{"id":1327,"date":"2016-09-12T11:00:22","date_gmt":"2016-09-12T11:00:22","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=1327"},"modified":"2016-09-12T11:00:22","modified_gmt":"2016-09-12T11:00:22","slug":"ate-60-das-pessoas-internadas-estao-desnutridas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2016\/09\/ate-60-das-pessoas-internadas-estao-desnutridas\/","title":{"rendered":"At\u00e9 60% das pessoas internadas est\u00e3o desnutridas"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>Com camisola branca, em uma cama de hospital, J\u00e9ssica Almeida, 17, comia um hamb\u00farguer. Ficou internada por um m\u00eas e, independentemente do sandu\u00edche, emagreceu dez quilos. A grande perda de peso da garota, que pode indicar desnutri\u00e7\u00e3o, \u00e9 comum em interna\u00e7\u00f5es e aumenta o risco de complica\u00e7\u00f5es em pacientes.<\/p>\n<p>A desnutri\u00e7\u00e3o atinge de 40% a 60% dos pacientes que d\u00e3o entrada em hospitais da Am\u00e9rica Latina. \u00c9 o que afirma uma revis\u00e3o de estudos lan\u00e7ada em junho deste ano na revista especializada &#8220;Clinical Nutrition&#8221;.<\/p>\n<p>A revis\u00e3o incluiu 66 pesquisas de 12 pa\u00edses. A maior parte dos estudos \u00e9 brasileira. Ao todo, foram considerados 29.474 pacientes.<\/p>\n<p>&#8220;O paciente chega ao hospital e come\u00e7a a ser tratado da doen\u00e7a principal, mas, infelizmente, a preocupa\u00e7\u00e3o com o estado nutricional muito raramente faz parte do diagn\u00f3stico&#8221;, afirma Maria Isabel Correia, m\u00e9dica especialista em nutri\u00e7\u00e3o da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e l\u00edder da revis\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi o que ocorreu com J\u00e9ssica ao dar entrada, com febre reum\u00e1tica, em um hospital de Porto Alegre. &#8220;Nunca perguntaram nada a respeito de alimenta\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Existem diferentes formas de verificar um quadro de desnutri\u00e7\u00e3o. Se a pessoa perdeu peso sem querer ou se mudou a forma como se alimenta, ela est\u00e1 em risco, segundo Maria Isabel.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade lan\u00e7ou este ano um Manual de Terapia Nutricional. O documento recomenda que &#8220;pacientes admitidos na unidade de interna\u00e7\u00e3o hospitalar recebam a aten\u00e7\u00e3o da equipe respons\u00e1vel pela nutri\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A terapia nutricional inclui: triagem, avalia\u00e7\u00e3o dos pacientes em risco, c\u00e1lculo das necessidades nutricionais, indica\u00e7\u00e3o de terapia e monitoramento.<\/p>\n<p>Um paciente com risco ou ent\u00e3o j\u00e1 desnutrido, al\u00e9m de ter a alimenta\u00e7\u00e3o fortificada, pode receber a nutri\u00e7\u00e3o enteral (alimento por tubos no nariz) ou parenteral (alimenta\u00e7\u00e3o pela veia).<\/p>\n<p><b>TEMPO<\/b><\/p>\n<p>Perder um pouco de peso durante a interna\u00e7\u00e3o pode parecer algo sem import\u00e2ncia, mas os quilos a menos normalmente significam agravamento das doen\u00e7as, menor efic\u00e1cia do tratamento e mais tempo no hospital. Al\u00e9m disso, cresce significativamente o risco de morte.<\/p>\n<p>Um dos estudos analisados na revis\u00e3o mostra que uma pessoa com alto grau de desnutri\u00e7\u00e3o tem tr\u00eas vezes mais chance de morrer. Enquanto os que possuem um grau m\u00e9dio de desnutri\u00e7\u00e3o possuem 4,1% de chance de morte, os com alto grau t\u00eam 12,8%.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma dissocia\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 recomendado pelas diretrizes e o que \u00e9 praticado&#8221;, diz Maria Isabel.<\/p>\n<p>A falta de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o dos pacientes tamb\u00e9m \u00e9 ressaltada na revis\u00e3o pela rela\u00e7\u00e3o entre o tempo de interna\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o da desnutri\u00e7\u00e3o. Em todos os dados analisados, quanto maior o per\u00edodo internado, maior era a chance do paciente ficar desnutrido.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1328\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/desnutricao_folha.jpg\" alt=\"desnutricao_folha\" width=\"603\" height=\"424\" \/><\/p>\n<p>Maria Isabel afirma que h\u00e1 um consenso internacional de que 50% das pessoas internadas est\u00e3o desnutridas. &#8220;Por isso que dizemos que a doen\u00e7a mais prevalente nos hospitais \u00e9 a desnutri\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e9ssica foi visitada por um nutricionista s\u00f3 no quarto dia internada. A visita seguinte veio na segunda semana, ap\u00f3s ser flagrada com o hamb\u00farguer. A jovem estava emagrecendo e n\u00e3o comia bem.<\/p>\n<p>A desnutri\u00e7\u00e3o pode ter v\u00e1rias causas, como a n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o da dieta hospitalar, a pr\u00f3pria doen\u00e7a ou jejuns para realiza\u00e7\u00e3o de exames.<\/p>\n<p><b>MASTERCHEF HOSPITALAR<\/b><\/p>\n<p>Deixar os pratos mais coloridos, melhorar a textura e a apresenta\u00e7\u00e3o da comida.<\/p>\n<p>Os elementos, importantes em competi\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias, como o MasterChef, s\u00e3o levados em conta nas refei\u00e7\u00f5es do HC (Hospital das Cl\u00ednicas da USP), dentro da gastronomia hospitalar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da doen\u00e7a e dos longos per\u00edodos de jejum aos quais os pacientes s\u00e3o submetidos, a falta de apetite quanto ao que \u00e9 servido nos hospitais tem um peso grande na desnutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Todo mundo reclama da dieta hospitalar&#8221;, diz Maria Carolina Gon\u00e7alves Dias, nutricionista chefe do HC.<\/p>\n<p>Muitos pacientes, por suas doen\u00e7as, precisam de dietas mais restritivas. Estar longe de casa tamb\u00e9m \u00e9 um fator agravante. &#8220;A dieta do hospital nunca \u00e9 exatamente o que se est\u00e1 acostumado a comer&#8221;, afirma Maria Carolina.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 deixar a comida do hospital mais atraente, o que vem dando bons resultados, diz a nutricionista.<\/p>\n<p>O grupo de Maria Carolina fez um estudo sobre nutri\u00e7\u00e3o em 2006 no hospital. Ao analisar todos os pacientes internados, a surpresa. Quase 50% das pessoas analisadas estavam desnutridas.<\/p>\n<p>Para Maria Carolina, os maiores respons\u00e1veis pela desnutri\u00e7\u00e3o hospitalar s\u00e3o a falta de protocolo, de equipes de terapia nutricional e falta de conhecimento na terapia.<\/p>\n<p>A nutricionista diz que controlar os quadros de desnutri\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil e que \u00e9 um absurdo a persist\u00eancia do problema em um hospital. &#8220;S\u00f3 falta o paciente falar: &#8216;estou desnutrido, eu preciso que me tratem'&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, as a\u00e7\u00f5es dentro da terapia nutricional, que visa melhorar as refei\u00e7\u00f5es oferecidas no sistema SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade), receberam um aporte 59% maior entre 2010 e 2015. No ano passado, R$ 99,77 milh\u00f5es foram aplicados na \u00e1rea.<\/p>\n<p>A pasta afirma que a &#8220;terapia nutricional integra os procedimentos ofertados nos hospitais p\u00fablicos e nos servi\u00e7os de sa\u00fade da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, por meio de 19 mil nutricionistas que atuam no SUS (UBS) e que integram 74% das equipes dos N\u00facleos de Sa\u00fade da Fam\u00edlia.&#8221;<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio diz que busca fortalecer a Terapia Nutricional pela &#8220;elabora\u00e7\u00e3o de materiais e realiza\u00e7\u00e3o de cursos de capacita\u00e7\u00e3o de profissionais que integram as Equipes Multiprofissionais de Terapia Nutricional (EMTN).&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Com camisola branca, em uma cama de hospital, J\u00e9ssica Almeida, 17, comia um hamb\u00farguer. 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