{"id":10056,"date":"2020-06-01T13:54:12","date_gmt":"2020-06-01T13:54:12","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=10056"},"modified":"2020-06-01T13:54:12","modified_gmt":"2020-06-01T13:54:12","slug":"com-coronavirus-cai-o-numero-de-atendimentos-medicos-e-cresce-o-de-mortes-por-outras-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/06\/com-coronavirus-cai-o-numero-de-atendimentos-medicos-e-cresce-o-de-mortes-por-outras-doencas\/","title":{"rendered":"Com coronav\u00edrus, cai o n\u00famero de atendimentos m\u00e9dicos e cresce o de mortes por outras doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>fonte: BBC Brasil<\/p>\n<p class=\"story-body__introduction\">No dia 29 de abril, o empres\u00e1rio Miguel da Rocha Correia Lima, de 55 anos, deu entrada na emerg\u00eancia do hospital UMC (Uberl\u00e2ndia Medical Center), em Uberl\u00e2ndia, Minas Gerais, depois de desmaiar em casa.<\/p>\n<p>L\u00e1, passou por um procedimento card\u00edaco que durou cerca de uma hora, e, apesar dos esfor\u00e7os da equipe m\u00e9dica, acabou n\u00e3o resistindo. Ele teve um infarto do mioc\u00e1rdio do ventr\u00edculo direito.<\/p>\n<p>&#8220;No dia anterior, meu pai sentiu uma dor no peito, mas, como foi fraca, n\u00e3o deu muita import\u00e2ncia, e tamb\u00e9m achou que n\u00e3o valia o risco de ir ao hospital por causa do coronav\u00edrus&#8221;, conta a filha Anna Paula Graboski, de 31 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Os m\u00e9dicos disseram que se ele tivesse procurado ajuda logo, assim que a dor come\u00e7ou, provavelmente estaria vivo, mas, como esperou muito tempo, o cora\u00e7\u00e3o dele n\u00e3o aguentou&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Assim como Lima, muita gente tem evitado buscar atendimento neste momento, e isso est\u00e1 se tornando um dos efeitos colaterais mais preocupantes da pandemia no Brasil.<\/p>\n<p>Todas as regi\u00f5es do pa\u00eds t\u00eam registrado quedas brutais nos n\u00fameros de consultas, exames e cirurgias e, consequentemente, aumento de mortes por outras enfermidades que n\u00e3o a covid-19, como infarto do mioc\u00e1rdio, c\u00e2ncer e acidente vascular cerebral (AVC).<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, segundo levantamento do epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), em mar\u00e7o, a capital paulista contabilizou 743 mortes &#8211; excluindo homic\u00eddios e acidentes em geral &#8211; a mais que a m\u00e9dia para o mesmo m\u00eas dos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n<p>&#8220;No per\u00edodo, tivemos 277 \u00f3bitos confirmados por covid-19 e 466 por n\u00e3o covid-19, e v\u00e1rios destes, mesmo n\u00e3o tendo sido causados diretamente pela doen\u00e7a, podem ser atribu\u00eddos a ela&#8221;, afirma o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que o v\u00edrus, al\u00e9m de agravar a condi\u00e7\u00e3o de pessoas j\u00e1 debilitadas pelas mais diversas raz\u00f5es, tem feito muitas delas n\u00e3o apenas desmarcarem consultas e at\u00e9 cirurgias e desistirem de ir \u00e0s cl\u00ednicas ou pronto-socorros quando n\u00e3o est\u00e3o se sentindo bem, mas tamb\u00e9m n\u00e3o serem atendidas por conta da superlota\u00e7\u00e3o e do foco no combate \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>&#8220;Soube do caso de uma mo\u00e7a com aneurisma que n\u00e3o conseguiu ser operada porque o centro cir\u00fargico do hospital que ela procurou foi transformado em UTI para receber pacientes com covid-19. A raz\u00e3o imediata da morte dela n\u00e3o foi o coronav\u00edrus, mas de forma indireta foi&#8221;, afirma Lotufo.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o parecida aconteceu com a dona de casa Isabel Zebelin Duarte, de 85 anos. No ano passado, ela sofreu um AVC. Em mar\u00e7o deste ano, apresentou uma piora e ficou internada durante 12 dias em um hospital de Jacare\u00ed, no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;Por causa do coronav\u00edrus, os m\u00e9dicos acharam melhor dar alta. Eles consideraram que o caso dela n\u00e3o era mais uma emerg\u00eancia, e tamb\u00e9m precisavam de leitos&#8221;, conta uma de suas filhas, a jornalista e radialista Andr\u00e9a Duarte, de 50 anos.<\/p>\n<p>No dia 7 de maio, Isabel passou mal e uma equipe foi chamada at\u00e9 sua casa. Os profissionais diagnosticaram pneumonia, resultante de estar acamada h\u00e1 tanto tempo, mas optaram por n\u00e3o intern\u00e1-la novamente. Cinco dias depois, ela faleceu.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o culpo o hospital, sei que, hoje, a prefer\u00eancia \u00e9 para os casos de covid-19, e minha m\u00e3e, de um jeito ou de outro, estava recebendo acompanhamento. Mas fico pensando que l\u00e1, talvez, os m\u00e9dicos teriam conseguido reanim\u00e1-la&#8221;, desabafa Andr\u00e9a.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Menos consultas, exames e cirurgias<\/h2>\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia no pa\u00eds, juntando o medo que as pessoas t\u00eam da contamina\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus, a falta de atendimento em determinados locais e ainda a recomenda\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade de suspender os procedimentos eletivos (n\u00e3o urgentes), a queda no n\u00famero de atendimentos, exames e cirurgias s\u00f3 tem aumentado.<\/p>\n<p>Em se tratando das patologias do cora\u00e7\u00e3o, as principais causas de morte no Brasil e no mundo, levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Hemodin\u00e2mica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI) mostra diminui\u00e7\u00e3o de 50% na realiza\u00e7\u00e3o de angioplastia prim\u00e1ria (procedimento feito em car\u00e1ter de emerg\u00eancia durante o infarto) em mar\u00e7o, e de 70%, em abril, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2019.<\/p>\n<p>&#8220;Baseado nesses dados, soou o alerta de que os pacientes n\u00e3o est\u00e3o procurando os servi\u00e7os m\u00e9dicos para receber o tratamento. Essa hip\u00f3tese \u00e9 refor\u00e7ada porque esse fen\u00f4meno tem sido identificado em outros locais. Nos Estados Unidos, por exemplo, o n\u00famero de atendimentos de emerg\u00eancia de parada card\u00edaca domiciliar cresceu quatro vezes e o de mortes nessa situa\u00e7\u00e3o, oito vezes&#8221;, relata Ricardo Costa, presidente da SBHCI.<\/p>\n<p>O especialista pontua que o infarto \u00e9 uma urg\u00eancia m\u00e9dica e, portanto, necessita de interven\u00e7\u00e3o imediata. &#8220;Se ele n\u00e3o for tratado, sua taxa de mortalidade pode chegar a 50%, e ainda h\u00e1 o risco de sequelas graves, como insufici\u00eancia card\u00edaca, comprometendo totalmente a qualidade de vida.&#8221;<\/p>\n<p>No caso do c\u00e2ncer, pelos dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncol\u00f3gica (SBCO) e da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), de mar\u00e7o para c\u00e1 foram realizadas, nas redes p\u00fablica e privada, 70% menos opera\u00e7\u00f5es e entre 50% e 90%, dependendo do servi\u00e7o, de bi\u00f3psias para diagn\u00f3stico da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>S\u00f3 do c\u00e2ncer de mama, a Sociedade Brasileira de Mastologia aponta diminui\u00e7\u00e3o de 75% nos atendimentos em hospitais p\u00fablicos de pacientes em rastreamento e tratamento para a enfermidade nos meses de mar\u00e7o e abril, em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos assustados com o que temos observado e preocupados tanto com a diminui\u00e7\u00e3o nos diagn\u00f3sticos prim\u00e1rios quanto com o acompanhamento. Por causa da pandemia, as pessoas, inclusive as que t\u00eam sintomas, est\u00e3o deixando de ir ao m\u00e9dico e de fazer o rastreamento da doen\u00e7a, e, as que est\u00e3o em tratamento, de fazer o controle&#8221;, diz Alexandre Ferreira Oliveira, presidente da SBCO.<\/p>\n<p>O especialista avalia que isso ter\u00e1 impacto humano e econ\u00f4mico enormes mais para frente. &#8220;Se essa situa\u00e7\u00e3o se prolongar por muito mais tempo, haver\u00e1 aumento no n\u00famero de casos, de tumores em est\u00e1gio avan\u00e7ado e de recidivas, comprometendo seriamente as chances de cura e a sobrevida dos pacientes.&#8221;<\/p>\n<p>A pandemia ainda tem interferido nas interna\u00e7\u00f5es hospitalares. De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Hospitais Privados (Anahp), nos primeiros quatro meses do ano a queda foi de 18,1%, em rela\u00e7\u00e3o aos meses de janeiro a abril de 2019.<\/p>\n<p>Focando nas enfermidades cr\u00f4nicas, neoplasias e doen\u00e7as do aparelho circulat\u00f3rio e nervoso &#8211; que incluem c\u00e2ncer, infarto e AVC, dentre outros problemas que exigem tratamento cont\u00ednuo -, as redu\u00e7\u00f5es foram de 23,2%, 20,9% e 26,6%, respectivamente.<\/p>\n<p><strong>Emerg\u00eancias n\u00e3o podem ser negl<\/strong><strong>i<\/strong><strong>genciadas<\/strong><\/p>\n<p>Diante de todo esse cen\u00e1rio, as entidades de sa\u00fade brasileiras destacam que, ao mesmo tempo em que o isolamento social \u00e9 fundamental para minimizar o risco de cont\u00e1gio pelo novo coronav\u00edrus, a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve suspender o acompanhamento ambulatorial, sobretudo quem sofre de cardiopatias e enfermidades autoimunes, renais, vasculares, respirat\u00f3rias e oncol\u00f3gicas, adiar exames, consultas e cirurgias sem orienta\u00e7\u00e3o de um profissional e nem negligenciar quaisquer sintomas importantes.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ponderam que m\u00e9dicos, hospitais e cl\u00ednicas precisam manter os atendimentos aos pacientes com doen\u00e7as graves e casos emergenciais n\u00e3o relacionados \u00e0 covid-19.<\/p>\n<p>Por conta disso, a SBCO enviou ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade um documento que prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de vias livres de covid-19, ou seja, de ambientes seguros, para garantir a assist\u00eancia durante a pandemia e sem riscos de contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Inicialmente, n\u00e3o sab\u00edamos quanto tempo a fase mais cr\u00edtica da pandemia iria durar. Como agora a expectativa \u00e9 de que teremos de tr\u00eas a quatro meses at\u00e9 passar o pico e come\u00e7ar um decl\u00ednio de casos, precisamos adaptar os servi\u00e7os para retomar os atendimentos suspensos&#8221;, destaca Oliveira.<\/p>\n<p>A SBHCI, por sua vez, criou a campanha &#8220;O enfarte n\u00e3o respeita quarentena&#8221;, com o objetivo de conscientizar e incentivar os brasileiros a procurarem ajuda imediata ao apresentarem os sintomas da doen\u00e7a (dor ou aperto no peito que pode irradiar para o bra\u00e7o, acompanhada de mal estar, cansa\u00e7o e suor excessivo).<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 imprescind\u00edvel que se respeite a quarentena, o isolamento social e n\u00e3o haja exposi\u00e7\u00e3o de maneira desnecess\u00e1ria, mas, diante de um quadro suspeito, o n\u00e3o atendimento ou o atendimento muito retardado, pode trazer s\u00e9rios riscos&#8221;, informa o presidente da entidade.<\/p>\n<p>E ele acrescenta: &#8220;N\u00e3o \u00e9 preciso ter medo de ir at\u00e9 o hospital. Muitos est\u00e3o trabalhando com protocolos bastante rigorosos para dar assist\u00eancia segura aos pacientes&#8221;.<\/p>\n<p>Nas tr\u00eas unidades hospitalares do Grupo Leforte (duas em S\u00e3o Paulo e uma em Santo Andr\u00e9, no ABC Paulista)., por exemplo, as equipes m\u00e9dicas e de enfermagem de outras \u00e1reas s\u00e3o separadas das que est\u00e3o na linha de frente do combate \u00e0 covid-19. O mesmo protocolo \u00e9 adotado nos ambulat\u00f3rios, salas de consultas, centros cir\u00fargicos, \u00e1reas de interna\u00e7\u00e3o e UTIs.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m temos feito um controle rigoroso para n\u00e3o haver aglomera\u00e7\u00e3o. Espa\u00e7amos as consultas, que passaram a ser realizadas de 30 em 30 minutos, e limitamos a entrada nos elevadores&#8221;, relata S\u00e9rgio Gama, diretor cl\u00ednico do Hospital e Maternidade Christ\u00f3v\u00e3o da Gama.<\/p>\n<p>A rede tamb\u00e9m tem realizado o teste PCR para a detec\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus em todos que passar\u00e3o por cirurgias de urg\u00eancia e precisem ser entubados, ou conforme solicita\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico.<\/p>\n<p>&#8220;Neste momento, \u00e9 fundamental que as pessoas saibam que, se precisarem de ajuda, encontrar\u00e3o ambientes protegidos e preparados&#8221;, finaliza o especialista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: BBC Brasil No dia 29 de abril, o empres\u00e1rio Miguel da Rocha Correia Lima, de 55 anos, deu entrada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-10056","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10056","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10056"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10056\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10058,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10056\/revisions\/10058"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}