{"id":11503,"date":"2021-02-08T11:29:11","date_gmt":"2021-02-08T11:29:11","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=11503"},"modified":"2021-02-08T11:29:11","modified_gmt":"2021-02-08T11:29:11","slug":"artigo-probioticos-na-profilaxia-de-covid-19-alguma-coisa-e-melhor-do-que-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2021\/02\/artigo-probioticos-na-profilaxia-de-covid-19-alguma-coisa-e-melhor-do-que-nada\/","title":{"rendered":"ARTIGO: Probi\u00f3ticos na profilaxia de covid-19: alguma coisa \u00e9 melhor do que nada"},"content":{"rendered":"<p>fonte: FBG<\/p>\n<p>por\u00a0Joaquim Prado P Moraes-Filho &#8211; Professor Livre-Docente \u2013 Faculdade de Medicina da USP e Diretor de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 FBG<\/p>\n<p><strong>Intera\u00e7\u00e3o entre microbioma dos intestinos e pulm\u00f5es: aspecto importante das doen\u00e7as respirat\u00f3rias<\/strong><\/p>\n<p>O termo\u00a0<strong>microbioma<\/strong>\u00a0abrange a comunidade microbiana que inclui bact\u00e9rias, arqueas, fungos e v\u00edrus. Atualmente \u00e9 entendido que ocorre uma intera\u00e7\u00e3o din\u00e2mica entre o microbioma e o eixo intestino-pulmonar: a liga\u00e7\u00e3o entre v\u00edsceras e pulm\u00f5es \u00e9 mediada atrav\u00e9s desse eixo como verdadeira passagem de horm\u00f4nios, metab\u00f3litos microbianos, citocinas e endotoxinas para a corrente sangu\u00ednea.<\/p>\n<p>A comunidade bacteriana intestinal balanceada \u00e9 vital para a imunidade pulmonar.\u00a0 Numerosos estudos t\u00eam sugerido que disbiose na microbiota intestinal influencia a disfun\u00e7\u00e3o pulmonar pela modula\u00e7\u00e3o da resposta imune\u00a0 dos neutr\u00f3filos, subconjuntos de c\u00e9lulas T, citocinas inflamat\u00f3rias e outros.\u00a0 A modula\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica distal ou local dos micr\u00f3bios comensais nos pulm\u00f5es e intestinos afetam o in\u00edcio do\u00a0 processo infeccioso. \u00c9 interessante, entretanto, que comensais intestinais n\u00e3o-nativos conferem resist\u00eancia \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o pelo conceito de \u201cefeito barreira\u201d e, desse modo, ajudam na prote\u00e7\u00e3o de altera\u00e7\u00e3o do nicho intestinal.<\/p>\n<p>Durante a infec\u00e7\u00e3o do trato respirat\u00f3rio, os organismos comensais de nosso corpo estimulam a resposta imune local (pulm\u00f5es) e distal (intestino).\u00a0 O eixo intestino-pulmonar \u00e9 entendido como bi-direcional, isso significa que a infec\u00e7\u00e3o pulmonar por SARS-CoV-2 desencadeia resposta imune no trato digestivo.\u00a0 A infec\u00e7\u00e3o dos pulm\u00f5es por SARS-CoV-2 provoca uma altera\u00e7\u00e3o epitelial nas \u00e1reas de troca gasosa\u00a0 e vias a\u00e9reas associadas.\u00a0 As c\u00e9lulas epiteliais dos alv\u00e9olos com receptores da enzima conversora da angiotensina-2 servem como s\u00edtio de liga\u00e7\u00e3o para SARS e SARS-CoV-2.\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o aumentada de citocinas e quimiocinas, ativa\u00e7\u00e3o da imunidade mediada por c\u00e9lula T e resposta inflamat\u00f3ria do hospedeiro, foram observadas durante a fase aguda de infec\u00e7\u00e3o por SARS e SARS-CoV-2.<\/p>\n<p>Trabalhos recentes sugerem que o envolvimento intestinal no COVID-19 \u00e9 at\u00e9 maior e mais prolongado quando comparado ao dos pulm\u00f5es. Surpreendentemente, tem sido descrito que probi\u00f3ticos mostram significativas propriedades de inibi\u00e7\u00e3o microbiana atrav\u00e9s de macr\u00f3fagos alveolares, neutr\u00f3filos, c\u00e9lulas mort\u00edferas naturais e n\u00edveis aumentados de citocinas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias como TNF-a e IL-6 nos pulm\u00f5es.\u00a0 Al\u00e9m disso, as bact\u00e9rias probi\u00f3ticas podem se ligar ao v\u00edrus invasor e inibir a intera\u00e7\u00e3o entre pat\u00f3geno e\u00a0 c\u00e9lulas receptoras.\u00a0 Desse modo, o uso de probi\u00f3ticos como medica\u00e7\u00e3o restringe as infec\u00e7\u00f5es virais por meio da fortifica\u00e7\u00e3o da imunidade mucosa.<\/p>\n<p><strong>Atividades imuno-modulat\u00f3rias dos probi\u00f3ticos<\/strong><\/p>\n<p>Tendo em vista a influ\u00eancia da microbiota intestinal nas doen\u00e7as pulmonares, \u00e9 promissora a abordagem terap\u00eautica de manipula\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias intestinais\u00a0 com a utiliza\u00e7\u00e3o de determinados suplementos diet\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Estudos recentes sugerem o uso de probi\u00f3ticos no tratamento ou preven\u00e7\u00e3o de amplo espectro de enfermidades, situa\u00e7\u00f5es especiais e s\u00edndromes.\u00a0 Vale lembrar que probi\u00f3ticos constituem microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benef\u00edcios \u00e0 sa\u00fade do hospedeiro (OMS, FAO).\u00a0 Os mecanismos terap\u00eauticos e de preven\u00e7\u00e3o consistem fundamentalmente em altera\u00e7\u00e3o de comunidades microbianas intestinais,\u00a0 imunomodula\u00e7\u00e3o, repress\u00e3o de pat\u00f3genos e prote\u00e7\u00e3o da barreira intestinal. Nesse sentido os probi\u00f3ticos t\u00eam sido empregados no tratamento da diarreia associada a antibi\u00f3ticos, doen\u00e7a inflamat\u00f3ria intestinal e diferentes doen\u00e7as inflamat\u00f3rias cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p>A infec\u00e7\u00e3o por COVID-19 afeta tecidos pulmonares e intestinais, ativando a resposta inflamat\u00f3ria.\u00a0 S\u00e3o aumentadas as citocinas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias (IFN-g, TNF-a).\u00a0 No caso do ambiente do intestino humano, a disbiose da microbiota intestinal resulta em desregula\u00e7\u00e3o de T<sub>h1<\/sub>\u00a0e T<sub>h2<\/sub>\u00a0o que acaba resultando na ativa\u00e7\u00e3o da citoquina pr\u00f3-inflamat\u00f3ria e eventualmente tamb\u00e9m em importante desequil\u00edbrio de citocinas pulmonares.\u00a0 Ap\u00f3s a administra\u00e7\u00e3o de probi\u00f3ticos ocorre a coloniza\u00e7\u00e3o das chamadas \u201cbact\u00e9rias boas\u201d no intestino, a qual por seu lado leva\u00a0 a uma mudan\u00e7a no balan\u00e7o entre\u00a0 c\u00e9lulas T<sub>h1<\/sub>\/T<sub>h2<\/sub>\u00a0que reduzem o desequil\u00edbrio de citocinas e a gravidade das doen\u00e7as relacionadas.\u00a0 Recentemente foi caracterizado que o tratamento com probi\u00f3ticos com\u00a0<em>Bifidobacteria<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Lactobacillus<\/em>\u00a0prov\u00e9m significativa oportunidade de recupera\u00e7\u00e3o contra COVID19.\u00a0 J\u00e1 havia sido demonstrado que esses probi\u00f3ticos tem efeito ben\u00e9fico contra infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias pelo virus da influenza.<\/p>\n<p><strong>Papel dos probi\u00f3ticos nas infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias virais. Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Estudos com modelos animais (camundongos) demonstraram efeitos ben\u00e9ficos de esp\u00e9cies de\u00a0<em>L. plantarum<\/em>\u00a0que reduziram os sintomas da infec\u00e7\u00e3o viral por influenza e aumentaram o peso corporal e o \u00edndice de sobreviv\u00eancia.\u00a0 De modo semelhante, outros g\u00eaneros, esp\u00e9cies e cepas de probi\u00f3ticos demonstraram atividade anti-viral.<\/p>\n<p>Os trabalhos t\u00eam, portanto, caracterizado que a administra\u00e7\u00e3o de probi\u00f3ticos encurtam a dura\u00e7\u00e3o e reduzem a gravidade de infec\u00e7\u00f5es, melhoram a imunidade e sa\u00fade intestinal.\u00a0 Conclui-se que os probi\u00f3ticos podem ser promissores agentes imunobi\u00f3ticos para o tratamento da infec\u00e7\u00e3o por COVID-19, embora n\u00e3o esteja caracterizado bem o tipo espec\u00edfico de probi\u00f3tico.\u00a0 At\u00e9 que isso se concretize, a preven\u00e7\u00e3o da enfermidade \u00e9 a melhor medida.<\/p>\n<p>Gohil K et al. Probiotics in the prophylaxis of COVID-19 : something is better than nothing. \u00a0 3 Bioth (2021)11:1.\u00a0 <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s13205-020-02554-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/s13205-020-02554-1<\/a>.<\/p>\n<p><strong>PREVAL\u00caNCIA DE SINTOMAS GASTRINTESTINAIS, FUN\u00c7\u00c3O HEP\u00c1TICA ANORMAL, DOEN\u00c7A DO APARELHO DIGESTIVO E DOEN\u00c7A HEP\u00c1TICA NA INFEC\u00c7\u00c3O POR COVID-19.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Revis\u00e3o sistem\u00e1tica e meta-an\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p>A dissemina\u00e7\u00e3o mundial de COVID-19 infectou milh\u00f5es de pessoas. Alguns pacientes apresentaram sintomas gastrintestinais, fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica alterada , doen\u00e7as gastrintestinais e hep\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A presente revis\u00e3o utilizou PubMed, Ovid Embase, Medline e duas bases chinesas de dados.\u00a0 \u00a0 \u00a0 Foram inclu\u00eddos 31 estudos envolvendo 4.682 pacientes. Os sintomas gastrintestinais mais significativos foram diarr\u00e9ia (0,08, 95% CI: 0,06-0,11) e anorexia (0,17, 95% CI: 0,06-0,27).\u00a0 A fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica mais significativamente alterada foi o aumento de alanina amino-transferase (ALT) (0,25,\u00a0 95% CI:0,16-0,33).\u00a0 Um total de 5% dos pacientes apresentaram doen\u00e7as do aparelho digestivo e um total de 3% apresentaram doen\u00e7a hep\u00e1tica.\u00a0 Destaca-se que a preval\u00eancia de n\u00e1useas e v\u00f4mitos, fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica alterada, doen\u00e7a hep\u00e1tica e doen\u00e7a do aparelho digestivo foi maior no grupo de Wuhan (China) enquanto a preval\u00eancia de diarr\u00e9ia foi maior no grupo de n\u00e3o-chineses. Pacientes graves em unidades de terapia intensiva estavam com maior probabilidade de ter diarr\u00e9ia, anorexia, dor abdominal e aumento de aspartato amino-transferase (AST) e ALT.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s cuidadosa an\u00e1lise dos achados e compara\u00e7\u00e3o estat\u00edstica, conclu\u00edram que os sintomas gastrintestinais mais significativos foram anorexia e diarr\u00e9ia e a altera\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica mais significativa foi a eleva\u00e7\u00e3o de ALT.\u00a0 Pacientes graves apresentaram probabilidade maior de ter sintomas gastrintestinais e fun\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica alterada.<\/p>\n<p>Zi-yuan D et al. The prevalence of gastrontestinal symptoms, abnormal liver function, digestive system disease and liver disease in COVID-19 infection. J Clin Gastroenterol 2021; 55(1):67-76. doi: 10.1097\/MCG. 0000000000001424.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: FBG por\u00a0Joaquim Prado P Moraes-Filho &#8211; Professor Livre-Docente \u2013 Faculdade de Medicina da USP e Diretor de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[310,2],"tags":[],"class_list":["post-11503","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-da-agrj","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11503"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11505,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11503\/revisions\/11505"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}