{"id":10928,"date":"2020-11-03T10:36:19","date_gmt":"2020-11-03T10:36:19","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=10928"},"modified":"2020-11-03T10:36:19","modified_gmt":"2020-11-03T10:36:19","slug":"na-pandemia-consumo-de-ultraprocessados-quase-dobra-em-faixa-etaria-com-maior-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/11\/na-pandemia-consumo-de-ultraprocessados-quase-dobra-em-faixa-etaria-com-maior-risco\/","title":{"rendered":"Na pandemia, consumo de ultraprocessados quase dobra em faixa et\u00e1ria com maior risco"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) em parceria com o Datafolha revela que o consumo de alimentos\u00a0ultraprocessados\u00a0quase dobrou durante a pandemia na faixa et\u00e1ria de 45 a 55 anos em todo o pa\u00eds, justo aquela com o maior percentual de sobrepeso e obesidade.<\/p>\n<p>No ano passado, o consumo desse tipo de alimento representava 9%\u00a0da dieta dos entrevistados e no levantamento feito em junho de 2020 saltou para 16%.\u00a0Os\u00a0ultraprocessados\u00a0s\u00e3o apontados por especialistas como os principais respons\u00e1veis pelo aumento da obesidade, fator de risco para a Covid-19.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m\u00a0houve aumento entre jovens de 18 a 24 anos, de 29,6% para 31,3% da dieta total. Nas outras faixas, intermedi\u00e1rias, as oscila\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram significativas.\u00a0Segundo a \u00faltima Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS), divulgada na semana passada, 70% dos brasileiros com idade entre 40 e 59 anos est\u00e3o\u00a0al\u00e9m do peso\u00a0considerado saud\u00e1vel, dos quais\u00a034,4% est\u00e3o obesos.<\/p>\n<p>O Idec entrevistou, com o\u00a0Datafolha, 1.214 pessoas com idades entre 18 e 55 anos de todas as classes econ\u00f4micas e regi\u00f5es do pa\u00eds em junho, retratando os h\u00e1bitos alimentares bem no auge da pandemia.<\/p>\n<p>No recorte de renda, o aumento mais expressivo foi na classe C, cujo consumo, considerando todas as faixas et\u00e1rias, passou de 21,1% em 2019 para 27,7% em 2020. Entre as classes\u00a0A e B, o \u00edndice foi de 19,7% para 21,6% e, nas classes\u00a0D\u00a0e\u00a0E, se manteve est\u00e1vel em 21%.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o s\u00e3o &#8216;comida de verdade&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (Opas), os alimentos ultraprocessados s\u00e3o &#8220;formula\u00e7\u00f5es\u00a0 industriais elaboradas principal ou totalmente a partir de subst\u00e2ncias derivadas de componentes dos alimentos, al\u00e9m de aditivos usados para imitar e intensificar as qualidades sensoriais dos produtos&#8221;.<\/p>\n<p>Os ultraprocessados n\u00e3o s\u00e3o, portanto, &#8220;comida de verdade&#8221;, como pontua a professora do Instituto de Nutri\u00e7\u00e3o da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pesquisadora do N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade da USP (Nupens), Daniela\u00a0Canella.<\/p>\n<p>A pesquisadora salienta que eles s\u00e3o compostos, basicamente, por subst\u00e2ncias como gordura,\u00a0a\u00e7\u00facar, amido, farinha\u00a0e\u00a0sal. Por isso, s\u00e3o extremamente palat\u00e1veis e deixam as pessoas acostumadas com sabores muito doces ou salgados.<\/p>\n<p>\u2014\u00a0N\u00e3o \u00e9 comida de verdade, h\u00e1 quem questione se deveriam ser chamados de alimento, s\u00e3o produtos. Reproduzir as receitas criadas pela ind\u00fastria, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel, pois s\u00e3o necess\u00e1rios\u00a0processos industriais espec\u00edficos, e os pr\u00f3prios ingredientes n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis\u00a0em casa ou no mercado \u2014 afirma Canella.<\/p>\n<p>A especialista aconselha olhar bem os ingredientes\u00a0nos r\u00f3tulos. Quanto maior o n\u00famero deles e mais incomuns, maior a chance de se tratar de um\u00a0ultraprocessado.<\/p>\n<p>Vale, tamb\u00e9m, verificar a ordem apresentada,\u00a0pois os primeiros, enfatiza a acad\u00eamica, s\u00e3o os que est\u00e3o em maior quantidade no produto. Tamb\u00e9m deve-se desconfiar das embalagens que prometem adi\u00e7\u00e3o de vitaminas, por exemplo.<\/p>\n<p>Mesmo alimentos que parecem saud\u00e1veis, como barrinhas de cereal ou alguns iogurtes, podem ser ultraprocessados. Procurada pela reportagem, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Alimentos (Abia) n\u00e3o se manifestou.<\/p>\n<p><strong>Salgadinhos e biscotos salgados<\/strong><\/p>\n<p>Na pesquisa do Idec, salgadinhos de pacote ou biscoitos salgados foram os produtos campe\u00f5es de consumo entre os ultraprocessados, subindo de 30% para 35% no per\u00edodo.<\/p>\n<p>O segundo lugar no ranking ficou para a categoria que inclui margarina, maionese, ketchup e outros molhos industrializados, cujo consumo subiu de 50% em 2019 para 54% dos entrevistados em 2020.<\/p>\n<p>Durante a pandemia, os homens comeram mais salgadinhos de pacote ou biscoitos salgados, um aumento de 6%. J\u00e1 as mulheres aumentaram o consumo de margarina e molhos industrializados\u00a0(crescimento de 7%), de embutidos, como presunto, mortadela e lingui\u00e7a\u00a0(6%),\u00a0e de pratos prontos e congelados, como macarr\u00e3o instant\u00e2neo, sopa de pacote\u00a0ou\u00a0lasanha congelada\u00a0(5%).<\/p>\n<p>Para a nutricionista Ana Paula\u00a0Bortoletto, do Idec, o aumento do consumo de ultraprocessados\u00a0durante a pandemia foi provocado, principalmente, por quatro fatores: o momento sens\u00edvel na vida das pessoas, que as deixou mais suscet\u00edvel ao apelo de se consumir alimentos menos saud\u00e1veis; uma maior exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 publicidade dos ultraprocessados gra\u00e7as ao aumento de tempo de tela em casa; a preocupa\u00e7\u00e3o em estocar alimentos para evitar idas frequentes ao mercado devido ao temor da infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus; e o fato de ser uma alimenta\u00e7\u00e3o &#8220;mais f\u00e1cil&#8221;.<\/p>\n<p>A professora Miriam\u00a0Louback\u00a0foi uma dessas pessoas que se renderam\u00a0aos\u00a0ultraprocessados\u00a0na pandemia. Ao reduzir as idas ao supermercado, para onde tem que levar os dois filhos, ela passou a ter\u00a0alimentos perec\u00edveis\u00a0apenas de 15 em 15 dias.\u00a0Assim, as frutas deram lugar aos biscoitos, especialmente os salgados e recheados.<\/p>\n<p>\u2014 Esses biscoitos eu n\u00e3o costumava comprar, e agora estou comprando com frequ\u00eancia.\u00a0Acho que\u00a0isso j\u00e1\u00a0est\u00e1 mudando o paladar da minha\u00a0filha,\u00a0que\u00a0agora\u00a0est\u00e1\u00a0mais seletiva\u00a0para comer. E eu entrei na onda, acabo comendo biscoito com ela enquanto vejo TV. J\u00e1 engordei 8\u00a0kgs\u00a0nessa\u00a0pandemia \u2014 conta a professora que tamb\u00e9m apela para os sucos concentrados e em p\u00f3 para os filhos, j\u00e1 que o integral \u00e9 muito mais caro.<\/p>\n<p><strong>Praticidade questionada<\/strong><\/p>\n<p>Por\u00e9m, o discurso de que os\u00a0ultraprocessados\u00a0s\u00e3o &#8220;mais pr\u00e1ticos&#8221; \u00e9, para a nutricionista do Idec, resultante de estrat\u00e9gia de venda, que deve ser questionada:<\/p>\n<p>\u2014\u00a0A praticidade tem dois lados. Ela est\u00e1 associada ao apelo do marketing. \u00c9 mais pr\u00e1tico abrir um pacote de salgadinho ou comer uma banana ou ma\u00e7\u00e3? E precisamos pensar que ela tamb\u00e9m desvaloriza o cozinhar e nem sempre vale a pena para a sa\u00fade.<\/p>\n<p>Ana Bortoletto tamb\u00e9m lembra que a pesquisa serve como um alerta para se pressionar por pol\u00edticas p\u00fablicas que promovam a alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel:<\/p>\n<p>\u2014 Refor\u00e7a a import\u00e2ncia de se valorizar o Guia Alimentar do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que tem bases cient\u00edficas s\u00f3lidas, mas hoje \u00e9 atacado pelo Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, sob press\u00e3o de setores da ind\u00fastria. \u00c9 preciso facilitar um maior acesso aos alimentos saud\u00e1veis e desestimular os\u00a0ultraprocessados\u00a0\u2014 afirma\u00a0Bortoletto.<\/p>\n<p>O Guia Alimentar para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira \u00e9 uma publica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, elaborada em conjunto com o Nupens, da USP, e traz orienta\u00e7\u00f5es para uma alimenta\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel, em sintonia com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), a Opas e governos de pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>Na \u00faltima vers\u00e3o, de 2014, traz a classifica\u00e7\u00e3o de alimentos in natura e ultraprocessados.\u00a0A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, criticou o documento recentemente e pediu sua revis\u00e3o.\u00a0Houve forte rea\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfca e da sociedade, em defesa das diretrizes do Guia.<\/p>\n<p><strong>Diferen\u00e7a de custo<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, o custo de uma alimenta\u00e7\u00e3o constitu\u00edda majoritariamente por alimentos\u00a0ultraprocessados\u00a0ainda \u00e9 superior ao de uma dieta feita a partir de ingredientes in natura, diferentemente dos Estados Unidos, onde os\u00a0ultraprocessados\u00a0t\u00eam forte apelo econ\u00f4mico e, por isso, j\u00e1 representam 60% do que a popula\u00e7\u00e3o ingere.<\/p>\n<p>Estudo feito pelo pr\u00f3prio Idec, com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Nupens, divulgado no come\u00e7o do ano, indica, por\u00e9m, que alimentos saud\u00e1veis recomendados pelo Guia Alimentar devem se tornar mais caros do que alimentos n\u00e3o saud\u00e1veis a partir de 2026, quando o pre\u00e7o dos dois grupos deve se igualar.<\/p>\n<p>At\u00e9 2030, a previs\u00e3o \u00e9 a de que os pre\u00e7os dos alimentos\u00a0in natura\u00a0e minimamente processados continuem crescendo, enquanto os dos\u00a0ultraprocessados\u00a0decres\u00e7am, invertendo a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014\u00a0 As pessoas acham que o\u00a0ultraprocessado\u00a0\u00e9 &#8220;baratinho&#8221;, mas n\u00e3o \u00e9 verdade. Custa mais caro comer lasanha congelada, nugget ou macarr\u00e3o instant\u00e2neo do que comida de verdade. Mas a ind\u00fastria consegue controlar os pre\u00e7os, usando ingredientes de qualidade pior. Assim, a tend\u00eancia \u00e9 que eles fiquem mesmo mais baratos. As pessoas precisam mediar sua alimenta\u00e7\u00e3o. Eventualmente todo mundo come algum ultraprocessado, mas \u00e9 preciso avaliar a quantidade consumida e o impacto na sa\u00fade \u2014 afirma Daniela Canella.<\/p>\n<div class=\"block block--advertising\">\n<div class=\"block__advertising\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) em parceria com o Datafolha revela que o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-10928","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10928","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10928"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10928\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10930,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10928\/revisions\/10930"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}