{"id":11488,"date":"2021-02-08T10:24:18","date_gmt":"2021-02-08T10:24:18","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=11488"},"modified":"2021-02-08T10:24:18","modified_gmt":"2021-02-08T10:24:18","slug":"artigo-o-novo-coronavirus-a-procura-de-um-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2021\/02\/artigo-o-novo-coronavirus-a-procura-de-um-caminho\/","title":{"rendered":"ARTIGO: O novo coronav\u00edrus \u00e0 procura de um caminho"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>por\u00a0<cite class=\"c-author__name\">Esper Kall\u00e1s\u00a0<\/cite>M\u00e9dico infectologista, \u00e9 professor titular do departamento de mol\u00e9stias infecciosas e parasit\u00e1rias da Faculdade de Medicina da USP e pesquisador na mesma universidade<\/p>\n<div class=\"c-news__body\" data-share-text=\"\" data-news-content-text=\"\" data-disable-copy=\"\" data-continue-reading=\"\" data-continue-reading-hide-others=\".js-continue-reading-hidden\">\n<p>Nas \u00faltimas semanas recebemos uma avalanche de not\u00edcias sobre a\u00a0identifica\u00e7\u00e3o de variantes do novo coronav\u00edrus. No come\u00e7o, parecia que as mudan\u00e7as gen\u00e9ticas do v\u00edrus n\u00e3o eram relevantes, mas essa percep\u00e7\u00e3o foi revista diante das recentes not\u00edcias da capacidade de adapta\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.<\/p>\n<p>Foram identificadas variantes em diferentes pa\u00edses: no\u00a0Reino Unido\u00a0apareceu a B.1.1.7, na\u00a0\u00c1frica do Sul\u00a0a B.1.351 e em\u00a0Manaus\u00a0temos a P1, tamb\u00e9m conhecidas como 501Y.V1, 501Y.V2 e 501Y.V3, respectivamente. As siglas representam as mudan\u00e7as nas esp\u00edculas virais.<\/p>\n<p>Embora sejam mudan\u00e7as discretas, t\u00eam repercuss\u00e3o em seu comportamento, levando ao dom\u00ednio das variantes mutantes ao longo do tempo. Isto \u00e9, a variante mutante consegue ser mais transmitida e, assim, dominou a onda pand\u00eamica no local.<\/p>\n<p>Algo chama a aten\u00e7\u00e3o quando comparamos as muta\u00e7\u00f5es das diferentes variantes: elas parecem acontecer em pontos semelhantes no v\u00edrus. \u00c9 not\u00e1vel que as variantes sul-africana e brasileira tenham algumas muta\u00e7\u00f5es em comum.<\/p>\n<div>\n<div class=\"js-gallery-widget rs_skip\">\n<div id=\"gallery-widget-undefined\" class=\"gallery-widget gallery-widget-keydown\" data-channel=\"esper-kallas\">\n<div class=\"gallery-widget__content\">\n<div class=\"gallery-widget-carousel\">\n<div class=\"gallery-widget-carousel__info\">\n<div class=\"gallery-widget-carousel__info-container\">\n<p class=\"gallery-widget-carousel__info-description\"><span class=\"gallery-widget-carousel__info-text\">A morfologia ultraestrutural exibida pelo Novel Coronavirus 2019 (2019-nCoV), que foi identificada como a causa de um surto de doen\u00e7a respirat\u00f3ria detectada pela primeira vez em Wuhan, China, \u00e9 vista em uma ilustra\u00e7\u00e3o divulgada pelo CDC (Centro de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as)<\/span>\u00a0<span class=\"gallery-widget-carousel__info-author\">Alissa Eckert, MS; Dan Higgins\/Reuters<\/span><\/p>\n<p class=\"gallery-widget-carousel__info-description\">Por que v\u00edrus que apareceram em continentes diferentes est\u00e3o trilhando caminhos parecidos, embora independentes, para se adaptar?<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Este fen\u00f4meno \u00e9 comum na natureza e \u00e9 chamado de evolu\u00e7\u00e3o convergente. As asas de insetos, aves e morcegos trilharam caminhos distintos na sua evolu\u00e7\u00e3o, mas sua estrutura \u00e9 compar\u00e1vel e, em alguns casos, bastante semelhante. A evolu\u00e7\u00e3o ocorreu para atingir um objetivo que, nesse caso, foi o de tornar a esp\u00e9cie apta a voar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, por que se d\u00e3o as mudan\u00e7as no novo coronav\u00edrus? O v\u00edrus parece buscar um caminho comum que resulte em maior capacidade de multiplica\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o. Maior agressividade at\u00e9 poderia ocorrer, como um efeito colateral da muta\u00e7\u00e3o, mas decerto n\u00e3o seria interessante exterminar aquele que permite sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 importante para entender o que est\u00e1 acontecendo com a pandemia. O aumento de casos na Inglaterra, na \u00c1frica do Sul e em Manaus pode tamb\u00e9m decorrer do aparecimento das variantes mutantes, embora existam outras explica\u00e7\u00f5es para o que ocorreu nessas localidades, como o pouco controle de aglomera\u00e7\u00f5es e infraestrutura insuficiente.<\/p>\n<p>Adiciona-se, assim, mais um ingrediente nas a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias de enfrentamento da pandemia: a monitora\u00e7\u00e3o das sequ\u00eancias gen\u00e9ticas do novo coronav\u00edrus circulante.<\/p>\n<p>Outras tr\u00eas quest\u00f5es pr\u00e1ticas ainda n\u00e3o est\u00e3o esclarecidas. A primeira \u00e9 se haver\u00e1 alguma variante capaz de provocar doen\u00e7a mais agressiva, causando aumento de mortalidade dos pacientes ou doen\u00e7a mais grave em jovens. N\u00e3o h\u00e1 ind\u00edcios claros de que alguma dessas mudan\u00e7as tenha ocorrido.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 se haver\u00e1 preju\u00edzos \u00e0 efetividade das vacinas. At\u00e9 agora, a prote\u00e7\u00e3o induzida pela vacina da Pfizer n\u00e3o parece ter sido afetada pela variante do Reino Unido, mas foi observada uma discreta redu\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o da vacina da Janssen para Covid-19, quando causada pela variante sul-africana.<\/p>\n<p>Finalmente, promessas de tratamento do v\u00edrus com anticorpos monoclonais sofreram abalo. O produto da Eli Lilly teve seu efeito reduzido contra a variante da \u00c1frica do Sul, embora outros n\u00e3o pare\u00e7am ter sofrido este impacto.<\/p>\n<p>A sobreviv\u00eancia de seres menos complexos, como os v\u00edrus, depende de uma simples meta: infectar o maior n\u00famero de hospedeiros, na maior extens\u00e3o territorial poss\u00edvel. Humanos, seres bem mais complexos, t\u00eam sido capazes de intervir de formas criativas para contrabalan\u00e7ar as for\u00e7as da natureza.<\/p>\n<p>Nesse jogo, os humanos t\u00eam, at\u00e9 agora, sobrevivido. Mas \u00e0 custa de muito suor.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP por\u00a0Esper Kall\u00e1s\u00a0M\u00e9dico infectologista, \u00e9 professor titular do departamento de mol\u00e9stias infecciosas e parasit\u00e1rias da Faculdade de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[310,2],"tags":[],"class_list":["post-11488","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos-da-agrj","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11488","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11488"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11488\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11491,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11488\/revisions\/11491"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}