{"id":10176,"date":"2020-06-15T23:18:19","date_gmt":"2020-06-15T23:18:19","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=10176"},"modified":"2020-06-15T23:35:27","modified_gmt":"2020-06-15T23:35:27","slug":"presidente-da-agrj-fala-ao-jornal-o-globo-sobre-a-mudanca-na-rotina-de-pedidos-de-exames-que-a-pandemia-de-coronavirus-causou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/06\/presidente-da-agrj-fala-ao-jornal-o-globo-sobre-a-mudanca-na-rotina-de-pedidos-de-exames-que-a-pandemia-de-coronavirus-causou\/","title":{"rendered":"Presidente da AGRJ fala ao jornal O Globo sobre a mudan\u00e7a na rotina de pedidos de exames que a pandemia de coronav\u00edrus causou"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>O hist\u00f3rico do paciente. A intensidade e a caracter\u00edstica de sua dor e de seus sintomas. A linguagem n\u00e3o-verbal. E, claro, o conhecimento cient\u00edfico e a experi\u00eancia do m\u00e9dico e de seus colegas. Com a pandemia, os fundamentos da abordagem cl\u00ednica passaram a exercer um papel crucial para salvar vidas, em um cen\u00e1rio no qual os hospitais s\u00e3o \u00e1reas de risco de\u00a0Covid-19\u00a0para pacientes, familiares e equipes m\u00e9dicas.<\/p>\n<p>Exames de imagem passaram a ser restritos aos casos graves, relacionados ou n\u00e3o ao novo coronav\u00edrus. Tamb\u00e9m h\u00e1 parcim\u00f4nia nos cateterismos. Opera\u00e7\u00f5es que antes eram feitas com v\u00eddeo (laparoscopia) est\u00e3o sendo substitu\u00eddas por t\u00e9cnicas mais incisivas (laparotomia), para evitar o risco de contamina\u00e7\u00e3o com os gases utilizados no procedimento menos invasivo. A din\u00e2mica do uso de equipamentos introduzidos pela boca ou pelo \u00e2nus, regi\u00f5es do corpo suscet\u00edveis \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o, mudou. H\u00e1 uma revaloriza\u00e7\u00e3o da chamada \u201carte m\u00e9dica\u201d, ou o conhecimento intr\u00ednseco do profissional de sa\u00fade e sua dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 compreens\u00e3o do paciente, com ou sem instrumentos tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Para tornar tudo mais dif\u00edcil, os m\u00e9dicos e pacientes est\u00e3o afastados pelos riscos de cont\u00e1gio, fazendo com que a telemedicina ganhe uma nova e necess\u00e1ria dimens\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 A Covid-19 ressaltou a necessidade imperiosa de a gente introduzir a telemedicina na nossa rotina. Mas muitas vezes as pessoas t\u00eam a ilus\u00e3o que, em uma conversinha r\u00e1pida, a telemedicina vai ajudar muito. A telemedicina, ainda mais, exige uma conversa adequada, inteligente. Mais do que nunca, a anamnese, o interrogat\u00f3rio s\u00e3o indispens\u00e1veis \u2013 explica o presidente da Academia Nacional de Medicina, o oftalmologista Rubens Belfort.<\/p>\n<p>Pacientes de doen\u00e7as cr\u00f4nicas do intestino tamb\u00e9m est\u00e3o sendo orientados a auto aplicarem medica\u00e7\u00e3o subcut\u00e2nea, para evitar idas a cl\u00ednicas, segundo informou Carlos Walter Sobrado, membro titular e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e professor do Hospital das Cl\u00ednicas da USP.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro, antes da chegada da pandemia, cerca de mil endoscopias eram realizadas todos os dias, considerando unidades p\u00fablicas e privadas. O exame \u00e9 rotineiro entre os gastroenterologistas, que o utilizam para o diagn\u00f3stico de \u00falceras, gastrites, refluxos e c\u00e2ncer. Hoje, as endoscopias eletivas est\u00e3o praticamente suspensas, seja pelo alto risco de contamina\u00e7\u00e3o do paciente ou da pr\u00f3pria equipe m\u00e9dica, que pode estar sem os equipamentos de prote\u00e7\u00e3o adequados para executar o procedimento.<\/p>\n<p>Mesmo assim, de acordo com o presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Gastroenterologia do Rio de Janeiro, Antonio Carlos Moraes, \u00e9 poss\u00edvel identificar os sinais suficientes para decidir se um paciente deve ou n\u00e3o ser submetido a uma endoscopia de emerg\u00eancia. Por exemplo, se h\u00e1 ou n\u00e3o elementos para acreditar que existe um sangramento no est\u00f4mago, condi\u00e7\u00e3o que pode levar \u00e0 morte.<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea vai verificar os sinais de sangramento, de \u00falcera. Isso voc\u00ea obt\u00e9m a partir do que se perguntas e dos sinais vitais. Se h\u00e1 uma hemorragia, h\u00e1 queda de press\u00e3o arterial, aumento da frequ\u00eancia card\u00edaca&#8230; Um exame de sangue pode ser feito para saber se h\u00e1 diminui\u00e7\u00e3o da hemoglobina. Se esses tr\u00eas fatores estiverem presentes, ele certamente far\u00e1 uma endoscopia. Caso contr\u00e1rio, ele ser\u00e1 tratado com medicamentos, em casa \u2013 explica Moraes.<\/p>\n<p>A cardiologia tamb\u00e9m mudou. O cateterismo era a pr\u00e1tica usual, principalmente para casos de infarto agudo do mioc\u00e1rdio. Hoje, \u00e9 preciso muito mais cuidado para identificar as urg\u00eancias, para separar casos graves de Covid-19 de infartos tradicionais, informa\u00a0 a cardiologista Tathiana Fontes Balthazar. E, com cuidado e conhecimento, a atua\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o &#8220;\u00f3biva&#8221; como no passado recente, conta ela, ao dizer que muitas vezes aplica tratamentos menos invasivos para evitar cirurgias desnecess\u00e1rias. Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, afirma que a tromb\u00f3lise n\u00e3o deve ser considerada uma \u201cop\u00e7\u00e3o inferior\u201d \u00e0 angioplastia, principalmente levando em conta a situa\u00e7\u00e3o do paciente e da \u201clog\u00edstica\u201d do hospital. Ele afirma que, com a pandemia, os m\u00e9dicos precisam ter um cuidado muito maior para a triagem. Na cardiologia, significa observar o ecocardiograma, para separar o infarto cl\u00e1ssico, causado por placas de gordura, com os problemas causados pela Covid, relacionados a co\u00e1gulos.<\/p>\n<p>\u2013 Em geral o infarto do mioc\u00e1rdio promove uma altera\u00e7\u00e3o segmentada, ou seja, s\u00f3 uma regi\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o que para. No\u00a0 acometimento da Covid o que temos \u00e9 um comprometimento mais difuso, o ecocardiograma pode ser um exame \u00fatil neste tipo de triagem \u2013 disse ele, que viu dobrar o n\u00famero artigos cient\u00edficos em sua associa\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio da pandemia.<\/p>\n<p>No caso dos pacientes oncol\u00f3gicos, o m\u00e9dico est\u00e1 diante de escolhas dif\u00edceis. O coordenador cient\u00edfico do grupo Oncologia D&#8217;or, Daniel Herchenhorn, explica que h\u00e1 um espa\u00e7amento maior para exames de imagens de pacientes que j\u00e1 passaram pelo tratamento, mas que mant\u00eam um acompanhamento regular. No caso de pacientes que est\u00e3o em quimioterapia ou radioterapia, \u00e9 necess\u00e1rio assumir o risco de contamina\u00e7\u00e3o, com uma vigil\u00e2ncia redobrada.<\/p>\n<p>\u2013 Eu preciso saber se existe algum medicamento via oral que possa substituir o intravenoso, ou\u00a0 alongar o intervalo de um tratamento. Mas s\u00f3 depois de uma conversa clara com o paciente. Existem j\u00e1 protocolos em desenvolvimento para que se decida tamb\u00e9m, por exemplo, quando \u00e9 poss\u00edvel postergar ou n\u00e3o uma cirurgia \u2013 afirma Herchenhorn, que lamenta o n\u00famero cada vez mais alto de pacientes que come\u00e7am a ter sintomas de c\u00e2ncer e n\u00e3o procuram tratamento por medo do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p><strong>Novas t\u00e9cnicas evitam idas a hospitais<\/strong><\/p>\n<p>Nas doen\u00e7as do pulm\u00e3o, o pneumologista e intensivista Marcelo Kalichsztein revela a preocupa\u00e7\u00e3o com as dificuldades decorrentes do p\u00e2nico provocado por sintomas t\u00edpicos da Covid-19, como a pr\u00f3pria falta de ar, que, por vezes, pode ser avaliada sem a necessidade do deslocamento at\u00e9 o hospital.<\/p>\n<p>\u2013 A medicina nunca mais vai ser a mesma porque a gente aprendeu a ajudar o paciente de v\u00e1rias maneiras, inclusive pela telemedicina. \u00c0s vezes, o paciente reclama de falta de ar. Com o apoio de um ox\u00edmetro, voc\u00ea consegue identificar o que a gente chama de falta de ar suspirosa. A pessoa n\u00e3o est\u00e1 ofegante, mas o peito n\u00e3o completa, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de ang\u00fastia. Voc\u00ea consegue identificar atrav\u00e9s da anamnese, do ox\u00edmetro e de exames f\u00edsicos que existe um quadro de ansiedade, de estresse, t\u00edpicos do atual momento. Voc\u00ea evita que a pessoa v\u00e1 ao consult\u00f3rio ou mesmo ao hospital.<\/p>\n<p>Mesmo nas emerg\u00eancias h\u00e1 diferen\u00e7as. T\u00e9rcio de Campos, presidente da SBAIT\u00a0 (Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado), conta que a Covid mudou at\u00e9 a forma de se fazer diagn\u00f3stico em emerg\u00eancias: com menos tom\u00f3grafos dispon\u00edveis, por estarem focados na Covid e exigirem higiene antes de serem utilizados por outros m\u00e9dicos, h\u00e1 mais uso de ultrassom.<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea exige mais do m\u00e9dico, \u00e9 como fazer uma massa sem o rolo, voc\u00ea tem que usar uma garrafa para substituir \u2013 exemplifica. \u2013 Um trauma de abd\u00f4men, por exemplo, o ultrassom consegue ver apenas que h\u00e1 sangue, enquanto a tomografia vai al\u00e9m, mostra qual \u00f3rg\u00e3o est\u00e1 lesado.<\/p>\n<p>Campos conta que a clientela das emerg\u00eancias tamb\u00e9m mudou. H\u00e1 menos v\u00edtimas de acidentes de tr\u00e2nsito e mais de viol\u00eancia por arma branca. E isso muda tudo, a v\u00edtima de um acidente dificilmente era operada, enquanto que a v\u00edtima de uma facada quase sempre \u00e9 operada e vai \u00e0 UTI. Ele lembra que apenas em S\u00e3o paulo, em mar\u00e7o, 28 pessoas morreram por facada, 47% mais que as 19 mortes registradas no mesmo m\u00eas do ano anterior. E o medo das pessoas em ir aos hospitais leva ao agravamento de casos:<\/p>\n<p>\u2013 Ainda n\u00e3o temos n\u00fameros, mas vemos um grande aumento de amputa\u00e7\u00f5es de pessoas com doen\u00e7as vasculares perif\u00e9ricas e diabetes. Casos que poderiam ser tratados chegam em um ponto em que s\u00f3 a amputa\u00e7\u00e3o resolve \u2013 disse.<\/p>\n<p>Karin Anzolch, membro da Comiss\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Urologia, lembra que a pandemia leva a uma valoriza\u00e7\u00e3o da troca de informa\u00e7\u00f5es e consultas a colegas.<\/p>\n<p>\u2013 Temos visto muito mais consultas a colegas e inclusive a cl\u00ednicos gerais, pois o v\u00edrus \u00e9 trai\u00e7oeiro, muitas vezes afeta diversos \u00f3rg\u00e3os. A troca de informa\u00e7\u00f5es, de experi\u00eancias e a prepara\u00e7\u00e3o de um bom diagn\u00f3stico \u00e9 muito importante agora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo O hist\u00f3rico do paciente. A intensidade e a caracter\u00edstica de sua dor e de seus sintomas. 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