{"id":12405,"date":"2021-05-31T09:17:50","date_gmt":"2021-05-31T09:17:50","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=12405"},"modified":"2021-05-31T09:17:50","modified_gmt":"2021-05-31T09:17:50","slug":"cnpq-tem-o-menor-orcamento-do-seculo-21-corta-bolsas-e-afeta-pesquisas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2021\/05\/cnpq-tem-o-menor-orcamento-do-seculo-21-corta-bolsas-e-afeta-pesquisas\/","title":{"rendered":"CNPq tem o menor or\u00e7amento do s\u00e9culo 21, corta bolsas e afeta pesquisas"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>O or\u00e7amento destinado ao Centro Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), principal \u00f3rg\u00e3o de fomento \u00e0 pesquisa no Brasil, \u00e9 em 2021 o menor do s\u00e9culo XXI. A redu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica acontece em meio ao segundo ano de pandemia da Covid-19, com o desenvolvimento de pesquisas para monitoramento e produ\u00e7\u00e3o de vacinas contra a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O Laborat\u00f3rio de Radioecologia e Mudan\u00e7as Globais (Laramg), por exemplo, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, precisou reutilizar pe\u00e7as de equipamentos inutilizados e contar com colaboradores volunt\u00e1rios para criar o coronatrack, ferramenta port\u00e1til que armazena part\u00edculas do ar para serem analisadas em laborat\u00f3rio e identificar a concentra\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no ar.<\/p>\n<p>Com ele, os pesquisadores monitoram o espalhamento do v\u00edrus da Covid-19 pelo ar em favelas como o Morro Santa Marta, Zona Sul da cidade. Agora, tentam patentear o aparelho para conseguir arrecada\u00e7\u00e3o para outros projetos.<\/p>\n<p>\u2014 Me sinto triste porque fazemos de tudo para retribuir \u00e0 sociedade o que a gente aprendeu. Mas n\u00e3o conseguimos fazer melhor porque n\u00e3o h\u00e1 financiamento nacional, s\u00f3 estrangeiro \u2014 lamenta a bi\u00f3loga e doutora em Geoci\u00eancias Juliana Nogueira, que teve que abandonar o p\u00f3s-doutorado na Uerj por falta de bolsas.<\/p>\n<p><strong>Menos verbas, menos bolsas<\/strong><\/p>\n<p>Para este ano, o CNPq tem R$ 1,21 bilh\u00e3o de or\u00e7amento. Esse valor \u00e9 quase metade do dispon\u00edvel em 2000, quando foram destinados R$ 2,35 bilh\u00f5es, segundo levantamento do GLOBO no Sistema Integrado de Opera\u00e7\u00f5es (Siop), do Governo Federal. Por\u00e9m, a quantidade de alunos na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o duplicou no mesmo per\u00edodo: passou de 162 mil para 320 mil. Em 2013, ano com maior investimento do s\u00e9culo, o valor chegou a R$ 3,13 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Criado em 1951 e vinculado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, o CNPq atua no fomento \u00e0 pesquisa em ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o e na forma\u00e7\u00e3o de pesquisadores nas diversas \u00e1reas de conhecimento. O \u00f3rg\u00e3o publica editais para repasse de verba a projetos cient\u00edficos do Brasil, al\u00e9m de organizar a distribui\u00e7\u00e3o de bolsas de pesquisa para p\u00f3s-graduandos.<\/p>\n<p>\u2014 Vemos um verdadeiro apag\u00e3o da ci\u00eancia brasileira e acreditamos que haver\u00e1 uma paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica caso n\u00e3o haja uma revis\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria \u2014 diz a vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos P\u00f3s-Graduandos (ANPG), Stella Gontijo.<\/p>\n<div class=\"block block--advertising\">\n<div class=\"block__advertising\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Entre 2011 e 2020, a quantidade de bolsas ofertadas pelo CNPq caiu em quase 50%, de 2.445 para 1.221. No mestrado, a redu\u00e7\u00e3o foi de 32%, saindo de 17.328 para 11.824; no doutorado, de 20%, quando passou de 13.386 para 10.738.<\/p>\n<p>Sem as bolsas, os talentos da ci\u00eancia brasileira acabam saindo do pa\u00eds ou, no pior dos cen\u00e1rios, deixando as carreiras acad\u00eamicas. Juliana Nogueira, por exemplo, preferia ter continuado no Brasil, mas acabou saindo da Uerj para a Universidade de Ci\u00eancias da Vida de Praga, na Rep\u00fablica Tcheca.<\/p>\n<p>O estudo dela, que investiga o impacto dos inc\u00eandios da Floresta Amaz\u00f4nica no derretimento das geleiras dos Andes, identifica que o degelo tem duas consequ\u00eancias diretas: altera o fluxo de \u00e1gua do Rio Amazonas e o abastecimento de \u00e1gua da popula\u00e7\u00e3o andina. Entretanto, o projeto \u00e9 continuado \u201cpor amor\u201d enquanto est\u00e1 na Europa.<\/p>\n<p>\u2014 Continuo a pesquisa como volunt\u00e1ria depois do meu expediente em Praga para n\u00e3o abandonar o projeto. \u00c9 de partir o cora\u00e7\u00e3o, mas tive que sair do pa\u00eds porque, com 31 anos, preciso me sustentar e pagar minhas conta \u2014 lamenta.<\/p>\n<p>Desse lado do Atl\u00e2ntico, o Laramg depende de doa\u00e7\u00f5es de outros laborat\u00f3rios e de vaquinhas de pesquisadores. L\u00e1, a bi\u00f3loga Patricia Piacsek, de 32 anos, auxilia Nogueira na pesquisa. E tamb\u00e9m no amor.<\/p>\n<p>\u2014 Demorou para sair o resultado do edital e n\u00e3o consegui bolsa. Como me comprometi, estou auxiliando a pesquisa. Mas estou desempregada e tentando outras ag\u00eancias de fomento, sendo duas estrangeiras. Se conseguir, tamb\u00e9m vou sair do pa\u00eds \u2014 diz.<\/p>\n<p>J\u00e1 o carioca C\u00e1ssio Pires, de 31 anos, precisou desistir do doutorado na Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) em setembro do ano passado. Sem bolsa, ele n\u00e3o conseguiu manter a pesquisa.<\/p>\n<p>\u2014 S\u00f3 conseguia pensar na quest\u00e3o financeira e produzi nada em sete meses. Ent\u00e3o, larguei \u2014 afirma o ge\u00f3logo que saiu da academia para o mercado de trabalho, mas mant\u00e9m a esperan\u00e7a de se estabilizar financeiramente para poder voltar \u00e0 pesquisa.<\/p>\n<p>Coordenador do Col\u00e9gio de Pr\u00f3-reitores de Pesquisa, P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o (Copropi) das universidades federais, Charles Morphy explica que este \u00e9 o pior ano de libera\u00e7\u00e3o de verba para projetos.<\/p>\n<p>\u2014 Criou-se uma ideia de que o sistema \u00e9 inchado e improdutivo. Mas a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira aumentou muito nos \u00faltimos cinco anos, e \u00e9 de excel\u00eancia a despeito do pouco dinheiro. Dependemos de parcerias estrangeiras e do esfor\u00e7o hom\u00e9rico dos nossos estudantes \u2014 explica.<\/p>\n<p>O coordenador do Copropi aponta que, mesmo com verba reduzida, h\u00e1 uma distribui\u00e7\u00e3o desigual dos aportes entre as regi\u00f5es. Segundo ele, algumas localidades do Norte e Nordeste, que conseguiram iniciar uma expans\u00e3o, correm risco de n\u00e3o dar continuidade:<\/p>\n<p>\u2014 Com o pouco recurso, a chance deles morrerem na praia, antes mesmo de se consolidarem, \u00e9 muito grande, e correm o risco de desaparecerem em pouco tempo. Para a ci\u00eancia brasileira, com grande potencial mas sem recursos, vai ser uma trag\u00e9dia \u2014diz.<\/p>\n<p><strong>Defasagem<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da falta de bolsas, a carreira de pesquisador acad\u00eamico tamb\u00e9m atrai cada vez menos pela falta de reajuste de bolsas desde 2013. Hoje, elas pagam R$ 1.500 para mestrado e R$ 2.200 para doutorado.<\/p>\n<p>Entretanto, o valor est\u00e1 bem aqu\u00e9m do que deveria ser pago, segundo levantamento da ANPG de 2020. A associa\u00e7\u00e3o aponta que h\u00e1 desvaloriza\u00e7\u00e3o das bolsas de mestrado em 170% e de doutorado em 306%. Com as corre\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias e inflacion\u00e1rias, elas deveriam ser de R$ 3.555,35 e R$ 5.437,61, respectivamente.<\/p>\n<p>Segundo Gontijo, o corte e o congelamento das bolsas afasta alunos de camadas populares das p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es que, em geral, n\u00e3o possuem redes de prote\u00e7\u00e3o para que eles se mantenham nas pesquisas sem que recebam por isso.<\/p>\n<p>\u2014 Vemos uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o voltando a ser cada vez mais elitista e majoritariamente branca \u2014 diz.<\/p>\n<p>O GLOBO procurou o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o e o CNPq, mas n\u00e3o recebeu posicionamento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo O or\u00e7amento destinado ao Centro Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), principal \u00f3rg\u00e3o de fomento \u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12407,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-12405","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12405","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12405"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12405\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12408,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12405\/revisions\/12408"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12407"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}