{"id":11090,"date":"2020-11-30T12:29:39","date_gmt":"2020-11-30T12:29:39","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=11090"},"modified":"2020-11-30T12:29:39","modified_gmt":"2020-11-30T12:29:39","slug":"brasil-finaliza-estudo-sobre-a-diabetes-tipo-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/11\/brasil-finaliza-estudo-sobre-a-diabetes-tipo-1\/","title":{"rendered":"Brasil finaliza estudo sobre a Diabetes Tipo 1"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Faperj<\/p>\n<p>Com uma vida dedicada ao estudo da Diabetes Tipo 1, a professora Marilia de Brito Gomes, m\u00e9dica e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), se prepara para se afastar da vida acad\u00eamica, deixando o legado do \u00fanico estudo do Brasil, e mundialmente o mais completo, sobre o Diabetes Tipo 1 no Pa\u00eds. Realizada com a colabora\u00e7\u00e3o de quase duas dezenas de institui\u00e7\u00f5es, entre universidades, hospitais, associa\u00e7\u00f5es e centros de pesquisa, a investiga\u00e7\u00e3o avaliou 1.760 pacientes de diversos perfis socioecon\u00f4micos em todas as regi\u00f5es do Pa\u00eds. O estudo resultou na publica\u00e7\u00e3o de diversos artigos, que fizeram com que o Diabetes Tipo 1 ganhasse visibilidade em todo o Brasil e no exterior.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi realizada em duas etapas distintas. Na primeira, ainda na Presid\u00eancia da Sociedade Brasileira de Diabetes (2008\/2009), Mar\u00edlia estimulou a aplica\u00e7\u00e3o de um question\u00e1rio e a avalia\u00e7\u00e3o dos prontu\u00e1rios m\u00e9dicos dos doentes. Na segunda fase, j\u00e1 com apoio da FAPERJ e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico\u00a0(CNPq), a equipe p\u00f4de realizar um trabalho realmente de ponta. Segundo a endocrinologista, pela primeira vez a comunidade cient\u00edfica internacional teve conhecimento da Diabetes do Tipo 1 no Brasil, como a doen\u00e7a se comporta, qual o perfil dos pacientes, como \u00e9 e quais as dificuldades de tratamento. \u201cO Brasil tem uma popula\u00e7\u00e3o muito miscigenada e a comunidade cient\u00edfica internacional n\u00e3o tem conhecimento nem viv\u00eancia nesse aspecto\u201d, explica Marilia. Outro ponto importante da pesquisa apresentado internacionalmente foram os dados socioecon\u00f4micos dos pacientes analisados, que, muitas vezes, justificam as dificuldades enfrentadas por eles no sistema p\u00fabico de sa\u00fade.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica, que conta com recursos do Programa Cientista do Nosso Estado da FAPERJ para desenvolver suas pesquisas, \u00e9 pr\u00f3-cientista da Uerj e pesquisadora do CNPq, esclarece que a Diabetes tipo 1 difere completamente da Diabetes tipo 2, tendo em comum apenas o aumento da glicose no sangue, mas causadas por motivos diferentes. Segundo ela, no tipo 1 o paciente tem o diagn\u00f3stico ainda jovem e saud\u00e1vel, enquanto o tipo 2 se caracteriza como uma doen\u00e7a progressiva e insidiosa, mais comum em adultos e idosos, ocasi\u00e3o na qual o doente geralmente j\u00e1 possui comorbidades como hipertens\u00e3o, obesidade etc.<\/p>\n<p>\u201cNo Diabetes tipo 1 h\u00e1 uma destrui\u00e7\u00e3o quase total das c\u00e9lulas que produzem insulina, portanto, os pacientes dependem totalmente da reposi\u00e7\u00e3o desse horm\u00f4nio, sob pena de entrarem em coma ou irem a \u00f3bito\u201d, explica a m\u00e9dica. Marilia garante que o diagn\u00f3stico costuma ser r\u00e1pido, principalmente devido \u00e0 uma evolu\u00e7\u00e3o muito abrupta e uma sintomatologia muito florida da doen\u00e7a, na qual os principais sinais s\u00e3o a perda severa de peso, sede excessiva e necessidade frequente de urinar. A evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o r\u00e1pida que, n\u00e3o raro, leva crian\u00e7as a uma descompensa\u00e7\u00e3o aguda e \u00e0 necessidade de interna\u00e7\u00e3o em CTI. A endocrinologista ressalta as melhorias das ferramentas dispon\u00edveis atualmente para o tratamento: \u201cJ\u00e1 dispomos de canetas e agulhas muito finas para a aplica\u00e7\u00e3o da insulina e podemos fazer a monitoriza\u00e7\u00e3o e acompanhamento da glicemia capilar e de outras formas mais cuidadosas com o paciente\u201d.<\/p>\n<p>Outro estudo, em parceria com a Associa\u00e7\u00e3o de Diab\u00e9ticos de Bauru (SP), revelou o aumento da incid\u00eancia da doen\u00e7a no Pa\u00eds, com um aumento anual m\u00e9dio de 3%. A doen\u00e7a j\u00e1 atinge de 10 a 20 jovens a cada 100 mil habitantes. O levantamento mostra ainda que 75% dos pacientes do universo pesquisado tiveram diagn\u00f3stico da doen\u00e7a at\u00e9 os 20 anos de idade. Em m\u00e9dia, os doentes se aposentam muito jovens, por volta dos 38 anos, devido a uma perda de capacidade\/ano de 17 anos, principalmente em decorr\u00eancia da retinopatia diab\u00e9tica, complica\u00e7\u00e3o muito comum da doen\u00e7a, que pode evoluir para a cegueira.\u00a0 A taxa de mortalidade dos pacientes \u00e9 tr\u00eas vezes maior do que a popula\u00e7\u00e3o brasileira, em geral, e a morte ocorre muito precocemente devido \u00e0s complica\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>A professora contou com a ajuda fundamental da aluna de doutorado Laura Gomes Nunes de Melo, contemplada com Men\u00e7\u00e3o Honrosa no Pr\u00eamio Capes deste ano, para estudar essa doen\u00e7a multifatorial. \u201cA men\u00e7\u00e3o honrosa foi uma vit\u00f3ria para a Laura e para todos que participaram do trabalho. Para mim, particularmente, foi muito gratificante porque a Laura foi uma aluna especial. Ela n\u00e3o fez a faculdade na Uerj, veio da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). N\u00e3o nos conhec\u00edamos, mas ela mostrou uma capacidade de trabalho muito grande\u201d, conta a orientadora, comemorando o fato de ter contribu\u00eddo para o crescimento cient\u00edfico e acad\u00eamico da aluna.<\/p>\n<p>O estudo da Laura avaliou justamente a retinopatia diab\u00e9tica, uma complica\u00e7\u00e3o que reduz, significativamente, a qualidade de vida do paciente, j\u00e1 que sua evolu\u00e7\u00e3o pode gerar cegueira. \u201cEsta complica\u00e7\u00e3o gera um custo alto para o sistema de sa\u00fade, pois esses pacientes se aposentam muito cedo devido \u00e0 cegueira. Al\u00e9m disso, a morbidade \u00e9 muito elevada\u201d, esclarece Marilia. Segundo a orientadora, a fim de aprofundar o estudo, todos os oftalmologistas envolvidos na pesquisa receberam treinamento, conduzido pelo professor Paulo Henrique Morales, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), e os procedimentos foram padronizados, aumentando a robustez dos dados. Al\u00e9m disso, a verba do CNPq viabilizou a aquisi\u00e7\u00e3o de seis retin\u00f3grafos para facilitar o trabalho dos oftalmologistas.<\/p>\n<p>Com o sentimento de ver seu trabalho reconhecido, Laura, que publicou quatro artigos sobre o tema como principal autora, tamb\u00e9m atribui seu sucesso ao esfor\u00e7o da orientadora em empreender um estudo t\u00e3o completo e pioneiro, \u201capesar das dificuldades enfrentadas por pesquisadores no Pa\u00eds\u201d. A oftalmologista avaliou, pela primeira vez no Brasil, a preval\u00eancia da retinopatia diab\u00e9tica no universo de 1.760 pacientes estudados e os diversos n\u00edveis de evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, que afeta um ter\u00e7o dos pacientes com Diabetes Tipo 1, comprovando o que a literatura mundial j\u00e1 mostrava. O estudo identificou os fatores de risco para o desenvolvimento da retinopatia entre os doentes, mostrando que o tempo da doen\u00e7a, a hipertens\u00e3o arterial e o descontrole glic\u00eamico s\u00e3o os principais fatores que levam os diab\u00e9ticos tipo 1 a desenvolverem a retinopatia, corroborando com o dispon\u00edvel na literatura. Laura conta que o estudo revelou uma novidade: uma associa\u00e7\u00e3o entre os n\u00edveis de \u00e1cido \u00farico e a retinopatia diab\u00e9tica.\u00a0(<a href=\"https:\/\/bmcpublichealth.biomedcentral.com\/articles\/10.1186\/s12889-018-5859-x\">https:\/\/bmcpublichealth.biomedcentral.com\/articles\/10.1186\/s12889-018-5859-x<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/aos.13760)\">https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/aos.13760)<\/a>. Outra vertente da investiga\u00e7\u00e3o constatou que os pacientes com retinopatia diab\u00e9tica proliferativa (fase mais avan\u00e7ada da doen\u00e7a) t\u00eam duas vezes mais chances de desenvolverem problemas cardiovasculares. O artigo publicado gerou diversas cita\u00e7\u00f5es e configurou entre os principais artigos da revista\u00a0<em>Frontiers in Endocrinology<\/em>\u00a0(<a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fendo.2019.00689\/full\">https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fendo.2019.00689\/full<\/a>). O quarto artigo produzido pela oftalmologista como primeira autora, j\u00e1 aceito para publica\u00e7\u00e3o, aborda a rela\u00e7\u00e3o da retinopatia diab\u00e9tica proliferativa com fatores inflamat\u00f3rios (<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1159\/000510879\">http:\/\/dx.doi.org\/10.1159\/000510879<\/a>). Sua expressiva produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica inclui, al\u00e9m dos artigos como primeira autora, a colabora\u00e7\u00e3o com outros trabalhos do restante da equipe.<\/p>\n<p>A professora Marilia ressalta a import\u00e2ncia da investiga\u00e7\u00e3o da orientanda na correla\u00e7\u00e3o entre a retinopatia diab\u00e9tica e os riscos de o paciente desenvolver doen\u00e7a cardiovascular. \u201cComo a Diabetes \u00e9 uma doen\u00e7a vascular sist\u00eamica, nesse conjunto sist\u00eamico o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 afetado, assim como o c\u00e9rebro\u201d, explica a endocrinologista. Segundo ela, dependendo do resultado do exame de olho, o oftalmologista ter\u00e1 um alerta para a necessidade de encaminhar o paciente diab\u00e9tico para uma avalia\u00e7\u00e3o cardiol\u00f3gica. A pesquisadora destaca outro artigo, publicado recentemente, com apoio da FAPERJ, na\u00a0<em>Diabetes Research and Clinical Practice<\/em>, uma publica\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>International Diabetes Federation<\/em>, \u00fanico estudo dispon\u00edvel sobre a preval\u00eancia da doen\u00e7a renal nos pacientes com diabetes tipo 1 no Brasil, mostrando mais essa complica\u00e7\u00e3o (https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/33010359\/). \u201cEste artigo \u00e9 importante para mostrar \u00e0 comunidade cient\u00edfica as dificuldades de prosseguirmos na investiga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a renal em pacientes com diabetes tipo 1. \u00c9 um alerta para o Brasil e demais pa\u00edses que se dizem \u2018desenvolvidos\u2019 e n\u00e3o conseguem enxergar o que acontece em pa\u00edses situados abaixo da linha do Equador\u201d, afirma a pesquisadora. A \u00faltima etapa que finalizar\u00e1 o estudo, que tamb\u00e9m conta com apoio da FAPERJ por meio do Edital de Apoio a Projetos\u00a0Tem\u00e1ticos, ser\u00e1 a coleta de DNA, ou seja, um raio-x gen\u00e9tico dos pacientes de Diabetes Tipo 1 no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cVou encerrar minha carreira acad\u00eamica finalizando esse trabalho, que \u00e9 uma grande realiza\u00e7\u00e3o, pois sempre trabalhei com Diabetes tipo 1 e desejava fazer uma radiografia dessa doen\u00e7a no Brasil\u201d. E estamos conseguindo fazer. Mar\u00edlia manda um recado para jovens m\u00e9dicos que se interessarem por estudarem a Diabetes Tipo 1: \u201c\u00c9 uma doen\u00e7a sem fim de semana, sem feriado e sem f\u00e9rias, pois exige uma intera\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o grande ao paciente\u201d. Marilia acredita que devido a todas as particularidades e complica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a, o sistema de sa\u00fade p\u00fablico e o privado precisam entender que o paciente muitas vezes demanda mais de uma hora de consulta. \u201cToda a fam\u00edlia fica psicologicamente muito afetada, pois \u00e9 uma das doen\u00e7as end\u00f3crinas mais frequentes nos jovens e at\u00e9 hoje n\u00e3o tem cura. Por isso humaniza muito o m\u00e9dico, j\u00e1 que geralmente acompanha a crian\u00e7a at\u00e9 a vida adulta e, muitas vezes, o m\u00e9dico compartilha da evolu\u00e7\u00e3o para as complica\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas o que causa muita diminui\u00e7\u00e3o da qualidade de vida de indiv\u00edduos ainda jovens\u201d, lamenta Marilia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Faperj Com uma vida dedicada ao estudo da Diabetes Tipo 1, a professora Marilia de Brito Gomes, m\u00e9dica e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-11090","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11090","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11090"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11090\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11093,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11090\/revisions\/11093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}