia, mas n\u00e3o necessariamente estavam ligado a uma ou outra forma mutante da prote\u00edna.<\/p>\n<p>Na etapa seguinte, as c\u00e9lulas tumorais foram implantadas em animais para avaliar se geravam tumores mais agressivos ou com maior potencial de met\u00e1stase. Eles viram ent\u00e3o que, na maioria dos casos, sim, havia uma associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO conceito de mutantes da p53 com ganho de fun\u00e7\u00e3o foi introduzido h\u00e1 30 anos e, desde ent\u00e3o, diversas pesquisas j\u00e1 descreveram de diversas formas como os fen\u00f3tipos mutantes podem estar associados \u00e0 oncog\u00eanese\u201d, disse Pietenpol.<\/p>\n<p>\u201cMas as evid\u00eancias de como funciona o mecanismo eram ainda contradit\u00f3rias. Nosso estudo demonstrou que a aquisi\u00e7\u00e3o de aneuploidia pode gerar uma variedade de mutantes da p53 previamente descritos e fornecer um mecanismo unificador que inclui um conjunto amplo de fen\u00f3tipos cancer\u00edgenos previamente atribu\u00eddos unicamente \u00e0 p53.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisa \u00e9 interessante porque abre outras possibilidades de estudo at\u00e9 mesmo para mol\u00e9culas-alvo que podem agir nesse foco de muta\u00e7\u00e3o, afirma Lima, da UFRJ.<\/p>\n<p>\u201cApesar de terem usado mutantes cl\u00e1ssicos da p53, que j\u00e1 foram bem descritos na literatura, o estudo aponta que uma altera\u00e7\u00e3o no n\u00famero de cromossomos vai estar associada tamb\u00e9m a uma altera\u00e7\u00e3o na express\u00e3o de v\u00e1rias prote\u00ednas que fazem parte dessa rede de intera\u00e7\u00e3o da p53.\u201d<\/p>\n<p>Para ele, tanto a\u00a0medicina de precis\u00e3o, com o desenvolvimento de drogas cada vez mais potentes e capazes de agir especificamente para cada tipo de tumor, quanto a medicina diagn\u00f3stica podem se beneficiar de pesquisas desse tipo.<\/p>\n<p>\u201cA detec\u00e7\u00e3o de aneuploidia n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil. O ideal \u00e9 sequenciar toda a linhagem de c\u00e9lulas, mas uma detec\u00e7\u00e3o da muta\u00e7\u00e3o como foi feito no estudo j\u00e1 pode ter potencial inclusive preventivo, para encontrar um tumor ainda no in\u00edcio\u201d, explica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP A\u00a0prote\u00edna p53, conhecida como \u201cguardi\u00e3 do genoma\u201d, \u00e9 respons\u00e1vel por exercer uma s\u00e9rie de fun\u00e7\u00f5es nas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-13332","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13332","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13332"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13332\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13334,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13332\/revisions\/13334"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}