{"id":10017,"date":"2020-05-25T15:16:55","date_gmt":"2020-05-25T15:16:55","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=10017"},"modified":"2020-05-25T15:16:55","modified_gmt":"2020-05-25T15:16:55","slug":"havendo-uma-vacina-validada-a-fiocruz-tera-condicoes-de-producao-diz-presidente-da-instituicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/05\/havendo-uma-vacina-validada-a-fiocruz-tera-condicoes-de-producao-diz-presidente-da-instituicao\/","title":{"rendered":"&#8216;Havendo uma vacina validada, a Fiocruz ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o&#8217;, diz presidente da institui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>fonte: O Globo<\/p>\n<p>No primeiro semestre de 1900, o\u00a0<strong>Rio de Janeiro<\/strong>\u00a0enfrentava um s\u00e9rio surto de\u00a0<strong>peste bub\u00f4nica<\/strong>, uma infec\u00e7\u00e3o grave transmitida por pulgas. Em 25 de maio daquele ano, o bacteriologista\u00a0<strong>Oswaldo Cruz<\/strong>\u00a0criava, numa buc\u00f3lica fazenda numa \u00e1rea rural da cidade, o Instituto Soroter\u00e1pico Federal.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 120 anos, o mesmo lugar, agora\u00a0Fiocruz, tem protagonismo nacional contra a maior\u00a0pandemia\u00a0do s\u00e9culo 21, provocada pelo\u00a0novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>\u00c0 frente da institui\u00e7\u00e3o, a soci\u00f3loga\u00a0<strong>N\u00edsia Trindade<\/strong>, a\u00a0primeira presidente mulher\u00a0da hist\u00f3ria da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, comanda uma estrutura gigante, refer\u00eancia em toda a\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>, com milhares de funcion\u00e1rios e a miss\u00e3o de que as respostas venham da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Trindade diz que h\u00e1 dois grupos de pesquisadores trabalhando na busca de uma\u00a0vacina\u00a0e garante que, ainda que ela venha de fora, a Fiocruz poder\u00e1 produz\u00ed-la.<\/p>\n<p>Enquanto a cura n\u00e3o aparece, s\u00e3o feitas pesquisas para tratamentos, um hospital foi criado para atender quase 200 pacientes com Covid-19, milhares de testes t\u00eam sido produzidos, assim como informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que podem servir de guia para a tomada de decis\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Simbolizada pelo c\u00e9lebre castelinho, a Fiocruz tem hoje 50 laborat\u00f3rios de refer\u00eancia, atua em 20 \u00e1reas de pesquisa, com 30 programas de p\u00f3s gradu\u00e7\u00e3o, 12 mil trabalhadores, dos quais 5.400 servidores.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, recebeu suportes expressivo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade: R$ 20 milh\u00f5es em mar\u00e7o,\u00a0R$ 157 milh\u00f5es de cr\u00e9dito or\u00e7ament\u00e1rio em abril, e\u00a0R$ 713 milh\u00f5es em maio. Para al\u00e9m dos n\u00fameros, a presidente defende a funda\u00e7\u00e3o, que recebeu palmas e doa\u00e7\u00f5es da sociedade: &#8220;Nossa institui\u00e7\u00e3o tem uma alma&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A Fiocruz surgiu h\u00e1 120 anos justamente para combater uma epidemia. O ano de 2020 estava recheado de programa\u00e7\u00f5es comemorativas, mas veio outra pandemia. Como enxerga isso?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Simbolicamente, \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de uma voca\u00e7\u00e3o. Porque a Fiocruz surgiu para combater surtos de febre amarela e, especialmente, da peste bub\u00f4nica.\u00a0Em meio \u00e0 crise sanit\u00e1ria no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, atende\u00a0primeiro a capital\u00a0e\u00a0depois leva sa\u00fade em n\u00edvel nacional, para\u00a0os grandes sert\u00f5es brasileiros.<\/p>\n<p>Falamos de Oswaldo\u00a0Cruz,\u00a0mas tamb\u00e9m\u00a0de Carlos Chagas, que\u00a0esteve \u00e0 frente da gripe espanhola, a pandemia que marcou o s\u00e9culo 20 assim como essa vai marcar o s\u00e9culo 21.\u00a0Nesse hist\u00f3rico, ao longo do s\u00e9culo em diversos momentos a institui\u00e7\u00e3o deu respostas, como na epidemia de HIV, na de\u00a0zika, dengue e chicungunha.\u00a0O Brasil construiu uma base cient\u00edfica,\u00a0tecnol\u00f3gica e de sa\u00fade universal. S\u00e3o as bases que o pa\u00eds pode mobilizar nesse momento.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos pensado numa grande comunica\u00e7\u00e3o neste ano\u00a0para pensar o futuro,\u00a0mas agora\u00a0vivemos\u00a0essa grande reflex\u00e3o\u00a0de outra forma.\u00a0Fomos postos\u00a0\u00e0\u00a0prova,\u00a0infelizmente.\u00a0Gostaria muito que ficasse registrada uma palavra\u00a0de solidariedade e pesar pela perda de tantas vidas. Ao mesmo tempo, sinto que \u00e9 um privil\u00e9gio para a institui\u00e7\u00e3o poder ajudar, ser parte da resposta.<\/p>\n<p><strong>Quais iniciativas a Fiocruz tem desempenhado contra essa epidemia?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Estamos atuando em diversas frentes:\u00a0vigil\u00e2ncia, sentinela de casos, prepara\u00e7\u00e3o para diagn\u00f3stico, controle da evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, sistema de dados, aten\u00e7\u00e3o aos pacientes.\u00a0A pesquisa \u00e9 fundamental agora e continuar\u00e1 a ser.<\/p>\n<p>Antes das a\u00e7\u00f5es vis\u00edveis, quero falar dos sistemas de dados, como o\u00a0<a href=\"https:\/\/bigdata-covid19.icict.fiocruz.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Monitoracovid<\/a>,\u00a0mapeamentos, pesquisas, al\u00e9m da comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ferramenta\u00a0importante\u00a0e, sem ela, n\u00e3o h\u00e1\u00a0como saber a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, se \u00e9 momento de relaxar\u00a0ou de fortalecer\u00a0medidas de isolamento. Fornecemos\u00a0informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel, dados epidemiol\u00f3gicos,\u00a0permitindo que o conhecimento seja usado para cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas\u00a0p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Entre as realiza\u00e7\u00f5es, a primeira \u00e9 o papel dos laborat\u00f3rios. A Fiocruz j\u00e1 tem uma tradi\u00e7\u00e3o de desenvolver testes diagn\u00f3sticos, um grande problema do Brasil. \u00c9 hoje um instrumento importante de sa\u00fade p\u00fablica porque a pandemia pode ter ondas, isso \u00e9 precioso. Entregaremos at\u00e9 setembro 11 milh\u00f5es de testes\u00a0e estamos constituindo centrais de an\u00e1lises. E, numa epopeia,<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/rio\/coronavirus-centro-hospitalar-da-fiocruz-voltado-para-pacientes-graves-entra-em-funcionamento-24435051\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0em pouco mais de 50 dias erguemos o centro hospitalar dedicado\u00a0\u00e0\u00a0Covid-19<\/a>.\u00a0Foi uma decis\u00e3o pela necessidade imediata, mas tamb\u00e9m para fases futuras porque era uma car\u00eancia do nosso instituto de infectologia. Abriu h\u00e1 uma semana, \u00e9 permanente,\u00a0com\u00a0195 leitos, todos para tratamento semi-intensivo e intensivo.<\/p>\n<p>Somos uma refer\u00eancia, o que significa que al\u00e9m de tratar os pacientes contribu\u00edmos para protocolos, com estudos cl\u00ednicos sobre medicamentos, pesquisas internacionais.\u00a0As duas pontas est\u00e3o ligadas: a aten\u00e7\u00e3o ao paciente\u00a0e o estudo cl\u00ednico, muitas conclus\u00f5es v\u00e3o se dar, infelizmente n\u00e3o na velocidade de transmiss\u00e3o do\u00a0virus. \u00c9 uma corrida.<\/p>\n<p><strong>A Fiocruz recebeu muitas doa\u00e7\u00f5es da sociedade civil. Qual o montante? Como avalia esse apoio?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas ficam contentes de participar.\u00a0N\u00e3o come\u00e7amos uma campanha, foi o contr\u00e1rio: empres\u00e1rios, movimentos da sociedade nos procurando,\u00a0querendo fazer doa\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o criamos o\u00a0site da iniciativa Unidos contra\u00a0Covid\u00a0(<a href=\"https:\/\/unidos.fiocruz.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.unidos.fiocruz.br<\/a>)\u00a0para organizar esse\u00a0movimento espont\u00e2neo.\u00a0Foram mobilizados R$\u00a089 milh\u00f5es, recursos que vieram de v\u00e1rias formas, por institui\u00e7\u00f5es, movimentos empresariais, doa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 em dinheiro, mas em m\u00e1scara, \u00e1lcool gel, at\u00e9 unidades de apoio ao diagn\u00f3stico.\u00a0Depois,\u00a0estabelecemos um edital para popula\u00e7\u00f5es\u00a0vulner\u00e1veis, a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas em favelas,\u00a0institui\u00e7\u00f5es asilares, popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, construindo com as pessoas as melhores solu\u00e7\u00f5es. \u00c9 muito bonito porque falamos muito do aspecto dram\u00e1tico, mas \u00e9 importante tamb\u00e9m ver a mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 ouvimos pessoas gritando &#8220;Viva, Fiocruz&#8221; nas janelas. Acha que a popula\u00e7\u00e3o reconhece o trabalho da funda\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Fiquei sabendo. Em todo o mundo os profissionais de sa\u00fade s\u00e3o aplaudidos, no Brasil n\u00e3o \u00e9 diferente e,\u00a0ao pensar nesses\u00a0profissionais, muitas pessoas se lembram da Fiocruz. Vejo com emo\u00e7\u00e3o, mas com responsabilidade.\u00a0Voc\u00ea s\u00f3 vai aderir a medidas dif\u00edceis se tiver\u00a0confian\u00e7a nos caminhos que a ci\u00eancia vem apontando.\u00a0N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o cometemos erros, mas a ci\u00eancia d\u00e1 uma base, tem m\u00e9todos, \u00e9 posta \u00e0\u00a0prova.<\/p>\n<p><strong>De mar\u00e7o a maio, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade aumentou os repasses. Como foi isso?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Veio num crescendo\u00a0porque as atividades vieram num crescendo, com a constru\u00e7\u00e3o do centro hospitalar, infraestrutura para desenvolvimento de teste diagn\u00f3stico, amplia\u00e7\u00e3o da capacidade de produ\u00e7\u00e3o para teste PCR\u00a0e teste r\u00e1pido.\u00a0H\u00e1\u00a0 estudo\u00a0cl\u00ednico que pesquisa um conjunto de medicamentos, como a\u00a0cloroquina,\u00a0hidroxicloroquina,\u00a0medicamentos virais j\u00e1 conhecidos que j\u00e1 foram testados em laborat\u00f3rio, e o\u00a0interferon beta. Os medicamentos que n\u00e3o t\u00eam efic\u00e1cia v\u00e3o sendo eliminados para Covid-19. Estamos a postos para produzir medicamentos necess\u00e1rios. \u00c9 um conjunto de a\u00e7\u00f5es importante. Al\u00e9m da nossa contribui\u00e7\u00e3o para Am\u00e9rica Latina e Caribe, j\u00e1\u00a0treinamos laborat\u00f3rios e temos coopera\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque trabalhamos em rede.<\/p>\n<p><strong>Como a senhora avalia o combate \u00e0 pandemia no Brasil?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Com tantas desigualdades, n\u00e3o s\u00f3 sociais, mas tamb\u00e9m regionais, de infraestrutura, de dist\u00e2ncias,\u00a0o Brasil\u00a0\u00e9 muito complexo e temos que olhar isso. Claro que temos que nos mirar no melhor do mundo porque o\u00a0Brasil tem pot\u00eancia, hist\u00f3ria e o Sistema \u00danico de Sa\u00fade,\u00a0um aliado de valor inestim\u00e1vel. O SUS\u00a0articula muitas\u00a0dimens\u00f5es com programas de \u00eaxito e foi acionado para responder,\u00a0mas a epidemia tamb\u00e9m exp\u00f5e\u00a0as fragilidades, como a falta de saneamento, de moradia.<\/p>\n<p>E\u00a0h\u00e1 um aspecto em particular delicado\u00a0que \u00e9 a depend\u00eancia tecnol\u00f3gica. Mesmo\u00a0com os recursos do minist\u00e9rio,\u00a0foi dif\u00edcil a importa\u00e7\u00e3o de ventiladores mec\u00e2nicos, dos\u00a0equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual, que n\u00e3o t\u00ednhamos, e\u00a0f\u00e1rmacos, porque 90% dos f\u00e1rmacos consumidos no Brasil s\u00e3o importados. Precisamos ter formas de n\u00e3o ser t\u00e3o dependentes. Isso tem que estar no radar.<\/p>\n<p><strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e ao governo. Acha que compreenderam o perigo da doen\u00e7a?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Essa compreens\u00e3o \u00e9 desigual e est\u00e1 ligada\u00a0\u00e0\u00a0desigualdade social. Temos muitos trabalhadores em\u00a0situa\u00e7\u00e3o\u00a0prec\u00e1ria, moradias\u00a0que n\u00e3o permitem f\u00e1cil aceita\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica das recomenda\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, que\u00a0tamb\u00e9m\u00a0foram se alterando.\u00a0\u00c9\u00a0um desafio enorme,\u00a0n\u00e3o \u00e9 s\u00f3\u00a0sa\u00fade. Acho correto um comit\u00ea interministerial\u00a0com\u00a0especialistas\u00a0que tenham\u00a0interlocu\u00e7\u00e3o com o governo.\u00a0N\u00e3o podemos achar que as medidas de isolamento s\u00e3o simples, n\u00e3o s\u00e3o, mas s\u00e3o necess\u00e1rias para proteger a vida e impedir uma cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p><strong>A Fiocruz recomendou o\u00a0<em>lockdown<\/em>, mas at\u00e9 agora ele n\u00e3o aconteceu.\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o existiria uma medida \u00fanica no Brasil, as medidas de isolamento social respeitam par\u00e2metros, como o\u00a0n\u00famero de casos, \u00f3bitos, capacidade da rede de dar resposta, capacidade de testagem.\u00a0A Fiocruz foi consultada e respondeu a um questionamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0situa\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, numa situa\u00e7\u00e3o de escalada de casos, 80% dos leitos\u00a0ocupados, falta de\u00a0profissionais de\u00a0saude, que\u00a0adoeceram.\u00a0Cada medida que propomos\u00a0tem\u00a0fundamenta\u00e7\u00e3o cientifica.<\/p>\n<p><strong>Pesquisadores da Fiocruz foram atacados por conta da cloroquina. Como avalia isso?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Os\u00a0pesquisadores participaram de um projeto de pesquisa,\u00a0que\u00a0passou pelos procedimentos necess\u00e1rios no Brasil, com\u00a0comit\u00ea de \u00e9tica interno e externo. Pol\u00eamicas e controv\u00e9rsias n\u00e3o s\u00e3o novidade o importante \u00e9 saber como essas quest\u00f5es s\u00e3o avaliadas. H\u00e1 dois valores fundamentais da ci\u00eancia: a liberdade e a \u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>Quais expectativas a senhora tem para depois da pandemia? O Brasil vai valorizar mais a ci\u00eancia? As pessoas ficar\u00e3o mais solid\u00e1rias?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Um mundo mais solid\u00e1rio \u00e9 uma aposta que est\u00e1 a\u00ed para n\u00f3s. Mas\u00a0podemos voltar ao mesmo modelo de desenvolvimento que gera desigualdade, impactos ambientais negativos e esquecer o que aconteceu. As pessoas podem ter a vacina e, com o tempo, esquecer tudo, mas tamb\u00e9m podemos ter um outro efeito:\u00a0depende de como a sociedade, suas associa\u00e7\u00f5es,\u00a0institui\u00e7\u00f5es, l\u00edderes mundiais, os f\u00f3runs, l\u00edderes religiosos, como todos v\u00e3o construir esse caminho.<\/p>\n<p>Construir um pacto pela vida \u00e9 fundamental, mas pode ser que tenhamos aumento de desigualdade. Durante a pandemia,\u00a0a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) ordenou que vacinas e medicamentos sejam bens p\u00fablicos. Mas isso pode ser esquecido.\u00a0A\u00a0gripe espanhola de 1918 matou 35 milh\u00f5es, mais\u00a0do\u00a0que a Primeira Guerra Mundial, que matou 15 milh\u00f5es.\u00a0A pergunta n\u00e3o \u00e9\u00a0como vai ser o mundo, mas que mundo queremos.<\/p>\n<p>Do ponto de vista das ci\u00eancias da sa\u00fade, acho que elas t\u00eam dado mostras de capacidade de respostas muito importantes. Os cientistas s\u00e3o chamados a falar, contribuir para recomenda\u00e7\u00f5es e elas est\u00e3o sim em evid\u00eancia e podem gerar uma maneira positiva de olhar para isso. Mas isso n\u00e3o depende s\u00f3 da aceita\u00e7\u00e3o da sociedade.\u00a0A\u00a0comunidade cient\u00edfica tem feito mais esfor\u00e7o para\u00a0dialogar. Nada est\u00e1 dado, tudo \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o permanente de conhecimento e de pol\u00edticas p\u00fablicas. \u00c9 trabalhoso e s\u00f3 bem-sucedido num ambiente democr\u00e1tico.<\/p>\n<p><strong>A senhora teme se infectar?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 claro, todos n\u00f3s, mas lido com o medo seguindo os preceitos da ci\u00eancia. Com coer\u00eancia entre discurso e pr\u00e1tica. Adoro caminhar na areia, programas ao ar livre, mas est\u00e3o abolidos da minha vida, e o\u00a0conv\u00edvio com a fam\u00edlia \u00e9 virtual. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o vir \u00e0 institui\u00e7\u00e3o, alternando com atividades em home office. Mas eu tenho,\u00a0sim, medo de me infectar e de infectar os outros.\u00a0\u00c9 uma doen\u00e7a que pode causar formas graves e n\u00e3o h\u00e1 como ter certeza de fatores de risco.\u00a0Mas nada que me paralisa.<\/p>\n<p><strong>A senhora acha que a t\u00e3o esperada vacina pode vir do Brasil?\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Temos dois grupos\u00a0de pesquisa na pr\u00f3pria Fiocruz pesquisando vacinas e esperamos que esse trabalho seja exitoso. Vacina requer muito conhecimento de laborat\u00f3rio mais uma fase important\u00edssima de estudo cl\u00ednico.\u00a0Seria fant\u00e1stico produzir de grupos nacionais,\u00a0mas, junto com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, estamos trabalhando para formar um painel de\u00a0avalia\u00e7\u00e3o de vacinas candidatas estrangeiras e, havendo uma vacina\u00a0validada por estudo cl\u00ednico e de acesso para o mundo, a Fiocruz ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Da\u00ed a import\u00e2ncia da resolu\u00e7\u00e3o da\u00a0OMS\u00a0de\u00a0que vacinas e medicamento\u00a0s\u00e3o bens p\u00fablicos, sem lucro.\u00a0Temos\u00a0o laborat\u00f3rio\u00a0Biomanguinhos, respons\u00e1vel pela maior parte das vacinas do Programa Nacional, de febre amarela, sarampo e com experi\u00eancia hist\u00f3rica.\u00a0Uma vez identificada vacina e definida com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a Fiocruz tem condi\u00e7\u00f5es para contribuir.<\/p>\n<p><strong>Oswaldo Cruz foi um pioneiro em valorizar a ci\u00eancia e investir da maneira como o fez. 120 anos depois, as pessoas que trabalham hoje na Fiocruz s\u00e3o pioneiras?<\/strong><\/p>\n<p>Oswaldo Cruz e Carlos Chagas s\u00e3o figuras\u00a0not\u00e1veis e pioneiros sim, mas n\u00e3o trabalhavam sozinhos.\u00a0Havia uma rede mobilizada, ningu\u00e9m faz trabalho de ci\u00eancia sozinho em nenhum momento da hist\u00f3ria. Hoje, a ci\u00eancia \u00e9 um empreendimento mais complexo que envolve grupos de pesquisadores, redes,\u00a0rela\u00e7\u00f5es com ind\u00fastrias, empresas. N\u00e3o que n\u00e3o existissem no passado, mas hoje \u00e9 numa escala sem propor\u00e7\u00e3o. Nossa institui\u00e7\u00e3o tem uma alma, pela sua hist\u00f3ria que vai sendo atualizada e renovada, mobilizando sentimentos para fazer seu trabalho pela\u00a0saude\u00a0publica. Temos\u00a0muitos pioneiros, desbravadores vision\u00e1rios, mas nunca o g\u00eanio isolado, sempre trabalho em equipe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: O Globo No primeiro semestre de 1900, o\u00a0Rio de Janeiro\u00a0enfrentava um s\u00e9rio surto de\u00a0peste bub\u00f4nica, uma infec\u00e7\u00e3o grave transmitida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-10017","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10017","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10017"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10017\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10020,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10017\/revisions\/10020"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10017"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10017"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10017"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}