{"id":1277,"date":"2016-08-30T12:05:31","date_gmt":"2016-08-30T12:05:31","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=1277"},"modified":"2016-08-30T12:05:31","modified_gmt":"2016-08-30T12:05:31","slug":"com-regra-atual-planos-de-saude-populares-nao-sao-solucao-diz-economista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2016\/08\/com-regra-atual-planos-de-saude-populares-nao-sao-solucao-diz-economista\/","title":{"rendered":"Com regra atual, planos de sa\u00fade populares n\u00e3o s\u00e3o solu\u00e7\u00e3o, diz economista"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>O economista Paulo Furquim, do Insper, acaba de coordenar uma ampla pesquisa encomendada pelo IESS (Instituto de Estudos da Sa\u00fade Suplementar) que tra\u00e7a um diagn\u00f3stico do setor de <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2016\/08\/1806351-planos-de-saude-enfrentam-crise-e-procuram-alternativas.shtml\">planos de sa\u00fade<\/a>. O estudo traz sugest\u00f5es para contrata\u00e7\u00e3o e remunera\u00e7\u00e3o, modelos de pagamento, protocolos m\u00e9dicos e para atenuar os efeitos da chamada judicializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o economista, o atual modelo \u00e9 <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2016\/08\/1806346-expansao-atual-do-setor-de-saude-suplementar-e-artificial-diz-professor.shtml\">insustent\u00e1vel<\/a> e favorece o desperd\u00edcio e a sobrecontrata\u00e7\u00e3o. Maior transpar\u00eancia, cria\u00e7\u00e3o de indicadores de qualidade e mudan\u00e7a do modelo de remunera\u00e7\u00e3o s\u00e3o algumas das principais propostas do especialista.<\/p>\n<p><b>Folha &#8211; Com a queda no n\u00famero de usu\u00e1rios de planos de sa\u00fade, o governo Temer tem falado em criar planos populares. At\u00e9 que ponto o sistema atual pode dar conta das necessidades do pa\u00eds?<\/b><\/p>\n<p><b>Paulo Furquim &#8211;<\/b> O sistema atual n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel. Se tomarmos nos \u00faltimos 15 ou 16 anos, houve um crescimento muito grande, mas o modo com que ele lida com os custos da sa\u00fade, com a incorpora\u00e7\u00e3o de tecnologias, faz com que fique insustent\u00e1vel economicamente com o passar do tempo. \u00c9 importante rever esse sistema, isso \u00e9 quase uma unanimidade.<\/p>\n<p>As v\u00e1rias etapas da cadeia produtiva t\u00eam queixas muito grandes. Essa parte de planos populares \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o clara a duas coisas. Uma, obviamente, \u00e9 a crise. A outra \u00e9 que fica de fato um espa\u00e7o entre o SUS e os planos de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O que a gente precisa ver \u00e9 como ser\u00e1 a regula\u00e7\u00e3o desses planos populares. Se for exatamente a mesma, o que a gente ver\u00e1 \u00e9, na verdade, uma deteriora\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o. Os planos populares n\u00e3o ser\u00e3o mais eficientes necessariamente, mas com um atendimento mais prec\u00e1rio. Isto obviamente n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1273\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/plano_saude_crise_3.jpg\" alt=\"plano_saude_crise_3\" width=\"619\" height=\"466\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/plano_saude_crise_3.jpg 619w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/plano_saude_crise_3-600x452.jpg 600w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/plano_saude_crise_3-300x226.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 619px) 100vw, 619px\" \/><\/p>\n<p><b>Entres as medidas para aumentar a efici\u00eancia do sistema, transpar\u00eancia \u00e9 a mais importante?<\/b><\/p>\n<p>Acho que o mais importante, em um modo de se expressar, \u00e9 &#8220;empoderar&#8221; o consumidor, aquele que decide, dar informa\u00e7\u00e3o de qualidade para ele. A transpar\u00eancia \u00e9 importante no sentido de ter informa\u00e7\u00e3o, mas tem que ser uma informa\u00e7\u00e3o que permita a comparabilidade n\u00e3o s\u00f3 do plano de sa\u00fade, mas sobretudo do hospital, de m\u00e9dicos e de laborat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Hoje, na ocorr\u00eancia de uma doen\u00e7a, o hospital coloca todos os custos que cabem naquela doen\u00e7a e o plano de sa\u00fade cobre. Vai ficando um sistema de sobreuso de exames, de consultas, de cirurgias que n\u00e3o deveriam ser feitas. \u00c9 [preciso] mudar as regras de remunera\u00e7\u00e3o, este problema que eles chamam de ter a &#8220;conta aberta&#8221;. O modelo [de remunera\u00e7\u00e3o] que tem sido mais bem-sucedido no mundo \u00e9 o DRG [Diagnosis Related Groups].<\/p>\n<p>Basicamente ele consegue, com muita informa\u00e7\u00e3o acumulada, definir para uma determinada doen\u00e7a um diagn\u00f3stico referente a uma pessoa que tem certas caracter\u00edsticas e o procedimento que vai ser feito em um determinado hospital.<\/p>\n<p><b>Para isso ser efetivo, n\u00e3o seria necess\u00e1rio um sistema muito eficiente de informa\u00e7\u00e3o e confi\u00e1vel por todas as partes? Isto \u00e9 fact\u00edvel hoje?<\/b><\/p>\n<p>Certamente \u00e9 poss\u00edvel, j\u00e1 h\u00e1 algumas experi\u00eancias. Tamb\u00e9m n\u00e3o precisa ser para a totalidade dos hospitais. Quem deve implementar? A\u00ed h\u00e1 um papel importante da ANS [ag\u00eancia reguladora] de coordenar os esfor\u00e7os de uniformiza\u00e7\u00e3o. O DRG que funciona melhor, como no Reino Unido e Su\u00e9cia, tem os elementos que incorporam qualidade. Se voc\u00ea simplesmente definir um pre\u00e7o fixo para o hospital, ele pode ser incentivado a diminuir ao m\u00e1ximo os custos, eventualmente deteriorando a qualidade. \u00c9 importante que o DRG incorpore elementos de qualidade. Na Su\u00e9cia e no Reino Unido, se h\u00e1 reincid\u00eancia, necessidade de reinterna\u00e7\u00e3o, aquele paciente \u00e9 reinternado gratuitamente.<\/p>\n<p><b>A concentra\u00e7\u00e3o das operadoras est\u00e1 acontecendo de forma &#8216;saud\u00e1vel&#8217; ou predat\u00f3ria, em preju\u00edzo dos segurados?<\/b><\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem uma face \u00fanica e clara. \u00c9, sim, em benef\u00edcio dos segurados, porque alguns dos planos que deixaram de existir tinham um problema de solv\u00eancia, e se suas carteiras s\u00e3o assumidas por outros planos eles [benefici\u00e1rios] continuam com o provimento de servi\u00e7o. Como o sistema est\u00e1 ficando mais caro, parte da consolida\u00e7\u00e3o \u00e9 a sa\u00edda desses que s\u00e3o mais ineficientes. No nosso estudo, a \u00fanica categoria que tem tido rentabilidade positiva \u00e9 a dos planos grandes. No caso dos planos pequenos e m\u00e9dios, eles t\u00eam tido uma rentabilidade negativa, o que \u00e9 preocupante.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1275\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/plano_saude_crise_5.jpg\" alt=\"plano_saude_crise_5\" width=\"619\" height=\"453\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/plano_saude_crise_5.jpg 619w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/plano_saude_crise_5-600x439.jpg 600w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/plano_saude_crise_5-300x220.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 619px) 100vw, 619px\" \/><\/p>\n<p><b>A abertura dos planos para grupos estrangeiros tem dado os resultados esperados?<\/b><\/p>\n<p>Ainda considero pequeno. \u00c9 interessante notar que isso ocorreu na cadeia produtiva inteira: em laborat\u00f3rios, em hospitais e em planos de sa\u00fade. Em planos de sa\u00fade, esse processo ainda \u00e9 relativamente pequeno. E a maior parte foi de aporte de capital, de fundos de investimento, mas mantendo uma gest\u00e3o local, o que \u00e9 positivo. Por que esse capital n\u00e3o modificou tanto a oferta de servi\u00e7o propriamente dito e modificou mais a composi\u00e7\u00e3o do capital? Porque um grupo de sa\u00fade norte-americano, por exemplo, tem muito a aprender no mercado brasileiro, que \u00e9 completamente diferente. Mas a tend\u00eancia \u00e9 que eles tragam estas metodologias de gest\u00e3o.<\/p>\n<p><b>A ANS deveria ter uma atua\u00e7\u00e3o maior?<\/b><\/p>\n<p>Nesse ponto talvez eu divirja de v\u00e1rias pessoas que entrevistamos, principalmente de hospitais. Entendo que a ANS tem feito um papel importante, ainda limitado por algo que n\u00e3o depende dela. Uma coisa que a ANS poderia avan\u00e7ar \u00e9 coordenar um processo de forma\u00e7\u00e3o de um banco de informa\u00e7\u00f5es de indicadores de qualidade da cadeia produtiva inteira, que seja de ades\u00e3o volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p><b>Projetos como &#8220;segunda opini\u00e3o&#8221; [desenvolvido pelo Hospital Albert Einstein, em que h\u00e1 consulta a outras equipes m\u00e9dicas sobre necessidade de cirurgias recomendadas] podem ser ampliados para o setor como um todo?<\/b><\/p>\n<p>Voc\u00ea citou um dos programas que acho mais animador. Foi um projeto-piloto, mas revelou algo que todo mundo j\u00e1 falava. Que havia muito desperd\u00edcio da pior natureza: a prescri\u00e7\u00e3o de cirurgias que n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias em n\u00edveis muito elevados. A ideia \u00e9 restringir a discricionalidade que o m\u00e9dico individualmente tem. \u00c9 algo que respeita a defer\u00eancia que se deve ter ao m\u00e9dico, mas n\u00e3o exclusivamente ao m\u00e9dico que est\u00e1 encarregado do caso. Tem uma outra medida que vai nessa dire\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o as diretrizes m\u00e9dicas. Uma entidade, um grupo de m\u00e9dicos, define para um determinado diagn\u00f3stico o que deve ser feito. Esses projetos t\u00eam o papel de revelar de modo inequ\u00edvoco algo que sempre se suspeita, que est\u00e1 havendo sobreutiliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, muitas vezes em preju\u00edzo do paciente, e de mostrar uma solu\u00e7\u00e3o concreta para o problema replic\u00e1vel em escalas ampliadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP O economista Paulo Furquim, do Insper, acaba de coordenar uma ampla pesquisa encomendada pelo IESS (Instituto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1273,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1277","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1277"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1277\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1278,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1277\/revisions\/1278"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1273"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}