{"id":12455,"date":"2021-06-07T11:13:52","date_gmt":"2021-06-07T11:13:52","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=12455"},"modified":"2021-06-07T11:13:52","modified_gmt":"2021-06-07T11:13:52","slug":"analise-encontra-agrotoxicos-em-alimentos-ultraprocessados-como-salgadinhos-e-biscoitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2021\/06\/analise-encontra-agrotoxicos-em-alimentos-ultraprocessados-como-salgadinhos-e-biscoitos\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise encontra agrot\u00f3xicos em alimentos ultraprocessados como salgadinhos e biscoitos"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>De um lado, o uso excessivo de agrot\u00f3xicos e seus efeitos delet\u00e9rios para a sa\u00fade e para o ambiente; de outro, preju\u00edzos de uma alimenta\u00e7\u00e3o repleta dos chamados\u00a0alimentos ultraprocessados. E quando esses dois problemas se aglutinam num s\u00f3?<\/p>\n<p>Uma\u00a0<a href=\"https:\/\/idec.org.br\/veneno-no-pacote\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">an\u00e1lise feita pelo Idec<\/a>\u00a0(Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) mostra que em boa parte dos alimentos ultraprocessados mais consumidos no Brasil \u2014salgadinhos, cereais, biscoitos, entre outros\u2014 est\u00e3o contidos agrot\u00f3xicos, como o\u00a0herbicida glifosato, usado para eliminar ervas daninhas na lavoura.<\/p>\n<p>Outro herbicida muito usado e tamb\u00e9m analisado \u00e9 o\u00a0glufosinato. Tamb\u00e9m foi verificada a presen\u00e7a de outros defensivos agr\u00edcolas, como pirimif\u00f3s e carbendazim, al\u00e9m do but\u00f3xido de piperonila, que n\u00e3o \u00e9 um defensivo, mas \u00e9 usado para potencializar o efeito de alguns deles (e que n\u00e3o tem limites de seguran\u00e7a estabelecidos).<\/p>\n<p>O\u00a0uso de agrot\u00f3xicos\u00a0\u00e9 muito frequente nas grandes culturas de soja, milho e trigo, e h\u00e1 um patamar estabelecido pela Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) para as quantidades m\u00e1ximas de agrot\u00f3xicos nesses alimentos, o chamado limite residual m\u00e1ximo (LMR). As normas em vigor, por\u00e9m, n\u00e3o contemplam alimentos industrializados.<\/p>\n<p>Entre as 27 amostras analisadas a pedido do Idec, em 8 categorias (refrigerantes, bebidas de soja, n\u00e9ctares, salgadinhos, cereais matinais, biscoito \u00e1gua e sal, biscoito recheado e bisnaguinhas), 16 apresentaram ao menos um res\u00edduo de agrot\u00f3xico \u201459% do total. Nas categorias dos refrigerantes e dos n\u00e9ctares n\u00e3o houve nenhuma detec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-12457\" src=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/estudo.jpg\" alt=\"\" width=\"577\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/estudo.jpg 577w, https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/estudo-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 577px) 100vw, 577px\" \/><\/p>\n<p>A metodologia utilizada envolve a busca pela \u201cassinatura\u201d dos compostos de interesse, com base no peso das mol\u00e9culas de cada tipo de agrot\u00f3xico.<\/p>\n<p>Teresa Liporace, diretora executiva do Idec, diz que hoje h\u00e1 est\u00edmulos excessivos ao uso de agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>\u201cExistem\u00a0incentivos agr\u00edcolas e cr\u00e9ditos fiscais. Por outro lado, falta regulamenta\u00e7\u00e3o para os alimentos ultraprocessados, que s\u00e3o vendidos at\u00e9 mesmo em escolas. Isso traz consequ\u00eancias n\u00e3o s\u00f3 para a sa\u00fade, mas para o er\u00e1rio p\u00fablico, que vai ter que lidar com quem adoece por causa dessa alimenta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Algumas consequ\u00eancias do consumo de ultraprocessados \u2014alimentos que sofrem intensas modifica\u00e7\u00f5es industriais\u2014 s\u00e3o conhecidas, como aumento do risco de aparecimento de doen\u00e7as cardiovasculares,\u00a0propens\u00e3o ao ganho de peso\u00a0e maior mortalidade.<\/p>\n<p>J\u00e1 no caso de agrot\u00f3xicos, os estudos que embasam o registro das subst\u00e2ncias apontam relativa seguran\u00e7a ao menos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o aguda. Muitos deles s\u00e3o t\u00e3o seguros quanto sal de cozinha e at\u00e9 menos perigosos do que rem\u00e9dios comuns, como a aspirina.<\/p>\n<p>Ainda assim, existem casos de intoxica\u00e7\u00e3o, especialmente quando em quem habita a regi\u00e3o onde h\u00e1 esses cultivos e quando aplicadores n\u00e3o fazem uso de equipamento de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro problema \u00e9 que muitos agrot\u00f3xicos s\u00e3o poluentes org\u00e2nicos persistentes, ou seja, permanecem por muito tempo na natureza, sem se degradar, podendo ser levados pelo vento at\u00e9 mesmo para locais distantes de onde foram aplicados.<\/p>\n<p>\u201cEles entram na cadeia alimentar e, quando ingeridos, mesmo em quantidades diminutas, v\u00e3o se acumulando nos organismos das pessoas e dos animais, especialmente nos tecidos ricos em gordura. Eles atravessam a placenta e chegam no feto, v\u00e3o junto com a gordura do leite materno que alimenta os beb\u00eas, atravessam a barreira hematoencef\u00e1lica, chegando no sistema nervoso central\u201d, afirma Josefa Garzillo, pesquisadora do Nupens (N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade da USP), que n\u00e3o participou do estudo do Idec.<\/p>\n<p>Especula-se que entre as consequ\u00eancias desse\u00a0efeito cumulativo\u00a0estariam c\u00e2ncer, problemas de desenvolvimento fetal, doen\u00e7as neurol\u00f3gicas, altera\u00e7\u00f5es comportamentais e perda cognitiva em escala populacional. \u201cN\u00f3s estamos falando de res\u00edduos de dezenas e dezenas de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas agindo simultaneamente, n\u00e3o de um elemento s\u00f3. A\u00ed tudo fica mais complexo e mais grave\u201d, diz Garzillo.<\/p>\n<p>Para Liporace, soma-se \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o o fato de muitos dos produtos terem apelo de saudabilidade nas embalagens, com mensagens como \u201ccont\u00e9m vitaminas\u201d ou \u201cmais energia para voc\u00ea\u201d, o que, afirma, deve ser visto com ressalvas, especialmente pelos respons\u00e1veis por crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Segundo Garzillo, o grande m\u00e9rito da pesquisa do Idec \u00e9 o de desfazer uma esp\u00e9cie de mito ou mal-entendido de que alimentos ultraprocessados estariam livres de agrot\u00f3xicos, ou que o processamento industrial os removeria de alguma forma. \u201cIsso vai demandar a\u00e7\u00e3o concreta do poder p\u00fablico e das empresas.\u201d<\/p>\n<p>Os resultados do estudo foram encaminhados \u00e0s fabricantes e tamb\u00e9m \u00e0 Anvisa, com o objetivo de se iniciar uma discuss\u00e3o para ampliar a testagem de res\u00edduos nos alimentos e criar uma norma que regule o setor, conta Liporace.<\/p>\n<p><b>OUTRO LADO<\/b><\/p>\n<p>A reportagem procurou as empresas cujos produtos continham agrot\u00f3xicos de acordo com a an\u00e1lise do Idec.<\/p>\n<p>A M. Dias Branco, fabricante dos biscoitos \u00e1gua e sal das marcas Zabet e Vitarella, diz fazer an\u00e1lises do mesmo tipo em seus produtos, al\u00e9m de solicitar laudos dos fornecedores \u201csob pena de interrup\u00e7\u00e3o de abastecimento caso n\u00e3o haja entrega do laudo garantindo que est\u00e3o dentro dos padr\u00f5es de qualidade requeridos\u201d.<\/p>\n<p>A Pepsico, fabricante dos salgadinhos Torcida e Baconzitos, afirma que seus fornecedores passam por um rigoroso processo de homologa\u00e7\u00e3o e s\u00e3o regularmente auditados. Para a empresa, \u201cres\u00edduos de agrot\u00f3xicos eventualmente encontrados nos produtos est\u00e3o dentro dos n\u00edveis e par\u00e2metros autorizados pela Anvisa para uso no cultivo dos vegetais, em especial do trigo e, portanto, s\u00e3o seguros para consumo humano.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 a Nestl\u00e9, fabricante do cereal Nesfit e dos biscoitos recheados Bono e Negresco, afirma que monitora os res\u00edduos e que nos \u00faltimos dois anos \u201cn\u00e3o h\u00e1 resultados fora dos par\u00e2metros de seguran\u00e7a para as subst\u00e2ncias relacionadas pelo Idec, que j\u00e1 s\u00e3o devidamente contempladas no escopo de monitoramento da empresa\u201d.<\/p>\n<p>A Wickbold, que fabrica bisnaguinhas de mesmo nome e tamb\u00e9m da marca Seven Boys, afirma n\u00e3o ter detectado altera\u00e7\u00f5es em seus controles internos. \u201cDe qualquer forma, intensificaremos nossos controles nesse sentido, visando oferecer sempre produtos saud\u00e1veis e seguros aos nossos consumidores.\u201d<\/p>\n<p>A Arcor, do biscoito \u00e1gua e sal Triunfo, afirma que fez o rastreamento do lote analisado pelo Idec e que \u201cfoi verificado que n\u00e3o existe a possibilidade de o produto em quest\u00e3o ter tido qualquer resqu\u00edcio de tais subst\u00e2ncias acima do limite especificado para mat\u00e9rias-primas\u201d.<\/p>\n<p>A Bimbo, das bisnaguinhas Pullman, e a Mondel\u00e9z, dos biscoitos recheados Oreo e Trakinas, alegam n\u00e3o terem sido notificados pelo Idec, mas que seguem as normas vigentes. Na mesma linha, a Marilan, do biscoito \u00e1gua e sal de mesmo nome, afirma seguir as regras.<\/p>\n<p>A Bimbo, das bisnaguinhas Pullman, a Mondel\u00e9z, dos biscoitos recheados Oreo e Trakinas, e a Lactalis, da bebida de soja Naturis Batavo alegam n\u00e3o terem sido notificados pelo Idec, mas que seguem as normas vigentes. Na mesma linha, a Marilan, do biscoito \u00e1gua e sal de mesmo nome, afirma seguir as regras.<\/p>\n<p>A reportagem n\u00e3o conseguiu contato com a empresas Panco, fabricante de bisnaguinhas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP De um lado, o uso excessivo de agrot\u00f3xicos e seus efeitos delet\u00e9rios para a sa\u00fade e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-12455","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12455","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12455"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12455\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12458,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12455\/revisions\/12458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}