{"id":10500,"date":"2020-08-10T10:58:16","date_gmt":"2020-08-10T10:58:16","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=10500"},"modified":"2020-08-10T10:58:16","modified_gmt":"2020-08-10T10:58:16","slug":"sem-doses-para-todos-definicao-de-criterio-para-vacinacao-contra-covid-19-gera-debate-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/08\/sem-doses-para-todos-definicao-de-criterio-para-vacinacao-contra-covid-19-gera-debate-no-brasil\/","title":{"rendered":"Sem doses para todos: defini\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rio para vacina\u00e7\u00e3o contra Covid-19 gera debate no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Sem a perspectiva de imunizar toda a popula\u00e7\u00e3o de uma vez s\u00f3, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade j\u00e1 discute crit\u00e9rios para priorizar determinados grupos numa eventual vacina contra a Covid-19. Especialistas apontam que, para essa decis\u00e3o ser tomada, \u00e9 preciso considerar que pessoas com mais risco devem estar no come\u00e7o da fila. Essa estrat\u00e9gia, por\u00e9m, diverge da divulgada pelo governo nesta semana.<\/p>\n<p>Segundo o secret\u00e1rio de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Arnaldo Medeiros, o\u00a0governo usar\u00e1 a mesma ordem de vacina\u00e7\u00e3o da gripe causada pelo v\u00edrus Influenza. No entanto, os grupos de risco das duas doen\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o completamente id\u00eanticos.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 um absurdo as poss\u00edveis vacinas contra Sars-Cov-2 seguirem a mesma l\u00f3gica de vacina\u00e7\u00e3o da Influenza. \u00c9 um erro. Doen\u00e7as diferentes requerem estrat\u00e9gias diferentes. Na estrat\u00e9gia contra Influenza, as crian\u00e7as est\u00e3o entre os grupos priorit\u00e1rios, o que \u00e9 diferente da Covid-19 \u2014 avalia Fernando Hellmann, doutor em sa\u00fade coletiva e pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina. \u2014 Quando a vacina chegar, ela deve ser dada para que se restabele\u00e7a a igualdade de oportunidades em sobreviver \u00e0 Covid-19 entre todos brasileiros. A gente sabe que ela mata mais a popula\u00e7\u00e3o idosa, doentes cr\u00f4nicos, ind\u00edgenas, negros e pobres. E por isso eles devem ser a prioridade.<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o dos grupos priorit\u00e1rios para a vacina\u00e7\u00e3o da Influenza foi feita em 2010 para o combate da pandemia que surgiu em 2009 e atingiu o mundo numa escala muito menor do que a Covid-19.<\/p>\n<p>\u2014 Para definir os grupos priorit\u00e1rios, reunimos um comit\u00ea de especialistas. Hoje tem projeto de lei para decidir essa ordem. Isso \u00e9 um absurdo. \u00c9 a demonstra\u00e7\u00e3o da falta de lideran\u00e7a do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade na pandemia. Essa \u00e9 uma decis\u00e3o do Executivo, amparado por cientistas \u2014 afirma Jos\u00e9 Gomes Tempor\u00e3o, ministro da Sa\u00fade \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>O projeto de lei que tramita no Congresso \u00e9 do deputado Wolney Queiroz (PDT-PE), que pretende estabelecer procedimentos e ordem de prioridade para vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19. A ordem de prioridade seria: profissionais da sa\u00fade; idosos com mais de 60 anos; pessoas com comorbidades; profissionais da educa\u00e7\u00e3o; atendentes de p\u00fablico em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e empresas privadas; jornalistas; e, por fim, pessoas saud\u00e1veis de idade inferior a 60 anos.<\/p>\n<p>Ricardo Gazzinelli, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, avalia que a classifica\u00e7\u00e3o de grupos priorit\u00e1rios tamb\u00e9m deveria ser combinada com uma hierarquia de \u00e1reas em que as epidemias estejam fora de controle.<\/p>\n<p>\u2014 Dependendo da disponibilidade da vacina, tamb\u00e9m ser\u00e1 preciso determinar as regi\u00f5es com mais transmiss\u00e3o e casos graves \u2014 afirma o especialista.<\/p>\n<p>Outro grupo que dever\u00e1 receber logo na primeira leva s\u00e3o os volunt\u00e1rios que se disponibilizaram a testar a vacina e receberam placebo. Segundo Hellmann, isso faz parte dos compromissos \u00e9ticos de qualquer pesquisa do tipo.<\/p>\n<p><strong>Escassez de recursos<\/strong><\/p>\n<p>A aposta do governo federal \u00e9 a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, do Reino Unido, com a farmac\u00eautica AstraZeneca. Ainda n\u00e3o h\u00e1 a confirma\u00e7\u00e3o de que ela protege contra o v\u00edrus. Caso seja comprovada sua efic\u00e1cia no tempo planejado, a previs\u00e3o \u00e9 de que as primeiras 15 milh\u00f5es das 100 milh\u00f5es de doses sejam disponibilizadas em janeiro de 2021. J\u00e1 o governo de S\u00e3o Paulo investe, atrav\u00e9s do Instituto Butantan, na tentativa de vacina da chinesa Sinovac. A distribui\u00e7\u00e3o de 120 milh\u00f5es de doses tamb\u00e9m ficar\u00e1 a cargo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u2014 A escassez de vacinas \u00e9 uma realidade mundial. Nenhuma estrutura fabril \u00e9 capaz de construir o que precisa para imunizar todo mundo de uma vez s\u00f3 \u2014 analisa Fl\u00e1vio Guimar\u00e3es da Fonseca, virologista do Centro de Tecnologia de Vacinas (CT Vacinas) e pesquisador do Departamento de Microbiologia da UFMG.<\/p>\n<p>Falta de recursos m\u00e9dicos n\u00e3o \u00e9 novidade na rotina hospitalar. Nesta pandemia, o mundo se chocou com relatos de m\u00e9dicos italianos que precisavam escolher quem viveria e quem morreria, j\u00e1 que n\u00e3o havia respiradores para todos. No Brasil, estados como Amazonas e Cear\u00e1 viveram situa\u00e7\u00f5es semelhantes.<\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria mundial, um marco da bio\u00e9tica \u00e9 a inven\u00e7\u00e3o da hemodi\u00e1lise, nos EUA da d\u00e9cada de 1960. Um comit\u00ea foi formado para decidir quem receberia primeiro esse tratamento.<\/p>\n<p>\u2014 Quem cuidava da sa\u00fade tamb\u00e9m teria prioridade sobre pessoas fumantes, por exemplo, ou que n\u00e3o tinham pr\u00e1ticas t\u00e3o saud\u00e1veis \u2014 lembra Hellmann, da UFSC. \u2014\u00a0 A decis\u00e3o de aloca\u00e7\u00e3o de recursos \u00e9 um problema que v\u00e1rios gestores no Brasil j\u00e1 precisam enfrentar por causa dos recursos escassos.<\/p>\n<p>O debate de prioriza\u00e7\u00e3o de vacinas come\u00e7ou em 2003, com a epidemia da Sars, e se aprofundou em 2009 porque a demanda era bem maior que a oferta, diz Alexandre Navarro, diretor assistente do Centro de Hist\u00f3ria da Medicina da Universidade de Michigan.<\/p>\n<p>\u2014 A partir dali, bioeticistas passaram a repensar estrat\u00e9gias para distribui\u00e7\u00e3o equitativa de vacinas para novas cepas de doen\u00e7as durante grandes surtos \u2014 explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Especialista em hist\u00f3ria das epidemias na Bahia do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia da Bahia (IFBA), Christiane Maria Cruz de Souza conta que nem sempre as escolhas de grupos a serem vacinados no Brasil foram baseadas em crit\u00e9rios \u00e9ticos.<\/p>\n<p>\u2014 Entre o final do s\u00e9culo XIX e o in\u00edcio do XX, a distribui\u00e7\u00e3o da vacina contra a var\u00edola era limitada porque obedecia a determinados interesses de grupos. Os jornais da \u00e9poca denunciavam situa\u00e7\u00f5es em que a pessoa encarregada de vacinar s\u00f3 vacinou as pessoas do seu c\u00edrculo \u2014 conta. \u2014 N\u00e3o havia produ\u00e7\u00e3o em larga escala, como se v\u00ea hoje. Faltava tamb\u00e9m, em alguns lugares, m\u00e9dicos para faz\u00ea-lo, ent\u00e3o a vacina era aplicada pelo &#8220;coronel&#8221;, ou pelo engenheiro, ou pela professora, enfim, pela pessoa mais graduada do lugar.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o de prioriza\u00e7\u00e3o dos grupos a receberem as vacinas j\u00e1 acontece em diversos partes do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o debate \u00e9 feito no Comit\u00ea Consultivo para Pr\u00e1ticas de Imuniza\u00e7\u00e3o, do Centros de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC), e por especialistas em \u00e9tica e vacinas da Academia Nacional de Medicina.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (Opas), a OMS tamb\u00e9m est\u00e1 trabalhando em uma proposta com o Estados Membros.<\/p>\n<p><strong>Imunidade de rebanho<\/strong><\/p>\n<p>Com as 100 milh\u00f5es de vacinas produzidas na primeira etapa, o Brasil n\u00e3o atinge a imunidade de rebanho, segundo M\u00e1rcio Sommer Bittencourt, m\u00e9dico e pesquisador do Hospital Universit\u00e1rio da USP.<\/p>\n<p>\u2014 Se precisar de duas doses, como parece ser o caso, essa quantidade imuniza perto de 50 milh\u00f5es de pessoas (porque nem todos v\u00e3o tomar as duas doses). Isso \u00e9 um quarto da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o imagino que atingiremos a imunidade de rebanho nesse patamar, j\u00e1 que n\u00e3o sabem se quem pegou precisar\u00e1 tomar tamb\u00e9m \u2014 explica.<\/p>\n<p>Segundo ele, a quantidade de popula\u00e7\u00e3o imunizada para chegar a este patamar \u2014 e, assim, evitar grandes surtos \u2014 depende da efic\u00e1cia da vacina.<\/p>\n<p>\u2014 Algumas pessoas podem n\u00e3o desenvolver a resposta imunol\u00f3gica. Por exemplo, vacina de gripe \u00e9 50% eficaz. Ou seja, s\u00f3 metade dos que tomam criam resposta imunol\u00f3gica \u2014 diz. \u2014 Mas, mesmo quando chegar a imunidade de rebanho, \u00e9 preciso seguir vacinando at\u00e9 que todos estejam imunizados.<\/p>\n<p>Segundo o secret\u00e1rio de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade, Arnaldo Medeiros, o pa\u00eds continuar\u00e1 produzindo vacina ap\u00f3s as primeiras cem milh\u00f5es de doses e, de acordo com ele, \u201cexiste a possibilidade concreta de que a popula\u00e7\u00e3o brasileira possa ser efetivamente vacinada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Sem a perspectiva de imunizar toda a popula\u00e7\u00e3o de uma vez s\u00f3, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade j\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-10500","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10500"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10500\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10503,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10500\/revisions\/10503"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}