fonte: Saúde Abril

Ao falar sobre gestão de medicamentos na rede pública, podemos destacar dois pontos. Primeiro, a compra periódica de remédios já usados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, segundo, os processos que envolvem a decisão de incorporação de novos medicamentos até o momento em que eles passam a ser disponibilizados.

Vamos começar com as dificuldades relacionadas à aquisição recorrente de medicamentos. O ano de 2019 começou com uma grave crise de desabastecimento que deixou cerca de 2 milhões de pacientes sem tratamento no sistema público de saúde, segundo o Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass). Os remédios esgotados eram para doenças como câncer de mama, leucemia em crianças, inflamação, entre outras.

Para os pacientes oncológicos afetados por essa situação, interromper o tratamento no meio é como jogar fora a terapia prévia, porque o tumor pode progredir (ou seja, volta a evoluir). E há o risco de o paciente criar resistência ao medicamento, que não terá a mesma eficácia quando ele finalmente retomar seu uso.

Diante disso, a pessoa com câncer fica extremamente vulnerável e impotente, enquanto o profissional também não sabe quando haverá um novo abastecimento. O médico se vê obrigado a improvisar e buscar alternativas – que muitas vezes não existem, ou são inferiores e não seguem os protocolos.