{"id":12187,"date":"2021-05-03T10:36:11","date_gmt":"2021-05-03T10:36:11","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=12187"},"modified":"2021-05-03T10:36:11","modified_gmt":"2021-05-03T10:36:11","slug":"covid-longa-tem-riscos-de-sequelas-duradouras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2021\/05\/covid-longa-tem-riscos-de-sequelas-duradouras\/","title":{"rendered":"&#8216;Covid longa&#8217; t\u00eam riscos de sequelas duradouras"},"content":{"rendered":"<p>fonte: The NY Times<\/p>\n<p>Os efeitos da Covid-19 para a sa\u00fade n\u00e3o apenas\u00a0podem se estender por meses\u00a0como parecem aumentar o risco de morte e problemas m\u00e9dicos cr\u00f4nicos mesmo em pessoas que n\u00e3o foram hospitalizadas, concluiu um novo e grande\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-021-03553-9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudo publicado na revista Nature<\/a>.<\/p>\n<p>No estudo, pesquisadores examinaram registros m\u00e9dicos de mais de 73 mil pessoas dos Estados Unidos cujas infec\u00e7\u00f5es por coronav\u00edrus n\u00e3o exigiram interna\u00e7\u00e3o. Entre um e seis meses depois de serem infectados, esses pacientes tinham um risco 60% maior de morte do que as pessoas que n\u00e3o foram infectadas pelo v\u00edrus.<\/p>\n<p>A pesquisa, baseada em registros de pacientes do sistema de sa\u00fade do Departamento de Assuntos de Veteranos, tamb\u00e9m descobriu que sobreviventes de Covid n\u00e3o hospitalizados tinham 20% maior probabilidade de precisar de cuidados m\u00e9dicos nesses seis meses do que as pessoas que n\u00e3o contra\u00edram o coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Os sobreviventes da Covid tiveram uma s\u00e9rie de problemas m\u00e9dicos duradouros que nunca haviam tido \u2014n\u00e3o apenas problemas de pulm\u00e3o pelos efeitos respirat\u00f3rios do v\u00edrus mas tamb\u00e9m sintomas que podiam afetar praticamente qualquer sistema de \u00f3rg\u00e3os ou parte do corpo, de\u00a0neurol\u00f3gicos\u00a0a cardiovasculares e\u00a0gastrointestinais. Tamb\u00e9m havia maior risco de\u00a0problemas de sa\u00fade mental, incluindo ansiedade e\u00a0transtornos do sono.<\/p>\n<p>&#8220;Encontramos de tudo&#8221;, disse um autor do estudo, o doutor Ziyad Al-Aly, chefe do servi\u00e7o de pesquisa e desenvolvimento no St. Louis Health<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, alguns problemas m\u00e9dicos dos pacientes p\u00f3s-Covid, como diabetes, doen\u00e7a renal e alguns problemas card\u00edacos, podiam se tornar condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas, exigindo tratamento pelo resto de suas vidas.<\/p>\n<p>&#8220;A Covid n\u00e3o desaparece e se torna cr\u00f4nica em alguns casos; em outros causa defici\u00eancia. Ainda n\u00e3o entendemos a causa subjacente&#8221;, disse Laurie Jacobs, diretora de medicina interna no Centro M\u00e9dico da Universidade de Hackensack, que n\u00e3o participou da pesquisa.<\/p>\n<p>O estudo talvez seja o maior at\u00e9 hoje a avaliar uma s\u00e9rie t\u00e3o abrangente de condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. Os sobreviventes de Covid n\u00e3o hospitalizados no estudo receberam testes com resultados positivos para o coronav\u00edrus de 1\u00ba de mar\u00e7o at\u00e9 novembro de 2020.<\/p>\n<p>A maioria dos quase 32 milh\u00f5es de pessoas que contra\u00edram o coronav\u00edrus nos Estados Unidos n\u00e3o precisou de hospitaliza\u00e7\u00e3o. Por isso, de certa maneira, o estudo pode ser aplicado a uma ampla fatia da popula\u00e7\u00e3o. Mas os pacientes do sistema de sa\u00fade dos veteranos estudados podem n\u00e3o ser representativos de outras maneiras, inclusive porque 88% deles eram homens e sua idade m\u00e9dia era 61 anos. Quase 25% eram negros, 70% eram brancos e quase 5% de outras ra\u00e7as.<\/p>\n<p>Os pesquisadores compararam seu risco de morte e outras caracter\u00edsticas com dados de quase 5 milh\u00f5es de pacientes do sistema dos veteranos que n\u00e3o tiveram Covid-19 e n\u00e3o foram hospitalizados durante esse per\u00edodo. Esse grupo tinha idade m\u00e9dia de 67, era 90% masculino e tinha uma porcentagem um pouco maior de pacientes brancos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 de pacientes negros.<\/p>\n<p>Jacobs explicou que sua cl\u00ednica estava vendo o amplo leque de sintomas no estudo, mas disse que o risco de morte entre os pacientes do estudo era consideravelmente maior do que ela havia esperado. &#8220;Fiquei realmente chocada com o n\u00famero&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Entre um e seis meses depois de experimentar uma infec\u00e7\u00e3o relativamente leve ou moderada, 1.672 dos 73.345 pacientes (cerca de 2,3%) morreram, relatou o estudo. Ele n\u00e3o indicou a causa das mortes ou algo espec\u00edfico sobre as condi\u00e7\u00f5es desses pacientes.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m n\u00e3o puderam dizer se as pessoas tinham outros problemas de sa\u00fade e se seus novos sintomas foram consequ\u00eancia direta da infec\u00e7\u00e3o por coronav\u00edrus, efeitos secund\u00e1rios de medica\u00e7\u00e3o que tomaram para tratar alguns sintomas, tens\u00e3o por outros problemas ligados \u00e0 pandemia ou outras influ\u00eancias. Especialistas dizem que as conclus\u00f5es do estudo refletem uma cascata de quest\u00f5es levantadas n\u00e3o s\u00f3 pelo v\u00edrus em si, mas pela luta do sistema m\u00e9dico para enfrentar a Covid-19 e seus efeitos em longo prazo.<\/p>\n<p>&#8220;Temos centenas de milhares de pessoas com uma s\u00edndrome n\u00e3o reconhecida e estamos tentando aprender sobre a rea\u00e7\u00e3o imune, como o v\u00edrus modifica essa rea\u00e7\u00e3o e como a resposta imune pode incluir todos os sistemas de \u00f3rg\u00e3os do corpo&#8221;, disse Eleftherios Mylonakis, chefe de doen\u00e7as infecciosas na Escola de Medicina Warren Alpert na Universidade Brown, que n\u00e3o participou do estudo. &#8220;O sistema de sa\u00fade n\u00e3o foi feito para lidar com algo como isso.&#8221;<\/p>\n<p>Em muitos casos, segundo Mylonakis, as pessoas que tiveram novos sintomas que n\u00e3o ficaram realmente doentes com a infec\u00e7\u00e3o viral entram em um mundo m\u00e9dico confuso e compartilhado, onde buscam ajuda de m\u00e9dicos de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e depois s\u00e3o enviados a v\u00e1rios especialistas que tentam descobrir como tratar condi\u00e7\u00f5es que se encaixam em sua \u00e1rea de especializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Cada vez que temos uma transfer\u00eancia [de especialidade], algo se perde. O paciente perde e isso pode agravar seus outros sintomas de Covid prolongada. Se eu sou um endocrinologista, vou examinar o a\u00e7\u00facar no sangue, n\u00e3o vou olhar os outros 14 sistemas&#8221;, disse ele. &#8220;Mas o problema do a\u00e7\u00facar no sangue pode ser porque essa pessoa sente tamanha fraqueza e confus\u00e3o mental que n\u00e3o pode ir ao supermercado comprar alimentos saud\u00e1veis, por isso vai pedir pizza.&#8221;<\/p>\n<p>A pesquisa mostrou que os sobreviventes de Covid tamb\u00e9m t\u00eam maior propens\u00e3o a tomar uma s\u00e9rie de medicamentos para seus novos problemas de sa\u00fade,\u00a0incluindo opioides, o que \u00e9 preocupante porque pode provocar uma nova onda de depend\u00eancia de opioides no futuro.<\/p>\n<p>Al-Aly e seus coautores, Yan Xie e Benjamin Bowe, ambos da Universidade Washington em St. Louis, tamb\u00e9m analisaram registros de 13.654 pacientes que foram hospitalizados por infec\u00e7\u00e3o inicial de coronav\u00edrus. Eles conclu\u00edram que os pacientes mais doentes \u2014os que precisavam de tratamento intensivo\u2014tinham o maior risco de complica\u00e7\u00f5es em longo prazo, seguidos pelos que foram internados em alas comuns, seguidos de pacientes que n\u00e3o foram hospitalizados.<\/p>\n<p>De todo modo, praticamente todas as categorias de sintomas (de dor no peito a falta de ar, diabetes e fraqueza muscular) eram vividas pelo menos por algumas pessoas que n\u00e3o foram hospitalizadas.<\/p>\n<p>Para as pessoas que foram internadas, as experi\u00eancias envolveram um risco significativamente maior de complica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade duradouras do que as pessoas hospitalizadas por gripe sazonal, segundo concluiu o estudo. Elas tinham maior propens\u00e3o a desenvolver ou ter sintomas persistentes de uma ampla s\u00e9rie de categorias al\u00e9m das manifesta\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias da Covid: problemas neurol\u00f3gicos, cognitivos, psicol\u00f3gicos, cardiovasculares, metab\u00f3licos, gastrointestinais, anemia e co\u00e1gulos sangu\u00edneos, al\u00e9m de fadiga e mal-estar.<\/p>\n<p>Mylonakis e outros especialistas notaram que o entendimento do v\u00edrus e a situa\u00e7\u00e3o do tratamento m\u00e9dico est\u00e3o evoluindo rapidamente, e esse progresso j\u00e1 se traduz em melhora para alguns pacientes. Al\u00e9m disso, algumas pessoas com Covid prolongada melhoraram com o tempo, ou por conta pr\u00f3pria ou com a ajuda de tratamentos.<\/p>\n<p>Ainda assim, disse Al-Aly, &#8220;o que vamos entender nos pr\u00f3ximos anos, talvez at\u00e9 d\u00e9cadas, \u00e9 a consequ\u00eancia da pandemia na sa\u00fade dos americanos em longo prazo. Fomos pegos despreparados para a Covid. Vamos n\u00e3o deixar cair a bola em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Covid prolongada.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: The NY Times Os efeitos da Covid-19 para a sa\u00fade n\u00e3o apenas\u00a0podem se estender por meses\u00a0como parecem aumentar o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-12187","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12187"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12187\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12189,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12187\/revisions\/12189"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}