{"id":1073,"date":"2016-07-25T11:53:19","date_gmt":"2016-07-25T11:53:19","guid":{"rendered":"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=1073"},"modified":"2016-07-25T11:53:19","modified_gmt":"2016-07-25T11:53:19","slug":"todo-paciente-tem-um-preco-afirma-farmacoeconomista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2016\/07\/todo-paciente-tem-um-preco-afirma-farmacoeconomista\/","title":{"rendered":"Todo paciente tem um pre\u00e7o, afirma farmacoeconomista"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1074\" src=\"http:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/farmacoeconomista-300x294.jpeg\" alt=\"farmacoeconomista\" width=\"300\" height=\"294\" \/>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s temos um pre\u00e7o, afirma o especialista em farmacoeconomia Diego Rosselli. Para o presidente da Sociedad Internacional de Farmacoeconomia e Investigaci\u00f3n de Resultados, na Col\u00f4mbia, &#8220;devemos saber que os recursos s\u00e3o limitados e ver o quanto podemos pagar por isso&#8221;.<\/p>\n<p>Para Rosselli, que palestrou no Roche Press Day, na Costa Rica, no \u00faltimo dia (7), tanto o governo quanto os usu\u00e1rios do sistema de sa\u00fade devem entender as dimens\u00f5es econ\u00f4micas de cada decis\u00e3o na \u00e1rea.<\/p>\n<p>Em outras palavras, \u00e9 necess\u00e1rio entender o quanto vale investir em um ano a mais de vida de um paciente, em vez de observar apenas os custos do tratamento.<\/p>\n<p><b>Folha &#8211; O que \u00e9 preciso saber de farmacoeconomia pra n\u00e3o tomar decis\u00f5es erradas?<\/b><\/p>\n<p><b>Diego Rosselli &#8211;<\/b> Uma das coisas que temos que colocar como objetivo \u00e9 que cada um dos agentes que participam das decis\u00f5es em sa\u00fade tenha conhecimento para negociar. E o paciente tem que conhecer as informa\u00e7\u00f5es dos custos da enfermidade, os custos de n\u00e3o tratar a doen\u00e7a, os conceitos de custoefetividade para comparar uma doen\u00e7a \u00e0 outra.<\/p>\n<p><b>Todos n\u00f3s, individual ou coletivamente, temos um pre\u00e7o?<\/b><\/p>\n<p>Sim. Devemos saber que os recursos s\u00e3o limitados e ver o quanto podemos pagar por isso. Todos temos um pre\u00e7o.<\/p>\n<p><b>O senhor fala de diferenciar os custos diretos, indiretos e intang\u00edveis. Quais s\u00e3o eles?<\/b><\/p>\n<p>O custo direto vem daquilo que tem pre\u00e7o, como um medicamento, uma di\u00e1ria em um hospital, o custo de deslocamento de levar um paciente de um lugar a outro.<\/p>\n<p>Um custo indireto \u00e9 o custo da produtividade de uma pessoa, de um dia em que n\u00e3o vai trabalhar ou do dia em que vai trabalhar mas n\u00e3o consegue trabalhar bem. Pode ser o caso de um cuidador, da pessoa que se aposenta cedo por invalidez.<\/p>\n<p>H\u00e1 um problema a\u00ed: os custos diretos podem ser parecidos para ricos e pobres, mas os custos indiretos s\u00e3o injustos com os pobres. Um escandinavo com artrite reumatoide que continua trabalhando consegue pagar um rem\u00e9dio que custa mil d\u00f3lares todo m\u00eas. Agora, um trabalhador brasileiro dificilmente conseguiria isso com seu trabalho.<\/p>\n<p>J\u00e1 os custos intang\u00edveis s\u00e3o mais dif\u00edceis de quantificar. S\u00e3o os custos da dor, da ansiedade. Se um m\u00e9dico pede um exame de sangue e constata que voc\u00ea tem HIV, e voc\u00ea est\u00e1 se sentindo bem, ainda assim h\u00e1 um custo pelo fato de voc\u00ea ter descoberto isso.<\/p>\n<p>\u00c9 mais dif\u00edcil ainda se falarmos de morte. Perder um filho \u00e9 uma experi\u00eancia t\u00e3o dolorosa que chega a ser dif\u00edcil colocar um custo, e a sociedade valora isso de maneira diferente. Se algu\u00e9m morre aos 12 anos, significa que algo de errado ocorreu.<\/p>\n<p><b>Parece frio esse olhar matem\u00e1tico diante de uma doen\u00e7a. Ou mesmo uma pol\u00edtica p\u00fablica em que o governo tenha que dizer &#8220;ent\u00e3o, a partir de 70 anos n\u00e3o vamos pagar tal rem\u00e9dio&#8221;. Como chegar a um denominador comum?<\/b><\/p>\n<p>Est\u00e1vamos reunidos com um grupo de transplantados, falando sobre transplante de rim. Discut\u00edamos uma situa\u00e7\u00e3o em que h\u00e1 apenas um rim dispon\u00edvel e dois pacientes que precisam dele, um de 21 anos e outro de 70. A quem dar\u00edamos o rim? O Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Colombiana de Transplantados, que tem cerca de 70 anos, disse &#8220;isso n\u00e3o \u00e9 justo, paguei meus impostos a vida inteira&#8221;. Ent\u00e3o, ele j\u00e1 teria pago por esse rim, e o de 21 anos, n\u00e3o. Com o envelhecimento das na\u00e7\u00f5es, esse \u00e9 um problema que veremos cada vez mais.<\/p>\n<p>Imagine que voc\u00ea tem 70 anos, dois filhos, seis netos. Voc\u00eas t\u00eam uma casa familiar, um carro, um capital de alguns milhares de d\u00f3lares. Se voc\u00ea adoece e dizem que voc\u00ea tem que pagar US$ 50 mil pelo tratamento para que viva alguns anos a mais, \u00e9 preciso refletir. Essa \u00e9 uma reflex\u00e3o que exige que aceitemos a morte, que \u00e9 um passo importante na nossa cultura.<\/p>\n<p><b>Ent\u00e3o, mesmo o custo da cura deve ser sustent\u00e1vel?<\/b><\/p>\n<p>Sim, penso que sim. Creio que um dia vamos chegar a estabelecer um valor a uma pessoa, como em casos de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, que tem um custo alto.<\/p>\n<p>E se a pessoa nunca fez esfor\u00e7o para deixar de fumar e isso culminou em um tumor? Com que direito ela quer que paguemos US$ 50 mil pelo seu tratamento? \u00c9 um valor diferente de uma pessoa que fez esse esfor\u00e7o para parar de fumar. Devemos valorar isso um dia?<\/p>\n<p><b>E como levar essa discuss\u00e3o para as pol\u00edticas p\u00fablicas?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhum pa\u00eds que tenha conseguido isso. Quando falamos de PIB per capita do Brasil, h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre Estados, entre o Rio Grande do Sul e o Amazonas. N\u00e3o h\u00e1 pa\u00eds que tenha incorporado isso, essa forma de tratar as pessoas como se n\u00e3o valessem o mesmo. Mas h\u00e1 raz\u00f5es para imaginar que, um dia, isso pode mudar.<\/p>\n<p><b>Quais as dificuldades para um pa\u00eds em crise como o Brasil?<\/b><\/p>\n<p>O Brasil tem um grande problema, que \u00e9 o seu tamanho. \u00c9 grande em geografia, em diversidade. Se voc\u00ea pensar em Uruguai, em Costa Rica, fica mais f\u00e1cil decidir para uns poucos milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma coisa que est\u00e1 nascendo no Brasil e em outros pa\u00edses latino-americanos \u00e9 o chamado &#8220;risco compartilhado&#8221; \u2013quando um rem\u00e9dio entra no mercado, mas num regime condicionado.<\/p>\n<p>Um novo mecanismo pode ser um sistema em que se paga pelo paciente que responde ao tratamento. Agora o Brasil tem problemas para resolver, como a crise e os Jogos Ol\u00edmpicos do Rio. Depois, podemos voltar a conversar.<\/p>\n<p class=\"division rs_skip\">&#8211;<\/p>\n<p><b>RAIO-X &#8211; DIEGO ROSSELLI<\/b><\/p>\n<p><b>Forma\u00e7\u00e3o<\/b><br \/>\nM\u00e9dico pela Universidade de Rosario e mestrado em ci\u00eancias pela London School of Economics e em educa\u00e7\u00e3o em Harvard<\/p>\n<p><b>Trajet\u00f3ria<\/b><br \/>\nProfessor na Pontif\u00edcia Universidade Javeriana (Col\u00f4mbia); diretor de desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do pa\u00eds (1993-1996)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Todos n\u00f3s temos um pre\u00e7o, afirma o especialista em farmacoeconomia Diego Rosselli. 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