{"id":10325,"date":"2020-07-03T17:02:52","date_gmt":"2020-07-03T17:02:52","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=10325"},"modified":"2020-07-03T17:02:52","modified_gmt":"2020-07-03T17:02:52","slug":"estudo-analisa-a-saude-mental-dos-profissionais-em-ambiente-hospitalar-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/07\/estudo-analisa-a-saude-mental-dos-profissionais-em-ambiente-hospitalar-durante-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Estudo analisa a sa\u00fade mental dos profissionais em ambiente hospitalar durante a pandemia"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Faperj<\/p>\n<p>A pandemia causada pelo novo coronav\u00edrus imp\u00f4s mudan\u00e7as \u00e0 rotina de toda a popula\u00e7\u00e3o, gerando uma onda de dist\u00farbios psicol\u00f3gicos associados ao estresse, como depress\u00e3o e ansiedade. No m\u00eas de mar\u00e7o, cerca de 2,6 bilh\u00f5es de pessoas em todo o mundo entraram em quarentena \u2014 o equivalente a aproximadamente um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o global. At\u00e9 o momento, estima-se que houve 60.713 \u00f3bitos apenas no Brasil, segundo boletim divulgado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade nesta quarta-feira, 1\u00ba de julho, fora os casos subnotificados. Para os profissionais da \u00e1rea de Sa\u00fade, que est\u00e3o na linha de frente do combate \u00e0 Covid-19, os impactos psicol\u00f3gicos podem ser ainda mais graves. Com o objetivo de analisar a ocorr\u00eancia e predisposi\u00e7\u00e3o desse grupo a desenvolver o transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, um grupo de pesquisa multidisciplinar coordenado pelas neurocientistas Leticia Oliveira e Mirtes Pereira, ambas da Universidade Federal Fluminense (UFF), est\u00e1 avaliando a sa\u00fade mental dos trabalhadores de hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de todo o Pa\u00eds, no projeto PSIcovidA (<a href=\"http:\/\/www.psicovida.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.psicovida.org<\/a>).<\/p>\n<p>O contexto atual \u00e9 especialmente dif\u00edcil para os profissionais que lidam diretamente com a doen\u00e7a em ambiente hospitalar. \u201cO testemunho de diversas mortes em um curto espa\u00e7o de tempo, a dificuldade de acesso a Equipamentos para Prote\u00e7\u00e3o Individual (EPIs), o medo de contamina\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus e de sua transmiss\u00e3o aos familiares, o isolamento e o trabalho exaustivo fazem com que a sa\u00fade mental destes profissionais possa ser abalada de maneira grave e definitiva\u201d, contextualiza Leticia. \u201cEsse projeto de pesquisa prop\u00f5e investigar, inicialmente por meio de um question\u00e1rio dispon\u00edvel no site do projeto, a sa\u00fade mental dos profissionais que trabalham no ambiente hospitalar e nas UPAs, desde m\u00e9dicos, enfermeiros e t\u00e9cnicos, incluindo outras categorias, como recepcionistas e prestadores de servi\u00e7o que vivem a rotina hospitalar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A partir da coleta de dados, a equipe do projeto \u2014 formada por neurocientistas, psiquiatras, epidemiologistas e psic\u00f3logos \u2014 espera gerar evid\u00eancias cient\u00edficas para auxiliar os gestores p\u00fablicos na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o e acompanhamento da sa\u00fade mental dos profissionais de Sa\u00fade. \u201cPrecisamos elaborar pol\u00edticas p\u00fablicas que minimizem o sofrimento e reduzam o desenvolvimento de patologias graves nesse grupo de profissionais, especialmente o transtorno do estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. Para isso, \u00e9 importante termos um embasamento cient\u00edfico da situa\u00e7\u00e3o\u201d, justificou Mirtes, que coordena junto com as professoras Leticia e Isabel David o Laborat\u00f3rio de Neurofisiologia do Comportamento (Labnec), do Instituto Biom\u00e9dico da UFF. As tr\u00eas pesquisadoras receberam apoio da FAPERJ para a realiza\u00e7\u00e3o de suas pesquisas por meio do programa\u00a0<em>Cientista do Nosso Estado<\/em>.<\/p>\n<p>O trabalho envolve uma colabora\u00e7\u00e3o entre pesquisadores da UFF, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Antes da pandemia, o grupo j\u00e1 vinha h\u00e1 alguns anos trabalhando com a investiga\u00e7\u00e3o dos sintomas do transtorno do estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico em decorr\u00eancia de outras circunst\u00e2ncias, como a viol\u00eancia urbana. \u201cEsse transtorno pode ter como comorbidade a depress\u00e3o, mas ele \u00e9 diferente. Trata-se de uma doen\u00e7a psiqui\u00e1trica considerada uma sequela importante em pessoas expostas a situa\u00e7\u00f5es de risco de vida, viol\u00eancia f\u00edsica ou sexual\u201d, explicou o psiquiatra William Berger, coordenador na P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Psiquiatria e Sa\u00fade Mental do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Ipub).<\/p>\n<p>De acordo com Berger, o transtorno do estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico tem quatro grupos de sintomas: a Reviv\u00eancia (a pessoa tem\u00a0<em>flashbacks<\/em>\u00a0da situa\u00e7\u00e3o que gerou trauma); o Comportamento evitativo (o paciente n\u00e3o consegue voltar ao local onde ocorreu a situa\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o e, no caso do profissional de sa\u00fade que sofre dessa doen\u00e7a durante a pandemia, ele n\u00e3o consegue voltar ao hospital, apresentando sintomas f\u00edsicos como tremores e ang\u00fastia quando se aproxima do local de trabalho); as Cogni\u00e7\u00f5es negativas (s\u00e3o o sentimento de culpa pelo fato ocorrido e, no caso, o profissional de Sa\u00fade se culpa porque perdeu um paciente com Covid-19); e a Hiperexcitabilidade (epis\u00f3dios de raiva intensa, preocupa\u00e7\u00e3o, ins\u00f4nia, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e hipervigil\u00e2ncia, nos quais a pessoa apresenta uma resposta de sobressalto exagerada, tem sintomas de noradrenalina no corpo o tempo todo, como se estivesse sempre reagindo a uma situa\u00e7\u00e3o de perigo).<\/p>\n<p>Leticia explica que nem todas as pessoas submetidas a situa\u00e7\u00f5es traum\u00e1ticas v\u00e3o desenvolver esse transtorno, mas que \u00e9 importante conhecer os fatores que favorecem o seu desenvolvimento e tamb\u00e9m os fatores que podem contribuir para que elas n\u00e3o desenvolvam essa doen\u00e7a psiqui\u00e1trica. \u201cSabemos que, entre as pessoas que passam por situa\u00e7\u00f5es de trauma, cerca de 10% desenvolve esse transtorno. A pesquisa vai ajudar a entendermos, dentro da realidade dos profissionais de Sa\u00fade, qual a m\u00e9dia daqueles que a desenvolvem e que fatores geram mais vulnerabilidade ou n\u00e3o. Como o isolamento social, vivido mais intensamente pelos profissionais de Sa\u00fade, que j\u00e1 trabalham em longas escalas de plant\u00e3o, por exemplo, pode ser uma vari\u00e1vel que se relaciona ao desenvolvimento do transtorno? Ou ainda, as pessoas que apresentam imobilidade t\u00f4nica, ou seja, que ficam com o corpo literalmente paralisado, sem a\u00e7\u00e3o, diante de uma situa\u00e7\u00e3o de risco, t\u00eam mais propens\u00e3o a desenvolver o transtorno? Verificaremos essas e outras vari\u00e1veis\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Um dado que refor\u00e7a a import\u00e2ncia do estudo \u00e9 a experi\u00eancia chinesa durante a pandemia. \u201cEm diversos estudos publicados por pesquisadores chineses, divulgou-se que 70% dos profissionais de Sa\u00fade em atividade na China durante a pandemia apresentaram sintomas compat\u00edveis aos do transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico. No Brasil, ainda n\u00e3o temos conhecimento dessa estat\u00edstica\u201d, justificou Berger. \u201cEstamos passando por uma situa\u00e7\u00e3o nova na hist\u00f3ria da humanidade. Mesmo ap\u00f3s o fim da pandemia de coronav\u00edrus, ainda teremos uma epidemia paralela de doen\u00e7as mentais, n\u00e3o s\u00f3 pela inseguran\u00e7a de adquirir a doen\u00e7a, mas pela perda de amigos, familiares e efeitos da quarentena. Essa pesquisa vai gerar indicadores de como isso est\u00e1 afetando a popula\u00e7\u00e3o que lida diretamente com pacientes com Covid-19 e que medidas devem ser tomadas de sa\u00fade p\u00fablica, suporte farmacol\u00f3gico e atendimento psicoter\u00e1pico, agindo tamb\u00e9m de maneira preventiva\u201d, completou Mirtes.<\/p>\n<p>O projeto \u00e9 tema da tese de doutorado em desenvolvimento por Camila Gama, orientanda de Leticia e Mirtes na UFF. Tamb\u00e9m participam do grupo: o psiquiatra Mauro Mendlowicz, professor da UFF; a professora Eliane Volchan, chefe do Laborat\u00f3rio de Neurobiologia do Instituto de Biof\u00edsica Carlos Chagas Filho da UFRJ (IBCCF) e membro do Laborat\u00f3rio Integrado de Pesquisa do Estresse (Linpes\/UFRJ) do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Ipub); o professor Ivan Figueira, da Faculdade de Medicina da UFRJ; a m\u00e9dica Mariana da Luz, assistente e preceptora da resid\u00eancia m\u00e9dica da UFRJ; a m\u00e9dica psiquiatra Liliane Vilete, da UFRJ; F\u00e1tima Erthal, coordenadora do Programa de Neurobiologia do IBCCF\/UFRJ; a professora Izabela Mocaiber, da UFF, campus Rio das Ostras; a professora Gabriela Souza, do Departamento de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas na Ufop; a professora Roberta Benitez, da UniRio; Liana Portugal, bolsista pelo programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (Fisiologia\/Farmacologia) e Honorary Research Associate na University College London; a p\u00f3s-doutoranda Raquel Gon\u00e7alves, do Laborat\u00f3rio de Neurofisiologia do Comportamento da UFF; a psic\u00f3loga Camila Gama, doutoranda do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Neurologia e Neuroci\u00eancia do Hospital Universit\u00e1rio Ant\u00f4nio Pedro \u2013 Huap\/UFF); a graduanda em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas (Bacharelado) pela UFF Emmanuele Santos e o bolsista de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica S\u00e9rgio de Souza J\u00fanior, graduando em Psicologia pela Faculdades Integradas Maria Thereza (Famath).<\/p>\n<p>Pessoas que trabalham em ambiente hospitalar ou UPAs, independentemente da atividade que exer\u00e7am, e estejam interessadas em contribuir com informa\u00e7\u00f5es para o\u00a0projeto, podem preencher o formul\u00e1rio, dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"https:\/\/forms.gle\/wesSw2PQSwFMc3Zv7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Faperj A pandemia causada pelo novo coronav\u00edrus imp\u00f4s mudan\u00e7as \u00e0 rotina de toda a popula\u00e7\u00e3o, gerando uma onda de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-10325","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10325","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10325"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10325\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10328,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10325\/revisions\/10328"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}