{"id":10297,"date":"2020-06-29T10:34:50","date_gmt":"2020-06-29T10:34:50","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=10297"},"modified":"2020-06-29T10:34:50","modified_gmt":"2020-06-29T10:34:50","slug":"assumimos-um-risco-para-ter-a-vacina-no-brasil-diz-presidente-da-fiocruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/06\/assumimos-um-risco-para-ter-a-vacina-no-brasil-diz-presidente-da-fiocruz\/","title":{"rendered":"\u2018Assumimos um risco para ter a vacina no Brasil\u2019, diz presidente da Fiocruz"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>Otimista, mas cautelosa. A soci\u00f3loga N\u00edsia Trindade Lima comemora a futura\u00a0produ\u00e7\u00e3o de vacinas contra a Covid-19,\u00a0que est\u00e3o sendo desenvolvidas pela Universidade de Oxford, na Bio-Manguinhos, laborat\u00f3rio da Fiocruz, institui\u00e7\u00e3o presidida por ela. Trata-se de um investimento de R$ 693,4 milh\u00f5es, e n\u00e3o h\u00e1 garantias de que o produto ser\u00e1 eficaz. N\u00edsia, por\u00e9m, defende a parceria, destacando a import\u00e2ncia da transfer\u00eancia de tecnologia, que pode contribuir at\u00e9 para o pa\u00eds superar outras enfermidades, como a gripe H1N1.<\/p>\n<p>Em entrevista ao GLOBO, a presidente da Fiocruz indica a necessidade de investimento no sistema de sa\u00fade p\u00fablico e de organiza\u00e7\u00e3o das campanhas de vacina\u00e7\u00e3o. Convoca munic\u00edpios, estados e governo federal a atuarem juntos no combate \u00e0 Covid-19 e adverte que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve esperar pelos milagres de uma vacina. Como os resultados dos ensaios cl\u00ednicos n\u00e3o ser\u00e3o conhecidos antes de outubro, as medidas de prote\u00e7\u00e3o contra a pandemia, como a higieniza\u00e7\u00e3o e o uso de m\u00e1scaras, n\u00e3o devem ser abandonadas.<\/p>\n<p><strong>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade vai produzir, na Bio-Manguinhos (laborat\u00f3rio da Fiocruz) at\u00e9 100 milh\u00f5es de doses de uma vacina contra a Covid-19 que ainda est\u00e1 sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford. Trata-se de um investimento de R$ 693,4 milh\u00f5es do governo, mesmo sem a certeza de sua efic\u00e1cia. \u00c9 um procedimento comum?<\/strong><\/p>\n<p>Assumimos um risco de natureza econ\u00f4mica para ter a vacina no Brasil, um compromisso financeiro, esperando que o produto seja bem sucedido, mas claro que ele pode n\u00e3o se provar eficaz. H\u00e1 muitas pesquisas sem resposta sobre o coronav\u00edrus, e acredito que a escolha desta vacina foi muito bem pensada. N\u00e3o somos o \u00fanico pa\u00eds a tomar esta iniciativa. Outros tamb\u00e9m est\u00e3o conciliando ensaios cl\u00ednicos e produ\u00e7\u00e3o de lotes sem ter certeza sobre o resultado final.<\/p>\n<p><strong>Por que estamos fazendo isso?<\/strong><\/p>\n<p>Porque o pa\u00eds est\u00e1 sofrendo. Veja quantas vidas estamos perdendo no SUS devido \u00e0 baixa capacidade de atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Enfrentamos dois riscos. O primeiro \u00e9 ter uma vacina que n\u00e3o demonstra grande capacidade de produ\u00e7\u00e3o. O segundo \u00e9 ver o Brasil exclu\u00eddo de qualquer busca pela produ\u00e7\u00e3o de vacinas. Hoje, seguindo a f\u00f3rmula como trabalhamos, n\u00e3o h\u00e1 qualquer amea\u00e7a cl\u00ednica \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, porque as doses j\u00e1 ser\u00e3o introduzidas no SUS depois de terem sua efic\u00e1cia comprovada em pesquisas e exames da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>A Fiocruz ter\u00e1 capacidade para produzir vacinas para toda a popula\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Na verdade, mesmo agora, os insumos farmac\u00eauticos vir\u00e3o de Oxford, mas a produ\u00e7\u00e3o da vacina ser\u00e1 finalizada aqui. Isso requer instala\u00e7\u00f5es adequadas e experi\u00eancia, e a Fiocruz j\u00e1 fabrica vacinas h\u00e1 120 anos. Podemos contar com o apoio dos pesquisadores de Oxford at\u00e9 chegar a 100 milh\u00f5es de doses. Quando o processo de transfer\u00eancia de tecnologia for conclu\u00eddo, teremos autonomia para fabricar, a partir do ano que vem, 40 milh\u00f5es de doses por m\u00eas.<\/p>\n<p><strong>Em testes com macacos, pesquisadores viram que a vacina protegia os animais da pneumonia, mas n\u00e3o eliminava o v\u00edrus nas mucosas. \u00c9 poss\u00edvel corrigir esta e outras falhas?<\/strong><\/p>\n<p>Isso dever\u00e1 ser avaliado na fase 3, que \u00e9 a \u00faltima, das pesquisas. A Covid-19 tem uma s\u00e9rie de perguntas sem respostas. Teremos uma comiss\u00e3o de especialistas acompanhando a produ\u00e7\u00e3o das vacinas.<\/p>\n<p><strong>Uma eventual vacina eficaz contra o coronav\u00edrus pode ajudar o Brasil a se preparar para outras epidemias?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Teremos tecnologia para combater uma s\u00e9rie de doen\u00e7as, especialmente os v\u00edrus respirat\u00f3rios, entre eles o H1N1. H\u00e1 muitas pesquisas que est\u00e3o usando um vetor viral, como a que estamos trazendo agora, para combater doen\u00e7as. A pr\u00f3pria Universidade de Oxford est\u00e1 recorrendo a esse m\u00e9todo para desenvolver vacinas contra o ebola e a S\u00edndrome Respirat\u00f3ria do Oriente M\u00e9dio (Mers).<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma expectativa de ter os primeiros lotes da vacina dispon\u00edveis j\u00e1 em janeiro. A senhora teme que o otimismo fa\u00e7a o brasileiro relaxar nas medidas contra o coronav\u00edrus?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Muitas vezes as pessoas n\u00e3o seguem orienta\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas por falta de consci\u00eancia do problema ou por achar que a doen\u00e7a n\u00e3o afetar\u00e1 o seu grupo. Sabemos que a pandemia \u00e9 um fen\u00f4meno multicausal, que tem efeito biol\u00f3gico, social e at\u00e9 de sa\u00fade mental. E, tamb\u00e9m, que parte da popula\u00e7\u00e3o precisa sair de casa atr\u00e1s de seu ganha-p\u00e3o. Mas ningu\u00e9m pode contar com uma m\u00e1gica. H\u00e1 d\u00e9cadas as pessoas acreditam que doen\u00e7as infecciosas s\u00e3o coisa do passado e que logo a ci\u00eancia responder\u00e1 com novos antibi\u00f3ticos. Na verdade, vemos que velhas enfermidades insistem em continuar entre n\u00f3s, \u00e0s vezes at\u00e9 emergem.<\/p>\n<p><strong>Na falta de um medicamento eficaz contra a Covid-19, qual a solu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o cuidados individuais e coletivos. Intensificar a higieniza\u00e7\u00e3o e usar m\u00e1scaras. Temos na Fiocruz um laborat\u00f3rio dedicado a v\u00edrus respirat\u00f3rios que acompanhar\u00e1 as poss\u00edveis muta\u00e7\u00f5es do Sars-CoV-2. Tamb\u00e9m \u00e9 muito importante ter um sistema de vigil\u00e2ncia em sa\u00fade e o SUS fortalecidos, integrando a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 hospitalar, o que ajuda em diagn\u00f3sticos.<\/p>\n<p><strong>O Brasil tem lacunas em campanhas de vacina\u00e7\u00e3o. No ano passado, perdemos o selo de erradica\u00e7\u00e3o do sarampo. Como o sistema de sa\u00fade ter\u00e1 que se organizar para imunizar contra a Covid-19?<\/strong><\/p>\n<p>O programa de imuniza\u00e7\u00f5es, a comunica\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de sa\u00fade e as campanhas de vacina\u00e7\u00e3o devem ser olhados em conjunto. O coronav\u00edrus nos fez ver como \u00e9 hora de fortalecer esse sistema. O SUS precisa ser financiado e valorizado e, para isso, estamos trabalhando com secretarias municipais e estaduais, al\u00e9m do pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. A pandemia \u00e9 um problema de caracter\u00edstica tripartite.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo Otimista, mas cautelosa. 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