{"id":10534,"date":"2020-08-17T10:54:54","date_gmt":"2020-08-17T10:54:54","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=10534"},"modified":"2020-08-17T10:54:54","modified_gmt":"2020-08-17T10:54:54","slug":"o-antigo-normal-referencia-de-tratamento-para-a-covid-19-hospital-volta-a-atender-outras-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/08\/o-antigo-normal-referencia-de-tratamento-para-a-covid-19-hospital-volta-a-atender-outras-doencas\/","title":{"rendered":"O &#8216;antigo normal&#8217;: Refer\u00eancia de tratamento para a Covid-19, hospital volta a atender outras doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>O cora\u00e7\u00e3o da nova normalidade pulsa em filas paralelas e distantes. Elas separam os pacientes com suspeita de Covid-19 daqueles com c\u00e2ncer, cardiopatias e outras tantas das 41 especialidades m\u00e9dicas que o Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto (Hupe), da Uerj, atende. Nos piores meses da pandemia, a institui\u00e7\u00e3o recebeu, pelo SUS, alguns dos casos mais graves do Estado do Rio. Agora, o Hupe se esfor\u00e7a para retomar o tratamento de outras doen\u00e7as, sem deixar a linha de frente do combate ao coronav\u00edrus. \u00c9 mais um desafio trazido pela pandemia, que tem nesse hospital um microcosmo do que acontece em unidades de sa\u00fade pa\u00eds afora.<\/p>\n<p>\u2014 Entramos numa rotina in\u00e9dita; o n\u00famero de casos diminuiu, mas o coronav\u00edrus n\u00e3o desapareceu. Sabemos que podemos ter mais pacientes de Covid-19 e, por isso, vamos manter ambientes isolados por tempo indeterminado \u2014 informa o diretor do Hupe, Ronaldo Dami\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o de pacientes<\/strong><\/p>\n<p>De mar\u00e7o a meados de julho, o hospital se dedicou quase que exclusivamente \u00e0 Covid-19. Atendeu 789 pacientes graves, dos quais 569 tiveram alta e 220 morreram. A unidade ainda cuida de 33, parte deles vinda do hospital de campanha do Maracan\u00e3, que foi desmontado. A ideia \u00e9 manter 25 leitos (sendo dez de UTI) para o tratamento de infectados pelo coronav\u00edrus, diz o diretor m\u00e9dico, Rui Figueiredo.<\/p>\n<p>Antes da pandemia, o Hupe recebia entre 800 e mil pessoas por dia no maior servi\u00e7o de ambulat\u00f3rio da Am\u00e9rica Latina, e tinha uma m\u00e9dia de interna\u00e7\u00e3o de 380 a 400 pacientes. Hoje, o volume de atendimentos ambulatoriais volta a se aproximar do antigo patamar, e a quantidade di\u00e1ria de interna\u00e7\u00f5es chega a 345, n\u00famero que n\u00e3o abrange casos de Covid-19. Somente na quinta-feira passada foram realizadas 52 cirurgias, de h\u00e9rnias a enxertos. Vida que segue numa nova realidade.<\/p>\n<p>\u2014 A reabertura est\u00e1 sendo mais dif\u00edcil do que a fase de reestrutura\u00e7\u00e3o para a pandemia. Em mar\u00e7o, agimos em meio ao desespero, mas tivemos muita ajuda da sociedade civil \u2014 destaca Figueiredo.<\/p>\n<p><strong>Volta dos transplantes<\/strong><\/p>\n<p>Como outros hospitais, o Hupe come\u00e7a a receber uma enxurrada de pacientes com variadas doen\u00e7as, uma demanda represada nos \u00faltimos meses devido ao medo da popula\u00e7\u00e3o de se contaminar no hospital e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do atendimento convencional. Muitos pacientes de c\u00e2ncer, insufici\u00eancia card\u00edaca e diabetes, por exemplo, interromperam o tratamento por conta pr\u00f3pria, temendo o coronav\u00edrus. Agora, lidam com o agravamento de seus quadros cl\u00ednicos.<\/p>\n<p>A reabertura come\u00e7ou h\u00e1 dez dias, e, na quinta-feira, foi realizado um transplante de rim \u2014 o quarto desde a retomada do atendimento a todas as especialidades. O primeiro transplantado \u00e9 um adolescente de 15 anos. Ele recebeu um \u00f3rg\u00e3o de um menino de 3 anos, v\u00edtima do engavetamento de 22 carros que matou oito pessoas no Paran\u00e1, domingo passado. Ronaldo Dami\u00e3o diz que, em breve, ser\u00e3o retomados os transplantes de c\u00f3rnea e cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o diretor, h\u00e1 cirurgias que, no Rio, s\u00e3o realizadas apenas no Hupe. \u00c9 o caso de tumores renais com met\u00e1stase no cora\u00e7\u00e3o. A UTI neonatal \u00e9 a \u00fanica do SUS na cidade. Um rob\u00f4 cirurgi\u00e3o, conta Dami\u00e3o, j\u00e1 est\u00e1 de volta \u00e0 ativa.<\/p>\n<p>Mas os velhos problemas voltaram todos de uma vez, lamenta ele. Modernizar o sistema de preven\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios e readequar a compra de medicamentos e insumos para tudo que n\u00e3o \u00e9 Covid-19 est\u00e3o entre as prioridades. E h\u00e1 as novas necessidades, como o estabelecimento de protocolos que permitam a \u201cconviv\u00eancia segura\u201d da Covid-19 com outras doen\u00e7as. No centro cir\u00fargico, cada funcion\u00e1rio gasta oito Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual (EPIs) por dia. Cada vez que algum deles sai do local, todo o EPI precisa ser trocado.<\/p>\n<p><strong>Ampla testagem<\/strong><\/p>\n<p>O hospital testa todos os pacientes que interna, seja qual for sua doen\u00e7a. Quando o resultado d\u00e1 positivo para Covid-19, o tratamento acontece num setor isolado. Os profissionais de sa\u00fade tamb\u00e9m s\u00e3o testados. Nas \u00faltimas tr\u00eas semanas, segundo Figueiredo, o percentual de positivos e inconclusivos foi de 3,5% em pessoas que seriam internadas. Em abril, chegou a quase 100% entre os pacientes testados na amostragem da Policl\u00ednica Piquet Carneiro, tamb\u00e9m da Uerj.<\/p>\n<p>Figueiredo lembra que maio trouxe o caos. Num \u00fanico dia, chegaram 17 ambul\u00e2ncias de uma s\u00f3 vez, todas com pacientes extremamente graves. O Hupe n\u00e3o tem emerg\u00eancia, mas pessoas iam \u00e0 unidade passando mal e se aglomeravam numa tenda de triagem. Eram atendidas e os m\u00e9dicos contavam o n\u00famero de leitos na esperan\u00e7a de abrir um, que n\u00e3o fosse por \u00f3bito.<\/p>\n<p>\u2014 Os casos agravavam rapidamente. Foi assustador. Mas aprendemos como tratar melhor a Covid-19 \u2014 frisa Figueiredo.<\/p>\n<p>Na \u00faltima quarta-feira, apenas uma pessoa buscou a tenda. No dia seguinte, nenhuma. A t\u00e9cnica de enfermagem Luciv\u00e2nia Santos, que trabalha na triagem, aguardava sozinha por pacientes, diante de 20 cadeiras vazias.<\/p>\n<p>\u2014 Houve dias em que isso aqui ficava cheio de gente com falta de ar, era um pesadelo. Em junho, come\u00e7ou a esvaziar \u2014 lembra ela.<\/p>\n<p>Hoje, quem est\u00e1 com a vida atribulada \u00e9 Nelson Santiago, controlador da triagem de casos que n\u00e3o s\u00e3o de Covid-19. Com um term\u00f4metro em cada m\u00e3o para agilizar o atendimento, ele orienta os pacientes de uma fila que se estende pelo quarteir\u00e3o do hospital.<\/p>\n<p>\u2014 Tem muita gente chegando, n\u00e3o d\u00e1 nem para piscar aqui \u2014 afirma Santiago.<\/p>\n<p><strong>Interna\u00e7\u00f5es: um mergulho na solid\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>No segundo pavimento do Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto, corredores que at\u00e9 junho estavam tomados por um vaiv\u00e9m de profissionais de sa\u00fade, em permanente urg\u00eancia, est\u00e3o silenciosos, quase vazios. Mas cartazes colados nas portas alertam que aquela \u00e9 uma \u00e1rea contaminada.<\/p>\n<p>No andar, est\u00e3o unidades de tratamento da Covid-19. Os casos de homens, mulheres e crian\u00e7as internados ali evidenciam toda a gravidade da pandemia.<\/p>\n<p>Um maqueiro, que procura um paciente para um exame, precisa colocar o EPI completo ao entrar numa enfermaria \u2014 \u00e9 regra e rotina. L\u00e1 dentro, quem o espera \u00e9 Edson de Andrade, de 62 anos. Andrade n\u00e3o entende por que logo ele, que nem pensava estar t\u00e3o mal, precisou ser internado \u00e0s pressas em 27 de julho, \u00e9poca em que tanta gente j\u00e1 tinha voltado para as ruas, os shoppings e as igrejas. Ao ser hospitalizado, sentia cansa\u00e7o \u201cpor nada\u201d. Como muitos pacientes com a Covid-19, Andrade preocupa os m\u00e9dicos pelo risco de trombose.<\/p>\n<p>\u2014 Quero ir embora. O mundo est\u00e1 l\u00e1 fora e eu continuo aqui. Esse isolamento d\u00f3i mais que qualquer coisa. \u00c9 a pior parte disso tudo. Voc\u00ea se sente arrancado da vida \u2014 lamenta ele.<\/p>\n<p>O coronav\u00edrus fez Andrade deixar sua casa e submergir na solid\u00e3o. Um cartaz colado no vidro da enfermaria deixa clara sua situa\u00e7\u00e3o: \u201cCovid-19. Precau\u00e7\u00e3o de contato\u201d.<\/p>\n<p>E, por mais estranho que possa parecer, o isolamento acaba unindo um homem deitado im\u00f3vel, sem for\u00e7as at\u00e9 para abrir os olhos, e uma mulher que, internada a alguns metros dele, j\u00e1 se sente bem o suficiente para escovar os dentes sozinha.<\/p>\n<p><strong>Saudade de casa<\/strong><\/p>\n<p>Na UTI do Pedro Ernesto, pacientes s\u00e3o tratados da complexa mistura de acometimentos, dos pulm\u00f5es ao c\u00e9rebro, que caracteriza os casos mais graves de Covid-19. Ap\u00f3s idas e vindas ali e quase um m\u00eas e meio no respirador, Genilda Santos, de 49 anos, ainda n\u00e3o tem previs\u00e3o de alta. Ela desenvolveu trombose venosa profunda e \u00falceras na pele, que parecem ser mais graves nos pacientes com coronav\u00edrus, explica M\u00e1rcia Ladeira, uma das coordenadoras do Hupe e professora de cl\u00ednica m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Genilda se perdeu no tempo:<\/p>\n<p>\u2014 J\u00e1 nem sei mais quando cheguei aqui. N\u00e3o queria muito, n\u00e3o. Sinto falta de almo\u00e7ar na mesa, ver TV no sof\u00e1 da sala. Queria poder lavar a lou\u00e7a e apagar a luz antes de dormir.<\/p>\n<p>M\u00e1rcia Ladeira frisa que, por mais que o n\u00famero de novos casos de Covid-19 esteja diminuindo, pacientes graves continuam chegando, ao mesmo tempo em que outros enfrentam uma dura e longa recupera\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2014 O desafio continua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo O cora\u00e7\u00e3o da nova normalidade pulsa em filas paralelas e distantes. 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