{"id":10683,"date":"2020-09-14T10:38:42","date_gmt":"2020-09-14T10:38:42","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=10683"},"modified":"2020-09-14T10:38:42","modified_gmt":"2020-09-14T10:38:42","slug":"pandemia-faz-transplantes-de-orgaos-registrarem-queda-de-61","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/09\/pandemia-faz-transplantes-de-orgaos-registrarem-queda-de-61\/","title":{"rendered":"Pandemia faz transplantes de \u00f3rg\u00e3os registrarem queda de 61%"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>O Brasil realizou, entre abril e junho deste ano, menos da metade dos\u00a0transplantes de \u00f3rg\u00e3os e tecidos\u00a0do in\u00edcio do ano. Com a diminui\u00e7\u00e3o de 61% dos procedimentos, cresceram 44,5% as mortes de pacientes cadastrados na fila de espera entre os dois per\u00edodos em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros levaram a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplantes (ABTO) a projetar no ano uma\u00a0queda de doa\u00e7\u00f5es e transplantes\u00a0nunca vista antes &#8211;em contraste ao cen\u00e1rio promissor que se apresentava at\u00e9 ent\u00e3o. Na conta, est\u00e3o os\u00a0procedimentos de cora\u00e7\u00e3o, f\u00edgado, p\u00e2ncreas, pulm\u00e3o, rim, c\u00f3rnea e medula.<\/p>\n<p>Quando comparados o primeiro semestre de 2020 e o de 2019, a diminui\u00e7\u00e3o no total de transplantes foi de 32%, e o aumento de mortes foi de 34%. Se o pa\u00eds seguir nesse ritmo, o ano pode trazer queda de 20,5% nos procedimentos, o que faria o pa\u00eds regredir \u00e0 marca de nove anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>O n\u00famero de doadores efetivos (que exames detectaram morte encef\u00e1lica, a fam\u00edlia autorizou a doa\u00e7\u00e3o e os \u00f3rg\u00e3os s\u00e3o vi\u00e1veis) tamb\u00e9m teve baixa relevante. Atualmente, o indicador \u00e9 de 15,8 doadores por milh\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o (PMP). O n\u00famero \u00e9 6,5% menor que a marca de junho de 2019 (16,9 doa\u00e7\u00f5es PMP).<\/p>\n<p>A taxa idealizada pela ABTO para o ano \u00e9 de 20 doadores PMP e esteve perto de ser alcan\u00e7ada no primeiro trimestre, quando o pa\u00eds teve 18,4 doadores PMP. A Covid-19, que ganhou for\u00e7a no pa\u00eds no segundo trimestre do ano, \u00e9 o motivo das quedas abruptas.<\/p>\n<p>A\u00a0pandemia\u00a0causou descarte de \u00f3rg\u00e3os infectados, aumento da nega\u00e7\u00e3o familiar para que os entes fossem sepultados rapidamente, contraindica\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento nos casos em que o receptor pudesse esperar com tratamentos paliativos e at\u00e9 falta de log\u00edstica a\u00e9rea para que \u00f3rg\u00e3os viajassem para outras cidades.<\/p>\n<p>Na tentativa de minimizar os riscos para os profissionais, tamb\u00e9m caiu a busca ativa de doadores. O trabalho \u00e9 feito por comiss\u00f5es intra-hospitalares (Cihdott) presentes em unidades com mais de 80 leitos e respons\u00e1veis por viabilizar o diagn\u00f3stico de morte encef\u00e1lica e oferecer \u00e0s fam\u00edlias a possibilidade de doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E com a dedica\u00e7\u00e3o massiva dos leitos de UTI para os doentes graves de Covid-19, v\u00edtimas de trauma n\u00e3o tiveram chance de evoluir para morte cerebral, tornando-se doadores potenciais, e diminu\u00edram tamb\u00e9m as vagas para acolher os rec\u00e9m-transplantados.<\/p>\n<p>&#8220;Isso aconteceu de forma heterog\u00eanea, mas foi no Brasil inteiro. Foi uma queda in\u00e9dita. Mesmo que a gente considere o que foi feito no primeiro trimestre, \u00e9 uma perda grande&#8221;, diz Jos\u00e9 Huygens Garcia, presidente da ABTO.<\/p>\n<p>Outro efeito da pandemia foi a diminui\u00e7\u00e3o do ritmo de ingresso de pacientes em fila de espera. No primeiro semestre, o n\u00famero de novos cadastros foi 28,4% menor que o do mesmo per\u00edodo de 2019.<\/p>\n<p>Segundo Huygens, houve menor procura dos servi\u00e7os de sa\u00fade eletivos. Assim, menos indica\u00e7\u00f5es de transplantes. Mesmo com isso, a lista de espera n\u00e3o deixou de crescer. Ao final de junho, mais de 40 mil pessoas aguardavam um \u00f3rg\u00e3o ou tecido, 3.000 a mais que no fim de 2019.<\/p>\n<p>Na tentativa de manter a realiza\u00e7\u00e3o dos transplantes com a maior seguran\u00e7a poss\u00edvel, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade emitiu em mar\u00e7o uma nota t\u00e9cnica indicando os crit\u00e9rios para a triagem cl\u00ednica de coronav\u00edrus nos candidatos \u00e0 doa\u00e7\u00e3o. A realiza\u00e7\u00e3o do exame RT-PCR passou a ser obrigat\u00f3ria, junto a outras testagens.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, segundo Francisco Monteiro, coordenador da central de transplantes estadual, cerca de 8% dos doadores potenciais foram descartados porque estavam infectados com o v\u00edrus, apesar de a Covid-19 n\u00e3o ter sido a causa da morte.<\/p>\n<p>A retirada dos \u00f3rg\u00e3os s\u00f3 acontece com o diagn\u00f3stico negativo. &#8220;Essa foi a primeira medida que fez com que a gente tivesse um doador que incorresse em risco m\u00ednimo para o receptor e para a equipe transplantadora&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Como o protocolo de morte cerebral demanda algumas horas, diz o coordenador, o tempo para o exame n\u00e3o causou perda de \u00f3rg\u00e3os. &#8220;O \u00f3rg\u00e3o que \u00e9 viabilizado \u00e9 efetivamente transplantado.&#8221; Pacientes receptores tamb\u00e9m realizam testagem da doen\u00e7a para minimizar os riscos.<\/p>\n<p>H\u00e1 especificidades relativas \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de cada \u00f3rg\u00e3o. Para pacientes renais, como h\u00e1 uma metodologia alternativa \u2014a hemodi\u00e1lise\u2014 s\u00f3 foram realizados transplantes em caso de emerg\u00eancia.<br \/>\nE esses procedimentos ficaram praticamente restritos aos doadores mortos: enquanto no primeiro trimestre os doadores vivos foram 193 (12,5% do total), no segundo foram apenas 25 (3%) em todo o Brasil. Essa tamb\u00e9m foi uma medida par a preservar a sa\u00fade dos doadores.<\/p>\n<p>No Hospital do Rim, refer\u00eancia no pa\u00eds, os transplantes de doadores vivos passaram de um por dia para um por semana, segundo Jos\u00e9 Medina Pestana, superintendente da unidade. Ainda assim, o local teve apenas cinco procedimentos a menos que no ano passado por n\u00e3o receber pacientes de Covid-19.<br \/>\nA mortalidade de pacientes que aguardam um novo rim aumentou 44% em um ano, o maior crescimento entre os que est\u00e3o em fila de espera.<\/p>\n<p>De acordo com Medina, a presen\u00e7a de diabetes e obesidade, comorbidades comuns a pacientes que precisam do transplante e complicadoras para a Covid-19, al\u00e9m de uma eventual diminui\u00e7\u00e3o das sess\u00f5es de di\u00e1lise por medo de se expor, podem ter contribu\u00eddo para isso.<\/p>\n<p>C\u00f3rnea seguiu o mesmo preceito, e somente os pacientes com risco de perda do olho receberam um novo tecido. Os procedimentos despencaram de 3.409 entre janeiro e mar\u00e7o para 554 entre abril e junho. A queda, de 83,7%, foi a maior entre os transplantes.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o do pa\u00eds est\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o de transplantes de f\u00edgado em S\u00e3o Paulo, que aumentou 5%. Para os que precisam do procedimento, n\u00e3o h\u00e1 tratamento alternativo. No Hospital das Cl\u00ednicas da USP, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de que 2020 termine com 130 transplantes de f\u00edgado realizados, quando a m\u00e9dia anual \u00e9 de 114, afirma Luiz D&#8217;Albuquerque, professor da Divis\u00e3o de Transplantes da faculdade.<\/p>\n<p>D&#8217;Albuquerque diz que a transfer\u00eancia dos transplantes para o pr\u00e9dio do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o, longe de pacientes com coronav\u00edrus, que ficaram no Instituto Central do HC, ajudou no aumento.<br \/>\n&#8220;Est\u00e1vamos num hospital livre de Covid-19, enquanto os outros tiveram uma diminui\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o podiam dividir UTI.&#8221; De acordo com ele, ainda assim, dez pessoas contra\u00edram a doen\u00e7a ap\u00f3s o transplante. Duas morreram.<\/p>\n<p>Em abril, o chefe de Transplante Renal do HC, Elias David Neto, afirmou que o setor, tamb\u00e9m transferido para o Incor, teve que suspender as atividades porque &#8220;quase 100%&#8221; dos pacientes internados contra\u00edram coronav\u00edrus. A\u00a0<strong>Folha<\/strong>\u00a0questionou o HC sobre a paralisa\u00e7\u00e3o e seu impacto, mas n\u00e3o teve resposta.<\/p>\n<p>Para o restante do ano, os especialistas afirmam que h\u00e1 poucas chances de alcan\u00e7ar o ritmo de anos anteriores. Um ponto que pode ajudar na retomada, segundo o presidente da ABTO, \u00e9 o aumento dos leitos de UTI pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Teremos mais UTI, mais respiradores, e eles podem atender a demanda que j\u00e1 existia antes da pandemia. Estamos apostando muito que, a partir de setembro, com a retomada das atividades, vamos melhorar, mas n\u00e3o sei se vamos conseguir chegar ao n\u00edvel do ano passado.&#8221;<\/p>\n<p>Monteiro, coordenador dos transplantes de SP, concorda: &#8220;Agora, com a flexibiliza\u00e7\u00e3o das restri\u00e7\u00f5es, conseguimos respirar um pouco mais, mas j\u00e1 passamos por maus len\u00e7\u00f3is. Estamos relaxados, mas n\u00e3o d\u00e1 para baixar a guarda.&#8221;<\/p>\n<p>A retomada das equipes, especialmente das Cihdott, al\u00e9m da conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, com a ajuda da campanha Setembro Verde, podem ser fatores que ajudem nesta quest\u00e3o.<\/p>\n<p>A retomada das equipes, especialmente das Cihdott, pode ajudar nesta quest\u00e3o. H\u00e1 tamb\u00e9m a campanha Setembro Verde, que incentiva a ampliar a conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre o tema.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade afirmou, por nota, que os transplantes est\u00e3o sendo retomados \u201cgradativamente\u201d, mas n\u00e3o especificou quais medidas ser\u00e3o tomadas para mitigar o impacto da pandemia nos procedimentos.<\/p>\n<p>Quando Ariadne Meneguzzo, 37, saiu do hospital, ap\u00f3s receber um transplante de rim, precisou se isolar para fugir do coronav\u00edrus. Os cuidados precisaram ser redobrados devido aos rem\u00e9dios que toma para n\u00e3o rejeitar o \u00f3rg\u00e3o e deprimem seu sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>\u201cFiquei com muito medo porque o meu primeiro pensamento foi que eu esperei tanto pelo rim e ele chega no meio da pandemia. O que ser\u00e1 que vai acontecer?\u201d At\u00e9 o transplante, foram tr\u00eas anos de hemodi\u00e1lise em raz\u00e3o de uma insufici\u00eancia renal cr\u00f4nica. \u201cA sensa\u00e7\u00e3o era de que eu recebi a vida, mas ainda estava amea\u00e7ada de algu\u00e9m me tirar.\u201d<\/p>\n<p>Seis meses depois, a rotina de Ariadne segue restrita, mas come\u00e7a a dar sinais de alguma liberdade: j\u00e1 pode ir a consultas presenciais e ao laborat\u00f3rio fazer exames. Mas sempre de m\u00e1scara, \u00e1lcool em gel e todos os protocolos.<\/p>\n<p>Do outro lado est\u00e1 Rochelle Benites, 43. H\u00e1 tr\u00eas anos, ela depende de suplementa\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio 24 horas por dia para conseguir respirar e sobreviver. Para se curar de uma doen\u00e7a autoimune que lhe causou fibrose pulmonar, precisa de um par de novos pulm\u00f5es.<\/p>\n<p>Convivendo com o cansa\u00e7o, as limita\u00e7\u00f5es e a falta de ar decorrente de m\u00ednimos esfor\u00e7os, ela agora passou a se preocupar tamb\u00e9m com a Covid-19. \u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o muito complicada, porque o n\u00famero de doa\u00e7\u00f5es diminuiu muito.\u201d<\/p>\n<p>Enquanto aguarda o transplante, ela espera que aumente a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de ser doador: \u201cUm \u2018sim\u2019 salva a vida de muitas pessoas.\u201d<\/p>\n<p>Para ser um doador, basta conversar com a fam\u00edlia sobre o desejo e deixar claro que devem autorizar a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os, conforme a legisla\u00e7\u00e3o brasileira. Os \u00f3rg\u00e3os v\u00e3o para pacientes que est\u00e3o aguardando em lista \u00fanica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP O Brasil realizou, entre abril e junho deste ano, menos da metade dos\u00a0transplantes de \u00f3rg\u00e3os e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-10683","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10683","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10683"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10683\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10685,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10683\/revisions\/10685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}