{"id":10005,"date":"2020-05-25T14:16:22","date_gmt":"2020-05-25T14:16:22","guid":{"rendered":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/?p=10005"},"modified":"2020-05-25T14:16:22","modified_gmt":"2020-05-25T14:16:22","slug":"tratamento-com-anticorpos-contra-coronavirus-deve-chegar-antes-de-vacina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socgastro.org.br\/novo\/2020\/05\/tratamento-com-anticorpos-contra-coronavirus-deve-chegar-antes-de-vacina\/","title":{"rendered":"Tratamento com anticorpos contra coronav\u00edrus deve chegar antes de vacina"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>Cientistas de diversos pa\u00edses est\u00e3o engajados no desenvolvimento de\u00a0terapias para a Covid-19\u00a0baseadas em anticorpos. Resultados de estudos em fase inicial indicam que h\u00e1 uma boa chance de que o m\u00e9todo funcione contra a doen\u00e7a, mas ele \u00e9 considerado caro e depende de f\u00e1bricas bem equipadas para manter uma produ\u00e7\u00e3o adequada, que responda \u00e0 demanda.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, o uso desses anticorpos como um rem\u00e9dio deve estar dispon\u00edvel\u00a0antes de uma vacina, uma vez que os experimentos que atestam efic\u00e1cia e seguran\u00e7a s\u00e3o mais simples e podem ser realizados em menos pessoas e em um per\u00edodo de tempo mais curto.<\/p>\n<p>Quando o corpo percebe a entrada do v\u00edrus, ele passa a produzir as prote\u00ednas que podem\u00a0nos defender do invasor\u00a0\u2014os anticorpos. Quando o paciente n\u00e3o consegue gerar naturalmente a defesa contra o Sars-CoV-2 de forma eficiente, o parasita se multiplica e migra para outros \u00f3rg\u00e3os que possuem em suas c\u00e9lulas o receptor ECA-2, ao qual o v\u00edrus se conecta.<\/p>\n<p>Entre as\u00a0partes que podem ser infectadas\u00a0pelo novo coronav\u00edrus est\u00e3o o sistema respirat\u00f3rio, o intestino e os rins.<\/p>\n<p>\u201cAinda estamos construindo o conhecimento sobre a Covid-19, mas h\u00e1 ind\u00edcios de que a inflama\u00e7\u00e3o que ela causa nos pacientes em estado mais grave n\u00e3o permite que os anticorpos cheguem a ser produzidos\u201d, explica a bi\u00f3loga Ana Maria Moro, diretora do Laborat\u00f3rio de Biof\u00e1rmacos do Instituto Butantan.<\/p>\n<p>\u201cUm produto com os anticorpos poderia fornecer o que a pessoa n\u00e3o conseguiu produzir por conta pr\u00f3pria e evitar que o v\u00edrus chegue a outras partes do corpo\u201d, completa.<\/p>\n<p>Um princ\u00edpio semelhante \u00e9 usado no\u00a0tratamento que usa o sangue de pessoas recuperadas\u00a0da Covid-19, j\u00e1 praticado no Brasil. Na terapia, \u00e9 usada a parte l\u00edquida do sangue, chamada de plasma, que cont\u00e9m os anticorpos policlonais \u2014uma variedade de prote\u00ednas protetoras produzidas por aquela pessoa.<\/p>\n<p>\u201cUma pessoa produz v\u00e1rios anticorpos diferentes, nossa capacidade de produzir essas prote\u00ednas \u00e9 imensa. Mas nem todas elas podem neutralizar o v\u00edrus\u201d, diz Moro.<\/p>\n<p>Assim, o ideal seria um tratamento que usasse os anticorpos monoclonais, ou seja, c\u00f3pias de um \u00fanico anticorpo com a fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de combater o Sars-CoV-2.<\/p>\n<p>Para desenvolver a terapia, os cientistas fazem uma investiga\u00e7\u00e3o dos anticorpos gerados pelo organismo dos recuperados da doen\u00e7a, testando as diversas mol\u00e9culas dessa grande biblioteca de anticorpos.<\/p>\n<p>Os experimentos s\u00e3o feitos em culturas de c\u00e9lulas infectadas pelo v\u00edrus. O anticorpo mais potente para barrar a infec\u00e7\u00e3o pode seguir para os testes em animais e pessoas. Uma vez aprovado, \u00e9 necess\u00e1ria a produ\u00e7\u00e3o de uma c\u00e9lula que seja capaz de fazer a multiplica\u00e7\u00e3o daquele anticorpo, funcionando como uma f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Mais de uma prote\u00edna deve funcionar contra a doen\u00e7a, segundo Wilma Carvalho Neves Forte, m\u00e9dica e professora de imunologia da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Santa Casa de S\u00e3o Paulo (FCMSCSP).<\/p>\n<p>\u201cSabemos que s\u00e3o v\u00e1rias chaves que podem abrir essa fechadura, mas algumas v\u00e3o funcionar melhor do que outras\u201d, afirma a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Entre publica\u00e7\u00f5es de artigos cient\u00edficos, relat\u00f3rios e comunicados, sabe-se que\u00a0dezenas de empresas\u00a0e universidades j\u00e1 encontraram um bom candidato a ser usado nesse tratamento.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de maio, um grupo de cientistas de universidades europeias publicou resultados que demonstraram a efici\u00eancia de um\u00a0anticorpo humano para bloquear a infec\u00e7\u00e3o\u00a0pelo novo coronav\u00edrus em cultura de c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>O artigo que descreve o estudo foi publicado no peri\u00f3dico Nature Communications, revista de acesso gratuito publicada pelo mesmo grupo respons\u00e1vel pela prestigiosa Nature.<\/p>\n<p>Mas assim como a variedade de anticorpos que os humanos produzem \u00e9 grande, as possibilidades de tratamento com essas prote\u00ednas tamb\u00e9m s\u00e3o diversas. Um grupo de pesquisadores de institui\u00e7\u00f5es chinesas, por exemplo, conseguiu usar uma\u00a0dupla de anticorpos como um antiviral\u00a0contra o Sars-CoV-2.<\/p>\n<p>No artigo, publicado na revista Science em 13 de maio, os cientistas afirmam que o par de anticorpos foi capaz de reduzir a quantidade do v\u00edrus em pulm\u00f5es de ratos.<\/p>\n<p>Em outra pesquisa, um grupo de cientistas de universidades e empresas europeias e norte-americanas encontrou um anticorpo capaz de bloquear a infec\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus\u00a0e o seu parente mais velho: o Sars-cov,\u00a0causador de um surto\u00a0de s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave (SRAG) em 29 pa\u00edses entre os anos de 2002 e 2003. Os resultados promissores foram publicados no dia 18 de maio na revista Nature.<\/p>\n<p>Uma promessa mais ousada vem da empresa sul-coreana Celltrion, que no fim de mar\u00e7o anunciou ter planos de\u00a0desenvolver um \u201csuperanticorpo\u201d, que seria capaz de neutralizar todos os tipos de coronav\u00edrus, inclusive suas poss\u00edveis muta\u00e7\u00f5es. A subst\u00e2ncia tamb\u00e9m poderia ser \u00fatil em futuras pandemias.<\/p>\n<p>Todos esses anticorpos devem passar para outras fases de pesquisa, com testes em animais e pessoas que avaliem a seguran\u00e7a e a efic\u00e1cia de seu uso.<\/p>\n<p>De acordo com Forte, \u00e9 poss\u00edvel o uso de anticorpos tamb\u00e9m para preven\u00e7\u00e3o. \u201cMas, inicialmente, a prioridade deve ser o uso nos pacientes com a doen\u00e7a\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cAnticorpos s\u00e3o mol\u00e9culas muito caras e que precisam de uma produ\u00e7\u00e3o imensa\u201d, lembra Moro. Pelo menos em um primeiro momento, o Brasil teria de importar o material, de acordo com a cientista, que tamb\u00e9m conduz pesquisas com anticorpos para coronav\u00edrus no Instituto Butantan.<\/p>\n<p>Para Moro, o uso dos anticorpos de maneira preventiva n\u00e3o exclui a necessidade do isolamento social, mas pode ser uma op\u00e7\u00e3o para barrar a contamina\u00e7\u00e3o entre os profissionais da sa\u00fade que lidam diretamente com pacientes da Covid-19.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Cientistas de diversos pa\u00edses est\u00e3o engajados no desenvolvimento de\u00a0terapias para a Covid-19\u00a0baseadas em anticorpos. 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