{"id":12451,"date":"2021-06-07T09:25:57","date_gmt":"2021-06-07T09:25:57","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=12451"},"modified":"2025-01-28T23:11:18","modified_gmt":"2025-01-28T23:11:18","slug":"artigo-diante-de-utis-lotadas-upas-vem-extrapolando-suas-funcoes-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2021\/06\/artigo-diante-de-utis-lotadas-upas-vem-extrapolando-suas-funcoes-na-pandemia\/","title":{"rendered":"ARTIGO: diante de UTIs lotadas, UPAs v\u00eam extrapolando suas fun\u00e7\u00f5es na pandemia"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>por Michelle Fernandez,\u00a0professora e pesquisadora no Instituto de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da UnB e pesquisadora-colaboradora da Fiocruz-Pernambuco.<\/p>\n<p>As estrat\u00e9gias de emerg\u00eancia e prepara\u00e7\u00e3o implementadas para combater a pandemia da Covid-19 no Brasil desde o seu in\u00edcio t\u00eam\u00a0priorizado as respostas hospitalares, com o intuito de assistir \u00e0s formas graves das doen\u00e7as. Embora as abordagens comunit\u00e1rias fossem mais apropriadas para conter o avan\u00e7o do cont\u00e1gio, como foi observado em epidemias anteriores, essa n\u00e3o foi a estrat\u00e9gia usada.<\/p>\n<p>Mesmo com a Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria \u00e0 Sa\u00fade (APS) como porta de entrada para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), o Brasil n\u00e3o usou a estrutura capilarizada desse n\u00edvel de aten\u00e7\u00e3o para enfrentar a pandemia. Assim, apesar das evid\u00eancias da potencialidade da APS nesse contexto, os esfor\u00e7os foram priorizados nas estrat\u00e9gias de atendimento hospitalar.<\/p>\n<p>Mas, o que isso significa? Para quebrar as cadeias de transmiss\u00e3o do coronav\u00edrus \u00e9 fundamental informar a popula\u00e7\u00e3o, realizar o diagn\u00f3stico por meio de testagem e\u00a0fazer isolamento e rastreamento de contatos de casos positivos. Essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o cruciais quanto as pol\u00edticas sociais e econ\u00f4micas para apoiar a mudan\u00e7a de comportamento das pessoas e manter o isolamento social pelo tempo que for necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Optar por n\u00e3o adotar essas medidas e, ao inv\u00e9s disso, investir no tratamento das formas graves da doen\u00e7a por meio da amplia\u00e7\u00e3o de leitos imp\u00f5e aos governos a ado\u00e7\u00e3o de medidas que possuem um teto para a sua implementa\u00e7\u00e3o \u2013limita\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias, de insumos dispon\u00edveis, de recursos humanos dispon\u00edveis etc.<\/p>\n<p>Em momentos de aumento do n\u00famero de novos casos a capacidade de amplia\u00e7\u00e3o no n\u00famero de leitos nos hospitais, principalmente leitos de UTI, n\u00e3o avan\u00e7a na mesma intensidade do n\u00famero de novos casos graves da doen\u00e7a. \u00c9 nesse contexto que as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) terminam sendo mobilizadas para atender a uma demanda que n\u00e3o consegue ser respondida pelos hospitais.<\/p>\n<p>Conforme prev\u00ea a resolu\u00e7\u00e3o 2.079\/2014 do CFM, as UPAs n\u00e3o devem manter o doente por mais de 24 horas no local. Embora tenham estrutura para dar o primeiro atendimento e estabilizar doentes graves, depois desse per\u00edodo o paciente deve ser encaminhado a um hospital de refer\u00eancia, se for necess\u00e1rio continuar em tratamento. Al\u00e9m disso, a resolu\u00e7\u00e3o pro\u00edbe que pacientes intubados permane\u00e7am em UPAs. Nessa circunst\u00e2ncia, \u00e9 necess\u00e1ria a imediata transfer\u00eancia do paciente a um servi\u00e7o hospitalar.<\/p>\n<p>No contexto da pandemia da Covid-19,\u00a0as UPAs v\u00eam extrapolando as suas fun\u00e7\u00f5es. Frente a lota\u00e7\u00e3o de leitos nos hospitais, as UPAs passam a internar pacientes por dias, inclusive pacientes intubados. Durante a espera por leitos em hospitais, esses pacientes permanecem nas UPAs sem receber a assist\u00eancia m\u00e9dica devida. Sem suporte ventilat\u00f3rio adequado e assist\u00eancia devida dos profissionais de sa\u00fade, milhares de pessoas morreram de Covid-19 em UPAs de todo o pa\u00eds desde o in\u00edcio da pandemia.<\/p>\n<p>As emerg\u00eancias de sa\u00fade p\u00fablica s\u00e3o um teste de resili\u00eancia para os sistemas de sa\u00fade. Na Covid-19, mesmo sistemas de sa\u00fade com bons recursos entraram em colapso devido ao r\u00e1pido crescimento de hospitaliza\u00e7\u00f5es para tratamento de pacientes graves. Por outro lado, pa\u00edses onde os governos combinaram interven\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica com pol\u00edticas p\u00fablicas de distanciamento e prote\u00e7\u00e3o social tiveram melhores resultados na mitiga\u00e7\u00e3o do impacto da pandemia.<\/p>\n<p>No Brasil, uma vez mais, se exacerba a pandemia. Nesse contexto, o\u00a0agravamento eminente da pandemia, com a consequente alta de interna\u00e7\u00f5es pela Covid-19, pressionar\u00e3o o sistema de sa\u00fade e, possivelmente, levar\u00e1 pacientes a serem atendidos de forma prolongada nas UPAs de todo o Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP por Michelle Fernandez,\u00a0professora e pesquisadora no Instituto de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da UnB e pesquisadora-colaboradora da Fiocruz-Pernambuco. 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