FBG e Choosing Wisely Brasil lançam recomendações para escolhas sensatas em Gastroenterologia

fonte: FBG

Com o objetivo de fomentar o debate racional sobre tópicos controversos na assistência ao paciente, a Federação Brasileira de Gastroenterologia e a Choosing Wisely Brasil lançaram em conjunto 5 recomendações direcionadas à rotina do Médico Gastroenterlogista. Para tanto, foi formado um grupo de trabalho com membros da Comissão Jovem Gastro na gestão 2017-18 com o objetivo de delimitar essas escolhas em conjunto com a Choosing Wisely Brasil. Ideias foram desenvolvidas com tópicos nas diferentes áreas da Gastroenterologia que resultaram na lista preliminar com 9 itens que foi submetida aos sócios da FBG para seleção das 5 recomendações mais votadas.

A iniciativa CWB visa contribuir para uma discussão a respeito dos procedimentos utilizados na medicina com foco em diminuir a aplicação de exames e mesmo procedimentos desnecessários, capazes de trazer mais malefícios que benefícios aos pacientes. Por ser uma especialidade essencialmente clínica, a Gastroenterologia tem muito o que se beneficiar desse tipo de discussão, uma vez que não são raros os tratamentos e procedimentos utilizados que devem ser pesados com uma ótica de custo-efetividade, sempre buscando o bem-estar do paciente

Você confere a lista completa abaixo:

1) Procure evitar a terapia a longo prazo com Inibidor da bomba de prótons (IBP) em pacientes com Doença do Refluxo Gastroesofágico sem uma tentativa de parar ou reduzir o IBP pelo menos uma vez na maioria dos pacientes.

Mesmo os IBP sendo medicamentos eficazes para o tratamento da Doença do Refluxo Gastroesofágico, seu uso crônico tem sido associado a aumento do risco de infecções entéricas e nefrite intersticial aguda, particularmente entre idosos que compõem a maior proporção de usuários de IBP. Embora não haja evidências suficientes para estabelecer causalidade, esses potenciais riscos atrelados ao uso prolongado devem ser levados em consideração ao recomendar uso continuado de IBP.

2) Não transfunda rotineiramente plasma fresco congelado, vitamina K ou plaquetas para reverter alterações nos testes de coagulação usuais em pacientes com cirrose hepática antes de realizar paracentese abdominal ou ligadura endoscópica de varizes de esôfago.

Os testes de rotina da coagulação não refletem o risco de sangramento em pacientes com cirrose e complicações hemorrágicas desses procedimentos são raras nesses pacientes.

3) Evite realizar uma colonoscopia em pacientes com constipação crônica com menos de 45 anos de idade, sem histórico familiar de câncer de cólon, e na ausência de sinais de alarme como anemia ferropriva, perda de peso significativa não intencional, sangramento ou prolapso retal ou sintomas obstrutivos.

A constipação crônica é um problema comum e os dados da revisão sistemática sugerem que este não é um sintoma com boa acurácia para estabelecer a presença de doença orgânica.  

4) Evite rotineiramente terapia com esteróides a longo prazo na Doença Inflamatória Intestinal.

Os riscos da terapia com esteróides a longo prazo (terapia por mais de 4 meses e/ou mais de dois cursos em um ano) superam benefícios na Doença Inflamatória Intestinal e não devem ser administrados aos pacientes. Em vez disso, eles devem ser oferecidos outras terapias, como imunossupressão ou terapia biológica, que são mais seguras e têm mais evidências de eficácia.

5) Não solicite exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) em pacientes com relato de sangramento retal ou na investigação de anemia ferropriva.

O exame de sangue oculto nas fezes foi desenvolvido para uso ambulatorial no contexto do rastreamento do câncer colorretal em pacientes assintomáticos com baixo risco de câncer colorretal. Não deve ser realizado para pacientes que apresentem sinais e sintomas de possível doença do cólon: 26-35% dos testes de PSOF são realizados inadequadamente, aumentando tanto o número de colonoscopias inapropriadas quanto de complicações endoscópicas.