{"id":12795,"date":"2021-08-07T12:01:36","date_gmt":"2021-08-07T12:01:36","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=12795"},"modified":"2021-08-03T13:20:52","modified_gmt":"2021-08-03T13:20:52","slug":"mais-vulneraveis-a-covid-doentes-cronicos-enfrentam-barreiras-para-boa-assistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2021\/08\/mais-vulneraveis-a-covid-doentes-cronicos-enfrentam-barreiras-para-boa-assistencia\/","title":{"rendered":"Mais vulner\u00e1veis \u00e0 Covid, doentes cr\u00f4nicos enfrentam barreiras para boa assist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>Existe uma grande lacuna entre o que as diretrizes brasileiras preconizam para o\u00a0cuidado das doen\u00e7as cr\u00f4nicas\u00a0n\u00e3o transmiss\u00edveis (DCNT), como as cardiovasculares e o c\u00e2ncer, e o que de fato est\u00e1 sendo entregue na ponta dos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Do acesso e cadastramento na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade, passando pela falta de equipes multidisciplinares e dificuldade nas consultas especializadas at\u00e9 a pr\u00f3pria ades\u00e3o dos doentes ao tratamento, os desafios para atender esses pacientes,\u00a0mais vulner\u00e1veis\u00a0\u00e0\u00a0Covid-19, s\u00e3o in\u00fameros.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico \u00e9 de um novo relat\u00f3rio do Ieps (Instituto de Estudos para Pol\u00edticas P\u00fablicas) e a Umane, associa\u00e7\u00e3o civil de apoio a projetos sociais voltados \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e\u00a0promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, que envolveu revis\u00e3o de estudos e entrevistas com gestores p\u00fablicos, profissionais da sa\u00fade e usu\u00e1rios do SUS.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado na quarta (28), o documento faz um escrut\u00ednio dos principais gargalos que envolvem a linha de cuidado das\u00a0doen\u00e7as cr\u00f4nicas, a maior causa de mortes no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cFoi a popula\u00e7\u00e3o que mais adoeceu e que a gente mais perdeu durante a pandemia. A gest\u00e3o p\u00fablica precisa\u00a0olhar com mais cuidado\u00a0para essa popula\u00e7\u00e3o e acolh\u00ea-la\u201d, disse Marco Aur\u00e9lio Georg, coordenador de integra\u00e7\u00e3o assistencial de Blumenau (SC), munic\u00edpio que participou do estudo.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, a\u00a0pandemia trouxe mais desafios no segmento dos doentes cr\u00f4nicos. Grupos de\u00a0tabagismo\u00a0e promo\u00e7\u00e3o de vida saud\u00e1vel, por exemplo, tiveram a\u00e7\u00f5es descontinuadas, e os pacientes se afastaram das unidades de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Luciana Sardinha, assessora t\u00e9cnica de sa\u00fade p\u00fablica e epidemiologia da Vital Strategies e que atuava no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade at\u00e9 2020, o pa\u00eds j\u00e1 vivia uma epidemia de doen\u00e7as cr\u00f4nicas \u201378% das mortes est\u00e3o relacionadas a elas.<\/p>\n<p>Com a desassist\u00eancia provocada pela pandemia, a situa\u00e7\u00e3o piorou. Muitas pessoas que tiveram Covid\u00a0est\u00e3o\u00a0com sequelas h\u00e1 mais de um ano que podem se tornar\u00a0duradouras. O pa\u00eds enfrenta tamb\u00e9m um\u00a0apag\u00e3o de dados\u00a0sobre fatores de risco que levam \u00e0s doen\u00e7as cr\u00f4nicas<\/p>\n<p>No novo relat\u00f3rio, foram identificados ao menos sete problemas que afetam hoje a chamada linha de cuidados dos doentes cr\u00f4nicos, que envolve toda a trajet\u00f3ria dentro do sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<ul>\n<li>1 &#8211; Gargalos de acesso ao SUS impedem que os usu\u00e1rios fa\u00e7am rastreio e tratamento das DCNT na\u00a0aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.\u00a0Por exemplo: baixa cobertura do programa sa\u00fade da fam\u00edlia ou hor\u00e1rios de funcionamento invi\u00e1veis para quem trabalha durante o dia.<\/li>\n<li>2 &#8211; Faltam profissionais e treinamento para a atua\u00e7\u00e3o em equipes multiprofissionais no SUS. Al\u00e9m disso, o governo federal extinguiu incentivos e agora est\u00e1 a cargo dos munic\u00edpios a contrata\u00e7\u00e3o de profissionais de especialidades diversas.<\/li>\n<li>3 \u2013 N\u00e3o h\u00e1 uma coordena\u00e7\u00e3o entre os diferentes n\u00edveis de cuidado, o que prejudica o acompanhamento dos doentes cr\u00f4nicos. Por exemplo: a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria n\u00e3o conversa com a secund\u00e1ria (ambulat\u00f3rios) ou terci\u00e1ria (hospitais). Essa aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es aumenta o risco de condutas \u201c\u00e0s cegas\u201d e sobreposi\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria.<\/li>\n<li>4 &#8211; A maioria dos usu\u00e1rios com doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o est\u00e1 sendo acompanhada. Por exemplo: o pa\u00eds n\u00e3o passou da marca de 4% de acompanhamento de hipertensos com press\u00e3o aferida a cada semestre e solicitou a avalia\u00e7\u00e3o da hemoglobina glicada de apenas 10% de pessoas diab\u00e9ticas no \u00faltimo quadrimestre de 2020.<\/li>\n<li>5 &#8211; Muitos usu\u00e1rios que sofrem de doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o est\u00e3o cadastrados em equipes da\u00a0aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade.\u00a0Hoje h\u00e1 87 milh\u00f5es de cadastros, quando o ideal seria 150 milh\u00f5es. A ferramenta \u00e9 essencial para ter o controle do n\u00famero de pessoas que h\u00e1 na \u00e1rea e de quais necessitam de acompanhamento adequado.<\/li>\n<li>6 &#8211; O processo de informatiza\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria est\u00e1 lento. Em dezembro de 2020, 24% de todas as unidades de sa\u00fade ainda n\u00e3o tinham prontu\u00e1rio eletr\u00f4nico implantado. Ou seja, a rotina \u00e9 de preenchimento de fichas \u00e0 m\u00e3o, que est\u00e1 propensa a erros e problemas de legibilidade.<\/li>\n<li>7 &#8211; Baixa ades\u00e3o ao tratamento por parte dos doentes cr\u00f4nicos. O desafio \u00e9 grande, mas \u00e9 preciso que as equipes de sa\u00fade adaptem estrat\u00e9gias para diferentes realidades e particularidades de cada territ\u00f3rio.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Al\u00e9m dos problemas apontados no relat\u00f3rio, Luciana Sardinha, que atuou na \u00e1rea de gest\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade por 22 anos, afirma que as linhas de cuidados definidas no \u00e2mbito federal s\u00e3o muito amplas. Tentam abranger desde munic\u00edpios pequenos at\u00e9 metr\u00f3poles. Ou seja, seria necess\u00e1rio que cada cidade as adaptasse para sua realidade.<\/p>\n<p>Falta tamb\u00e9m, segundo ela, a participa\u00e7\u00e3o dos gestores municipais na constru\u00e7\u00e3o dessas pol\u00edticas. A alta rotatividade dessas gest\u00f5es acaba sendo uma barreira. \u201cSai um, entra outro e muda tudo. Como se nada do que foi constru\u00eddo anteriormente tivesse valor.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e9ssica Rem\u00e9dios, pesquisadora de pol\u00edticas p\u00fablicas do Ieps, lembra que os munic\u00edpios ainda enfrentam um grande desafio no\u00a0registro de informa\u00e7\u00f5es no sistema\u00a0por problemas como dificuldade com a internet, falta de computador ou de estrutura adequada. Cerca de um quarto da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 coberta pela aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por outro lado, uma iniciativa que tem sido adotada por muitos munic\u00edpios e que j\u00e1 mostra resultados positivos \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios dos postos de sa\u00fade para o per\u00edodo da noite e aos s\u00e1bados.<\/p>\n<p>\u201cEm Bras\u00edlia, aumentou sensivelmente a ades\u00e3o ao tratamento, ao acompanhamento do usu\u00e1rio s\u00f3 com o fato de o hor\u00e1rio de funcionamento passar das 17h para as 20h. \u00c9 quando a pessoa consegue sair do trabalho e ir \u00e0 unidade de sa\u00fade\u201d, diz Sardinha.<\/p>\n<p>Atualmente, o programa federal Previne Brasil oferece incentivo financeiro para extens\u00e3o de hor\u00e1rio em UBS. Al\u00e9m da adapta\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rios, a incorpora\u00e7\u00e3o de novas tecnologias, como o teleatendimento, tamb\u00e9m foi citada como uma potencial ferramenta de amplia\u00e7\u00e3o de acesso.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, seria preciso pensar na integra\u00e7\u00e3o de plataformas que j\u00e1 existem e s\u00e3o amig\u00e1veis para o usu\u00e1rio, tendo finalidades muito bem delimitadas.<\/p>\n<p>Para Sardinha, no entanto, a \u00e1rea da sa\u00fade sozinha n\u00e3o dar\u00e1 conta da imensa carga que representa as doen\u00e7as cr\u00f4nicas ao SUS, uma vez que elas s\u00e3o multifatoriais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o adianta o profissional da sa\u00fade dizer que a pessoa precisa fazer uma caminhada se onde ela mora n\u00e3o tem ilumina\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o tem seguran\u00e7a. N\u00e3o adianta falar para uma pessoa vulner\u00e1vel comer frutas e verduras todos os dias se ela n\u00e3o tem acesso.\u201d<\/p>\n<div>\n<blockquote class=\"c-quote\">\n<footer class=\"c-quote__footer\">\n<div class=\"c-author c-author--small\"><\/div>\n<\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<p>Ou seja, nesses exemplos citados por Sardinha, as \u00e1reas de infraestrutura e de meio ambiente poderiam trabalhar juntas com a sa\u00fade para a melhoria dos espa\u00e7os p\u00fablicos e cria\u00e7\u00e3o de hortas comunit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Para Miguel Lago, \u00e9 importante envolver o Legislativo nessas discuss\u00f5es de enfrentamento das doen\u00e7as cr\u00f4nicas. \u201c\u00c9 ele que pode regular v\u00e1rias quest\u00f5es, por exemplo, para que popula\u00e7\u00e3o tenha acesso a alimentos mais saud\u00e1veis.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Existe uma grande lacuna entre o que as diretrizes brasileiras preconizam para o\u00a0cuidado das doen\u00e7as cr\u00f4nicas\u00a0n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-12795","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12795","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12795"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12795\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12797,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12795\/revisions\/12797"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}