{"id":11589,"date":"2021-03-01T12:45:15","date_gmt":"2021-03-01T12:45:15","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=11589"},"modified":"2021-03-01T12:45:15","modified_gmt":"2021-03-01T12:45:15","slug":"estudo-brasileiro-acha-variante-de-dna-ligada-a-maior-chance-de-obesidade-em-mulheres-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2021\/03\/estudo-brasileiro-acha-variante-de-dna-ligada-a-maior-chance-de-obesidade-em-mulheres-negras\/","title":{"rendered":"Estudo brasileiro acha variante de DNA ligada a maior chance de obesidade em mulheres negras"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>A intensa miscigena\u00e7\u00e3o entre\u00a0pessoas de origem ind\u00edgena, europeia e africana\u00a0que caracteriza a popula\u00e7\u00e3o brasileira ajudou cientistas a identificar uma variante de DNA que est\u00e1 associada a um risco mais alto de\u00a0obesidade\u00a0em mulheres. Trata-se de uma varia\u00e7\u00e3o de origem africana, mais comum nas adultas que carregam propor\u00e7\u00e3o maior de heran\u00e7a gen\u00e9tica da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Embora esteja presente em apenas 1% dos participantes do estudo, a variante de DNA \u00e9 duas vezes mais comum em mulheres obesas e quase 10 vezes mais prevalente nas que t\u00eam obesidade m\u00f3rbida.<\/p>\n<p>Pode parecer pouco, mas trata-se de um dos efeitos gen\u00e9ticos mais marcantes j\u00e1 identificados no caso da obesidade, que \u00e9 uma caracter\u00edstica complexa e multifatorial \u2014ou seja, surge a partir de diversas influ\u00eancias, que\u00a0incluem tanto centenas de genes diferentes\u00a0quanto\u00a0alimenta\u00e7\u00e3o,\u00a0atividade f\u00edsica\u00a0e estresse, por exemplo. Al\u00e9m disso, ainda s\u00e3o raros os trabalhos mundo afora a levantar esses dados em popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o europeias e miscigenadas (apenas 5% dos indiv\u00edduos inclu\u00eddos em estudos do tipo n\u00e3o s\u00e3o europeus).<\/p>\n<p>Coordenado por pesquisadores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e com participa\u00e7\u00e3o de equipes de Peru, dos EUA, da Austr\u00e1lia e de pa\u00edses africanos, o estudo acaba de sair no peri\u00f3dico International Journal of Obesity. O trabalho integra o projeto Epigen-Brasil, um esfor\u00e7o mais amplo para mapear a intera\u00e7\u00e3o entre a diversidade do DNA da popula\u00e7\u00e3o brasileira, em especial sua natureza miscigenada, e fatores que afetam o surgimento de doen\u00e7as complexas.<\/p>\n<p>\u201cDecidimos fazer o estudo da obesidade por mapeamento de miscigena\u00e7\u00e3o em 2016, a partir de dados j\u00e1 existentes do projeto Epigen-Brasil\u201d, conta o professor Eduardo Tarazona-Santos, do Departamento de Gen\u00e9tica, Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o da UFMG.<\/p>\n<p>Encontrar variantes gen\u00e9ticas que tenham uma associa\u00e7\u00e3o significativa com problemas de sa\u00fade complexos equivale, em certo sentido, \u00e0 proverbial busca por uma agulha num palheiro. Em geral, os pesquisadores dependem de grandes amostras populacionais \u2014dezenas ou centenas de milhares de pessoas\u2014, cujo DNA \u00e9 comparado em busca de associa\u00e7\u00f5es entre diferentes formas dele \u00e0 doen\u00e7a que se quer estudar (digamos, o aparecimento de certo tipo de c\u00e2ncer em quem carrega determinada troca de \u201cletra\u201d no DNA no cromossomo 10).<\/p>\n<p>Fazer essa busca em popula\u00e7\u00f5es miscigenadas pode ser menos trabalhoso porque seus cromossomos j\u00e1 est\u00e3o subdivididos num mosaico de \u201cbloquinhos\u201d de DNA, herdados de seus diferentes povos ancestrais (veja infogr\u00e1fico), explica a primeira autora do estudo, Mar\u00edlia de Oliveira Scliar. \u201cEnt\u00e3o, inicialmente, \u00e9 poss\u00edvel fazer a associa\u00e7\u00e3o entre esses blocos e a caracter\u00edstica de interesse. Depois, fazemos um mapeamento fino para identificar a regi\u00e3o espec\u00edfica dentro deles.\u201d<\/p>\n<p>Para isso, a equipe se valeu inicialmente de tr\u00eas grupos de volunt\u00e1rios cujo estado de sa\u00fade est\u00e1 sendo estudado a longo prazo no Brasil. S\u00e3o 3.653 habitantes de Pelotas (RS), todos nascidos em 1982; 1.442 idosos de Bambu\u00ed (MG); e 1.246 moradores de Salvador, acompanhados desde 1997, quando eram crian\u00e7as. Para medir a incid\u00eancia de obesidade, os pesquisadores dispunham de dados sobre o IMC (\u00edndice de massa corporal, correspondente ao peso da pessoa dividido pela altura elevada ao quadrado).<\/p>\n<p>A partir dessa base de dados e das informa\u00e7\u00f5es sobre ancestralidade, a equipe acabou flagrando uma variante de apenas uma \u201cletra\u201d de DNA, na popula\u00e7\u00e3o de Pelotas, que apresenta consider\u00e1vel associa\u00e7\u00e3o com a obesidade. Ela foi achada em 31 mulheres, sem parentesco entre si e IMC mais alto que a m\u00e9dia do grupo (28 contra 23, respectivamente).<\/p>\n<p>O DNA delas, al\u00e9m disso, tinha 35% de contribui\u00e7\u00e3o africana, contra 16% da m\u00e9dia do grupo ga\u00facho, mas v\u00e1rias delas se autodeclaram como brancas, o que mostra como a ancestralidade dos brasileiros \u00e9 bem mais complexa do que a apar\u00eancia f\u00edsica ou autopercep\u00e7\u00e3o social indicam.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o entre a \u201cletra\u201d de DNA e a obesidade tamb\u00e9m foi identificada em idosas de S\u00e3o Paulo, que participaram de outro estudo gen\u00f4mico, e nas de Bambu\u00ed, mas n\u00e3o em Salvador. Fora do Brasil, o efeito da variante tamb\u00e9m foi visto em mulheres de Soweto, na \u00c1frica do Sul. Al\u00e9m disso, os pesquisadores verificaram que, embora seja rar\u00edssima entre europeus, a varia\u00e7\u00e3o aparece em 3% dos habitantes da \u00c1frica Ocidental, em locais como a Nig\u00e9ria, que sabidamente foram afetados pelo tr\u00e1fico de escravizados para o Brasil.<\/p>\n<p>O que ainda n\u00e3o est\u00e1 claro \u00e9 como exatamente a variante influencia o organismo. \u00c9 poss\u00edvel que se trate de uma regi\u00e3o regulat\u00f3ria do DNA. Ou seja: ela n\u00e3o cont\u00e9m a receita para a produ\u00e7\u00e3o de nenhuma mol\u00e9cula do organismo, como acontece com os genes propriamente ditos, mas poderia afetar a ativa\u00e7\u00e3o ou desativa\u00e7\u00e3o de um ou v\u00e1rios genes. Uma hip\u00f3tese do grupo, por causa da liga\u00e7\u00e3o da variante com a obesidade em mulheres adultas, \u00e9 que ela esteja associada ao ac\u00famulo de reservas de gordura para a gesta\u00e7\u00e3o e a amamenta\u00e7\u00e3o \u2014algo que, combinado \u00e0 dieta cal\u00f3rica e ao sedentarismo modernos, facilitaria o aparecimento da obesidade.<\/p>\n<p>Para o m\u00e9dico Bernardo Horta, professor da Universidade Federal de Pelotas e coautor do estudo, o trabalho aponta um caminho de pesquisa que ainda precisa ser intensificado no Brasil. \u201cPrecisamos de mais dados de estudos de base populacional, coletados ao longo da vida. S\u00f3 assim poderemos visualizar mais claramente as associa\u00e7\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es entre genes e ambiente\u201d, diz ele. \u200b<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP A intensa miscigena\u00e7\u00e3o entre\u00a0pessoas de origem ind\u00edgena, europeia e africana\u00a0que caracteriza a popula\u00e7\u00e3o brasileira ajudou cientistas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-11589","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11589"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11589\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11592,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11589\/revisions\/11592"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}